Introdução
O monitoramento de micotoxinas nos ingredientes das rações é essencial para reduzir perdas produtivas e econômicas na produção avícola.
Objetivo
Este estudo avaliou a contaminação por micotoxinas no milho, no farelo de soja e no farelo de trigo utilizados em diferentes regiões do Brasil, por meio da espectroscopia no infravermelho próximo (NIRS), durante o primeiro semestre de 2026.
Material e métodos
Aflatoxina B1 (AFB1), fumonisinas (FBs: FB1+FB2), deoxinivalenol (DON) e zearalenona (ZEN) foram preditos usando curvas de calibração NIRS previamente desenvolvidas, com HPLC-MS/MS como método de referência.
Os coeficientes de correlação (R) entre as metodologias variaram de 0,84 a 0,88. Os limites de quantificação (em µg/kg) para AFB1, FB1, FB2, DON e ZEN foram 5, 200, 200, 250 e 30, respectivamente.
-Período: 1º de janeiro a 20 de junho de 2026;
-Número de amostras: 13.714 (milho = 8.647, farelo de soja = 3.684, farelo de trigo = 1.383) provenientes de fábricas de rações brasileiras;
-Preparação: as amostras foram moídas (1 mm) e analisadas em equipamentos Foss ou Bruker;
-Predição via Plataforma Olimpo (Pegasus Science Ltda.).
Resultados
As fumonisinas (FBs) foram as micotoxinas mais prevalentes no milho, seguidas por ZEN, DON e AFB1. O farelo de soja apresentou baixos níveis de contaminação. Nas amostras de farelo de trigo, ZEN e DON apresentaram alta ocorrência.
Tabela 1. Micotoxinas no farelo de soja e no farelo de trigo.
ND: não detectado; FBs = fumonisinas B1+B2; AFB1 = aflatoxina B1; DON = deoxinivalenol; ZEN = zearalenona.
Figura 1. Média e ocorrência de micotoxinas no milho em diferentes regiões do Brasil.
Conclusão
Os resultados das cinco regiões brasileiras destacam a necessidade de atenção especial às fumonisinas (FBs) no milho, bem como à ZEN e DON no farelo de trigo. Conclui-se que o NIRS é uma ferramenta rápida e confiável para monitorar micotoxinas nos ingredientes, contribuindo para melhorar seu controle na cadeia de produção avícola.