DESEMPENHO E OCORRÊNCIA DE DIARREIA DE LEITÕES ALIMENTADOS COM RAÇÕES CONTENDO ANACARDATO DE CÁLCIO.

Publicado: 20/04/2016
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Sumário

Foi realizado um experimento com o objetivo de avaliar a utilização de anacardato de cálcio como promotor de crescimento alternativo na dieta de leitões desmamados no período de 21 a 42 dias de idade, quanto ao desempenho e a ocorrência de diarreia. Foram utilizados 60 leitões desmamados aos 21 dias de idade, distribuídos entre cinco tratamentos: ração sem adição de promotor de crescimento, ração com adição de antiobiótico promotor de crescimento (APC), e rações contendo 0,4; 0,8 e 1,2% de anacardato de cálcio. Utilizou-se um delineamento em blocos ao acaso, com seis repetições por tratamento, considerando a unidade experimental de dois animais por gaiola. Não foram observados efeitos dos tratamentos sobre o consumo diário de ração (P>0,05), em contrapartida as variáveis de ganho diário de peso e conversão alimentar foram melhores para os animais alimentados com a ração contendo APC em comparação àqueles que receberam ração sem promotor de crescimento. No entanto, o desempenho dos animais que receberam rações contendo anacardato de cálcio não diferiu daqueles que receberam ração contendo APC. Observou-se que os animais que receberam APC na ração apresentaram menor ocorrência de diarreia (P<0,05) em relação aos demais tratamentos. Conclui-se que, embora tenha sido observado efeito sobre a ocorrência de diarreia, o anacardato de cálcio pode ser utilizado como promotor de crescimento alternativo para leitões na fase de creche.

 

Palavras-chave: ácidos orgânicos; nutrição; suínos.

 

Introdução

Mudanças importantes no sistema de produção da carne suína, como a restrição ou banimento total do uso de antibióticos promotores de crescimento (APC) na produção, têm estimulado a busca por substâncias alternativas, tendo em vista o modo de ação e níveis de inclusão destes aditivos (ZANGERONIMO et al., 2011). Considerando as diversas substâncias consideradas como alternativas aos APC, destacam-se os ácidos orgânicos, cuja suplementação com esses ácidos ou seus sais tem sido utilizada para reduzir a frequência de diarreia pós-desmame e melhorar o desempenho em leitões (KNARREBORG et al., 2002). Dentre os diversos ácidos orgânicos, destaca-se o ácido anacárdico, composto fenólico encontrado nas diversas partes do cajueiro (Anacardium occidentale L.) e que apresenta atividade inibidora seletiva contra bactérias gram positivas (KUBO et al., 2003). O ácido anacárdico pode ser utilizado na forma de anacardato de cálcio (AC), produto da precipitação do líquido da castanha de caju com hidróxido de cálcio, formando sais de cálcio, com uma melhor utilização em rações devido a sua apresentação em pó. Diante do exposto, objetivou-se avaliar os efeitos da utilização do anacardato de cálcio como promotor de crescimento alternativo em rações para leitões na fase de creche, quanto ao desempenho e ocorrência de diarreia.

 

Material e Métodos

Foram utilizados 60 leitões desmamados aos 21 dias de idade, com peso médio de 6,154±1,071 kg, distribuídos entre cinco tratamentos: ração sem adição de promotor de crescimento (Controle negativo - CN); ração com adição de bacitracina de zinco como antibiótico promotor de crescimento (Controle positivo - CP); ração com de 0,4% de ácido anacárdico (AC 0,4%); ração com 0,8% de AC (AC 0,8%) e ração com 1,2% de AC (AC 1,2%). Utilizou-se um delineamento em blocos ao acaso, com seis repetições por tratamento, considerando a unidade experimental de dois animais por gaiola. O experimento foi dividido em período I (21 a 32 dias) e período II (21 a 42 dias). Para obtenção do AC utilizou-se 550mL de líquido da castanha de caju, 150mL de água destilada, 2850mL de etanol e 250g de hidróxido de cálcio sob agitação por 4h e aquecimento (50ºC), ao final formando um sal de cálcio (AC), de acordo com TREVISAN et al. (2006). As rações experimentais foram isonutritivas e isoenergéticas, atendendo as exigências nutricionais mínimas dos leitões em cada fase de acordo com ROSTAGNO et al. (2011). Os promotores de crescimento (bacitracina de zinco e anacardato de cálcio) utilizados em cada tratamento foram incluídos em substituição ao inerte. Foram avaliados dados de desempenho (consumo diário de ração, ganho diário de peso e conversão alimentar) e ocorrência de diarreia, realizada por um único observador em dois horários, durante todo período do experimento, sendo considerado diarreia as fezes classificadas em líquido pastosas e líquidas. Para as análises estatísticas utilizou-se o programa estatístico SAS, sendo as médias comparadas pelo teste Tukey a 5% para os dados de desempenho e para a ocorrência de diarreia os dados foram transformados pela função y = arcsen√(p/100) e submetidos à comparação de médias pelo mesmo teste.

