fêmeas genes raças zebuínas

Avaliação do desempenho produtivo e reprodutivo de fêmeas com diferentes frações de genes de raças européias e zebuínas em um rebanho leiteiro

Publicado: 22/01/2013
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Sumário

RESUMO: A avaliação do desempenho produtivo e reprodutivo de um rebanho leiteiro com animais, distribuídos em seis grupos com diferentes frações de genes de raças de origem européia e da raça Gir foi realizada, utilizando-se 523 registros de produção de 229 vacas que pariram entre os anos de 1991 a 2003. O plantel foi manejado com monta controlada e inseminação artificial durante todo o ano, sendo analisados os efeitos de grupo genético, ano do parto e estação do parto. Foram avaliadas as características idade ao primeiro parto, intervalo de partos, duração da lactação e produção total de leite. Houve efeito de grupo genético (P<0,01) sobre a idade ao primeiro parto. A média da idade ao primeiro parto foi menor (P<0,01) para vacas 1/2 e 3/4 de genes de origem européia. O intervalo de partos de animais 1/2 de genes zebuínos foi menor (P<0,05) do que animais com mais que 15/16 de genes de origem européia. A produção total de leite foi maior para os grupos com 1/2, 3/4, 7/8 e 15/16 que para o grupo de animais com 5/8 ou menos que 1/2 de genes das raças européias. Os resultados foram 2606, 2807, 2789, 2649 kg de leite por lactação para as vacas 1/2, 3/4, 7/8 e 15/16 comparados com 1827 e 2368 kg de leite produzido pelas vacas menos de 1/2 e 5/8 de genes de raças européias, respectivamente. Houve efeito de estação do parto (P<0,05) e idade da vaca ao parto (P<0,01) sobre a produção total de leite. O ano do parto influenciou (P<0,01) a idade ao primeiro parto e a duração da lactação (P<0,05).

Palavras-chave: cruzamento, características produtivas, características reprodutivas

INTRODUÇÃO

A produtividade do setor leiteiro no Brasil, ainda hoje considerada insatisfatória, é decorrente da ineficiência no processo de produção caracterizada, principalmente, por deficiências referentes ao manejo dos animais e à limitada qualidade genética dos rebanhos. Assim, visando maior produção de leite a menores custos e em menor espaço de tempo possível, os produtores têm recorrido à melhoria na qualidade do manejo, ao uso de animais geneticamente superiores quanto à capacidade de produção bem como ao uso de cruzamentos entre raças.

Cerca de 70% da produção de leite no Brasil provém de vacas mestiças europeu-zebu. Entre as européias, a raça Holandesa predomina nos cruzamentos e entre as zebuínas, a raça Gir é a mais freqüentemente utilizada, produzindo o gado, mais conhecido como Girolando (CARVALHO et al., 2003).

O cruzamento entre raças puras visa explorar intensamente as qualidades existentes entre as diferentes raças que sejam complementares entre si e os benefícios da heterose, que permite reunir características desejáveis na produção de leite e gerar animais mais eficientes no processo produtivo, principalmente pela melhor qualidade reprodutiva dos animais, refletida em idades mais jovens ao primeiro parto e menores intervalos de partos, bem como se obter um período ideal quanto à duração da lactação.

As raças de origem européia possuem maior especialização leiteira do que as zebuínas, sendo também mais exigentes quanto à alimentação e ao manejo, além de serem mais susceptíveis às enfermidades infecciosas e parasitárias freqüentes nos trópicos. Por outro lado, as zebuínas são mais adaptadas às regiões tropicais e, portanto, mais rústicas e resistentes. Segundo TEODORO et al. (1984), a análise do desempenho reprodutivo, avaliado por características associadas à puberdade, revelou que, em regiões tropicais, animais ½ Holandês-Zebu foram mais eficientes do os da raça Holandesa apresentando idade à primeira cria igual a 25,41 meses, destacando-se ainda, os animais 3/4 com 26,56 meses, enquanto os animais da raça Holandesa mostraram idade ao primeiro parto igual a 27,51 meses.

De acordo com MADALENA et al. (2001), existe superioridade dos animais mestiços no que se refere a produzir em sistemas que oferecem menor qualidade de manejo e maior infestação por ectoparasitas quando comparados aos animais da raça Holandesa que necessitam de um manejo mais especializado. Entretanto, as raças dos animais assim como os sistemas de cruzamentos a serem utilizados no processo de produção de leite devem ser escolhidos conforme o clima e o manejo, a fim de se estabelecerem critérios econômicos de produção.

