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XXII Congresso Latino-Americano de Avicultura 2011
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XXII Congresso Latino-Americano de Avicultura 2011

Lisina poedeiras modelo

Modelo para estimar as exigências de lisina para poedeiras

Publicado: 01/09/2011
Autor/s. : Katiani Silva Venturini, EB Malheiros, NK Sakomura, MF Sarcinelli, EP Silva, L Hauschild - Parte da dissertação do primeiro autor. Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquista Filho”, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias
Sumário

O objetivo do presente trabalho foi determinar parâmetros de um modelo para a determinação da exigência de lisina de poedeiras na fase de produção. Foram utilizadas 384 aves de postura da linhagem Dekalb White. As aves foram distribuídas em delineamento inteiramente casualizado, com oito tratamentos e seis repetições. Os níveis de lisina testados foram 0,273; 0,364; 0,455; 0,546; 0,636; 0,818; 0,909. A determinação dos parâmetros exigência para produção (a) e exigência para mantença (b), pelo modelo de Reading foram estimados utilizando a ingestão de lisina, massa de ovos, coeficiente de variação e desvio padrão. O modelo determinado foi: Lis = 32,3.PV + 9,46.MO + 27.GP, no qual Lis, PV, MO e GP são, respectivamente exigência de lisina digestível (mg/dia), peso vivo, massa de ovos e ganho de peso. Por meio de uma simulação utilizando o modelo com 1500 animais, estimou-se o nível de 0,599% de lisina digestível para poedeiras.
Palavras-chave: Lisina, Método fatorial, Modelo, Poedeiras.

