Cisticercose bovina saúde

Cisticercose - Um assunto de saúde humana

Publicado: 18/10/2010
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A cisticercose bovina é a fase larvar do ciclo de vida da Taenia saginata, que em estágio adulto é um parasita do intestino do homem (solitária).

Apresenta distribuição cosmopolita e representa um grave problema de saúde pública, estando amplamente difundido na maioria dos países em que há criação bovina, principalmente naqueles em desenvolvimento.

O bovino ingere o ovo da Taenia saginata através da ingestão de água e pastagem contaminadas por fezes do homem parasitado. Após a ingestão do ovo, há a liberação da larva infectante, que irá se instalar em tecido bovino com alta irrigação sangüínea, como cérebro e músculos (diafragma, masseter, coração, etc.). Ao se instalar no bovino, forma uma vesícula (cisto) contendo em seu interior a larva denominada Cysticercus bovis.

Quando o homem ingere carne bovina com cisticerco, não inspecionada, crua ou mal cozida, pode se contaminar, a larva irá evoluir a verme adulto, ou seja, o homem irá adquirir teníase, fechando assim o ciclo de vida do parasita.

O homem é o principal disseminador da doença. Isso porque é através da ingestão de ovos de um parasita intestinal do homem, a Taenia saginata (popularmente conhecido como solitária), que o bovino adquire a doença Taenia Solium para os suínos.

A similaridade entre a cistecercose bovina e a suína é que ambas podem parasitar o ser humano que é o único hospedeiro definitivo, onde o bovino e o suíno são hospedeiros intermediários, que por outro lado, a suína é mais perigosa ao humano que a bovina.

Entretanto a presença de cisticercose suína diminuiu sensivelmente nas ultimas décadas pela tecnificacao da suinocultura.

A infecção ocorre quando o bovino ingere água, pastagens ou outros alimentos contaminados por fezes de pessoas portadoras do verme. Nestes alimentos estão presentes ovos do verme que, no interior do intestino do bovino, liberam formas larvares infectantes do parasito.

Estas, ao atravessarem a parede intestinal do bovino, ganham a circulação e migram para os tecidos, onde se insistem e formam os cisticercos (Cysticercus bovis), também conhecidos como "canjiquinhas". Cérebro e musculatura são os tecidos de predileção para a formação dos cisticercos.

Quando o homem ingere carne bovina crua ou mal cozida contendo cisticercos viáveis, estes evoluem para a forma adulta do verme no interior do seu intestino, fechando assim o ciclo do parasito.

Outro detalhe importante é que quando a Taenia Saginata infesta no ser humano, causa uma sintomatologia que pode varias de dor abdominal, nervosismo, insônia, perda de peso e de apetite e outros distúrbios digestivos.

Levantamentos epidemiológicos têm alertado para a importante participação do homem na ocorrência da cisticercose bovina, ao constatarem altos percentuais de carcaças infectadas provenientes de confinamentos. Tal fato pode ser explicado pelo intenso contato humano na manipulação das dietas fornecidas aos animais.

O fato é que uma vez instalada nos animais a doença geralmente não apresenta sintomas e passará despercebida aos olhos do produtor, que tomará conhecimento da doença somente no momento do abate. Neste momento já não é possível fazer qualquer tipo de tratamento dos animais e a condenação parcial ou total das carcaças cisticercóticas implicará em prejuízos ao produtor.

 

PREJUÍZOS

  • Recusa dos frigoríficos em comprar gado de propriedades altamente infectadas.
  • Alta infecção a carcaça pode ser condenada pela inspeção e vai para graxaria.

• Média infecção a condenação para conserva ou salga, perdendo parte da carcaça.

  • Marketing negativo: prejuízo pode levar a uma diminuição do consumo da carne.


Quando ocorre baixa infestação por cisticercose viva, a inspeção condena a carcaça para congelamento por no mínimo 15 dias a -10ºC, gerando custos de armazenamento.

