Explorar

Anuncie na Engormix
LIPTOSA
Conteúdo patrocinado por:
LIPTOSA

Botânicos e a resistência bacteriana: uma alternativa nutricional na produção animal

Publicado: 21 de fevereiro de 2025
Por: Darío Cleofé Resta. DVM. Technical Developer. LIPTOSA
A resistência aos antibióticos é um dos problemas mais urgentes enfrentados pela saúde pública e animal em escala global. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o uso indiscriminado de antibióticos na produção animal contribui significativamente para o desenvolvimento de bactérias resistentes, que podem ser transmitidas aos humanos através da cadeia alimentar e do meio ambiente (Marshall & Levy, 2011).
Esse desafio tem impulsionado a busca por alternativas sustentáveis, entre as quais se destacam os botânicos – compostos derivados de plantas com propriedades antimicrobianas, antioxidantes e moduladoras da microbiota.
Botânicos e a resistência bacteriana: uma alternativa nutricional na produção animal - Image 1
Neste artigo, analisaremos os botânicos como uma estratégia para combater a resistência aos antimicrobianos, destacando seus mecanismos de ação, seu impacto na redução do uso de antibióticos e suas aplicações específicas na avicultura, suinocultura e ruminantes.

Mecanismos de ação dos botânicos

Os botânicos são compostos derivados de extratos de plantas e especiarias, altamente ricos em anéis policíclicos. Esses compostos bioativos incluem polifenóis, flavonoides, terpenos, entre outros, com diferentes estruturas e composições moleculares. Sua eficácia na produção animal deve-se à combinação de diversos mecanismos sinérgicos, entre os quais podemos destacar os seguintes:

1. Atividade antimicrobiana direta

Compostos como o carvacrol e o timol, presentes no orégano e no tomilho, são capazes de alterar a membrana celular bacteriana, comprometendo sua integridade estrutural e fisiológica. Além disso, os compostos fenólicos podem dificultar a atividade enzimática e alterar a estrutura do DNA, impedindo a replicação e multiplicação celular. Essa ação antimicrobiana reduz a carga bacteriana prejudicial no trato gastrointestinal, controlando a população de microrganismos patogênicos como Escherichia coli e Clostridium perfringens (Lobiuc, A et al., 2023).
Botânicos e a resistência bacteriana: uma alternativa nutricional na produção animal - Image 2

2. Modulação da microbiota saprófita

Os botânicos promovem um equilíbrio saudável na microbiota intestinal e respiratória, estimulando a multiplicação de bactérias benéficas como Lactobacillus spp. e Bifidobacterium spp., ao mesmo tempo que inibem o crescimento de microrganismos patogênicos. Isso otimiza a digestão, melhora a absorção de nutrientes e fortalece a imunidade sistêmica, resultando em melhores parâmetros produtivos (Windisch et al., 2008).
Botânicos e a resistência bacteriana: uma alternativa nutricional na produção animal - Image 3

3. Potencial antioxidante e anti-inflamatório

Os polifenóis e flavonoides são capazes de neutralizar os radicais livres, protegendo as células do estresse oxidativo que ocorre em situações de altas cargas produtivas. Além disso, reduzem a inflamação sistêmica, contribuindo para a saúde geral dos animais (Hashemi & Davoodi, 2012).

4. Estímulo do sistema imunológico

Alguns botânicos fortalecem a resposta imune ao estimular a atividade de macrófagos e citocinas (moléculas de comunicação entre as células de defesa da linha branca). Isso reforça a capacidade do organismo de resistir a infecções bacterianas e virais, mesmo antes de sua manifestação (Greathead, 2003).

