manejo herpesvírus bovino leiteiro

Modelo de manejo sanitário para erradicação do herpesvírus bovino tipo 1 (HVB-1) em rebanho bovino leiteiro

Publicado: 13/12/2012
Autor/s. : Cláudia Del Fava, Edviges Maristela Pituco, Eliana De Stefano, Líria Hiromi Okuda, Lilia Marcia Paulin, Flávio Dutra Rezande e José Victor De Oliveira da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, e o Médico Veterinário Paulo Antonio Fadil.
Sumário

RESUMO: Avaliou-se a eficácia de manejo sanitário para erradicação do HVB-1 em rebanho leiteiro criado extensivamente por meio da hiperimunização, que consiste na vacinação de animais infectados pelo vírus visando diminuir a reativação viral de animais portadores. Utilizou-se a técnica de soroneutralização em microplacas para diagnóstico do HVB-1. A ocorrência de animais sororeagentes com idade superior a seis meses de idade no primeiro ano foi 44,5% (166/ 373). Posteriormente, outras avaliações foram realizadas em animais não reagentes e em bezerros. A partir do segundo ano, a hiperimunização foi realizada semestralmente nos animais soropositivos com idade superior a seis meses, aplicando-se vacina monovalente inativada com adjuvante oleoso. A maior ocorrência de animais sororeagentes foi observada nos animais mais velhos, em fase produtiva e reprodutiva. A taxa de sororeagentes decresceu com o descarte gradual destes animais e, três anos após a implantação das medidas sanitárias, chegou a zero. No primeiro ano, a incidência foi igual a 0,5% (2/371), no segundo, 0,8% (3/387) e zero no terceiro. Os bezerros filhos de mães sororeagentes tornaram-se não reagentes após o desaparecimento da imunidade colostral. A redução da ocorrência de ano para ano deveu-se ao descarte das matrizes sororeagentes e reposição com novilhas não reagentes. O combate do HVB-1 utilizando o monitoramento de indivíduos não reagentes, hiperimunização e descarte progressivo dos sororeagentes, associado a outras medidas profiláticas, como utilização de sêmen livre de vírus e controle de trânsito de animais, racionalizou o descarte gradual dos animais infectados até obter-se a erradicação.

Palavras-chave: manejo sanitário; vacinação; erradicação; Herpesvírus Bovino tipo 1.

INTRODUÇÃO

O Herpesvírus Bovino tipo 1 (HVB-1) é o agente causador da Rinotraqueíte Infecciosa Bovina/ Vulvovaginite Pustular Infecciosa Bovina (IBR/IPV) (ROIZMAN et al., 1995). O HVB-1 é considerado um dos principais agentes do complexo de doenças respiratórias dos bovinos e pode causar abortamento, infertilidade, nascimento de bezerros débeis e natimortos (BARR e ANDERSON, 1993 e LEMAIRE et al., 1994). O impacto econômico do HVB-1 é observado pelas perdas diretas que a doença causa em animais enfermos e por restrições ao comércio internacional de animais e produtos de origem animal (OFFICE INTERNATIONAL DES EPIZOOTIES, 2002a).

A espécie bovina é a principal fonte de infecção do HVB-1. As principais vias de eliminação do vírus são secreção respiratória, ocular, genital (muco prepucial, muco vaginal) e sêmen de animais infectados. A via de transmissão direta horizontal é a mais importante e ocorre através do contato direto entre os animais e também pela cópula, porém o embrião e feto podem infectar-se pela via vertical (transplacentária). A transmissão indireta ocorre principalmente por aerossóis, fômites e a inseminação artificial tem importante papel na entrada da doença em rebanhos que nunca tiveram contato com o vírus (LEMAIRE et al., 1994).

A fase aguda da infecção primária caracterizase pela manifestação clínica e excreção de elevados títulos de vírus infeccioso, disseminando-o para animais susceptíveis. O HVB-1 replica-se na mucosa do trato respiratório ou genital, penetra nas terminações nervosas periféricas e atinge os neurônios dos gânglios trigêmeo e sacral, permanecendo no núcleo destas células em latência. O vírus pode ser reativado quando os animais são expostos a fatores predisponentes estressantes que diminuem a resistência imunológica como transporte, tratamento com glicocorticóides e parição (TIKOO et al., 1995). O animal portador latente pode sofrer reativação viral com ou sem eliminação do vírus e, uma vez infectado, será portador por toda sua vida (ACKERMANN et al., 1982; KAASHOEK et al., 1996 e ASHBAUGH et al., 1997). Animais portadores podem reativar e eliminar partículas virais, na maioria das vezes sem apresentar sintomas clínicos (LEMAIRE et al.,1994 e WYLER et al., 1989).

