Dificuldades encontradas pelos pecuaristas na implantação da rastreabilidade bovina

Publicado o: 11/06/2013
Autor/s. : Marcos Aurélio Lopes e C.M.B.M. Rocha, Universidade Federal de Lavras –UFLA–, MG; Andréia Alves Demeu e F.R.P. Bruhn, Alunos de pós-graduação, UFLA, MG, e A.D.B. Ribeiro e P.L. Retes, Alunos de graduação, UFLA, MG.

INTRODUÇÃO A rastreabilidade da carne bovina começou a tomar corpo na Europa, por volta de 1996, especialmente com o advento da doença da vaca louca, da febre aftosa e da contaminação de alimentos pelas dioxinas, que colocaram em destaque a absoluta necessidade da busca de métodos cada vez mais seguros para realizar o acompanhamento, não s&...

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Romão Miranda Vidal Romão Miranda Vidal
Médico Veterinário
11 de Junho de 2013

A RASTREABILIDADE, NÃO É CRÍVEL. Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Dr. Roberto Rodrigues. A Rastreabilidade implantada na marra, pelo MAPA no ano de 2002, foi um verdadeiro Estelionato, praticado contra a pecuária nacional e abonado pelo então ministro da Agricultura. Foram favorecidas inúmeras empresas que receberam indevidamente a adjetivação de – certificadoras- sem ter o mínimo de condições técnicas operacionais, no concernente ao que se diz respeito à Certificação. Quantas empresas existiam no ano de 2002, 2003 e quantas existem hoje? Quantas propriedades foram “certificadas ou roubadas” e estavam habilitadas para exportação de carne bovina e quantas existem hoje? Quanto lucraram as empresas que deixaram de existir? Quanto lucraram as indústrias dos fajutos brincos amarelos? A realidade dos fatos deve ser posta da seguinte maneira. Uma parcela considerável destas tais “certificadoras” receberam o credenciamento do MAPA/SISBOV, graças às intervenções políticas e seus proprietários eram verdadeiros aventureiros, que sequer sabiam o que era Rastreabilidade. A ignominia era tanta que até um Médico Veterinário que trabalhava no MAPA criou uma “certificadora” e acreditem foi suspensa de suas atividades por irregularidades.
O que se podia e se pode esperar das empresas acreditadas junto ao MAPA/SISBOV se não sabem sequer o mínimo de um SISTEMA INTEGRADO DE PECUÁRIA DE CORTE, voltado para um sistema de Rastreabilidade e posterior Certificação?
A Rastreabilidade aplicada na produção de bovinos, destinados ao abate e posteriormente à exportação, não difere em nada da Rastreabilidade empregada em outros setores. Senhoras e senhores. A Rastreabilidade a ser implantada e implementada no setor pecuário bovino de corte exige no mínimo 19 Protocolos Técnicos. Não é a simples conferência de uma prática vacinal, com a anotação de marca de vacina, finalidade da vacina, data de vacinação, data de fabricação, lote, nome do laboratório, número da Nota Fiscal e nome do estabelecimento vendedor, que importar. Isto é um pequeno fragmento do bloco consistente, relacionado com os 19 Protocolos. Quanto no trabalho há a citação de: “A rastreabilidade melhora a gestão da empresa rural pela obrigatoriedade da identificação individual do animal, o que permite ao produtor manter registros de parentesco, data de nascimento, registros de produção, histórico de saúde...", não há como concordar. Qualquer software custando R$ 50,00 fornece este tipo de escrituração exploratória.
A irresponsabilidade do MAPA/SISBOV é tanta, mas tanta, que coloca em cheque toda a pecuária de corte brasileira, seja ela avícola ou de suínos.
Volto a repetir o que já citei em artigos meus publicados, inclusive neste site, que para se certificar um produto, exige-se que se cumpram todos os Protocolos inerentes ao SISTEMA DE PRODUÇÃO, uma vez de acordo procedesse a usar Certificação. Parte-se então para a Certificação da Propriedade e que se de acordo com os Protocolos, Certifica-se então a Propriedade. E finalmente então se o produto atender a todos os requisitos Certifica-se o Produto final, qual seja o bovino destinado ao abate e posteriormente à exportação.
Pergunto. Qual a postura do MAPA/SISBOV neste tipo de ação? Nenhuma. Não tem a mínima condição de sequer vistoriar as usinas que vendem leite com Formol e Água Oxigenada, quanto mais de vistoriar fazendas onde as “certificadoras” prestam o fajuto serviço de anotação e despacho, quais despachantes de trânsito.
O trabalho apresentado tem lá o seu valor informativo em relação aos entraves, dificuldades e opiniões. Estatisticamente é bem conduzido em um universo de 130 produtores, o que praticamente não tem significado macro em relação à real situação da pecuária bovina de corte brasileira, mas é válido e deve ser levado em consideração para novas discussões e avaliações.
Rastreabilidade não é para quem quer e nem tão pouco para o MAPA/SISBOV.
Rastreabilidade é para quem sabe e tem competência na sua graduação profissional e para as Associações de Criadores de Raças Bovinas de Corte.