Impacto na redução do uso de antibióticos

Diversos estudos demonstram que os botânicos podem substituir parcial ou totalmente os antibióticos promotores de crescimento (cujo uso foi completamente proibido na União Europeia desde 2006 e posteriormente nos Estados Unidos), além de reduzir a necessidade de tratamentos antimicrobianos em situações sanitárias complexas, como surtos de doenças. Isso ocorre devido a diversos fatores:
  • Prevenção de doenças: Em animais monogástricos, a inclusão de botânicos na dieta diária reduz a incidência de diarreias e outros sinais clínicos, modulando a microbiota intestinal, melhorando a estrutura anatômica do tecido intestinal e inibindo o crescimento de bactérias patogênicas. Além disso, fortalecem o sistema imunológico e apresentam potencial antioxidante (Zeng et al., 2015).
  • Melhoria da eficiência produtiva: Esses compostos promovem maior ganho de peso diário e melhor conversão alimentar ao otimizar os processos digestivos, resultando em uma melhoria significativa do desempenho produtivo (Khan et al., 2012).
  • Redução de patógenos zoonóticos: Na avicultura, os botânicos são eficazes contra Salmonella enteritidis e Campylobacter jejuni, reduzindo a carga desses microrganismos na cadeia alimentar e minimizando sua transmissão ao consumidor final (Almeida et al., 2012).
Atualmente, os botânicos já estão sendo amplamente utilizados em todo o mundo para minimizar o uso de quimioterápicos sintéticos. Alguns exemplos do uso de botânicos nos sistemas de produção atuais incluem:

Avicultura

A saúde intestinal e respiratória são aspectos críticos na produção de carne e ovos, pois as aves enfrentam constantes desafios sanitários devido ao seu rápido crescimento, à alta densidade populacional e à grande suscetibilidade a fatores climáticos como temperatura e umidade. Por isso, o uso de botânicos tem se expandido cada vez mais, demonstrando ser uma estratégia eficaz para melhorar a resiliência das aves.
Botânicos e a resistência bacteriana: uma alternativa nutricional na produção animal - Image 4
O orégano, tomilho e cravo contêm compostos ativos, como carvacrol e timol, que estimulam a secreção de enzimas digestivas e melhoram a absorção de nutrientes presentes na dieta (Hashemi & Davoodi, 2012). Isso resulta em uma melhor conversão alimentar (FCR) e em um aumento do peso final no abate.

Controle de doenças entéricas na avicultura

Na produção avícola intensiva, existem doenças especialmente comuns, como a coccidiose, causada por parasitas do gênero Eimeria spp., e a enterite necrótica concomitante, provocada pela bactéria Clostridium perfringens. Nesse contexto, o uso de orégano e tomilho demonstrou reduzir significativamente a incidência dessas patologias, inibindo tanto a multiplicação do parasita quanto o crescimento de bactérias prejudiciais (Walsh et al., 2012).

Redução do estresse oxidativo e melhora da qualidade da carne

As moléculas antioxidantes presentes nas plantas ajudam a reduzir o estresse oxidativo, protegendo as células musculares e melhorando a infiltração de gordura no músculo, além de aumentar a resistência ao ranço oxidativo (Hashemi & Davoodi, 2012). Como consequência, há um aumento significativo na vida útil do produto destinado ao consumidor final.
Um estudo realizado por Zeng et al. (2015) demonstrou que o uso de botânicos em frangos de corte melhorou a conversão alimentar em até 5% e reduziu a incidência de diarreias em 30% (Zeng et al., 2015).

Produção suína

Na suinocultura, os botânicos são utilizados principalmente para prevenir doenças digestivas e melhorar a absorção de nutrientes, especialmente em fases críticas, como o desmame.
Botânicos e a resistência bacteriana: uma alternativa nutricional na produção animal - Image 5
Durante o desmame, os leitões passam por mudanças drásticas na dieta e na microbiota intestinal, tornando-se mais suscetíveis a infecções. Certos componentes da canela, do cravo e do alho demonstraram melhorar a composição do microbioma ao favorecer a multiplicação de bactérias saprófitas, como Lactobacillus spp., em detrimento de Escherichia coli (Zeng et al., 2015). Além disso, otimizam a absorção de nutrientes como ferro e zinco, micronutrientes essenciais para o desenvolvimento corporal e para o controle de diarreias.
Esse efeito modulador reduz a incidência de diarreias pós-desmame, uma das principais causas de perdas econômicas na suinocultura atual.

