Rastreabilidade bovina

A Retroinformação e a Rastreabilidade (Parte II)

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Artigo escrito tendo como base as informações: G.C. Smith, K.E. Belk, J.A. Scanga, J.N. Sofos y J.D Tatum - Colorado Estado Universidad, Fuerte Collins, Colorado, EE.UU.

O pecuarista americano é antes de tudo um empreendedor e não poderia deixar de sê-lo, pois o seu país é acima de tudo o maior símbolo do capitalismo, às vezes, selvagem... Em termos de Retrorastreabilidade, os americanos entendem ser de importância maior a sua existência, mas com uma particularidade: ela deve existir para dar cumprimento ao que determinam os programas de "marcas registradas de carnes nos Estados Unidos". Traduzindo. O marketing da carne é algo muito sério e se o que for veiculado na mídia americana, em termos qualitativos de um produto cárneo (carne verde), não for comprovado, a situação fica um tanto crítica para o produtor.

Como a dinâmica americana voltada para a pecuária de corte traz no seu bojo um Programa de Retrorastreabilidade para Carnes com Marcas Registradas, isto equivale a dizer o seguinte:

  • Existem empresas que contratam produções de bovinos destinados à exportação e fazem exigências técnicas que são desenvolvidas de acordo com o protocolo da empresa e o produtor. O qual, por sua vez, tem que dar cumprimento e obediência a este protocolo que lhe é apresentado em forma de um manual. Estas exigências são feitas em função da empresa contratante, que é detentora de uma marca registrada de carne. E esta carne apresenta uma séria de qualidades, o que permite se destacar no mercado internacional:
  • Determinadas associações de criadores de bovinos de corte possuem sistemas de comercialização específicos de seus produtos. Ou seja, uma associação mantém uma rede de lojas especializadas em vender, orientar e promover o consumo da carne daquela raça. E os produtos ali colocados à venda, são originários de criadores credenciados e habilitados para produzir de acordo com os preceitos de qualidade que a associação determina. Para tal são elaborados programas técnicos de produção animal, em que todos os itens relacionados com a Qualidade se fazem presentes. São verdadeiros manuais para que o consumidor final tenha uma informação (resumida) da produção e suas etapas:
  • Estes programas, no entanto, estabelecem algumas situações peculiares em função da facilidade de verificação de origem, classificação e identificação individual ou até de pequeno grupos de animais, nada mais do que isso. E isto em função de:

- Quando se trata de pequenas quantidades de animais a serem abatidos e processados, há uma melhora na seleção:
- Facilidade na condução dos serviços de abate:
- Permite uma seqüência de cortes mais uniformes:
- Melhora a apresentação dos cortes e das embalagens:
- Identificação de peças individuais em relação ao animal abatido, informando o percentual de rendimento:

A realidade dos fatos tem demonstrado ainda que para se obter um produto diferenciado, existe a necessidade de se pagar por este produto. Daí a questão que hoje colocamos em relação a RASTREABILIADE. Ela será um elemento de diferenciação ou um elemento de generalização? Assunto para se tratar futuramente. Mas as pesquisas americanas informam também que:

  • O consumidor americano, aquele que adquire a carne bovina em supermercados, está disposto a pagar algo como US$ 0,04 a US$ 0,10 por libra a mais por um produto submetido a Retrorasteabilidade, utilizando o Texas First Traceback:
  • Uma cadeia de supermercados de grande porte registrou a aceitação de parte dos clientes em pagar entre US$ 0,30 a US$ 0,80 por libra a mais para consumir carne bovina "geneticamente definida e com verificação de origem", ou US Choise:
  • Outra pesquisa com supermercados informa que os consumidores estariam dispostos a pagar algo como US$ 0,50 por libra pela "garantia de maciez e textura da carne US Select", ou seja, um produto que leva a chancela da National Cattlemen s Beef Assn:
  • Uma pesquisa feita junto a consumidores, informa que estes estariam dispostos a pagar algo como US$ 0,29 a US$ 0,34 por libra para carnes que apresentassem em seu processamento o uso de água quente (em facas, bandejas, máquinas, utensílios, mesas, pisos, paredes, etc), desde que este processo garantisse a ausência de 90% a 99% de E. coli.