A infecção primária do HVB-1 induz resposta imune e celular. Os anticorpos neutralizantes, principalmente da classe IgM e seguido pela IgG são detectados geralmente dez dias após a infecção. Apesar dos anticorpos neutralizarem as partículas virais, a resposta imune celular é a responsável pela recuperação da doença (ENGELS e ACKERMANN, 1996). Os bezerros possuem anticorpos colostrais dos três aos sete meses de idade, período após o qual se tornará não reagente se não sofreu infecção (LEMAIRE et al., 1994).

A ocorrência do HVB-1 no Brasil em rebanhos de corte e leite tem sido relatada por diversos autores (VIDOR et al., 1995, RAVAZZOLO et al., 1989, PITUCO et al., 1999 e RICHTZENHAIN et al., 1999) e a taxa de animais infectados aumenta com o avançar da idade (LOVATO et al., 1995, SALWA e STRYSZAK, 1995, SILVA et al., 1995, DEL FAVA et al., 1998 e MELO, 1998).

A prevenção é um conjunto de procedimentos que visa proteger e melhorar a saúde de uma população e que impedem a entrada da doença em rebanhos livres ou protegem as populações nas regiões onde a doença já ocorre. As ações de prevenção podem ser classificadas em controle, cujo conjunto de medidas ou ações visa reduzir a frequência de ocorrência de uma doença já presente na população, enquanto que a erradicação é um processo radical e intensivo, cujas ações são dirigidas com fins específicos de eliminar uma determinada doença em um território (CORTES, 1993).

As medidas de defesa sanitária devem romper da maneira mais fácil a cadeia epidemiológica, buscando diminuir o número de suscetíveis, evitar que o agente etiológico infecte o animal e se dissemine, combater os vetores e eliminar as condições predisponentes (GONÇALVES, 1990).

A vacinação contra o HVB-1 é uma ferramenta preventiva, utilizada para evitar o desenvolvimento de sintomas clínicos e reduzir a eliminação de partículas virais, entretanto não impede a infecção viral e latência (ACKERMANN et al., 1990a, LEMAIRE et al., 1994 e OSÓRIO, 1998). No Brasil, o combate ao HVB-1 tem sido voluntário, utilizando vacinas do tipo não deletada, com vírus inativado ou vírus vivo termossensível.

Programas sanitários que visem o combate do HVB-1 requerem uma análise de custo-benefício que considere a prevalência, possíveis formas de manifestação clínica da doença, o grau de melhoramento genético dos animais, despesas com exames laboratoriais como sorodiagnóstico e isolamento viral, vacinação e descarte dos animais infectados (PITUCO e DEL FAVA, 1998). Alguns países europeus possuem programas oficiais de combate, cujo objetivo é a erradicação do HVB-1. Dinamarca e Suíça apresentavam baixa prevalência e nunca permitiram o uso de vacinas, erradicando a enfermidade utilizando sorodiagnóstico e eliminação dos animais reagentes (ACKERMANN et al., 1990a; ACKERMANN et al., 1990b, STRAUB, 1991 e VAN OIRSCHOT, 1998b). Contudo, em países que apresentam prevalência moderada a elevada, a erradicação torna-se onerosa pelo custo dos descartes. Assim, utiliza-se a vacinação de todo o rebanho com o objetivo de prevenir a manifestação clínica da doença e reduzir a circulação do vírus no rebanho (LEMAIRE et al., 1994). Neste caso, a vacinação não eliminará o ciclo infeccioso do vírus, uma vez que alguns animais, mesmo vacinados, permanecem susceptíveis e podem se infectar.

Atualmente, encontra-se disponível em alguns países a vacina com marcador genético, que permite a diferenciação entre animais infectados e vacinados através de um teste ELISA (VAN OIRSCHOT et al., 1996 e VAN OIRSCHOT, 1998a), porém, este tipo de vacina ainda não está autorizado no Brasil. A Holanda e Alemanha estão empregando esta vacina nos programas de erradicação com intuito de diminuir a prevalência e, posteriormente, eliminar os animais sororeagentes remanescentes (VAN OIRSCHOT, 1998b).

