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Contaminação micotoxicológica do milho na América Latina

Publicado: 22 de maio de 2026
Fonte : Pegasus Science
O milho é um dos cereais mais cultivados no mundo e desempenha um papel crucial na nutrição animal devido ao seu alto valor nutricional. Entretanto, esse grão é vulnerável à contaminação por fungos capazes de produzir micotoxinas - substâncias tóxicas que podem ocorrer ao longo de toda a cadeia produtiva do milho, desde o campo até as etapas finais de processamento, podendo, assim, integrar a dieta dos animais. Os efeitos tóxicos e imunossupressores causados pelas micotoxinas são amplamente conhecidos, e a contaminação dos grãos por essas substâncias pode causar sérios impactos na saúde e na produtividade dos animais, resultando em prejuízos econômicos significativos. Dessa forma, o monitoramento micotoxicológico do milho é essencial para garantir uma tomada de decisão eficaz, o que se torna viável por meio do uso de ferramentas ultrarrápidas que fornecem resultados imediatos e precisos.
Neste contexto, a espectroscopia de infravermelho próximo (NIRS) tem sido amplamente utilizada na indústria de produção animal para auxiliar no gerenciamento do Risco Micotoxinas. Neste relatório, a Pegasus Science apresenta os principais resultados das predições de contaminação micotoxicológica no milho comercializado em dez países da América Latina, realizadas por meio da tecnologia NIRS ao longo de 2025. No Brasil, também foi realizado um estudo comparativo entre as cinco regiões do país: Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste.
Metodologia
Ao longo do ano de 2025 foram preditos 22.645 espectros, cada um correspondente a uma amostra de milho. Os espectros foram enviados através da Plataforma Olimpo, um serviço web da Pegasus Science conectado a 50 diferentes equipamentos NIRS localizados em diversos laboratórios e indústrias da América Latina. Os espectros foram obtidos de amostras de milho comercializado nos seguintes países: Argentina (n=685), Bolívia (n=52), Brasil (n=20.463), Colômbia (n=63), Costa Rica (n=160), El Salvador (n=150), Equador (n=115), México (n=180), Paraguai (n=409) e Peru (n=368). Cada amostra foi previamente moída, homogeneizada e posteriormente lida no equipamento NIRS. Em seguida, foi realizado o upload do espectro na Plataforma Olimpo, onde as amostras foram preditas quanto à presença e concentração de fumonisinas B1 e B2 (FBs), aflatoxina B1 (AFB1), deoxinivalenol (DON) e zearalenona (ZEA), totalizando 105.255 análises. Os limites de quantificação (LQ - em μg/kg ou ppb) para FB1, FB2, AFB1, DON e ZEA foram 200, 200, 5, 250 e 30, respectivamente.
Resultados
Contaminação micotoxicológica do milho na América Latina - Image 1
As FBs foram as micotoxinas mais prevalentes na América Latina, sendo detectadas em 68,9% das amostras. A concentração de FBs nas amostras variou de < LQ até 13.223 ppb. Sua média geral no ano de 2025 foi de 1.190 ppb e a média das amostras positivas foi de 1.728 ppb. O Paraguai apresentou a menor média de FBs (909 ppb), enquanto o Peru apresentou a maior média de contaminação (4.082 ppb), sendo a diferença entre os dois países superior a 3.000 ppb. Em geral, uma alta prevalência de FBs em amostras de milho é esperada na América Latina, já que o clima nos países desta região favorece o crescimento de fungos do gênero Fusarium, que produzem essa micotoxina. No entanto, foi observada uma redução na prevalência desta micotoxina em comparação com o Survey Pegasus Science 2024 , onde as FBs ocorreram em 82% das amostras de milho da América Latina.
