LAMIC - LABORATÓRIO DE ANÁLISES MICOTOXICOLÓGICAS - Brasil

LAMIC - LABORATÓRIO DE ANÁLISES MICOTOXICOLÓGICAS
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Avesui 2016 Feira da Indústria Latino-Americana de Aves e Suínos

Certificação de Grãos de Milho armazenados em silos para níveis Micotoxicológicos.

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Apresentado no XV Seminário Técnico Científico de Aves e Suínos - AveSui 2016 - 03 a 05 de maio de 2016 - CentroSul / Florianópolis - SC, Brasil

RESUMO: Objetivou-se certificar grãos de milho armazenados em silos para os níveis micotoxicológicos e calcular a dose de inclusão de Aditivo Antimicotoxinas (AAM) necessária para rações de frangos de corte na fase inicial. Para isso foram coletadas amostras de quatro silos de milho durante a introdução de uma sonda pneumática em cinco pontos de amostragem: no centro da superfície do silo e no centro de cada quadrante da superfície do silo. Em cada ponto de amostragem coletaram-se três amostras compostas pelos grãos coletados de toda profundidade do silo. Em seguida, as amostras compostas foram trituradas e reduzidas a 1 kg. No Laboratório, as amostras foram preparadas e efetuadas as análises de aflatoxinas, fumonisinas e zearalenona empregando métodos de Cromatografia Líquida de Alta Eficiência acoplada à Espectrometria de Massas (LC-MS/MS). Os silos A e B apresentaram a menor contaminação por aflatoxinas e zearalenona (p<0,05) e o silo C teve a menor contaminação por fumonisinas (p<0,05). A dose de AAM variou de 2,20 a 2,54 kg por tonelada de ração. O inovador processo de certificação de silos para os níveis micotoxicológicos permite o planejamento prévio e destinação correta dos grãos armazenados, auxiliando, assim, no controle do risco das micotoxinas.

PALAVRAS-CHAVE: Aflatoxinas, fumonisinas, zearalenona, aditivo antimicotoxinas.

ABSTRACT: The aim of this study was certify maize grain stored in silos for mycotoxicological levels and calculate the dose of inclusion of Anti-mycotoxin Additive (AMA) required for broiler feed in initial phase of production. For this purpose samples were collected in four maize silo by introducing a pneumatic sampling probe into five sampling points: the center of the silo surface and the center of each quadrant of the silo surface. At each sampling point were collected three samples composed of the grain collected from all depth of the silo. Then the composite samples were milled and reduced to 1 kg. In the laboratory, the samples were prepared and analyzed aflatoxins, zearalenone and fumonisin using high-performance liquid chromatography with tandem mass spectrometric (LC-MS/MS). Silos A and B have the lowest aflatoxin and zearalenona contamination (p <0.05) and the silo C had the lowest contamination of Fumonisin (p <0.05). The dose of AMA ranged from 2.20 to 2.54 kg per ton of feed. The innovative silos certification process for mycotoxicological levels allows the advance planning and correct destination of stored grains, helping thus to control the risk of mycotoxins.

KEY WORDS: Aflatoxins, fumonisins, zearalenone, anti-mycotoxin additive.

INTRODUÇÃO: Micotoxinas são substâncias resultantes do metabolismo secundário de diversas linhagens de fungos filamentosos, de ocorrência mundial, predominando em climas tropicais e subtropicais, onde o desenvolvimento fúngico é favorecido por fatores como condições de umidade e temperatura bastante favoráveis (MALLMANN; DILKIN, 2007). Quando as micotoxinas são ingeridas, tanto pelo homem quanto por animais, podem produzir diversos efeitos deletérios à saúde, sobretudo por suas propriedades carcinogênicas, teratogênicas, estrogênicas, anabolizantes, mutagênicas, hemorrágicas e nutricionais (KUMAR et al., 2008; MALLMANN; DILKIN, 2007).
O milho está frequentemente contaminado por diversas micotoxinas, dentre elas, as aflatoxinas (B1, B2, G1 e G2), fumonisinas (B1 e B2), zearalenona, deoxinivalenol entre outras (MAZIERO; BERSOT, 2010). Segundo estatísticas do Laboratório de Análises Micotoxicológicas (LAMIC), da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o milho é um dos ingredientes com maior percentual de positividade para as principais micotoxinas que afetam a saúde humana e animal. Nas amostras de milho recebidas pelo laboratório nos anos de 2011 a 2014, a positividade e média de contaminação foi de 80% e 1.585 μg kg-1 para fumonisinas (B1+B2), 36% e 78 μg kg-1 para zearalenona, 25% e 6μg kg-1 para aflatoxinas (B1+B2+G1+G2), respectivamente (MALLMANN et al., 2015).

Outro ponto de extrema importância para a saúde pública está relacionado aos níveis micotoxicológicos do milho e seus respectivos subprodutos destinados à alimentação humana. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária estabeleceu legislação com Limites Máximos Tolerados (LMT) de micotoxinas em alimentos, na qual o limite em vigência para aflatoxinas em milho é de 20 μg kg-1. A partir de 2017 serão aplicados os LMT para fumonisinas e zearalenona em milho, de 5.000 e 400 μg kg-1, respectivamente (ANVISA, 2011, 2013).