A hiperimunização é uma vacinação estratégica, utilizada em países que não dispõem de vacina com marcador genético, onde somente os animais infectados são vacinados com a finalidade de estimular a resposta imunológica de memória ao vírus de campo, intensificando a formação de anticorpos soroneutralizantes (LEMAIRE et al., 1994). Pode ser utilizada em programas de combate da doença, permitindo o seu convívio com animais não infectados, evitando assim que estes últimos não se contaminem. Essa conduta pode ser empregada em rebanhos onde o proprietário tem como objetivo a erradicação do HVB-1 gradativamente. A hiperimunização tem por objetivo também minimizar a ocorrência da rinotraqueíte, abortamento e descarte de animais infectados.

Modelos de combate ao HVB-1 têm sido pesquisados, tentando adaptar as condições de cada região ou país. No Brasil, PITUCO et al. (1997) utilizaram vacina monovalente inativada, visando a erradicação do HVB-1 em dez rebanhos bovinos leiteiros criados em regime semi-intensivo, empregando a estratégia de hiperimunização (vacinação semestral de animais soropositivos), associada à eliminação gradual destes e monitoramento sorológico dos negativos. Outras medidas de prevenção associadas, tais como quarentena e utilização de sêmen livre de HVB-1, foram implementadas. Verificou-se queda na prevalência em todas as propriedades, que variou de 3-10% ao ano, dependendo dos descartes ocorridos no período. Apesar da convivência de animais infectados com animais livres de HVB-1, a incidência foi igual a zero, indicando que não houve circulação do vírus no período avaliado (1995-1998). DEL FAVA et al. (1998) erradicaram o HVB-1 em um rebanho bovino leiteiro com baixo índice de infecção (12,3%) em um ano, sem o uso de vacinação, empregando-se um conjunto de medidas sanitárias, tais como o monitoramento bimestral por sorodiagnóstico, isolamento e descarte dos animais sororeagentes, além do controle de trânsito e utilização de sêmen livre de HVB-1; este mesmo rebanho continua livre do HVB-1 seis anos após a erradicação, pela manutenção das mesmas medidas profiláticas (DEL FAVA et al., 2003).

O sêmen de touros infectados pelo HVB-1 pode conter partículas viáveis do vírus (VAN OIRSCHOT, 1995). Tendo em vista que as Centrais de Inseminação Artificial do Brasil possuem touros infectados pelo HVB-1, o controle virológico do sêmen deve ser realizado em todas as partidas para certificação livre desse vírus (ROCHA et al., 1998 e OFFICE INTERNATIONAL DES EPIZOOTIES, 2002a).

Objetivou-se avaliar a eficácia de modelo de combate do HVB-1 em rebanho bovino empregando-se a hiperimunização, com a utilização de vacina monovalente inativada não deletada, visando erradicar o HVB-1.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

O estudo foi realizado em rebanho leiteiro mestiço (cruzamento zebu e europeu) criado em condições extensivas, na Estação Experimental de Zootecnia de Colina, atualmente sede do Pólo Regional de Desenvolvimento Tecnológico dos Agronegócios da Alta Mogiana/APTA Regional, localizada no município de Colina, Estado de São Paulo, Brasil, com altitude 588m, latitude 20o43'05"S e longitude 48o32'38"W (EMBRAPA, 1978).

 

Manejo zootécnico

Bezerros: permaneceram com a mãe nos primeiros dias para receberem colostro à vontade. Posteriormente foram alojados em baias coletivas onde receberam volumoso e concentrado, sendo permitido acesso a piquetes. Os animais mamaram leite ao pé da vaca duas vezes ao dia até o desmame, realizado aos oito meses de idade.

Lote recria: as bezerras desmamadas foram mantidas em pastagem e suplementadas com volumoso. Permaneceram neste manejo até atingirem o peso de 350 kg, quando então foram transferidas para o lote cobertura e inseminadas.

Lote prenhe: formado por vacas adultas e novilhas de primeira cobertura prenhes. Foram mantidas a pasto, com suplementação de volumoso.

