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O Que Aprendemos sobre o Uso de Plasma Spray-Dried em Frangos?

Publicado: 15/05/2020
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Contexto
Estratégias nutricionais que dão suporte ao sistema imunológico, promovem a integridade e a funcionalidade intestinal, aumentam a tolerância ao estresse e aos desafios por doenças são de grande interesse da indústria avícola. Além disso, a nutrição precoce tem sido reconhecida como uma oportunidade para avançar ainda mais nas práticas nutricionais e melhorar o desempenho geral e o estado de saúde de lotes de aves comerciais. Por aproximadamente quatro décadas, foram publicadas muitas informações sobre o uso de Plasma Spray Dried (SDP) em leitões, detalhando benefícios consistentes nas áreas mencionadas, tornando o seu uso uma prática estabelecida na indústria suína moderna. Entretanto, pouca informação foi desenvolvida sobre o uso de SDP em aves. O interesse atual na possível utilização de plasma em aves, recentemente enfatizou seu potencial uso em frangos de corte, com respeito à modulação do sistema imunológico, ao tipo de benefícios esperados a partir o seu uso comercial, e às estratégias para emprego desse ingrediente funcional de forma lucrativa.

O que é o plasma spray dried?

O plasma seco por atomização ou spray dried (SDP) é um pó seco, rico em proteínas funcionais, obtido de sangue coletado durante o processamento de animais destinados ao consumo humano. O método de produção envolve a separação dos glóbulos vermelhos do plasma, altas temperaturas e pressão, o que resulta em um pó homogêneo e inócuo. Contém uma complexa mistura de proteínas, como albumina, globulinas, transferrina, além de fatores de crescimento, peptídeos bioativos e outros componentes nutricionais. Quando circulam no corpo, esses compostos dão suporte a funções biológicas, como as relacionadas ao crescimento, reparo de tecidos, mecanismos de defesa e reprodução (Pérez-Bosque et al., 2016).

Qual o seu modo de ação quando fornecido em dietas de pintinhos?

O uso de SDP na alimentação animal tem sido associado a um aumento da eficiência da resposta imune, conforme sugerido por vários experimentos realizados com ratos, camundongos e suínos. Nesses animais, a inflamação induzida pelo estresse ou por desafios com patógenos foi significantemente reduzida pela suplementação com SDP, independente dos locais primários afetados serem os tratos digestório, respiratório ou reprodutivo. Os dados disponíveis sugerem que o SDP suporta a eficiência do sistema imune que, do ponto de vista nutricional, é uma resposta de alta demanda de energia e de nutrientes. Assim, o uso do SDP direciona mais nutrientes para o crescimento e a produtividade.

A capacidade do plasma reduzir a permeabilidade intestinal, melhorar a captação de nutrientes e a integridade estrutural, em animais saudáveis ou na presença de intestino permeável, foi recentemente investigada em rangos (Beski et al., 2015; Ruff et al. 2020; Polo et al., 2020). Essas respostas provavelmente são mediadas por uma redução na expressão de citocinas pró-inflamatórias e por um aumento na expressão de citocinas antiinflamatórias, juntamente com um aumento da expressão de defensinas. Dados mostrando uma redução na ativação e infiltração de linfócitos, diminuição do edema e alterações na microbiota intestinal têm sido publicados em mamíferos. Coletivamente, essas alterações sugerem um efeito de modulação imune do SDP e um aumento da restauração da homeostase da mucosa. Efeitos semelhantes foram relatados em outros sistemas mucosos, como o respiratório e o reprodutivo, indicando que os efeitos da alimentação com SDP não se limitam ao trato digestório (Campbell et al., 2019).

A alta digestibilidade proteica do SDP também é interessante na alimentação pré-inicial de pintinhos, uma vez que eles têm dificuldade inerente em digerir a proteína da dieta. Fontes como farelo de soja deixam proteínas não absorvidas disponíveis para patógenos se proliferarem no intestino. Parsons et al. (2019) relatam uma digestibilidade ileal média de 95 e 96% para SDP vs 83 e 87% para farelo de soja em frangos com 10 e 21 dias de idade, respectivamente. Polo et al., (2020) relatam maior digestibilidade de matéria seca, de matéria orgânica e de proteína bruta na dieta completa de frangos com 7 dias de idade suplementados com SDP. Esses efeitos podem ser duradouros, conforme sugerido por Beski et al. (2016a), que relataram maiores atividades de sacarase intestinal, maltase e fosfatase alcalina em frangos de corte de 24 dias de idade alimentados com 2% de plasma nos primeiros 5 ou 10 dias de vida.