Entre os aspectos importantes a serem considerados ao se definirem as estratégias dos cruzamentos, destacam-se a utilização de raças mais adequadas ao ambiente onde a nova população será explorada e de animais cujo potencial genético seja superior quanto aos objetivos da criação, na tentativa de se obter animais geneticamente mais adequados ao clima tropical.

MADALENA et al. (1990), avaliaram a performance produtiva e reprodutiva de animais com diferentes composições genéticas resultantes de cruzamentos entre raças, visando o aumento na produção de leite e a melhoria de características reprodutivas (idade ao primeiro parto, intervalo de partos e duração da lactação). Classificando-as juntamente com o nível de manejo, os autores concluíram que animais com maior fração de genes da raça Holandesa se adaptam melhor em melhores condições de manejo. Baixos custos de produção leiteira têm se mostrado associados à utilização de fêmeas mestiças F1 (Bos taurus taurus X Bos taurus indicus) como uma alternativa em potencial, uma vez que visa utilizar a maximização do efeito da heterose e da complementaridade entre raças (MADALENA, 1992).

MADALENA et al. (1997), relatam que cruzamentos entre Bos taurus taurus e Bos taurus indicus, principalmente o cruzamento entre as raças Holandesa e Gir é uma prática muito utilizada no Brasil. Muitos produtores utilizam ainda, um segundo cruzamento com uma terceira raça européia, estando em destaque a Pardo-Suiço ou a Jersey, na tentativa de formar animais mais produtivos e resistentes às condições de manejo nas áreas subtropicais do Brasil. Esse tipo de cruzamento tríplice denominado "tricross" ou alternado com três raças, utilizando reprodutores diferentes, permite a manutenção de um bom nível de heterose (CARVALHO, 1998).

Conforme CUNNINGHAM e SYERSTAD (1987), animais 1/2 zebuíno-europeu, em regiões tropicais, possuem menor idade ao primeiro parto, menor intervalo de partos, seguidos pelos 3/8 europeus.

FREITAS et al. (1980), levando em consideração as estações chuvosa e seca, analisaram a eficiência reprodutiva de animais puros Holandês e animais mestiços Gir-Holandês. O estudo evidenciou que vacas mestiças 1/2 Holandês apresentaram menores idades ao primeiro parto e intervalo de partos do que os puros Holandês, sendo que animais 3/4 Holandês apresentaram valores intermediários, concluindo que os mestiços foram menos sensíveis às variações das pastagens do que os puros.

De acordo com PEREIRA (1999), o desempenho dos vários grupos genéticos de raças de clima temperado tem evidenciado que a fração 1/2 a 3/4 é a mais adequada para a produção de leite nos trópicos e que níveis mais elevados do que 3/4 não devem ser mantidos em climas quentes. Entretanto, o autor comenta que se houver proteção contra o estresse ambiente e se as condições gerais de alimentação, manejo e cuidados sanitários forem favoráveis, estes animais também podem contribuir para aumentar a produção de leite.

O presente estudo teve por objetivo avaliar o desempenho produtivo e reprodutivo de um rebanho leiteiro constituído por uma população de animais cruzados, distribuídos em seis grupos com diferentes frações de genes de raças de origem européia e da raça Gir, Zebuinas.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Foram utilizados 523 registros de produção de 229 vacas que pariram entre os anos de 1991 a 2003 obtidos de fichas zootécnicas de animais pertencentes ao rebanho leiteiro da antiga Estação Experimental de Zootecnia em Ribeirão Preto, SP, atual Apta Regional Centro Leste. O plantel foi manejado com monta controlada e inseminação artificial durante todo o ano. Os animais utilizados do manejo reprodutivo aplicado no rebanho resultaram de coberturas e inseminações artificiais de material genético de reprodutores das raças Holandesa, Jersey e Gir sobre vacas mestiças, sendo a raça européia Holandesa mais intensamente utilizada.

Os animais foram mantidos em pastos durante a estação chuvosa e em confinamento, durante a estação seca, recebendo silagem de milho ou sorgo. Independente da estação do ano, as vacas recebiam suplementação com ração concentrada e minerais.

Para analisar o efeito de ano de parto (ANOP), os animais foram separados em três classes caracterizando os diferentes tipos de manejo. Ao longo dos anos o manejo da fazenda sofreu modificações com o objetivo de melhorar as condições de criação dos animais. As modificações constaram de intensivas adubações em sistema de pastejo rotacionado a partir de 1996 e diminuição das vacas com bezerro ao pé no momento da ordenha, ou seja, de 1991 a 1995 haviam 90% das vacas com bezerro ao pé, de 1996 a 1999 haviam 60% das vacas com bezerro ao pé e a partir de 1999 haviam 35% das vacas com bezerro ao pé. As classes envolveram animais que pariram de 1991 a 1995, de 1996 a 1999 e de 2000 a setembro de 2003.

