Ambiência e Instalações Zootécnicas

Publicado: 08/10/2013
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Um dos principais pontos críticos da produção animal em regiões de clima quente se encontra na dificuldade de adaptação dos animais, muitas vezes de raças originadas de regiões de clima temperado, aos elevados valores e grandes oscilações das variáveis ambientais, principalmente da temperatura e umidade relativa do ar.

Uma maneira de contornar esse problema é fornecer certo grau de conforto e bem-estar aos animais para que os mesmos possam expressar, de maneira satisfatória, todo o seu potencial genético e produtivo. Para isso, é necessário que as instalações ou locais onde os animais serão alojados tenham condições de proporcionar, de maneira satisfatoria, um ambiente com conforto térmico, conforto sonoro, sem poluição do ar por gases e/ou poeira, além de possuir condições adequadas quanto aos aspectos sanitários e de tratamento de dejetos.

Sendo assim, torna-se imprescindível, sob o ponto de vista da concepção de instalações para criação de animais de alto desempenho produtivo, a elaboração de projetos cuidadosamente pensados, que levem em consideração as características ambientais da região, os quesitos de bem-estar dos animais e acima de tudo as exigências térmicas dos usuários em questão. Estas exigências dizem respeito às faixas de conforto térmico dos animais, ou seja, a região termoneutra e os limites, inferior e superior, de estresse térmico por frio e calor, respectivamente.

Conhecendo-se as exigências dos usuários destas instalações é possível direcionar o projeto para que se possa atender todas as necessidades dos animais e obter assim um melhor desempenho produtivo. Na elaboração de instalações eficientes e funcionais existe uma interação muito grande de variáveis, tais como os componentes da construção, os materiais a serem utilizados, a orientação da mesma, sua geometria, a forma de ocupação e o conforto térmico que o animal ocupante necessitará para ter um desempenho ideal.

A utilização de materiais isolantes, tipos de coberturas com telhas especiais, que absorvam menos calor, instalações mais abertas, com orientação correta e com pé direito mais alto, privilegiando a ventilação natural, são medidas acessíveis e relativamente fáceis de serem empregadas e que terão um impacto direto no ambiente interno das instalações. A utilização de sobreamento natural ou artificial também é de fundamental importância quando se analisam sistemas de criação ao ar livre ou em regime de semi-confinamento.

Para a maioria dos animais de produção não é tão comum encontrar referências de modelos de instalações prontos ou de recomendações relacionadas a ambiência e bem-estar, uma vez que mais recentemente é que pesquisas têm sido direcionadas para esse propósito. Sendo assim, as recomendações e pesquisas de instalações que sejam mais adequadas aos animais, bem como o estabelecimento de limites de conforto térmico ainda permanecem em andamento.

Assim, por hora, talvez a melhor recomendação a ser feita, no que se refere às instalações zootecnicas, seja a de unir características construtivas modernas, materiais de construção e tipos de coberturas isolantes, a projetos de instalações mais abertas, como orientação correta e pé direito suficientemente alto para proporcionar e garantir uma boa circulação de ar no interior das mesmas. Para a situação de criação a pasto, o ideal e recomendável é que se disponibilizem áreas de sombreamento natural ou artificial para que o animal possa se proteger do efeito direto do sol e das temperaturas mais elevadas durante as horas mais quentes do dia. Quanto a essa medida é importante destacar ainda que, no caso do sombreamento artificial, parâmetros como o tipo de cobertura, a altura da mesma e a área mínima de sombra por animal, deverão ser levados em consideração para que os efeitos deste tipo de recurso sejam realmente significativos.

 
Autor/s.
Possui graduação em Engenharia Agrícola (2002) pela Universidade Federal de Lavras (UFLA/MG), mestrado (2005) e doutorado (2008) em Agronomia (Física do Ambiente Agrícola) pela Universidade de São Paulo (ESALQ/USP). Coordenador do NEAMBE - Núcleo de Estudos em Ambiência Agrícola e Bem-estar Animal e Pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Ambiência (NUPEA). É professor do Departamento de Engenharia Agrícola da Universidade Federal do Ceará (UFC), CE. Tem experiência na área de Bioclimatologia Animal.
 
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