Discussão criada em 06/03/2020

COMO PRODUZIR SUINOS REDUZINDO O CUSTO DE PRODUÇÃO

Minha intenção ao elaborar essa matéria, é a de levar ao conhecimento da comunidade envolvida na produção de suínos, que com base em um programa de pesquisa conduzido com suínos de diferentes sexos, que é viável e vantajoso para o produtor, explorar a capacidade de ganho de peso compensatório dos suínos, nas fases de crescimento e terminação I e II. Os experimentos a que nos referimos, foram conduzidos com suínos machos castrados, machos imunocastrados e fêmeas, selecionados no final da fase de creche, com idade aproximada de 63 dias Os animais foram distribuídos por 4 tratamentos, que correspondiam a sequências de 3 níveis de lisina digestível (LD), com redução de 0,10% de LD por período, que tiveram duração, respectiva, de 40, 30 e 30 dias, totalizando assim 100 dias de experimento. Entre os 4 tratamentos de igual forma, os níveis de LD foram também diminuídos em 0,10% Os animais foram pesados no final de cada período. Em todos os experimentos, a primeira sequência de LD correspondia a da exigência dos animais, sendo que nas demais os níveis de lisina foram gradativamente diminuído em 0,10%, portanto com menores aportes de LD. Por exemplo, se a exigência de LD do animal no primeiro período de 40 dias, que corresponde normalmente a fase de crescimento, fosse 1,10% de LD, nos demais 2 períodos corresponderiam a 1,00% e 0,90% de LD. Assim o T1 corresponderia a sequência 1,10%; 1,00% e 0,90 de LD. E. entre os tratamentos as sequências de LD foram igualmente diminuído em 0,10%, com o T2 correspondendo a 1,00%, 0,90% e 0,80%; o T3 a 0,90% ;0,80% e 0,70% e o T4 a 0,80% ;0,70% e 0,60%. Em todos os experimentos, sem exceção, quando se avaliou o primeiro período de 40 dias, os animais que receberam o nível mais alto de LD (1,10%), que correspondia ao da sua exigência, apresentaram o melhor desempenho. Porem quando a avaliação foi realizada no final do período experimental de 100 dias, com os animais com idade aproximada de 163 dias, não se observou diferença no desempenho e na quantidade de carne na carcaça dos animais entre os 4 tratamentos., ou seja , entre o T1 e o T4, mesmo o nível de 0,80% de LD do T4 , tendo resultado em pior desempenho dos animais no primeiro período de 40 dias . O que os estudos revelaram é que, em regiões onde os animais são abatidos com peso igual ou superior a 100 Kg, é viável utilizar programas de nutrição utilizando níveis de LD significativamente inferiores aos das exigências dos animais, no caso o T4 , mesmo os animais tendo apresentado o melhor desempenho no nível de 1,10% de LD, no caso o T1, nos primeiros 40 dias de experimento A pergunta que fica é, porque isto é possível? Pode-se deduzir com base nesses resultados, que os suínos apresentaram ganho de peso compensatório e que essa pratica de nutrição é viável desde que os animais sejam abatidos com peso acima de 100 Kg. Isto porque como é do conhecimento que a máxima deposição de proteína na carcaça dos suínos ocorre por volta dos 65 aos 80 Kg, variação esta justificada pela genética dos animais, o peso mais elevado para a utilização desse programa de nutrição, seria então de fundamental importância para possibilitar aos animais tempo suficiente para recuperar o desempenho e quantidade de carne depositada na carcaça, igualando a dos animais que apresentaram melhor desempenho com o nível mais alto de LD, no primeiro período. Em todos os experimentos a totalidade dos animais foram abatidos em frigoríficos comercial e tiveram suas carcaças avaliadas. Outro detalhe importante a ser destacado é que´, além de manter o desempenho final e quantidade de carne na carcaça, o fornecimento de rações com menores níveis de LD, resultou em melhoria da qualidade da carne dos animais, em razão do aumento da porcentagem de gordura intramuscular, que foi avaliada em um dos experimentos. Na literatura disponível, encontra-se trabalhos que comprovam que o fornecimento de rações com menores níveis de LD resulta em melhoria da qualidade da carne dos suínos, por aumentar a concentração de gordura intramuscular. Deve-se ponderar ainda, que a utilização desse programa de nutrição além de reduzir o custo de produção, contribui também com o meio ambiente, reduzindo significativamente a carga poluente dos dejetos. Finalmente informamos que os experimentos, a que referimos, encontram-se publicados na ENGORMIX.

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