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XXII Congresso Latino-Americano de Avicultura 2011

Ácidos orgânicos bacillus subtilis mananoligossacarideo

Associação de ácidos orgânicos, bacillus subtilis e mananoligossacarideo no controle da salmonella minnesota em frangos de corte

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Sumário

Infecções causadas por Salmonella spp. representam uma importante causa de toxiinfecções alimentares e diferentes sorovares dessa bacteria são isolados a cada dia, piorando este quadro. O controle deste patógeno na avicultura é feito baseado na biossegurança e no uso de aditivos, como probióticos, prebióticos e ácidos orgânicos. Estes produtos objetivam desenvolver a flora benéfica do trato gastrointestinal e reduzir a contaminação por Salmonella spp. nos animais, melhorando o desempenho dos mesmos. O presente experimento foi realizado para testar o efeito da associação de um probiótico, um prebiótico e um ácido orgânico no controle de SM. Foram alojados 60 frangos de corte dos 1 aos 35 dias, divididos em três tratamentos, sendo T1 controle negativo, T2 controle positivo (inoculado) e T3 dieta contendo ácidos orgânicos, um probiótico a base de Bacillus subtilis e mananoligossacarídeos como prebiótico. As aves do T2 e T3 foram inoculadas aos 15 dias com 108 UFC/mL de Salmonella Minnesota (SM) por via oral, 48 horas pós infecção foi realizada coleta de suabes cloacal para isolamento e contagem de SM. Aos 21 e 35 dias foram feitas análises de cama de todos os tratamentos e aos 35 dias, as aves foram eutanasiadas para contagem de SM em papo e ceco. A utilização dos ácidos orgânicos, probiótico e prebiótico foi eficaz na redução da contagem de SM em suabes 48 horas pós infecção, cama aos 21 dias e ceco aos 35 dias. Os resultados obtidos sugerem a capacidade da associação de um probiótico, um prebiótico e um ácido orgânico em controlar a SM.
Palavras Chave: Contagem de Salmonella, Enterobactérias, Prebiótico, Probiótico.

Introdução

As salmoneloses repreesentam sério problema de saúde pública tanto em países em desenvolvimento como em países desenvolvidos (Cardoso & Carvalho, 2006). Além disso, alguns sorotipos de Salmonella pouco diagnosticados no passado aumentaram sua prevalência, representando, atualmente, um grave problema de saúde pública (Shinohara et al., 2008). Este fenômeno também foi observado por Back (comunicação pessoal), demonstrando aumento no número de sorovares detectados a partir de amostras de aves. Dentre estes novos sorovares está Salmonella Minnesota. Visando diminuir o prejuízo causado por esta bactéria, são desenvolvidas pesquisas para encontrar novos produtos que sejam capazes de controlar a enterobacterias e melhorar o desenvolvimento das aves. O uso de ácidos orgânicos proporcionou melhor desempenho das aves, com melhor conversão alimentar de acordo com Maiorka et al. (2004) e Viola et al. (2008), maior peso médio e melhor produção de ovos de poedeiras (Gama et al., 2000). Outra função atribuída aos ácidos orgânicos é a da redução da contagem de Salmonella Enteritidis (Bassan et al., 2008). Segundo estes mesmos autores, a associação dos ácidos ao mananoligossacarídeos (MOS) proporciona redução semelhante, e em alguns casos até melhor da Salmonella Enteritidis. Outra alternativa ainda no controle de salmoneloses é o uso de probióticos, como o Bacillus subtilis, juntamente com mananoligossacarídeos. Esta associação permitiu maior altura de vilo e profundidade de cripa tem aves aos 21 dias (Pelicano et al., 2005), possivelmente melhorando o desempenho destas aves. Portanto, o objetivo deste trabalho foi avaliar a eficiência da associação de ácidos orgânicos, um mananoligossacarídeo como prebiotico e um probiótico a base de Bacillus subtilis no controle de Salmonella Minnesota.