A realidade que nos separa de países com alta capacidade de consumo e elevadíssimos níveis de exigências, está sempre posicionada em um parâmetro da seguinte magnitude: a Cadeia de Pecuária de Corte Bovina, nos Estados Unidos, está passando do sistema de produzir por produzir, ou criar por criar, para uma posição de vanguarda. Produzir bovinos de corte, atendendo os desejos do consumidor final. Esta posição alavancou o comércio de tal maneira, que houve repercussões destas opiniões sobre as formas de consumo. Ou seja, o consumidor que adquire a carne bovina e a prepara em casa: aquele que adquire o produto já elaborado: e aquele outro que a consome em estabelecimentos comerciais, passam a exigir melhores e maiores informações de como são produzidos os animais. E estas posições repercutiram também nas industrias cárneas, nos pontos de abastecimentos (boutiques de carnes), nos confinadores, nos recriadores e nos matrizeiros. Esta realidade só se tornou possível com a adoção da Retroinformação e da Rastreabilidade.

Faz-se necessário também informar, segundo as palavras de Wendy Radacovich, integrante da US Meat Federation (Federação dos Exportadores de Carnes dos Estados Unidos), que "nenhum país pode impor regra a outros países sem que as tenha aplicado antes no seu próprio país: não entendemos como vão aplicar tais leis nos Estados Unidos, se o uso de hormônios é aqui liberado: entendo que os outros países não vão estar desejosos de colaborar".

O consumidor americano sente-se seguro em relação ao consumo de carne bovina com "marcas", ou seja, com a carne que é produzida por estabelecimentos especializados, que atendem às exigências de mercado e que estão ancoradas nos procedimentos técnicos, de acordo com os Manuais de Produção para aquele determinado sistema de produção, em que a raça, a idade, a forma de criação, a alimentação, as coberturas vacinais, o uso de não-transgênicos, o bem-estar animal, e os cuidados com o meio ambiente, passam a ser o diferencial em relação aos demais sistemas produtivos. Isto representa dizer que os abates em menor escala proporcionam um melhor controle de todo o sistema, vamos entender: Cadeia Produtiva, de tal forma que se necessário for a aplicação da Retroinformação, esta será colocada à disposição do consumidor final com muita rapidez e segurança de todos os dados exigidos na sua produção.

Finalmente, os americanos no uso da Retroinformação, se valem de vários processos.
Controle individual dos animais assim como de todas as suas peças, como couro, chifres, carcaças e cortes específicos. Para tal poderão se utilizar de algumas técnicas que a nosso ver podem ser entendidas como excesso de zêlo, mas que são posições internas e tão somente a eles competem comentários maiores, como por exemplo:

  • OptibrandingTM = controle do animal através da retina:
  • Já se têm notícias de algumas técnicas como Controle da retina: Perfil do DNA: Uso de identificação de anticorpos em cortes de um determinado animal sem nenhuma margem de erro: O AbP (Antibody Profiling), "perfil de anticorpos", para determinar anticorpos específicos presentes nos fluídos corporais e nos tecidos de cada animal:
  • A identificação animal individual pode ser mantida em abates de pequena e média escala nos processos de desossa, onde a velocidade é considerada como pequena. Já sendo considerada como de grande dificuldade para abates médios e praticamente impossível para os grandes abates, que exigem maiores velocidades:
  • Quanto ao produto identificador, seja ele brinco com código de barras, brincos eletrônicos, brincos de metal, bolos de cerâmica, está sendo considerado ainda como normal, dando-se preferência, em um movimento crescente, para o uso de implantes subcutâneos de microchips.

Como pudemos ver, quando se trata de RASTREABILIDADE, esta não se faz com Instruções Normativas, com criação de elementos organizados ou com tentativas vãs de se implantar sistemas de auditoria, em especial extensivo a profissões que não de Médico(as) Veterinário(as). É algo que transcende o simples fator burocrático e que não se pode levar em consideração a posição néscia de se aplicar tanto a Rastreabilidade como a Retroinformação em um rebanho da ordem de 200.000.000, sob pena de um descrédito internacional muito grande e de conseqüências funestas.

 
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