Contaminação micotoxicológica do milho na América Latina - Image 2
A segunda toxina mais prevalente foi a ZEA, sendo observada em 35,7% das amostras preditas. A média geral e a média das amostras positivas foram de 26,1 e 73,1 ppb, respectivamente. A concentração de ZEA nas amostras variou de < LQ até 598 ppb. A Colômbia apresentou a menor média de ZEA (9,5 ppb). El Salvador e Peru obtiveram as maiores médias de contaminação (74,4 e 70,0 ppb, respectivamente). Historicamente, a prevalência e a média de contaminação por ZEA no milho eram baixas. Porém, nos últimos anos tem-se observado um aumento significativo nos níveis de contaminação e na prevalência dessa micotoxina na América Latina.
Contaminação micotoxicológica do milho na América Latina - Image 3
DON foi detectada em 28,3% das amostras, sendo a terceira micotoxina mais prevalente neste estudo. A prevalência desta micotoxina também foi inferior ao Survey Pegasus Science 2024, onde foi detectada em 40% das amostras. A variação de DON nas amostras foi de < LQ até 974 ppb. Sua média geral foi de 101,7 ppb e a média das amostras positivas foi de 358,8 ppb. Argentina e Paraguai apresentaram as menores médias de DON (19,9 e 9,1 ppb, respectivamente), enquanto El Salvador e Colômbia obtiveram as maiores médias (498,8 e 380,8 ppb, respectivamente). Assim como a ZEA, essa micotoxina apresentava baixa prevalência no milho, porém, nos últimos anos tem-se observado um aumento na sua positividade e níveis de contaminação.
Contaminação micotoxicológica do milho na América Latina - Image 4
A média geral de AFB1 e a média das amostras positivas foram de 1,63 e 9,26 ppb, respectivamente, sendo essa a micotoxina menos prevalente neste levantamento (17,7%). A concentração de AFB1 nas amostras variou de < LQ até 42,8 ppb. Esta micotoxina não foi detectada em nenhuma amostra da Colômbia e de El Salvador, enquanto México e Argentina obtiveram as maiores médias (3,67 e 3,45 ppb, respectivamente). Nos últimos anos essa micotoxina vem apresentando menores níveis de contaminação no milho, não sendo observadas altas prevalências e concentrações devido a um melhor controle dos processos que podem ocasionar a sua presença, especialmente o armazenamento dos grãos.
Contaminação micotoxicológica do milho na América Latina - Image 5
A contaminação dos grãos por diferentes micotoxinas simultaneamente ocorre em razão de um mesmo gênero de fungo ser capaz de produzir diversos tipos de micotoxinas, bem como da possibilidade de diferentes gêneros contaminarem os grãos de forma simultânea ou em distintas etapas da cadeia produtiva, afetando o milho desde o campo até o armazenamento. A co ocorrência de micotoxinas em um mesmo produto pode resultar em efeitos aditivos ou sinérgicos. Dessa forma, esse fator deve ser cuidadosamente considerado na avaliação do risco associado às micotoxinas.
Em 2025, a co-ocorrência mais expressiva ocorreu entre FBs + ZEA, sendo detectada em 23,1% dos espectros analisados. A segunda e a terceira maior prevalência foram encontradas entre FBs + DON e DON + ZEA, em 20,4% e 14,0% das amostras, respectivamente. Também foi observada a co-ocorrência de micotoxinas produzidas por diferentes gêneros de fungos, como por exemplo FBs + AFB1, que no ano de 2025 ocorreu em 13,6% das amostras preditas, assim como a ocorrência simultânea de três micotoxinas, como FBs + DON + ZEA, observada em 8,8% das amostras.
Contaminação micotoxicológica do milho na América Latina - Image 6
Ao longo de 2025, os resultados de atividade de água (aw) nas amostras variaram entre 0,449 e 0,916 e a média de aw encontrada no milho da América Latina foi de 0,650. As médias dos países variaram entre 0,598 (Equador) e 0,699 (Colômbia). Além disso, foi observado que 16,1% das amostras preditas estavam acima do limite considerado seguro (> 0,69). A aw é uma informação importante quando se trata da estabilidade de qualquer alimento, e valores acima do limite de 0,69 indicam que há condição para que os fungos possam se proliferar e produzir micotoxinas. Dessa forma, o monitoramento da aw no milho se torna essencial para o melhor gerenciamento das micotoxinas em fábricas de rações, especialmente durante o armazenamento dos grãos.