Materiais & Métodos

Foram alojados 60 frangos de corte dia 1° ao 35° dia de idade, divididos em três tratamentos, de acordo com o tabela 1. Os animais foram mantidos em salas com pressão negativa, desinfetadas e climatizadas em temperatura ideal de conforto para a idade das aves. Os animais foram alojados em cama de maravalha esterilizada em autoclave e receberam água e ração à vontade. Antes do início do experimento a cama e as rações foram analisadas para presença de Salmonella spp. A dieta foi formulada com níveis iguais ou superiores aos recomendados pelo NRC (1994), sendo todas peletizadas. Na chegada dos animais foi realizado eutanásia e necropsia de cinco animais para coleta de fígado e ceco e realização de análise de presença/ausência de Salmonella. Todos os demais animais foram pesados individualmente para distribuição homogênea de acordo com o peso nos diferentes tratamentos. Aos 15 dias de idade as aves do T2 e T3 foram inoculadas com uma solução de SM na concentração 108 UFC/mL via oral. Foram realizado suabes de cloaca 48h após inoculação sendo cinco amostras por tratamento (pool de 3 animais) para análise de Contagem de Salmonella. Aos 35 dias de idade 10 animais por tratamento foram eutanasiados e necropsiados para coleta de papo e ceco de forma asséptica e posterior análise de Salmonella. Aos 21 e 35 dias de idade foram coletados cinco alíquotas de 10g de cama das salas onde as aves estavam alojadas (5 amostras/tratamento) para análise de Contagem de Salmonella.

Tabela 1. Descrição dos tratamentos

Tratamento 1 (T1)

Ração basal não inoculado com Salmonella Minnesota

Tratamento 2 (T2)

Ração basal inoculado com Salmonella Minnesota

Tratamento 3 (T3)

Ração basal com mistura de ácidos orgânicos (Neoacid®), probiótico a base de Bacillus subtilis e mananoligossacarídeos + inoculação com Salmonella Minnesota

Para realização do procedimento de contagem de Salmonella os suabes de cloaca, os papos, os cecos e as camas foram diluídos em água peptonada 2% e rediluídos em tubos com água peptonada 0,1% até atingir a concentração 10-3. Posteriormente 100 μL de cada diluição foi plaqueada em duplicata em meio agar Xilosa Lisina Dexosicolato (XLD). As placas foram incubadas em estufa regulada a 35°C por 24h e submetidas a posterior contagem das colônias típicas (adaptado de Desmidt et al., 1997). A solução inicial de água peptonada 2% foi mantida à 35°C por 24h, em caso de não ter ocorrido crescimento de colônias típicas de Salmonella no XLD, retirou-se 100 μL da solução inicial em água peptonada 2% e acrescentou-se em um tubo contendo 10 mL de caldo Rappaport-Vassiliadis, incubou-se em estufa regulada a 42°C por 24h para confirmação. Quando uma amostra era negativa nas contagens diretas em agar XLD, mas era positiva após o processo utilizando enriquecimento e meio seletivo, a amostra era considerada positiva para análise estatística. Os resultados das contagens de colônias foram expressos conforme os Procedimentos de Contagem de Colônia de acordo com a Normativa nº6 publicada em 26 de agosto de 2003 (MAPA, 2003). A contagem de colônias de Salmonella foram transformadas em Log 10 para análise estatística, sendo esta submetida a ANOVA, teste de Fischer à 5% de probabilidade.