Considerando a inexistência de informações práticas que possibilitam determinar a contaminação por micotoxinas em grãos de milho armazenados em silos destinados à nutrição animal e/ou humana, podem estar ocorrendo erros comprometedores na manutenção da segurança alimentar. Dentre esses erros, deve-se atentar para a elevação dos custos de produção dos animais, ocasionados pela perda de produtividade causada pelas micotoxinas, utilização ou não de aditivos antimicotoxinas (AAM) e pela alteração do bem-estar animal. Sendo assim, neste trabalho objetivou-se certificar o milho armazenado em silos para os níveis micotoxicológicos e calcular a dose de inclusão de AAM necessária para rações de frangos de corte na fase inicial.

MATERIAL E MÉTODOS: O estudo foi realizado a partir da coleta de amostras de milho em quatro silos da Cotrijal Cooperativa Agropecuária e Industrial, nas unidades de Não Me Toque e Victor Graeff, RS, cujas estruturas são semelhantes, com 12 m de diâmetro, 12,5 m de altura de parede e 3 m de chapéu, contendo aproximadamente 1.000t de milho. O milho armazenado era da safra 2014/2015 e foi entregue à Cooperativa pelos produtores associados. A coleta das amostras foi realizada com o auxílio de uma sonda pneumática, no momento de introdução na massa de grãos até a ponteira da sonda atingir o fundo do silo. A sonda foi introduzida em cinco pontos de amostragem: no centro da superfície do silo e no centro de cada quadrante da superfície do silo. Em cada ponto de amostragem coletaram-se três amostras, compostas pelos grãos coletados de toda profundidade do silo, totalizando 15 amostras compostas por silo de aproximadamente 12 kg de grãos cada. Cada amostra composta foi moída em triturador de martelos com peneira de 2 mm de diâmetro, e, em seguida, reduzida, utilizando um divisor de amostras tipo Jones, até atingir o peso aproximado de 1 kg, compondo, assim, a amostra para análises micotoxicológicas.

Após a coleta das amostras e a chegada ao laboratório, o procedimento seguinte foi a preparação das amostras de laboratório (moagem e pesagem). A moagem de cada amostra foi efetuada em moinho ultra centrífugo Retsch ZM200, com peneira de 1 mm de diâmetro. Em seguida, uma fração foi analisada por meio da extração e análise cromatográfica de micotoxinas por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência acoplada a Espectrometria de Massas (LC-MS/MS). As micotoxinas analisadas foram: aflatoxinas (B1, B2, G1 e G2) (AFLA), seguindo-se os parâmetros propostos por Sulyok et al. (2007); fumonisinas (B1 e B2) (FUM), seguindo-se os parâmetros propostos por Mallmann et al (2013), e zearalenona (ZEA), seguindo-se os parâmetros propostos por Berthiller et al. (2005).

Calculou-se a média de contaminação de cada micotoxina por silo e coeficiente de variação (CV). Posteriormente aplicou-se o teste de comparação de médias de Tukey a 5% de significância nos quatro silos, para cada micotoxina, utilizando-se o programa estatístico Statgraphics Centurion XV, versão 15.2.11.

Os resultados médios de micotoxinas foram acrescidos de 50% do valor do desvio padrão do resultado das mesmas amostras. Calcularam-se as fumonisinas totais (FUM TOTAL), resultantes da soma das fumonisinas livres (FUM) e as fumonisinas ocultas, segundo equação proposta por Oliveira et al. (2015):

FUM TOTAL=(0,8583+0,5615∗FUMO)2
Calculou-se a dose de inclusão de AAM para ração inicial de frangos de corte, com o milho de cada silo, a partir da seguinte fórmula:

AAM=05+2,5∗AFLA28+ 2,5∗FUMO TOTAL10000

Na referida fórmula, AAM é a inclusão em kg por t de ração, AFLA é o resultado médio da contaminação por aflatoxinas (B1+B2+G1+G2) em μg kg-1 e FUM TOTAL são as fumonisinas livres e ocultas.

RESULTADO E DISCUSSÃO: Os resultados da contaminação por micotoxinas nos quatro silos constam na Tabela 1. Os silos A e B tiveram a menor contaminação por AFLA e ZEA (p<0,05) e o silo C teve a menor contaminação por FUM (p<0,05). O CV médio para AFLA e ZEA foi de 96 e 140%, respectivamente, enquanto o CV médio para FUM foi de 54%. Segundo Whitaker et al. (2011), à medida que a concentração de micotoxinas em um lote de grãos aumenta, o CV diminui. Essa tendência acontece devido a um maior número de grãos contaminados, que estão dispersos no montante de grãos armazenados no silo, o que aumenta a chance de comporem parte da amostra para análise. Apenas uma amostra, do total de 45 analisadas neste estudo, coletada do silo A apresentou LMT acima do estabelecido pela ANVISA, que será aplicado em 2017, com valor de 6.360 μg kg-1 de fumonisinas (ANVISA, 2011, 2013).

