Acordo com a União Europeia: bem-estar animal em evidência

Publicado: 15/10/2019
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O Acordo comercial do Mercosul com a União Europeia tem causado bastante interesse de alguns e preocupação de outros.  Uma certeza: para atingirmos este mercado, teremos que evidenciar algumas práticas já no campo.

No dia 02 de outubro, a União Europeia impôs, pela primeira vez, critérios de bem-estar às importações de ovos. Determinou-se que os ovos importados do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai sob o novo Acordo União Europeia-Mercosul estarão sujeitos a critérios de bem-estar animal. Este acordo foi tornado público em uma reunião da Comissão da Agricultura e do Desenvolvimento Rural no Parlamento Europeu.

Apesar de ter sido acordado somente no dia 02 de outubro, a solicitação foi feita em 2016 como parte das negociações. Conforme especificou o diretor de Assuntos Internacionais para Agricultura e Desenvolvimento à Comissão Europeia, John Clarke, este acordo de bem-estar animal, especialmente nos países do Mercosul, visa elevá-los aos padrões do resto do mundo.

No entanto, há um fator econômico bastante importante, pois, de acordo com as disposições provisórias deste acordo comercial, os ovos importados destes países estarão isentos de impostos se as granjas de frango cumprirem os padrões da União Europeia. Resta implementar e cumprir os requisitos exigidos por eles.

Pesquisas recentes indicam que 94% dos europeus acreditam que o bem-estar animal é importante e 82% que os animais devem ser mais bem protegidos. Mas está claro que, esta obrigação de cumprir as normas europeias, representa um custo adicional de 16% no preço desses ovos, segundo estimativas da Comunidade Europeia. Talvez estes valores sejam distintos no Brasil.

Atualmente, a versão final do Acordo Comercial do Mercosul está em revisão antes de ser submetida aos Estados Membros e ao Parlamento Europeu para aprovação. Enquanto isto, o Brasil pode ir se preparando para conquistar estes potenciais compradores. Afinal, mudanças de manejo precisam ser feitas gradativamente, além das questões de custos, há todo um trabalho de modificação de comportamento dos envolvidos, o que demanda tempo, treinamentos e capacitações.

 
Autor/s.
Possui graduação (1996), mestrado (1999) e doutorado (2001) em Medicina Veterinária pela Universidade de São Paulo (USP). Coordenou o projeto de elaboração da norma brasileira de certificação de leite (MAPA). Consultora na área de certificação de produtos agropecuários. Instrutora e auditora certificada Globalgap. Tem experiência na área de Medicina Veterinária, atuando principalmente nos seguintes temas: biotecnologia, agronegócio, manejo animal, boas práticas agropecuárias, bem estar animal, etc.
 
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