Resultados & Discussão

As amostras de cama e ração coletadas antes do alojamento, as de fígado e ceco coletadas de aves no primeiro dia, e as coletadas no grupo controle negativo nos diversos períodos foram todas negativas para análise de Salmonella, demonstrando o controle das condições experimentais.
Foi observada redução de 29,83% da contagem de SM, apresentando número de UFC estatisticamente inferior ao do grupo controle inoculado (T2) (Tabela 2). Na contagem de cama e ceco aos 35 dias houve redução de 40,00% e 11,62%, respectivamente, na contagem de UFC de SM quando comparado ao grupo controle inoculado (T2), representando contagens estatisticamente diferentes deste grupo. Na contagem de cama aos 21 dias e papo aos 35 dias, embora a redução das contagens tenha sido de 22,10% e 42,52%, respectivamente, não houve diferença estatística significante entre os grupos controle inoculado e controle inoculado tratado. Segundo Byrd et al. (2001), a incorporação de ácido lático na água de bebida é capaz de reduzir a contaminação de Salmonella Enteritidis no papo de animais pré abate. O fornecimento de ácidos orgânicos na ração para as aves se mostra especialmente efetivo na redução na contagem de Salmonella spp, pois a mesma apresenta intolerância a ácidos (Dibner & Buttin, 2002). Segundo Vilà et al. (2009), o Bacillus cereus var Toyoi foi capaz de reduzir o isolamento de Salmonella Enteritidis de frangos de corte, além de ter melhorado o seu desempenho zootécnico.

Tabela 2. Contagem de colônias de Salmonella em suabe de cloaca 48 horas após inoculação, da cama aos 21 e 35 dias e do papo e do ceco, aos 35 dias, dos animais nos diferentes tratamentos aos 35 dias de idade (Resultados expressos em Log10 UFC/g)

 

Log UFC Salmonella de acordo com a amostra e a idade das aves

Tratamento

Suabe

48h PI

Cama

21 dias

Cama

35 dias

Papo

35 dias

Ceco

35 dias

Controle (T1)

0,00±0,00a

0,00±0,00a

0,00±0,00a

0,00±0,00a

0,00±0,00a

Salmonella (T2)

3,95±2,24c

4,30±0,07b

3,60±0,22c

0,87±0,50b

4,30±4,28c

Salmonella + Probiótico + ácido orgánico + prebiótico (T3)

2,07±1,47b

3,35±1,32b

2,16±1,00b

0,50±0,74b

3,80±1,61b

Média ± desvio padrão. a,b,c Letras diferentes na mesma coluna são significativamente diferentes para P ≤ 0,05.

Conclusões

A utilização de ácidos orgânicos associados a probióticos e Mananoligossacarídeos foi capaz de reduzir de forma significativa, quando comparada ao grupo controle inoculado (T2), a contagem de SM nos suabes de cloaca de aves 48 horas pós infecção e em cama e ceco das aves aos 35 dias de vida. Com base nos resultados obtidos, conclui-se que a associação de um probiótico a base de B. cereus, um prebíotico a base de MOS e um combinado de ácidos orgânicos é eficiente na redução da contagem de SM em frangos de corte.

Bibliografia

Bassan JDL, Flôres ML, Antoniazzi T, Bianchi E, Kuttel J, Trindade,MM. 2008. Controle da infecção por Salmonella Enteritidis em frangos de corte com ácidos orgânicos e mananoligossacarídeo. Ciênc. Rural 38(7):1961-1965.

Byrd JA, Hargis BM, Caldwell DJ, Bailey RH, Herron KL, McReynolds JL, Brewer RL, Anderson RC, Bischoff KM, Callaway TR, Kubena LF. 2001. Effect of lactic acid administration in the drinking water during preslaughter feed withdrawal on Salmonella and Campylobacter contamination of broilers. Poult. Sci. 80:278-283.

Cardoso TG & Carvalho VM. 2006. Toxinfecção por Salmonella spp. Rev. Inst. Ciênc. Saude 24(2):95-101.

Desmidt M, Ducatelle R, Haesebrouck F. 1997. Pathogenesis of Salmonella enteritidis phage type four after experimental infection of young chickens. Vet. Microbiol. 56(1-2):99-109.

Dibner JJ & Buttin P. 2002. Use of organic acids as a model to study the impact of gut microflora on nutrition and metabolism. J. Appl. Poult. Res. 11:453-463.

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