Os animais utilizados foram divididos em classes de grupos genéticos (GG) conforme a fração de genes de raças européias. Animais com menos do que 50% (<1/2), com 50% (1/2), com 60 a 75% (5/8), com 75 a 89% (3/4), 81 a 91% (5/8) e com mais do que 91% de genes europeus (15/16).

As estações de parto (ESTP) foram classificadas em estação chuvosa, de setembro a fevereiro e estação seca, de março a agosto.

Foram analisadas as características idade ao primeiro parto (IPP), intervalo de partos (IP), duração da lactação (DL) e produção total de leite (PL).

Os dados referentes a cada característica foram analisados pelo método de quadrados mínimos pelo procedimento GLM do SAS (1993). Os modelos estatísticos incluíram os efeitos fixos de estação do parto, ano do parto e grupo genético como variável classificatória. Para DL, IP e PL, foram considerados no modelo a idade da vaca ao parto (IVP) como covariável, efeitos linear e quadrático, sendo que para DL o efeito quadrático não foi significativo. Para IP foi considerada a duração da lactação anterior (DLANT), como efeito linear e para a característica DL, a produção total como efeito linear.

As médias foram comparadas pelo teste de Tukey-Kramer, utilizando-se o nível de significância de 5%.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A produção leiteira é um ciclo que se repete a cada parição durante a vida útil da vaca, sendo recomendável que exista apenas dois meses de pausa antes do parto. Assim, com uma maior eficiência reprodutiva traduzida por menores intervalos de partos ou idades mais jovens à primeira cria, é possível potencializar esse ciclo.

Usualmente, o termo manejo aplica-se, dentre outras, às diferenças de alimentação, da composição etária entre animais ou de diferenças de instalações. Para fins de comparações de grupos genéticos e de seleção, no entanto, é necessário dar caracterização mais explícita ao termo, de tal forma que os animais possam ser comparados em condições de igualdade. Se há tratamento diferenciado entre os animais de um rebanho, torna-se difícil separar os fatores não genéticos e, em conseqüência, maior dificuldade no estabelecimento de programas de melhoramento animal.

Para animais criados em regime de pasto, o efeito de mês e/ou estação do parto, está fortemente relacionado com as condições climáticas, podendo, entretanto ser observado que animais em semiconfinamento também recebem influências da estação do parto. Os efeitos do clima, quer de forma direta, afetando as funções do organismo animal, quer de forma indireta, gerando flutuações na qualidade e quantidade de alimentos ou aumentando a incidência de doenças, contribuem para as variações na produção.

A idade da vaca ao parto constitui-se em outro fator não genético contribuindo para gerar variação na produção entre os animais. Sabe-se que a produção leiteira aumenta com a idade da vaca, até atingir seu máximo na maturidade fisiológica do animal entre seis e sete anos, declinando a partir desta idade.

As análises de variância referentes aos caracteres idade ao primeiro parto (IPP), intervalo de partos (IP), duração da lactação (DL) e produção total de leite (PL) estão apresentadas na Quadro 1. Os resultados mostraram efeitos (P<0,05) de estação do parto, (P<0,01) grupo genético e de idade da vaca ao parto, linear e quadrática sobre a produção total de leite; efeitos de grupo genético (P<0,05) e de duração da lactação anterior (P<0,01) sobre o intervalo de partos. Efeitos de ano do parto e de grupo genético influenciaram (P<0,01) a idade ao primeiro parto, enquanto que a duração da lactação foi influenciada pelo ano do parto (P<0,05), pela idade da vaca ao parto (P<0,01) e pela produção total de leite (P<0,01).

No Quadro 2 podem ser observadas as médias dos quadrados mínimos para as características idade ao primeiro parto, intervalo de partos, duração da lactação e produção total de leite, em relação aos efeitos de ano do parto. Verifica-se que houve diferenças (P<0,05) entre as médias de idade ao primeiro parto e (P<0,01) de duração da lactação. Observa- se diminuição gradativa da idade ao primeiro parto com o passar dos anos que pode ser decorrente da melhoria das condições gerais na criação de novilhas, com adubação das pastagens aumentando- se a disponibilidade de forragem durante a fase de crescimento dos animais. Esses resultados são consistentes com os de NOBRE (1983), que encontrou efeito do ano sobre a idade ao primeiro parto.