Introdução
A lisina é o segundo aminoácido limitante nas rações para aves e dentro do conceito de proteína ideal, é o aminoácido referência (Pack, 1995; Silva et al., 2005). Os métodos de pesquisa para determinar as exigências ou o perfil ideal de aminoácidos compreendem o método dose-resposta e o fatorial (Sakomura & Rostagno, 2007). O método dose-resposta determina as exigências com base na resposta de desempenho dos animais alimentados com dietas contendo níveis crescentes do nutriente estudado. O método fatorial é fundamentado no princípio de que o animal necessita de nutrientes para a manutenção dos processos vitais e atividades, crescimento e/ou produção (Sakomura & Rostagno, 2007). A grande maioria dos estudos para definir exigências dos aminoácidos tem se baseado no método dose-resposta. Entretanto, esse método não permite considerar diferenças entre genótipos, sexo, e condições de produção.
O método fatorial representa uma ferramenta para a compreensão do metabolismo energético e protéico dos animais, importante para os estudos de modelagem, os quais visam a definição de um sistema adequado para a produção. Os primeiros modelos fatoriais de predição das exigências de aminoácidos foram desenvolvidos por Hurwitz et al. (1973), para aves de postura. As exigências totais de aminoácidos foram obtidas a partir da soma das necessidades para mantença, crescimento e produção de ovos, sendo os coeficientes que expressam cada uma destas frações determinados de maneira independente. Os autores concluíram que os modelos proporcionaram estimativas menores que os valores recomendados na literatura, e atribuíram este resultado ao fato dos modelos considerarem a ineficiência de conversão dos aminoácidos dietéticos em proteínas do ovo.
Na condição de produção é interessante do ponto de vista econômico determinar um nível que permita otimizar a resposta de uma população de aves. Nesse sentido, Fisher et al. (1973), aplicaram um modelo (modelo de Reading) que permite estimar um nível de lisina com base na resposta da população. Esse modelo é baseado na hipótese de relações lineares entre a ingestão de aminoácidos e as características de produção de ovos e mantença para cada ave. Devido a carência de trabalhos e a grande importância de modelos para determinar as exigências de aminoácidos, o objetivo deste trabalho foi estruturar um modelo de exigência de lisina para poedeira com base no modelo de Reading.
Materiais e Métodos
O experimento foi realizado no Setor de Avicultura da Universidade Estadual Paulista (UNESP), Campus de Jaboticabal. Foram utilizadas 384 aves da linhagem Dekalb White, com 32 semanas de idade, em delineamento inteiramente ao acaso, com oito tratamentos (níveis de lisina), seis repetições, sendo cada unidade experimental composta por oito aves. Os tratamentos consistiram de sete níveis crescentes de lisina (0,273; 0,364; 0,455; 0,546; 0,637; 0,818 e 0,909%) e mais um tratamento, para confirmar se as respostas experimentais são em função da limitação do aminoácido teste, obtido através da suplementação de 0,091 g/kg no nível 0,273%.
As dietas foram formuladas pela técnica da diluição. Formulou-se uma dieta com alto teor de PB, contendo 0,909% de lisina digestível. Essa dieta foi diluída sequencialmente com outra isoenergética, isenta de proteína, possibilitando a obtenção de níveis crescentes de lisina.
O experimento teve duração de 10 semanas, 6 semanas de adaptação e 4 semanas para coletas de dados. A produção de ovos (PO) era quantificada diariamente e a pesagem dos ovos feita três dias por semana. O peso corporal (PC) das aves foi quantificado na primeira, sexta e décima semana, no qual as aves de duas repetições de cada tratamento foram pesadas.
As variáveis utilizadas para estimar os parâmetros do modelo Reading foram ingestão de lisina, massa de ovos (MO) e PC das aves e o coeficiente de variação (MO e PC). O coeficiente de mantença foi estimado por Siqueira (2009). Os dados foram analisados por meio do programa computacional EFG Software no módulo aminoacids optimize conforme modelo matemático: Lisina (mg/dia) = a. MO + b. PC, onde os parâmetros a e b são, respectivamente exigência para produção e mantença. A eficiência de utilização da lisina da dieta foi obtida pela regressão da lisina depositada no ovo pela lisina ingerida para produção de ovos, sendo representada pelo coeficiente de regressão da reta.
Utilizando os parâmetros do modelo proposto foi realizada uma simulação para estimar a exigência dos indivíduos de uma população de 1500 aves gerada de forma aleatória. Os parâmetros de variação para peso vivo e massa de ovos utilizados na simulação foram aqueles normalmente encontrados em condições praticas. Determinou-se a exigência média de lisina para a população.
Resultados e Discussão
Os parâmetros do modelo proposto para estimar as exigências de lisina para poedeiras estão apresentados na tabela 1. O parâmetro de mantença (32,3 mg/kg PV), difere-se do valor proposto por McDonald & Morris (1985) no qual determinou 73 mg/kg PV e difere de Rostagno et al. (2005) que encontrou o valor de 84,2 mg/kg PV. Já o parâmetro de produção (9,46 mg/g MO) é similar ao de Pilbrow & Morris (1974) que é de 9,5 mg/g MO e também se aproxima de McDonald & Morris (1985) que encontraram o valor de 9,99 mg/kg PV.
A eficiência de utilização de lisina digestível obtido pelo modelo (73,47%) é semelhante ao de Rostagno et al. (2005) que foi de 72,17% (8,3 mg lis/g de ovo/11,5 mg lis/ g MO).
Tabela 1. Parâmetros de mantença, produção, ganho e eficiência de lisina determinados para poedeiras
Parâmetros
 