Médico Veterinário Romão Miranda Vidal

Responder
22 de Julho de 2013

Antes mesmo de entrar no mérito do assunto em questão, muito bem colocado pelo Médico Veterinário Romão Vidal, é necessário que se esclareçam informações básicas sobre a rastreabilidade eletrônica para o rebanho bovino e bubalino. Tenho lido e escutado absurdos sobre o tema. Alguns, inclusive médicos veterinários e autoridades do setor, imaginam que o boi com brinco eletrônico é localizado por satélite ou que armazena, dentro do chip, informações sobre o animal. No chip eletrônico existe apenas um número, como um CPF, ou seja a identificação individual do animal. A partir da ID é que se sabe das demais informações como: data do nascimento, sexo, raça, categoria, peso, histórico sanitário, genética, etc., registradas em planilhas de papel ou eletrônicas. No caso do reconhecimento internacional, esse controle, padrão ISO (numeração única), a freqüência determinada de 134,2 kHz é muito baixa e proposital obrigando uma leitura de no máximo 30 cm do brinco, assegurando a individualidade de cada animal. Assim a comparação com os leitores de pedágio não se aplica neste caso, principalmente no quesito sanitário. No caso da aftosa, por exemplo, um único animal contamina toda a propriedade e até a região. Localizar um animal da mesma raça no meio de milhares ou centenas, que porventura tenha escapado no brete ou passado pelo tronco sem receber a vacina, é impossível.
Preconizo aqui, e podem me cobrar, que enquanto o Brasil não criar oficialmente a figura do operador de rastreabilidade (como é feito no Uruguai), um profissional credenciado e responsabilizado pelas informações transmitidas ao governo e abonadas pelos proprietários, não teremos a rastreabilidade implantada em todo o rebanho nacional. De resto basta o governo determinar duas coisas muito simples: gratificar com créditos de tributos o custo da rastreabilidade, algo em torno de R$ 30,00 p/animal com abate em até 36 meses de vida, incluindo brincos eletrônicos, de manejo e mão de obra. Dar o brinco, como pensam alguns, é resolver apenas 15% do problema. Segundo é exigir e fiscalizar que os frigoríficos municipais, estaduais e de inspeção federal abatam somente animais cadastrados dentro do padrão ISO. Não é frescura de importador ou de governo mas sim o que existe de segurança na atualidade, o controle eletrônico/individual facilita o cadastramento e consequentemente a gestão e o inventário do rebanho além de evitar o erro humano.
Cordialmente,

Olivio José Silveira

Responder
Romão Miranda Vidal Romão Miranda Vidal
Médico Veterinário
22 de Julho de 2013
Sr. Olívio José Silveira.
Aleluia. Aleluia. Aleluia. Até que enfim surgiu um bendito que entende o que deve ser Rastreabilidade. Até que enfim. Já estava desistindo. Confesso que agora me sinto mais entusiasmado com este assunto.
Parabéns pelas suas brilhantes e sábias colocações.
Atenciosamente.
Médico Veterinário Romão Miranda Vidal.
Responder
12 de Agosto de 2013

Prezado Olivio, muito interessantes suas observações, de fato necessitamos em primeiro lugar desmistificar a rastreabilidade, há muita gente sem entender direito e achando que ela é um bicho de 7 cabeças, o que não é verdade, as certificadoras não desmistificam pois dá para cobrar mais caro tudo que é difícil...
Dentro do processo de desmistificação, basta fazer uma analogia com o sistema SEM PARAR, onde o carro é o animal e as praças de pedágios cada um dos manejos. Deixar claro que o tag tem uma única informação - um nº único -, que identificará o animal nas bases de dados do proprietário. Há chips mais inteligentes, além do nº único tem um termômetro, quando o animal passa por uma das antenas, além do número ele informa a temperatura. Essa informação adicional poderá melhorar mais ainda a qualidade da rastreabilidade, fica mais fácil identificar o estro como também variações que podem acusar algum mal. Abraços e boa sorte na sua empreitada...

Responder
13 de Agosto de 2013

Prezado Oswaldo, agradeço os votos de boa sorte. Fico contente que profissionais do setor se preocupem em repassar essa visão aos que resistem à tecnologia e modernidade.
A maioria possui um aparelho celular de última geração e se comunica de qualquer lugar a qualquer instante com a família, funcionários e clientes. O controle eletrônico por RFID (identificação por rádio freqüência) proporciona uma gestão do rebanho espetacular. Se perguntarmos a um pecuarista quantas cabeças de gado possui, em uma ou mais propriedades, ele não sabe responder com exatidão, umas 800, dirá. Se questionados de que categorias é formado seu rebanho pior ainda. É preciso ter em mente que o dinheiro, de qualquer negócio, está em apenas três lugares: No banco ou no bolso, no cliente e especialmente no estoque. Estoque de pecuarista é o boi.
Uma moderna caminhonete de R$120.000,00 paga o custo do controle de um rebanho de 5.000 cabeças pelo período de 3 anos. Isso se, o cadastramento, no desmame, mais 6 eventos em 24 meses for terceirizado, incluindo o custo dos brincos eletrônicos e de manejo chegaremos a um número aproximado de R$ 24,00 p/cabeça, menos de meio por cento ao ano do preço médio de um animal para abate. Este é o tão temido custo da rastreabilidade que com ferramentas adequadas é muito fácil implantar. Além do controle vem o lucro com o ganho de peso no manejo de pastagens, melhoria na genética, descoberta rápida do abigeato, interno e externo, e valorização dos animais com histórico sanitário.
Um dia, em um futuro próximo, desejo ouvir algum conterrâneo responder:
"pois olha tchê! tô com 831 cabeças de gado, 5 cavalos buenito de sela e um cachorro ovelheiro, tudo com aqueles troço eletrônico pendurados nas orelha, tu qué vê? te mostro aqui no meu telefone."

Valeu Oswaldo, obrigado pelo apoio, um forte abraço!

Olivio José Da Silveira

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