 

  • Pode levar a perda total das vísceras, sendo essas inutilizadas para consumo.
  • A procura e retirada dos cistos desfigura a carcaça a ser condenada.
  • O congelamento diminui o peso da carcaça e o deprecia na venda ao varejo.

• Quando o destino da condenação é a conserva, salga ou graxaria, ocorrem perdas pelo custo de processamento e de linha de abate.

GRAU DE INCIDENCIA

Na média do estado, de 2,5% há 10 anos, hoje os índices encontram-se na faixa de 5%, havendo frigoríficos com até 10% dos animais apresentando ocorrências de cisticercose viva e ou calcificada no qual seria uma grande forma de contaminação do homem.

 

E estes dados são alarmantes e preocupantes, uma vez que se trata de zoonoses de grande interesse para a saúde pública. Tais aumentos nos índices se devem provavelmente ao acúmulo populacional (complexo animal-homem-teníase-cisticercose), deficiente saneamento básico, ao deficiente tratamento das pessoas parasitadas pela Taenia saginata e ao abate clandestino.


CONTROLE

O controle da cisticercose bovina se baseia em medidas higiênico-sanitárias que interrompam o ciclo do parasita e impeçam que bovinos ingiram ovos do verme, logo, o esse referido controle deverá ser baseado em algumas medidas prim ordiais para o mesmo: 

- Sendo o homem o responsável pela contaminação de aguadas e pastagens através de suas fezes, o uso fossas sanitárias na propriedade deve ser instituído com o intuito de evitar tal contaminação. Porém a medida só é efetiva depois de garantida a conscientização dos funcionários, que só deixarão de contaminar as pastagens  quando estiverem cientes de sua importância no controle da doença evitando assim a propagação da mesma na propriedade.

- Garantir que os animais não tenham acesso a locais que recebam esgoto humano.

- Tratamento antiparasitário semestral dos funcionários da fazenda com medicamento específico para o parasito, diminuindo assim as chances de ocorrência do parasito no intestino do homem e possível eliminação de ovos nas fezes. Medicamentos à base de praziquantel ou albendazol são indicados para o tratamento da teníase, porém deve-se procurar um médico para a escolha do melhor tratamento e também para melhores esclarecimentos.

-À inspeção em abatedouros, seqüestro ou tratamento de carcaças infectadas e combate ao abate clandestino (não inspecionado) também deve ser dada grande importância, uma vez que reduzem as chances do homem ingerir carne bovina infectada.

 

TRATAMENTO

O agronegócio representa, hoje, em torno de um terço de tudo que é produzido no país, sendo o setor mais importante da economia brasileira, correspondendo por 7% do PIB brasileiro

E dentro deste cenário, torna-se de suma importância o desenvolvimento de um programa de sanidade animal para o controle de enfermidades que causam perda de produção e produtividade à pecuária nacional, como é o caso da Cisticercose.


Hoje podemos dizer que; felizmente já existem no mercado várias marcas comerciais de produtos à base de Sulfoxido de albendazole. O LABORATÓRIO MICROSULES, por exemplo, oferece para o mercado brasileiro um produto revolucionário para o combate desses parasitos. Como é o caso PARASULES 40 e PARASULES 10, vermífugo injetável a base de Sulfoxido de Albendazole a 13,6% e 10%.

Minha recomendação prática é a de que os bovinos a serem abatidos e provenientes de locais e rebanhos com histórico de cisticercose recebam o tratamento, de no mínimo de três aplicações de PARASULES 40 ou 10. Sendo essas aplicações 90 / 60 / 30 dias, antes do abate para que o medicamento inviabilize os cisticercos evitando as condenações das carcaças nos frigoríficos, e esse tratamento não custará mais que R$2,00 por animal e isso não irá comprometer a rentabilidade da exploração da pecuária, comenta Dr.Joseir Monteiro. 

 
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