Mantença (mg/kg PV)
32,31
Produção (mg/g MO)
9,46
Ganho (mg AA/kg ganho)
0,0272
Eficiência (%)
73,472
1 Siqueira, 2009. 2 Determinados por regressao linear.
 A partir dos parâmetros apresentados na Tabela 1 foi elaborado o modelo para estimar exigências de lisina:
Lis = 32,3.PV + 9,46.MO + 27.GP
 Em que, Lis é a exigencia de lisina digestível em mg/ave/dia; PV é o peso vivo médio; MO é a massa de ovos média e GP é o ganho de peso. Com base no modelo elaborado foi realizado uma simulação utilizando valores de PV, MO e CV de PV e MO para estimar exigências de lisina digestível para poedeiras. Na Tabela 2 está apresentado os resultados médios das exigências de uma população de 1500 aves. Nessa simulação, o modelo obtido foi comparado aos modelos da literatura.  Quando o objetivo é otimizar a resposta da população o valor relativo a média e desvio deve ser utilizado. Dessa forma o nível estimado para otimizar a resposta de uma população foi de 0,599% de lisina digestível. O modelo proposto ficou mais próximo de Pilbrow & Morris (1974) que encontraram o valor de 0,676% e Gous et al. (1987) encontraram o valor de 0,686%. Observou-se que a exigência de lisina digestível obtida pelo modelo proposto através da simulação foi inferior ao valor recomendado pelas Tabelas Brasileiras de Aves e Suínos (Rostagno et al., 2005) que recomendam o valor de 0,782%.
Tabela 2. Exigências de lisina digestível para poedeiras estimadas com base no modelo proposto
Fases, dias
"Inputs" no modelo
Exigências
PV médio,
kg
MO média,
g
CV PV1
%
CV MO2
%
mg/ave/dia3
% dieta4
Lisina (poedeiras)
1,4
61,2
7
10
641 ± 59
0,599± 0,059
1 Coeficiente de variação do peso vivo; 2 coeficiente de variação da massa de ovo; 3estimativas com base no modelo proposto considerando um ganho de peso 1 g/d e CV do ganho de 5% nas estimativas de exigências em lisina para poedeiras; 4 % determinada com base no consumo (poedeiras=107g/dia).
Conclusão
O modelo estima níveis de exigências considerando a variabilidade de uma população de poedeiras. O nível estimado para otimizar a resposta de uma população foi de 0,599% de lisina digestível na ração.
Agradecimentos
À FAPESP, pelo financiamento da pesquisa e pela bolsa concedida.
Bibliografia
Fisher C, Morris TR, Jennings RCA. 1973. Model for the descriotion and prediction of response of laying hens to amino acid intake. British Poultry Science 14:469-484.
Gous RM, Griessel M, Morris TR. 1987.Effect of dietary energy concentration on the response of laying hens to amino acids. British Poultry Science 28:427-436.
Hurwitz S, Cohen I, Bar A. 1973. Sodium and chloride requeriments of chick: relationship to acid-base balance. Poultry Science 52:903-909.
McDonald MW & Morris TR. 1985. Quantitative review of optimum amino acid intakes for laying pullets. British Poultry Science 20:253-264,
Pack M. 1995. Proteína ideal para frangos de corte. Conceito e posição atual. In: Conferência Apinco de Ciências e Tecnológia Avícola, 1995, Curitiba. Palestras... Curitiba: Fundação Avícola de Ciência e Tecnologia Avícolas 95-110.
Pilbrow PJ & Morris TR. 1974. Comparison of lysine requirements amongst 8 stocks of laying fowl. Brit. Poultr. Sci. 15:51-73.
Rostagno HS, Albino LFT, Donzele JL et al. 2005. Tabelas brasileiras para aves e suínos: composição de alimentos e exigências nutricionais. Viçosa, MG: DZO. 102p.
Sakomura NK & Rostagno HS. 2007. Métodos de pesquisa em nutrição de monogástricos. Jaboticabal: Funep. 283p.
Silva JHV, Jordão Filho J, Silva EL. 2005. Por que formular dietas para poedeiras com base no conceito de proteína ideal? Revista Ave World, 3(3):50-57.
Siqueira JC. 2009. Estimativas das exigências de lisina de frangos de corte pelos métodos dose resposta e fatorial. Tese (Doutorado em Zootecnia)- Univerdidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho", Jaboticabal. 178f. 
 
 
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