O aumento numérico para intervalo de partos em relação ao ano do parto, de 13,7 meses entre 1991 e 1995 para 14,6 meses entre 1999 e 2003 não foi significativo.

A redução na duração da lactação (P<0,01) observada ao longo desses anos pode ser explicada pela mudança no manejo adotado, diminuindo a quantidade de vacas ordenhadas com bezerro ao pé, onde apenas alguns animais mais velhos e vacas filhas de touros da raça Gir (<1/2 e 1/2) permaneceram com bezerro ao pé no momento da ordenha. Quanto à produção total de leite, foi observada diminuição numérica, não significativa (P>0,05). Calculando- se a produção por vaca, por dia, através da relação produção total de leite e duração da lactação, os valores encontrados foram 10,1; 9,3 e 9,7 kg/vaca/dia para os anos 1991 a 1995; 1996 a 1999 e 1999 a 2003 respectivamente. Observa-se que mesmo com a melhoria da alimentação dos animais, já citado anteriormente, houve queda na produção individual, demonstrando que as vacas mestiças ordenhadas sem o bezerro ao pé apresentam queda na duração da lactação e na produção de leite, o que levou à queda de produtividade.

Quadro 1. Análises de variância obtidas de dados referentes à produção total de leite, intervalo entre partos, idade ao primeiro parto e duração da lactação

Quadro 2. Médias dos quadrados mínimos dos caracteres idade ao primeiro parto (meses), intervalo de partos (meses), duração da lactação (dias) e produção total de leite (kg), em relação aos efeitos de ano do parto.

O Quadro 3 mostra as médias dos quadrados mínimos para as características idade ao primeiro parto, intervalo de partos, duração da lactação e produção total de leite em relação à estação do parto. Na comparação entre estação das águas e estação da seca, não foram encontradas diferenças significativas para idade ao primeiro parto, intervalo entre partos e duração da lactação.

Quadro 3. Médias dos quadrados mínimos estimadas para os índices zootécnicos idade ao primeiro parto (meses), intervalo de partos (meses), duração da lactação (dias) e produção total de leite (kg), relacionados com a estação do parto

A produção total de leite foi maior (P<0,01) para os animais que pariram no período de março a agosto. A menor produção de leite de vacas que pariram no período de setembro a fevereiro pode ser explicada pela época em que o preço do leite é reduzido, tendo em vista que nos meses de junho a agosto, as vacas recebiam maior quantidade de ração concentrada. Estes resultados estão de acordo com RAYNE (1973) e THOMAS (1973).

COSTA et al. (1982) evidenciaram que uma melhor alimentação no inicio da lactação exerce influência sobre a produção de leite por lactação, favorecendo sensivelmente as vacas cujos partos se verificam quando os alimentos disponíveis são de melhor qualidade, muitas vezes ocorrendo no período da seca.

NOBRE (1983) ressaltou que as produções das lactações iniciadas no outono-inverno apresentam períodos de lactação mais longos e maior produção de leite que as iniciadas na primavera-verão, provavelmente devido ao reflexo de manejo. Essas observações corroboram com as de TEODORO et al. (1994), em rebanhos da raça Holandesa e Souza et al. (1995) em rebanhos da raça Gir, assim como com os resultados do presente trabalho. Em outras pesquisas, CAMPOS (1987) e LOPES et al. (1996) estudando rebanhos submetidos a manejo intensivo de produção de leite, não verificaram efeitos da estação de parição sobre a produção.

Os resultados referentes à característica intervalo de partos nesta pesquisa estão em consonância com os de MATSOUKAS e FAIRCHILD (1974), DIAS (1983) e SILVA et al. (1992), os quais não verificaram efeitos significativos de estação do parto sobre o intervalo de partos.

A comparação entre as médias estimadas para as características idade ao primeiro parto, intervalo de partos, duração da lactação e produção total de leite de vacas classificadas de acordo com os diferentes grupos genéticos, estão mostradas no Quadro 4. Médias estimadas para duração da lactação não apresentaram diferenças (P>0,05) entre os grupos.

Os valores de idade ao primeiro parto foram significativamente menores (P< 0,01) para as vacas 1/2 e 3/4 de genes europeus que para as vacas 5/8. Os demais grupos genéticos não apresentaram diferença entre si (P>0,05). Estes valores são semelhantes aos citados por PRADA (1978) e CUNNINGHAM e SYSTAD (1987), os quais encontraram valores de idade ao primeiro parto de 32,1 meses e 32,2 meses para vacas 1/2 sangue e 34,9 e 33,7 meses para vacas 3/4 de Holandês, respectivamente.