 

Resultados e Discussão

Não foram observados efeitos dos tratamentos sobre o consumo de ração (P<0,05); em contrapartida as variáveis de ganho de peso e conversão alimentar foram melhores para os animais alimentados com a ração contendo APC, enquanto os animais que receberam ração sem adição de APC apresentaram um menor ganho de peso e pior conversão (Tabela 1). No entanto, o desempenho dos animais que receberam rações contendo AC não diferiu daqueles que receberam ração contendo APC.

 

Tabela 1 - Consumo diário de ração, ganho diário de peso e conversão alimentar de leitões em função dos tratamentos nos períodos I (21 a 32 dias) e período II (21 a 42 dias).

¹ (CDR) Consumo diário de ração, (GPD) Ganho diário de peso, (CA) Conversão alimentar. ² CN (controle negativo), CP (controle positivo), AC 0,4% (0,4% de anacardato de cálcio), AC 0,8% (0,8% de anacardato de cálcio), AC 1,2% ( 1,2% de anacardato de cálcio). ³ Coeficiente de variação. Médias seguidas de letras maiúsculas diferentes na linha diferem entre si pelo teste Tukey a 5% de probabilidade

 

Para a ocorrência de diarreia (Tabela 2), observou-se que os animais que receberam APC na ração apresentaram menor incidência de diarreia (P<0,05) em relação aos demais tratamentos.

 

Tabela 2 - Médias de ocorrência de diarreia transformadas de leitões alimentados com ou sem APC e diferentes níveis de AC.

¹ CN (controle negativo), CP (controle positivo), AC 0,4% (0,4% de anacardato de cálcio), AC 0,8% (0,8% de anacardato de cálcio), AC 1,2% (1,2% de anacardato de cálcio). ² Coeficiente de variação. Médias seguidas de letras maiúsculas diferentes na linha diferem entre si pelo teste Turkey a 5% de probabilidade. ³ MODT (médias de ocorrência de diarreia transformadas).

 

Os ácidos orgânicos e seus sais podem ter efeito preventivo sobre a diarreia pós desmame (ZENTEK et al., 2014), mas para isso, faz-se necessário mais estudos para determinação da possível eficácia, dos níveis ideais de inclusão e das melhores combinações dessas substâncias, tendo em vista sua utilização como promotores de crescimento em dietas para leitões. Apesar de apresentarem maior ocorrência de diarreia, os leitões que receberam ração contendo anacardato de cálcio como promotor de crescimento alternativo não tiveram seu desempenho prejudicado, sendo semelhante àqueles que receberam antibiótico promotor de crescimento na dieta.

 

Conclusão

Conclui-se que, embora tenha sido observado efeito sobre a ocorrência de diarreia, o anacardato de cálcio pode ser utilizado como promotor de crescimento alternativo para leitões na fase de creche.

 

Referências Bibliográficas

1. KNARREBORG, A.; MIQUEL, N.; GRANLI, T.; JENSEN, B.B. Establishment and application of an in vitro methodology to study the effects of organic acids on coliform and lactic acid bacteria in the proximal part of the gastrointestinal tract of piglets. Animal Feed Science and Technology, v.99, p.131–140, 2002.

2. KUBO, I; NIHEI, K.I.; TSUJIMOTO, K. Antibacterial action of anacardic acids against methicillin resistant Staphylococcus aureus (MRSA). Journal of Agricultural and Food Chemistry, v.51, p.7624-7628, 2003.

3. ROSTAGNO, H. S.; ALBINO, L. F. T.; DONZELE, J. L.; GOMES, P. C.; OLIVEIRA, R. F.; LOPES, D. C.; FERREIRA, A. S.; BARRETO, S. L. T.; EUCLIDES, R. F. Tabelas brasileiras para aves e suínos: composição de alimentos e exigências nutricionais de aves e suínos. 3ªedição, Viçosa, MG: UFV, 252 p., 2011.

4. TREVISAN, M.T.S.; PFUDENSTEIN, M.; HAUBNER, R. WURTELE, G.; SPIEGELHALDER, B.; BARTSCH, H.; OWEN, R.W. Characterization of alkyl phenols in cashew (Anacardium occidentale) products and assay of their antioxidant capacity. Food and Chemical Toxicology. v.44, p.188–197. 2006.

5. ZANGERONIMO, M.G.; CANTARELLI, V.S.; FIALHO, E.T.; AMARAL, N.O.; SILVEIRA, H.; PEREIRA, L.M.; PEREIRA, L.J. Herbal extracts and symbiotic mixture replacing antibiotics in piglets at the initial phase. Revista Brasileira de Zootecnia. v.40, n.5, p.1045-1051, 2011.

6. ZENTEK, J.; FERRARA, F.; PIEPER, R.; TEDIN, L.; MEYER, W.; VAHJEN, W. Effects of dietary combinations of organic acids and medium chain fatty acids on the gastrointestinal microbial ecology and bacterial metabolites in the digestive tract of weaning piglets. Journal Animal Science, v.91, p.200-3210, 2014.


***O TRABALHO FOI ORIGINALMENTE APRESENTADO DURANTE O XVII CONGRESSO ABRAVES 2015- SUINOCULTURA EM TRANSFORMAÇÂO, ENTRE OS DIAS 20 e 23 DE OUTUBRO, EM CAMPINAS, SP.

 
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