Questionamento do BEA - Bem Estar Animal e Produtividade de galinhas poedeiras criadas em diferentes tipos de instalações

Publicado: 11/07/2014
Autor/s. :

INTRODUÇÃO

Para fornecer ovos com baixo preço, o avicultor industrial utiliza poedeiras comerciais (PC) melhoradas geneticamente, uma nutrição ajustada a suas exigências, gaiolas suspensas em instalações automatizadas e informatizadas com alta densidade populacional, além de um programa preventivo sanitário com rigorosa biosseguridade. Já nas criações de galinhas não confinadas ou em semiconfinamento, a maior parte dessas granjas também utiliza aves semi-melhoradas para essa situação, mas com mais direito ao Bem Estar Animal (BEA), quando comparamos os tipos de criações,

Porém, é evidente que aves confinadas em gaiolas, a produtividade e retorno econômico é bem maior do que quando criadas em sistemas de semi confinamento, principalmente porque a densidade populacional é mais elevada, levando a uma altíssima produtividade industrial.

 

JUSTIFICATIVA

Precisamos discutir o Bem Estar Animal (BEA) das aves de postura, sem se levar em conta somente a legislação vigente e futura, mas principalmente a felicidade das aves. Lembrando que as leis irão cobrar dos avicultores industriais mais empenho nesse sentido, mas sendo logicamente, necessário continuar a manter uma relação custo-benefício positiva, conquistada com os altos níveis zootécnicos de produtividade, alicerçados por muitos anos de pesquisa e trabalho, garantindo assim a permanência da atividade nesse agronegócio.

 

OBJETIVOS

Assim, esse questionamento do BEA das galinhas torna-se importante, para encontrarmos um equilíbrio dos custos do produto acabado com a lucratividade, ainda mais sendo o Brasil é um grande produtor e consumidor de ovos com média per capita de 161,53 em 2012 e uma previsão de 208 ovos em 2016, mas ainda longe do México com 355 ovos per capita.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Os conceitos de BEA proporcionado as poedeiras comerciais ou não, de acordo com a World Society for the Protection of Animals (WSPA), recomenda a aplicação das cinco liberdades estabelecidas em 1992 pelo Conselho de BEA de Produção no Reino Unido, que estabelece que esses animais devem estar:

  •  Livres de fome e sede;
  •  Livres de desconforto;
  •  Livres de dor, lesões e doenças;
  •  Livres para expressarem seu comportamento normal e
  •  Livres de medo e estresse.

As PC’s quando são alojadas em piso nas fases cria e recria, são submetidas a um BEA mais confortável, porque podem se locomover, explorar o ambiente, abrir asas e espojar, porém ao serem transferidas para aviários abertos de alta densidade populacional com pentes de gaiolas sobrepostos em degraus, o BEA dessas aves, como se observa no gráfico 1, tem um declínio acentuado na fase de prépostura e que se mantém baixo por todo o decorrer de sua vida produtiva.

 

 

As aves comerciais, principalmente quando confinadas em enormes aviários automatizados com até 110.000 aves em gaiolas ou mesmo em aviários menores abertos com pentes de gaiolas criadas em gaiolas desde a cria e recria (Gráfico 2), não praticam atitudes já citadas e que são expressões normais da galinha, caracterizando seu BEA e que não estão ao alcance dessas aves, pois são submetidas desde o inicio da criação ao contato direto nos pés com as ferragens das gaiolas, gerando calosidades e dor constantes nos coxins plantares, entre outros desconfortos.

 

 

Galinhas comerciais criadas desde o inicio de suas vidas em gaiolas, ou mesmo somente a partir da fase pré-postura, desenvolvem também problemas articulares nas pernas, principalmente no jarrete, pois adotam a posição deitada quase que constantemente, impedindo-as de andar normalmente quando colocadas no chão fora da gaiola. Esses problemas ortopédicos tendem a se agravar por conta do declive necessário das gaiolas para a frente, com o propósito de excluir os ovos da área de chocagem das aves e também facilitar as varias coletas diárias manualmente ou mecanicamente. Esse declive força a ave em sua posição natural de manter sua normal fisicamente, para que não desequilibrem para nenhum lado.

Somente a partir desse novo século, os estudos em torno do BEA tomaram lugar nas universidades e investigacoes cientificas, avançando em grupos de estudos e pesquisas e também na formação de varias organizações não governamentais (ONG), nesse importante e ainda polêmico tema.

Muitos aspectos ainda são desconhecidos sobre o BEA das aves industriais, principalmente das aves de postura comercial criadas em gaiolas, com pequenos grupos de convivência por toda a vida, submetidas também em instalações mais modernas informatizadas, a ausência de luz solar, mesmo que seja indiretamente.

Por outro lado, para as aves artesanais não confinadas ou em semi-confinamento (Gráfico 3), também conhecidas como caipiras, indiscutivelmente o BEA é bem mais satisfatório e praticamente linear, pois desde o inicio e por toda a vida, manifestam suas atitudes normais pertinentes a espécie, já citadas e que são extremamente importante a felicidade do animal.

 

 

 

No entanto, também sabemos que a viabilidade econômica de aves tipo caipiras é bem mais reduzida, requerendo que os valores de venda de seus ovos sejam mais elevados, direcionando sua produção a um nicho de mercado mais elitizado.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As marcas genéticas modernas garantem uma produtividade alta por até mais de 110 semanas de vida das galinhas, com picos de postura acima de 95%, desde que alimentadas com dietas balanceadas compatíveis, assim como instalações e manejo adequados.

Algumas pesquisas concluíram que o sistema de criação ideal para as atuais linhagens de galinhas poedeiras comerciais, deve utilizar as características vantajosas tanto do sistema convencional de gaiolas como de sistemas alternativos, garantindo assim o BEA e a viabilidade econômica, sabendo que o manejo de cada tipo de aviário tem um profundo efeito sobre o BEA das aves, pois um tipo de instalação, que é considerada como sendo superior ao BEA das galinhas, pode ter um efeito negativo se mal manejada. Assim, para se otimizar a produtividade e o BEA, é essencial que haja a combinação certa entre o projeto de instalação aviária, a linhagem das aves, as condições de criação e o manejo.

 

CONCLUSÃO

Então, para um consumo sustentável com garantias de segurança alimentar e rastreabilidade, tudo isso equilibrando com as normativas legais do BEA, o avicultor tem grandes desafios, garantindo a produtividade com rentabilidade, ressaltando que a postura comercial é um dos componentes da cadeia de valores da avicultura industrial que abrange a produção e venda de insumos, equipamentos, vacinas, medicamentos, desinfetantes entre outros, alem de geração de muitos empregos direta e indiretamente.

A população humana tem crescido de forma assustadora e também sua demanda por alimentos de baixo custo, como o ovo, ingrediente completo e de referência nutritiva. Portanto, o grande desafio doravante será alcançar o ponto de equilíbrio entre a alta produtividade e o BEA, assegurando o sucesso desse agronegócio para que não faltem alimentos de preços acessíveis a todas as camadas sociais, respeitando sobre tudo a felicidade da ave, que oferta sua vida em prol de nossa sobrevivência.

Esse artigo técnico foi originalmente publicado na AveSui 2013.

 
remove_red_eye 1080 forum 3 bar_chart Estatísticas share print
Compartilhar :
close
Ver todos os comentários
 
   | 
Copyright © 1999-2019 Engormix - All Rights Reserved