Vacas em lactação: foram mantidas em piquetes próximos ao estábulo, onde receberam suplementação de volumoso e concentrado. A ordenha mecânica foi realizada duas vezes ao dia, com o apojo estimulado pelo bezerro.

Lote cobertura: fêmeas vazias rufiadas e inseminadas artificialmente em estações de monta realizadas a cada dois meses foram mantidas a pasto com suplementação de volumoso.

Uma mistura de sal mineral foi oferecida ad libitum para todas as categorias zootécnicas.

 

Manejo sanitário

O diagnóstico do HVB-1 foi realizado pela técnica de soroneutralização em microplaca, segundo recomendação da OIE (2002b).

O sêmen utilizado para inseminação artificial foi submetido a isolamento viral em cultura de células MDBK em três passagens semanais, sendo considerado livre de HVB-1 (OIE, 2002b).

Em janeiro de 1996, todos os animais foram examinados pela soroneutralização para determinar a ocorrência de reagentes ao HVB-1. Os testes subsequentes foram realizados nos animais soronegativos e bezerros nascidos após a última avaliação. A partir do segundo ano, a vacinação contra o HVB-1 foi implantada e realizada semestralmente nos animais soropositivos com idade superior a seis meses. Aplicou-se vacina monovalente com vírus inativado e adjuvante oleoso (IBRVAC do Laboratório IRFA).

O descarte de animais levou em consideração, principalmente, o fato do animal ser reagente ao HVB-1, tendo sido realizado de modo gradual e respeitando- se a condição fisiológica destes, ou seja, as fêmeas eram retiradas do plantel quando secas e vazias. Optou-se em descartar por último as matrizes sororeagentes de melhor produção no plantel.

Todo o rebanho foi submetido a avaliações semestrais para Brucelose, pelo teste do antígeno acidificado tamponado Rosa Bengala (TAAT) e confirmação pelo 2-Mercaptoetanol (2-ME) executados conforme ALTON et al. (1975). Para tuberculose, foi utilizado o teste da tuberculina pelo teste intradérmico na prega da cauda. A interpretação dos testes para Brucelose e Tuberculose foi realizada de acordo com o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Bovina (BRASIL, 2001). Os animais receberam vacina contra Febre Aftosa seguindo o calendário oficial da Defesa Sanitária Animal. A vacinação contra Brucelose foi realizada nas bezerras com idade entre três e oito meses. A vacinação contra paratifo foi realizada nas fêmeas no terço final da gestação e nos bezerros aos 15 dias de vida, com reforço um mês após. Utilizou- se vacina contra clostridiose do tipo polivalente.

O controle de ecto e endoparasitas seguiu esquema estratégico.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A situação sanitária do HVB-1 no rebanho em janeiro de 1996 revelou 43,3% (177/409) dos animais sororeagentes. Esse índice foi considerado elevado, motivo pelo qual optou-se por empregar a erradicação com hiperimunização dos sororeagentes e descarte gradual de animais infectados, como preconizado por outros autores (LEMAIRE et al., 1994 e PITUCOet al., 1997).

O levantamento inicial, realizado em janeiro de 1996, demonstrou que a maior ocorrência de animais reagentes ao HVB-1 foi observada nas categorias zootécnicas compostas por animais em fase produtiva e reprodutiva, 64,6% das vacas (159/246) e 100,0% dos rufiões (02/02), enquanto que somente 10,1% das novilhas (07/69) estavam infectadas e nenhum bezerro macho ou fêmea com idade acima de seis meses (0/58) apresentou anticorpos contra o HVB-1 (Quadro 1).

Com relação à idade, o quadro referente a janeiro de 1996 demonstrou taxas de infecção crescentes nos indivíduos mais velhos pelo teste do Qui-quadrado (p<0,0001) (Quadro 2). Esse efeito foi relatado por outros autores (LOVATO et al., 1995, SILVA et al., 1995, SALWA e STRYSZAK, 1995, DEL FAVA et al., 1998 e MELO, 1998) e caracteriza a cronicidade da infecção.

O monitoramento demonstrou que, em todas as colheitas, os bezerros filhos de mães sororeagentes apresentaram o desaparecimento da imunidade colostral, comprovado pela ausência de anticorpos ao HVB-1 nos animais pertencentes a faixa etária de seis meses a um ano (Quadros 1 e 2). Esse fato também foi observado por DEL FAVA et al. (1998).