O que esperar da alimentação com SDP na dieta de frangos?
A alimentação com SDP para frangos de corte nos primeiros dias de vida melhora parâmetros economicamente importantes no final do ciclo de produção, como ganho de peso, eficiência alimentar e sobrevivência, em lotes aparentemente saudáveis, em experimentos de campo e em condições experimentais controladas (Belote et al., 2019; Beski et al., 2016a; Cogan et al., 2020; Gonzalez-Esquerra, et al., 2019a). Da mesma forma, foi relatada maior resistência a doenças e ao estresse em frangos vacinados contra coccidiose (Walters et al., 2019), em frangos submetidos a um desafio natural de Enterite Necrótica (Campbell et al., 2004), em aves desafiadas com Salmonella sofia (Beski et al., 2016b), em frangos de corte com mortalidade muito alta, em que Escherichia coli e Streptococcus foram isolados (Gonzalez-Esquerra, et al., 2019a), em frangos submetidos a estresse térmico (Ruff et al. 2020), em um lote com histórico de hepatite por corpúsculos de inclusão (Cherian et al., 2019), em frangos submetidos a estresse devido à alta densidade de lotação (Campbell et al., 2012) e em perus desafiados
com Pasteurella multocida (Campbell et. al., 2004), sugerindo que o efeito do SDP na imunidade é inespecífico e sistêmico.

Uma redução em mortalidade é reportada com freqüência em lotes alimentados com SDP tanto em situações de desafio quanto em lotes clinicamente sadios com taxas de mortalidade consideradas comerciais, em experimentos em condições comerciais (Belote et al., 2019; Gonzalez-Esquerra, et al., 2019a) ou em experimentos em aves alojadas em boxes (Cogan et al., 2020; Kozlowski, et al., 2020).

Figura 2: Dois experimentos em condições de campo testaram o efeito de oferecer um total de 1,5, 3, ou 6 g de SDP por ave por 4, 7 ou 10 dias na dieta inicial

 

A alimentação com SDP é economicamente viável para frangos?
Informações que analisam a resposta do SDP em frangos de corte indicam que os primeiros dias de vida são críticos quando se suplementa SDP em frangos. Como frangos ingerem uma pequena quantidade de alimento nesse período, o investimento total por ave é relativamente baixo. Trabalhos recentes sugerem que uma ingestão total cumulativa de SDP de 3 a 4 g por frango, alimentados nos primeiros dias de vida, captura uma quantidade significativa de valor, tornando essa tecnologia economicamente viável (Beski et al., 2016a; Gonzalez-Esquerra et al., 2019; Cadogan et al., 2020). Isso implicaria no fornecimento de 1 a 2% na primeira dieta, dependendo da duração da fase de alimentação. Por exemplo, dietas inicias de 0 a 7, 0 a 10 ou 0 a 12 dias de idade podem ter níveis de SDP de 2, 1 ou 1%, respectivamente, o que, devido à ingestão típica observada nessas fases, resulta em uma ingestão cumulativa de SDP de cerca de 3 a 4 g por frango. Em frangos de corte, fornecer menos do que 1% não é recomendado, já que as respostas a esse nível de inclusão parecem irregulares. Por outro lado, dietas especiais pré-iniciais utilizadas por menos de 5 dias podem exigir até 3% de adição de SDP.

O preço do SDP pode variar entre regiões, mas, normalmente o investimento de 3 a 4 g por frango na alimentação é compensado por uma redução (melhoria) de 1 ponto de conversão alimentar (P. ex.: - 0,01), que é o valor observado para muitos aditivos alimentares atualmente utilizados pela indústria avícola em nível global.

Conclusões
De modo geral, esses dados indicam que o fornecimento do SDP em dietas pré-iniciais de frangos de corte modula o sistema imunológico,
melhora a saúde intestinal e a absorção de nutrientes, melhora o desempenho na idade de abate em lotes saudáveis e aumenta a tolerância a doenças e ao estresse em uma ampla variedade de situações. Além disso, esses benefícios são observados mesmo quando o desafio ocorre em algum momento após o término da utilização do SDP, o que demonstra a importância dos primeiros dias de vida na saúde futura e no desempenho de frangos de corte. Por esses benefícios, o fornecimento 3 a 4 g de SDP por frango é economicamente viável na maior parte das regiões do mundo.

 
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