Explorar

Anuncie na Engormix

Consolidação do custo do avicultor para a produção de frango de corte no Distrito Federal e entorno, ano 2010

Publicado: 28 de outubro de 2011
Fonte : Jonas Irineu dos Santos Filho; Marcelo Miele; Ari Jarbas Sandi; Franco Müller Martins
¡No se puede difundir el trabajo, por favor!
Introdução
O presente documento apresenta a consolidação do custo do avicultor para a produção de frango de corte no Distrito Federal e entorno, no ano de 2010. A consolidação do custo ocorreu, pois este custo representa o consenso entre produtores, representados pelas suas associações de classe, e agroindústrias da região. A produção de frangos no Distrito Federal e entorno, é dominada por um modelo empresarial e de grande escala (quando comparada à produção tradicional no Sul do Brasil). Estiveram presentes às reuniões representantes da Embrapa Suínos e Aves, da Associação dos Avicultores do Planalto Central (AVIPLAC), do Sindicato dos Avicultores do Distrito Federal (Sindiaves), da Cooperativa Cio da Terra, da Federação da Agricultura e Pecuária do Distrito Federal (FAPE) e da Associação das Indústrias Avícolas do Distrito Federal (AVEDF). As reuniões ocorreram nos dias 24 e 25 de dezembro de 2010 (ver lista de participantes no final do documento).
Caracterização dos sistemas de produção
No Distrito Federal e entorno existem dois sistemas de produção predominantes, sendo um manual e outro climatizado. O sistema climatizado apresenta dois tamanhos de galpões, um de 1680 m2 e outro de 2030 m2. A escala de produção é variável, entretanto o modelo ainda dominante é composto por um modulo de quatro galpões por produtor em qualquer dos sistemas. Abaixo, faremos uma descrição resumida dos sistemas adotados.
Aviário convencional: quatro galpões com 1.680m² de área (140m x 12m), piso de chão batido, comedouro tubular, bebedouro pendular, aquecimento à lenha, um silo de 16 toneladas para ração por galpão, ventiladores em pressão positiva, resfriamento por nebulização, forro e cortina. Este sistema também pode receber a denominação de aviário manual de 1680 m2 (pressão positiva) com comedouro tubular e bebedouro pendular.
O valor das instalações e equipamentos novos, por modulo, neste sistema, é de R$ 592.049,20 e R$ 309.413,71, respectivamente, totalizando R$ 901.462,91.
Aviário climatizado 1680 m2: quatro galpões com 1.680m² de área (140m x 12m), piso de chão batido, comedouro automático, bebedouro nipple, aquecimento à lenha, dois silos para ração por galpão, sendo um para nove toneladas e outro para 16 toneladas, exaustores em pressão negativa, resfriamento por nebulização, forro e cortina. Este sistema também pode receber a denominação de aviário climatizado de 1680 m2 (pressão negativa) com comedouro automático. O valor das instalações e equipamentos novos, por modulo, neste sistema, é de R$ 592.049,20 e R$ 483.588,29, respectivamente, totalizando R$ 1.075.637,49.
Aviário climatizado 2030 m2: quatro galpões com 2.030m² de área cada (145m x 16m), piso de chão batido, comedouro automático, bebedouro nipple, aquecimento à lenha, dois silos para ração por galpão, sendo um de nove toneladas e outro de 19 toneladas, exaustores em pressão negativa, resfriamento por nebulização, forro e cortina. Este sistema também pode receber a denominação de aviário climatizado de 2030 m2 (pressão negativa) com comedouro automático. O valor das instalações e equipamentos novos, por modulo, neste sistema, é de R$ 679.419,60 e R$ 513.873,01, respectivamente, totalizando R$ 1.193.293.
Nas Tabelas 1 e 2, a seguir, apresenta-se a vida útil e valor residual utilizado, bem como peso e idade de abate, intervalo entre lotes e para troca de cama e número de lotes por ano.
Coeficientes técnicos de produção
Na Tabela 3 apresenta-se os coeficientes utilizados para calcular o custo do avicultor em um lote de frangos de corte.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Utilizou-se a palha de arroz como substrato para cama e considerou-se o padrão de 12 ton de cama por aviário de 1680 m2 e 15 toneladas de cama por aviário de 2030 m2, que é reutilizada com fermentação. Assumiu-se que a troca da cama é feita a cada seis lotes. Observa-se que práticas diferentes implicarão em alterações nos coeficientes técnicos e, portanto, nos custos de produção, os quais deverão ser considerados caso a caso.
Preços de insumos e fatores de produção
Na Tabela 4 apresenta-se os preços de insumos e fatores de produção utilizados para calcular o custo do avicultor em um lote de frangos de corte.
No item de serviço de apanha foi considerado que a agroindústria paga por todo o serviço, entretanto é possível que esta situação não ocorra para todas as agroindústrias. Neste caso, é necessário que aqueles produtores que pagam por este serviço incorporem este item no seu custo de produção.
Custo operacional do avicultor