Resultados Brasil - Comparação entre as cinco regiões
Contaminação micotoxicológica do milho na América Latina - Image 7
Nos gráficos acima são apresentados os resultados de média e prevalência de micotoxinas nas cinco regiões do Brasil ao longo de 2025. As FBs foram as micotoxinas mais prevalentes no país, sendo detectadas em 67,8% das amostras. A média geral do ano foi de 1.101 ppb, e a média das amostras positivas foi de 1.624 ppb. A região Centro-Oeste apresentou a menor média para FBs (900 ppb) enquanto a região Norte apresentou a maior média (2.286 ppb). Foi observado um ligeiro aumento na média de contaminação e na prevalência desta micotoxina no milho brasileiro em comparação com o Survey Pegasus Science 2024, onde as FBs apresentaram média de 873 ppb e prevalência de 62%.
A ZEA foi a segunda micotoxina mais prevalente no Brasil, sendo observada em 35,2% das amostras. A média geral e a média das amostras positivas foram de 25,2 e 71,6 ppb, respectivamente. A região Norte apresentou a menor média desta micotoxina (4,7 ppb) enquanto a região Sul apresentou a maior média (27,6 ppb). Com relação a DON, esta micotoxina ocorreu em 28,1% das amostras preditas no Brasil, com média geral de 99,0 ppb e média das amostras positivas de 352,2 ppb. A região Sul apresentou a maior média de contaminação (104,7 ppb), enquanto a região Norte apresentou a menor média (56,2 ppb). A AFB1 foi a micotoxina de menor prevalência no país (17,9%) ao longo de 2025. Sua média geral foi de 1,63 ppb, enquanto a média das amostras positivas foi de 9,12 ppb. A região Sul apresentou a maior média desta micotoxina (1,92 ppb), ao passo que a região Sudeste apresentou a menor média (0,26 ppb).
Através deste levantamento foram observadas diferenças importantes na contaminação micotoxicológica entre as diferentes regiões brasileiras ao longo de 2025, com a região Norte se destacando pela maior média de contaminação e prevalência de FBs e a região Sul por apresentar médias e prevalências mais elevadas de AFB1, ZEA e DON.
Conclusões
Os achados de 2025 revelam uma tendência que vem se mantendo nos últimos anos, com a maior prevalência de FBs e aumento da prevalência e dos níveis de contaminação por ZEA e DON, além de uma prevalência moderada de AFB1. Portanto, a utilização de tecnologias de diagnóstico ágeis e de alta confiabilidade torna-se um fator crucial na tomada de decisão, permitindo uma gestão mais assertiva e econômica para a agroindústria. Neste contexto, a utilização do NIRS para a predição de micotoxinas propicia resultados céleres, viabilizando a análise de um número maior de amostras, o que, por sua vez, garante maior segurança e precisão na utilização dos ingredientes.
Além da concentração média e da prevalência de cada micotoxina, outros fatores fundamentais devem ser considerados na avaliação do Risco Micotoxinas, como a co-ocorrência de diferentes micotoxinas, a sensibilidade específica de cada espécie animal, de acordo com a fase de desenvolvimento e o sexo, bem como os fatores ambientais, sanitários, genéticos e nutricionais aos quais os animais estão submetidos, que podem influenciar de forma significativa a magnitude do risco.
Quer saber mais sobre como avaliar todos esses fatores? Contate a equipe da Pegasus Science para ter acesso completo à ferramenta ultrarrápida de gestão do Risco Micotoxinas, disponível em tempo real na Plataforma Olimpo.
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Autores:
Cristina Tonial Simões
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