Controle biológico em pastagens

Publicado: 04/12/2013
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Práticas de controle biológico já eram utilizadas na antiguidade, tendo-se registros do uso de formigas para controlar pragas de citros no século III a.C. Hoje, cada vez mais difundida, essa técnica de manejo chega a movimentar milhões de dólares. No Brasil, essa realidade vem se consolidando, com técnicas adaptadas às nossas condições, sendo desenvolvidas por empresas particulares e instituições governamentais.

Inseticidas e substâncias agroquímicas em geral não podem ser utilizadas em lavouras e criações de sistemas produtivos agroecológicos. Entre os efeitos negativos da utilização de agroquímicos pode-se citar a resistência adquirida por insetos e pragas aos inseticidas, o reaparecimento de pragas, o aparecimento de resíduos em alimentos, na água e no solo, com efeitos nocivos ao homem e aos animais, inclusive em insetos que atuam como polinizadores e como inimigos naturais, afetando toda a biodiversidade.

O princípio clássico da técnica preconiza que pragas devem ser combatidas por inimigos naturais dessa praga, adaptadas às mesmas condições ambientais que as da praga originalmente. A criação de insetos para controle biológico levou laboratórios a se especializarem para criação de insetos com regularidade e com controle eficiente. Dietas artificiais foram desenvolvidas facilitando a evolução das técnicas de criação.

 

O princípio clássico da técnica preconiza que pragas devem ser combatidas por inimigos naturais dessa praga, adaptadas às mesmas condições ambientais que as da praga originalmente

 

Antes da evolução das técnicas de criação, o inseto, por exemplo, introduzido no ambiente para combater a praga, tinha que primeiro se adaptar, se multiplicar para só então combater a praga, o que era dificultado pela grande utilização de venenos (agroquímicos) nas lavouras. Com o desenvolvimento das dietas artificiais, um controle biológico em maior escala se tornou possível, já que quantidades consideravelmente maiores de insetos puderam ser liberadas para combater a praga mais rapidamente, alcançando níveis de resposta semelhantes aos de substâncias químicas, só que sem efeitos residuais nocivos ao meio ambiente.

A maior parte dos insetos utilizados para combater pragas é das ordens lepdóptera, coleóptera e díptera. O Brasil já comercializa patógenos (Metharhizium, Bacilovirus) para combater pragas da cana-de-açucar, da bananeira e de pastagens, com outros sendo produzidos, mas ainda não disponíveis no mercado devido à pequena procura por parte de produtores e população em geral.

A produção animal em pastagens só se torna viável, a médio e longo prazo, com a utilização de práticas adequadas de manejo, que promovam a sustentabilidade, com baixo impacto ambiental, preservando os recursos naturais e a biodiversidade, garantindo a capacidade produtiva do solo e da pastagem.

O Brasil conta, atualmente, com aproximadamente 220 milhões de hectares de pastagens, entre pastagens nativas e cultivadas, em diferentes ambientes, climas e sistemas de produção. O controle biológico em pastagens se mostra hoje, um vasto e novo campo para que profissionais viabilizem a tecnologia, através da pesquisa científica e da aplicação prática no campo.

Alguns inimigos naturais das principais pragas das pastagens já foram identificados e testados, como no caso da cigarrinha (Deois spp), que ataca capins como colonião, napier, brachiaria, angola, é combatida eficazmente pela ação de esporos do fungo Metarrhizium anisopliae, pulverizados sobre a pastagem. A cochonilha (Antonina graminis), que também ataca diversos capins, é combatida pela mosca Neodusmetia sangwani.

Bactérias, vírus e fungos podem ser produzidos em laboratório, o que aumenta o universo de alternativas para combater pragas comuns e as que venham a surgir, sejam em jardins, em lavouras, culturas menores como de hortaliças, plantios em estufa e em pastagens.

As temidas saúvas, pelo seu alto poder destrutivo em capins como colonião, são combatidas por formigas carnívoras, que estão naturalmente presentes em solos bem manejados.

Práticas de controle biológico devem estar associadas a outras medidas como melhora do manejo animal das pastagens, como a utilização de pastejo rotativo, de barreiras vegetais de vento, de variedades resistentes às pragas, tempo adequado de permanência do gado no pasto, melhoria das condições do solo, com a correção de possíveis deficiências de cálcio e de matéria orgânica, e evitando o uso de fogo.

Cupins, percevejos, ácaros, nematóides em leguminosas, parasitas de raiz e gafanhotos podem acometer as pastagens e devem ser combatidos junto à adoção de práticas de manejo como melhoria das condições de solo, com utilização de mais de um tipo de forrageira, evitando monoculturas, seja de forrageiras ou de espécies agrícolas.

O Brasil pode em breve aumentar a disponibilidade de inimigos naturais para os produtores, pois além de profissionais especializados, o país conta hoje com tecnologia, infraestrutura, além de biodiversidade e condições ambientais adequadas para aumento da oferta.

 
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