Botânicos na fase de engorda e terminação

Em fases posteriores, como a engorda e a terminação, os botânicos demonstraram eficácia na redução da incidência de ileíte suína, cuja causa é a bactéria Lawsonia intracellularis. Seu efeito antimicrobiano e anti-inflamatório promove a prevenção da doença em granjas suscetíveis e reduz significativamente a gravidade dos casos, diminuindo, assim, o uso de antibióticos (Krause et al., 2018).

Impacto ambiental

Outra vantagem adicional dos botânicos, do ponto de vista ambiental, é sua capacidade de reduzir a produção de compostos voláteis como a amônia. Isso contribui significativamente para a diminuição da poluição ambiental causada por odores desagradáveis em áreas próximas às granjas suínas (Windisch et al., 2008).

Ruminantes

Em ruminantes de corte e de leite, os botânicos são uma ferramenta inovadora para otimizar a fermentação ruminal, melhorar a saúde metabólica e reduzir o impacto ambiental.
Foi comprovado que extratos de alho e anis atuam como moduladores do microbioma ruminal, melhorando a proporção de ácidos graxos voláteis (acético, propiônico e butírico) e reduzindo a produção de amônia (Patra & Saxena, 2009). Isso resulta em maior eficiência no uso do nitrogênio e em melhorias na conversão alimentar.
Em vacas leiteiras, os polifenóis presentes no cardo-mariano e no alecrim possuem efeitos hepatoprotetores, reduzindo o risco de esteatose hepática e melhorando a eficiência metabólica durante a lactação (Hashemi & Davoodi, 2012).

Redução das emissões de metano

Estudos demonstram que os botânicos possuem efeito antimicrobiano sobre as arqueias metanogênicas responsáveis pela produção de metano no rúmen. Isso não apenas melhora a eficiência energética dos animais, mas também contribui para a sustentabilidade ambiental, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa (Patra & Saxena, 2009).
Botânicos e a resistência bacteriana: uma alternativa nutricional na produção animal - Image 6

Conclusões

Podemos concluir que o uso de botânicos na produção pecuária representa uma alternativa sustentável para reduzir o uso de antibióticos, combatendo a resistência bacteriana e melhorando de forma integral a saúde animal. Eles oferecem benefícios como ação antimicrobiana, antioxidante, modulação do microbioma e estimulação do sistema imunológico, resultando em maior produtividade. São eficazes em aves, suínos e ruminantes, adaptando-se aos desafios sanitários e produtivos de cada espécie. Além disso, seu impacto ambiental é positivo, pois ajudam a reduzir as emissões de gases poluentes, como amônia em monogástricos e metano em ruminantes, promovendo uma pecuária cada vez mais sustentável.
*Determinadas informações associadas aos produtos, sua composição e alegações podem variar conforme a região geográfica e podem não ser aplicáveis em todos os países. A Liptosa se reserva o direito de adaptá-las de acordo com as exigências e legislações específicas de cada caso.
As informações e recomendações técnicas aqui fornecidas baseiam-se no conhecimento e na experiência atual da Liptosa.
A Liptosa se reserva o direito de atualizar as informações e argumentos contidos nesta plataforma, bem como de realizar quaisquer alterações nesta informação ou recomendação a qualquer momento, sem aviso prévio ou posterior.
Tópicos relacionados:
Autores:
Darío Cleofé Resta
LIPTOSA
LIPTOSA
Recomendar
Comentário
Compartilhar
Profile picture
Quer comentar sobre outro tema? Crie uma nova publicação para dialogar com especialistas da comunidade.
Usuários em destaque
Carlos López Tomé
Carlos López Tomé
LIPTOSA
LIPTOSA
Area Head Manager Asia, Africa, Middle East
Espanha
David Revilla
David Revilla
LIPTOSA
LIPTOSA
Responsable de área: Europa
Espanha
Ignacio Lopez Paredes
Ignacio Lopez Paredes
LIPTOSA
LIPTOSA
Responsable zona España y Latam
Espanha
Junte-se à Engormix e faça parte da maior rede social agrícola do mundo.