A Qualidade do Ar nas Instalações Zootécnicas

Publicado: 04/12/2013
Autor/s. : Meirelane Chagas da Silva & José Antonio Delfino Barbosa Filho (Núcleo de Estudos em Ambiência Agrícola e Bem-estar Animal (NEAMBE) Universidade Federal do Ceará – UFC).

Ao se falar de ambiência é comum à associação direta feita às variáveis ambientais temperatura e umidade relativa do ar. E esses fatores são, sem dúvida nenhuma, extremamente importantes e exercem considerável influência na produtividade dos animais e no bem-estar dos trabalhadores. Mas existem outros fatores, que por serem...

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Marcelo de Souza Lima Marcelo de Souza Lima
Médico Veterinário
4 de Dezembro de 2013

José Antonio Delfino Barbosa Filho,
Artigo muito interessante e que traz à tona um aspecto muito comentado, importante do ponto de vista de mercado e, infelizmente, pouco praticado, que é o bem estar animal.
Acompanho a avicultura a um bom tempo e atualmente dedico-me profissionalmente na retirada de cama de aviário, processo inicial do mais importante passo da criação intensiva, o vazio sanitário, que também passa pelo processo de compostagem da cama, no caso da reutilização da mesma.
Assim sendo, não é raro encontrar aviários cujos níveis de amônia dentro do aviário é insuportável para seres humanos, com seus narizes a uma média de 1,7 m de altura, imaginem para quem tem seu nariz a cerca de 0,60 m dessa cama. Cama com índice de umidade tão elevado, que após amontoada em leiras para o processo de compostagem, após 7 a 10 dias após ser esparramada novamente no galpão, essa cama ainda libera níveis de amônia capazes de promover cegueira nos pintos na primeira semana. Gostaria de incitar quem lê a imaginar o bico desses pintinhos a aproximadamente 10 cm da cama, com temperatura em cerca de 30ºC e agora expire o ar total de seus pulmões e inspire fortemente até encher os seus pulmões. Calma, essa pontada aguda no meu de seu cérebro e a garganta adocicada pode ser rapidamente eliminada do seu corpo, basta sair de dentro do galpão, pena que os pintinhos não podem, você fechou o portão.
Imaginação a parte, fico muito preocupado quando vejo citações de que equipamentos devem ter seu custo barateado para que possamos atingir os objetivos de bem estar animal e outros tão importantes quanto, porque vejo e observo recomendações técnicas realizadas por veterinários, agrônomos, zootecnistas, que não vêm de encontro com o necessário para obtenção de um estado de produção coerente com o exigido para a ave, basta ver o tipo de cama encontrado nos aviários, a quantidade de poeira aderida nas pás dos exautores e nas telas da saída de vento dos galpões evaporativos adiabáticos com uso de linhas de nebulização.
Inclusive essa variável então é por demais atropelada, pois observo controladores de ambientes que têm sua função de controle de umidade relativa desabilitado para que a quantidade de água nebulizada atinja patamares acima de 85% de umidade relativa e não corte a água da bomba de nebulização, fazendo assim, que as aves sintam sensação térmica mais baixa e sintam nas penas o que os patos sentem na lagoa.
Portanto, vejo com alegria artigo como esse, que possa despertar o princípio físico e fisiológico de variáveis que atuam em animais que vivem em galpões, valendo-se de conhecimento e de equipamentos para atingir tal objetivo.

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4 de Dezembro de 2013

Obrigado, Sr. Marcelo. Gostei muito do seu exemplo real de sensação quanto à elevada concentração de amônia presente na cama dos aviários, é exatamente assim mesmo que acontece. Por isso esse é um dos pontos críticos de controle de perdas na produção e um dos assuntos que figura entre os principais nas discussões sobre as condições de bem-estar para frangos de corte. Como bem observado pelo sr. depois de detectarmos vários problemas quanto ao excesso de amônia presente nos galpões de criação de frangos, nos voltamos agora para o estudo da umidade. Hoje o NEAMBE possui pesquisas direcionadas exclusivamente ao estudo do comportamento dessa importante variável ambiental nas instalações e seus efeitos nos animais, inclusive já enviamos um texto para o portal Engormix sobre isso e creio que em breve ele será publicado. Obrigado pelos elogios e aproveito a oportunidade para indicar o nosso site (www.neambe.ufc.br) para que acompanhe os nossos estudos e pesquisas. Obrigado!

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Prof. Roberto de Andrade Bordin Prof. Roberto de Andrade Bordin
Doutor Ciencias Veterinárias (Sanidade); Mestre em Zootecnia (Nutrição e Produção Animal); Médico Veterinário
30 de Abril de 2014

Olá, amigos, tudo bem? Espero que sim.

Muito boa a exposição do Dr. José, e as colocações do Dr. Marcelo sempre excelentes.

Trabalho na área de sanidade avícola de forma preventiva e minha atuação básica hoje são problemas respiratórios associados aos problemas ambientais. Várias empresas no Brasil conhecem o problema de amônia e poeira de forma geral. Uma parte deste desconhecimento se dá pela má preparação e conhecimento dos profissionais de campo. Muitas tecnologias existem para prevenção, o problema é que não se relacionam estas tecnologias com o potencial de ganho, ou seja "invisto quanto e ganho tanto", basicamente informamos que o problema existe e que a ave sofre. Um exemplo: Em uma determinada integração do nordeste o problema estava evidente, até alterações histopatológicas foram observadas, foram relacionados os problemas em produtividade e ganho com a utilização de 2 determinadas tecnologias em cama e em água de bebida para reduzir o impacto da amônia, o custo e a relação de ganho financeiro em vários aspectos (R$ 1,00 investido e R$ 4,70 de retorno). Se quer o Diretor de produção entendeu o problema da respiração com ganho de peso...muito menos o ganho financeiro.

Voltando ao assunto...as empresas se quer medem a amônia e quando medem usam as fitas de medição que são extremamente incertas...

A relação do problema - NH3 com os ganhos ou perdas por parte da indústria é o caminho para melhorar as relações de bem - estar nos galpões.

Obrigado.

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