Na Tabela 5 apresenta-se os custos variáveis e a depreciação do avicultor (denominado de custo operacional).
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O custo de produção é, portanto, determinado pelo valor individual de insumos, pela quantidade utilizada e pelo volume de produção. Na Tabela 5, este custo reflete a situação atual da avicultura no Distrito Federal e entorno. Este custo sofrerá alteração caso se mude alguma das premissas utilizadas no mesmo.
Para o caso específico do Distrito Federal e entorno, o indicador de número de lotes efetuados no ano está acima do que pode ser obtido ao se utilizar os padrões de boas práticas adotados pela Embrapa Suínos e Aves. Por este padrão, a idade de abate para o peso adotado é de 42 dias, o vazio sanitário básico entre lotes deve ser de 14 dias e o vazio sanitário para limpeza total do galpão deve ser de 28 dias. Dentro destes novos coeficientes técnicos, é possível produzir 6,27 lotes no ano, o que promove uma alteração em diversos itens de custo de produção (Tabela 6).
Expectativa de rentabilidade e custo de capital
Além dos custos variáveis e da depreciação, que em conjunto formam o custo operacional do avicultor, a Embrapa Suínos e Aves utiliza e mantém na sua metodologia o cálculo do custo de oportunidade sobre o capital médio investido e sobre o capital de giro utilizado.
O custo de capital não é um dispêndio do produtor, mas sim uma renúncia de renda futura. Igual ao valor que este receberia caso deslocasse os investimentos do aviário para uma aplicação financeira ou outro investimento produtivo. Além disso, cada produtor tem uma expectativa de rentabilidade, a partir da qual definirá a taxa mínima de atratividade (TMA) de um dado investimento. Quanto maior forem o custo de capital e a TMA, maior a diferença entre o custo operacional e a remuneração esperada pelo avicultor.
Na Tabela 7, a seguir apresenta-se o valor a ser recebido, por lote de frango de corte, em acréscimo ao custo operacional, a fim de se obter uma determinada remuneração sobre o capital. Estes valores são líquidos, não estando incluídas taxas e impostos.
Pelos valores apresentados na Tabela 7, e assumindo-se uma TMA de 6%, tem-se um custo total de produção (somatório dos custos variáveis, da depreciação e do custo do capital), por exemplo, de R$ 34.467,02 para o sistema de produção automático.
Pela própria característica do sistema de mercado, a rentabilidade de um investimento não é garantida, e depende não apenas da eficiência produtiva e gerencial do avicultor, mas também da conjuntura de mercado e da negociação entre os elos da cadeia produtiva. Nesse sentido, entende-se que em períodos de crise a remuneração do avicultor possa se aproximar do seu custo operacional (Tabela 5), enquanto que em períodos de mercado aquecido sua remuneração deve incluir um valor equivalente ao custo de capital, e de acordo com a TMA desejada.
Considerações finais
Os custos de produção calculados pela Embrapa Suínos e Aves são uma referência para agentes do setor produtivo, órgãos públicos, sistema financeiro, instituições de pesquisa e ensino e outros interessados. Entretanto, deve-se ressaltar que cada produtor tem o seu próprio custo, que depende do sistema de produção e do seu nível tecnológico, da sua eficiência produtiva, dos preços praticados em sua região, bem como da divisão de responsabilidades acertada com a agroindústria.
Nesse sentido, está disponível no site da Embrapa Suínos e Aves uma planilha para o cálculo do custo do produtor de frango de corte, através da qual cada produtor pode facilmente calcular seus próprios custos, com possibilidade de alterar os coeficientes técnicos e preços de acordo com a sua realidade. O resultado obtido com esta planilha pode ser comparado com os custos calculados neste relatório, com o custo de outros produtores e com os profissionais de assistência técnica.
Cabe por fim a ressalva de que o presente trabalho não é adequado para se efetuar a análise da capacidade de pagamento de financiamentos bancários. Para este fim é necessário a análise de fluxo de caixa individualizado, onde deverão ser especificados os desembolsos financeiros para o pagamento dos financiamentos juntamente com os outros custos variáveis.
Tópicos relacionados:
Recomendar
Comentário
Compartilhar
Profile picture
Quer comentar sobre outro tema? Crie uma nova publicação para dialogar com especialistas da comunidade.
Usuários destacados em Avicultura
Fernanda Lima de Souza Castro
Fernanda Lima de Souza Castro
Cargill
Cargill
Gerente de serviços técnicos
Estados Unidos
Daniel José Antoniol Miranda
Daniel José Antoniol Miranda
Trouw Nutrition
Lic. en Ciencias Animales, Doctor en Filosofía - PhD, Ciencia Animal (Ciencia Avícola) / Gestión de micotoxinas en las Américas
Estados Unidos
Eduardo Souza
Eduardo Souza
Aviagen
Vice-Presidente de Investigación y Desarrollo en Norte América
Estados Unidos