Tabela 1 - Resultados médios da contaminação por micotoxinas em amostras de grãos de milho coletadas em quatro silos.

1- AFLA: Aflatoxinas B1+B2+G1+G2 (µg kg-1). 2CV: Coeficiente de variação (%). 3FUM = Fumonisinas B1+B2 (µg kg-1). 4ZEA = Zearalenona (µg kg-1). 5a-c: Médias seguidas de letras distintas nas colunas diferem entre si pelo teste de Tukey (p<0,05).

Na Tabela 2, estão apresentados os resultados médios de AFLA e FUM TOTAL acrescidas de 50% do desvio padrão dos resultados para cada micotoxina, e o resultado do cálculo da inclusão de AAM na ração inicial para frangos de corte calculada com o milho de cada silo. A dose de AAM calculada variou de 2,20 a apenas 2,54 kg por tonelada de ração porque os silos A e B, com menores contaminações por aflatoxinas, apresentaram as maiores contaminações por fumonisinas, e o silo C com maior contaminação por aflatoxinas, apresentou a menor contaminação por fumonisinas.

Tabela 2 - Contaminações médias de amostras de milho, coletadas em quatro silos, acrescidas de 50% do desvio padrão dos resultados para cada micotoxina, e resultado do cálculo da inclusão de AAM na ração inicial para frangos de corte calculada com o milho de cada silo.

1- AAM: Aditivo Antimicotoxinas. 2- AFLA: Aflatoxinas B1+B2+G1+G2 (µg kg-1). 3FUM TOTAL: Fumonisinas livres (B1+B2) + ocultas (µg kg-1). 4Inclusão de AAM: inclusão (kg t-1 de ração).

CONCLUSÕES: A certificação de grãos armazenados em silos permite o planejamento prévio e destinação correta dos grãos. Na prática, auxilia no gerenciamento dos riscos de micotoxinas em empresas que atuam no ramo de comercialização e beneficiamento de grãos na cadeia de alimentação humana e/ou animal, podendo ser utilizado como fator decisivo no fechamento de contratos de compras de milho.

AGRADECIMENTOS. À Cotrijal Cooperativa Agropecuária e Industrial pela parceria na execução deste trabalho e ao CNPq pela bolsa de iniciação científica PIBIC ao segundo autor.

REFERÊNCIAS:

ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resoluc¸a~o RDC no 7, de 18 de fevereiro de 2011 que dispo~e sobre limites ma´ximos tolerados (LMT) para micotoxinas em alimentos. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 9 de mar. 2011. Seção 1, p. 66-67.

ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resoluc¸a~o - RDC N. 59, de 26 de dezembro de 2013 que dispo~e sobre a prorrogac¸a~o dos prazos estabelecidos nos artigos 11 e 12 e respectivos anexos III e IV da Resoluc¸a~o da Diretoria Colegiada RDC n. 7, de 18 de fevereiro de 2011 que dispo~e limites ma´ximos tolerados (LMT) para micotoxinas em alimentos. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 30 de dez. 2013. Seção 1, p. 756.

BERTHILLER, F., et al. Rapid simultaneous determination of major type A- and Btrichothecenes as well as zearalenone in maize by high performance liquid chromatography–tandem mass spectrometry. Journal of Chromatography A, v. 1062, n. 2, p. 209-216. 2005.

KUMAR, V. et al. Mycotoxin research and mycoflora in some commercially important agricultural commodities. Crop Protection, v. 27, n. 6, p. 891-905. 2008.

MALLMANN, C.A.; DILKIN, P. Micotoxinas e Micotoxicoses em Suínos. Santa Maria: Pallotti, 2007. 238 p.

MALLMANN, A. O. et al. Dois planos de amostragem para análise de fumonisinas em milho. Ciência Rural, v. 43, n. 3, p. 551-558, 2013.

MALLMANN, C. A., et al. Micotoxinas e micotoxicoses em suínos: situação atual no Brasil. In: BARCELLOS, D. E., et al. (Org.). Avanços em Sanidade, Produção e Reprodução de Suínos. 1. ed. Porto Alegre: UFRGS, Setor de Suínos, 2015. p. 221-237.

MAZIERO, M. T.; BERSOT, L. S. Micotoxinas em alimentos produzidos no Brasil. Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais, v. 12, n. 1, p. 89-99. 2010.

SULYOK, M.; KRSKA, R.; SCHUHMACHER, R. A liquid chromatography/tandem mass spectrometric multi-mycotoxin method for the quantification of 87 analytes and its application to semi-quantitative screening of moldy food samples. Analytical and Bioanalytical Chemistry, v. 389, n. 5, p. 1505-1523. 2007.

OLIVEIRA, M. S. et al. Free and hidden fumonisins in Brazilian raw maize samples. Food Control, v. 53, p. 217-221. 2015.

WHITAKER, T.B. et al. Sampling procedures to detect mycotoxins in agricultural commodities. New York: Springer, 2011. 58 p.

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