Quadro 4. Médias para idade ao primeiro parto, intervalo de partos, duração da lactação e produção total de leite na lactação de vacas mestiças com menos do que 50% (<1/2)), com 50% (1/2), com 60 a 75% (5/8), com 75 a 81% (3/4), 82 a 91% (7/8) e com mais do que 91% de genes de raças européias (15/16)

Para a característica intervalo de partos, os animais com 1/2 de genes zebuínos apresentaram menores (P<0,05) intervalos que as vacas com mais de 15/16 de genes europeus, provavelmente pela heterose presente em animais oriundos da cruza de duas raças puras, que os tornam mais resistentes que os outros cruzamentos. CUNNINGHAM e SYSTAD (1987) encontraram valores semelhantes de intervalo de partos, isto é, de 442 dias em vacas 3/4 Holandês e de 423 dias para vacas 1/2 Holandês.

Os resultados mostraram que não houve diferenças (P>0,05) entre os grupos genéticos com relação a duração da lactação.

Quanto à produção total de leite, na lactação, observa-se que os grupos genéticos 1/2, 3/4, 7/8 e 15/16 foram superiores (P<0,01) aos demais. Acredita- se que as fêmeas com menos da metade de genes de Europeu (<1/2), filhas de touros da Raça Gir, tiveram desempenho pior que as demais pela influência genética do pai, que na maioria das vezes não tinha prova genética para produção leiteira. Embora as diferenças não tenham sido estatisticamente significativas, percebe-se uma tendência de melhor performance leiteira de animais 3/4 em relação aos 1/2 de genes europeus, quando se considerou a produção total de leite. Esses resultados são consistentes com os de FACÓ (2002), que constatou em regime alimentar semi-intensivo, que animais de grupo genético com uma composição genética maior ou igual a 7/8 de europeu tiveram desempenho superior aos demais na produção da lactação, enquanto os animais do grupo genético <1/2 de genes de europeus tiveram desempenho inferior. O citado autor também verificou que animais 3/4 foram superiores aos 1/2 europeu, quanto à produção de leite na lactação.

Por outro lado, considerando o intervalo de partos e calculando a produção média de leite por vaca, por ano (produção total de leite/intervalo entre partos * 365), foi estimada produções de 2.420,3; 2.318,0; 2.458,9 e 2.031,3 kg de leite/vaca/ano para os grupos genéticos 1/2; 3/4;7/8 e 15/16 de genes de europeu. A produção de leite, na lactação, para as vacas 1/2 e 15/16 de genes europeus foi semelhante (2606 x 2649 kg/vaca), mas a média anual de produção leite, foi superior para as vacas 1/2 de genes europeu, comparada às vacas 15/16 (2420,3 x 2031,1 kg de leite/ano) e a semelhante às 3/4 de genes europeus (2420,3 x 2458,9 kg de leite/ano),

 

CONCLUSÕES

Os resultados obtidos permitem concluir:

A melhoria das condições gerais na criação de novilhas pode viabilizar uma redução gradativa da idade ao primeiro parto.

Um manejo de forma tal que diminua a presença do bezerro na sala de ordenha pode reduzir a duração da lactação ao longo dos anos, influenciando a produção total de leite.

Uma redução na idade ao primeiro parto pode ser esperada em vacas com composição genética de 1/2 e 3/4 de genes europeus. Animais 1/2 europeu zebu apresentaram menor intervalo de partos que aqueles com composição genética 15/16 de genes europeus.

 

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Autor/s.
Maria da Graça Pinheiro concluiu o doutorado em Ciências Biológicas (Genética) [Rib. Preto] pela Universidade de São Paulo -USP- em 1996. Atualmente é Pesquisador Científico V da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios -APTA-. Publicou 17 artigos em periódicos especializados e 32 trabalhos em anais de eventos. Atua na área de Zootecnia, com ênfase em Bioclimatologia. Em suas atividades profissionais interagiu com 57 colaboradores em co-autorias de trabalhos científicos.
Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade de São Paulo -USP- (1982), Mestrado em Nutrição e Produção Animal pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia/USP (1988) e Doutorado em Zootecnia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho -UNESP- (2002). Desde 1994 é Pesquisadora Científica da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo, tendo ingressado inicialmente no Instituto de Zootecnia. Em 2002, com a mudança organizacional, passou a atuar no Pólo de Pesquisa e Desenvolvimento de Ribeirão Preto. Atualmente é Pesquisadora Científica
 
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