A vacinação foi implantada a partir de janeiro de 1997 conjuntamente ao descarte de animais reagentes ao HVB-1, verificando-se que a cada nova colheita observou-se a diminuição gradual da taxa de infecção em todas as categorias zootécnicas e faixas etárias (Quadros 1 e 2). O nível zero de infecção foi observado nas novilhas em julho de 1997 e nas vacas em março de 2000 (Quadro 1). Com relação às faixas etárias (Quadro 2), o nível zero de infecção foi obtido primeiramente nos animais mais jovens e posteriormente naqueles de idade avançada, porque além da maior proporção das matrizes reagentes ao HVB-1 pertencerem às categorias mais velhas, somente puderam ser descartadas do plantel quando secas e vazias.

A incidência de animais reagentes ao HVB-1 no período de janeiro de 1996 a janeiro de 1997, antes da implantação da vacinação foi 0,5% (2/371) e no segundo ano, com a adoção da vacinação, 0,8% (3/ 387), não diferiram estatisticamente pelo teste Exato de Fisher (P>0,05). A incidência foi igual a zero nos dois anos subseqüentes. Apesar de ter ocorrido um pequeno número de casos novos, a vacinação não impediu totalmente a reativação e eliminação viral, porque mesmo vacinados, os animais infectados pelo HVB-1 continuaram sendo portadores latentes e a reativação do HVB-1 poderia ocorrer sob situações de estresse e contaminar animais susceptíveis, como demonstrado por outros autores (ACKERMANN et al., 1990a, LEMAIRE et al., 1994 e OSÓRIO, 1998).

O descarte de matrizes reagentes ao HVB-1, a reposição com novilhas não reagentes e a hiperimunização reduziram a taxa de infecção porque diminuíram o risco de disseminação do agente etiológico e evitaram o surgimento de casos novos. Este tipo de manejo permitiu a cria e recria de novilhas livres do HVB-1 que foram destinadas à reposição de matrizes sororeagentes descartadas do plantel, resultado semelhante ao obtido por PITUCO et al. (1997) . A utilização de partidas de sêmen controladas virologicamente e isentas do HVB-1 atenderam recomendações técnicas preconizadas por ROCHA et al. (1998) e o OFFICE INTERNATIONAL DES EPIZOOTIES (2002a) e impediram a transmissão indireta do vírus através de inseminação artificial. Adotou- se ainda o controle de trânsito na propriedade para evitar a reintrodução do HVB-1 no rebanho. Apesar do uso de vacina com marcador genético estar autorizada em programas de combate ao HVB- 1 em outros países (VAN OIRSCHOT, 1998b), o emprego de hiperimunização utilizando vacina inativada contra o HVB-1 sem marcador genético, associado às demais medidas sanitárias adotadas, interrompeu o ciclo da doença, reduzindo numa primeira fase a frequência de ocorrência do HVB-1 na população e, posteriormente, eliminando o vírus do rebanho. Concluiu-se que o conjunto de ações preventivas preconizadas por CÔRTES(1993) e GONÇALVEZ(1990) permitiram a erradicação do HVB- 1 do plantel.

Quadro 1. Ocorrência de reagentes ao HVB-1 com idade acima de seis meses, em rebanho bovino leiteiro, segundo categorias zootécnicas e data de colheita, após hiperimunização e descarte progressivo dos reagentes

Quadro 2. Ocorrência da soropositividade ao HVB-1 pela técnica da soroneutralização, segundo faixas etárias e data da colheita no rebanho leiteiro total

 

CONCLUSÃO

O combate do HVB-1 com a utilização do monitoramento de indivíduos soronegativos, hiperimunização e descarte progressivo dos soropositivos, associado à outras medidas profiláticas, como utilização de sêmen livre de vírus e controle de trânsito de animais, torna-se técnica e economicamente viável em rebanhos onde a prevalência é elevada, pelo descarte gradual de matrizes infectadas pelo HVB-1.

 

AGRADECIMENTOS

Agradecemos aos Funcionários de Apoio à Pesquisa Científica da EEZ Colina, Maria José Frigoni Mariguela, Márcia Olímpia Nogueira, José Carlos Meneguelo, Osvaldo Marcondes de São José e Marcelo Martins, pelo auxílio no manejo sanitário e zootécnico do rebanho.

 

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