Soroprevalência de Leptospirose suína na região Noroeste do Paraná

Publicado: 08/05/2013
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Sumário

A leptospirose é uma doença zoonótica causada por bactéria da família Leptospiraceae, gênero Leptospira representando risco para a saúde pública, principalmente de médicos veterinários, magarefes, e funcionários de granjas suínas que estão sujeitos ao contato direto com o agente, e trazendo grandes prejuízos reprodutivos para os produtores tais como: aborto no terço final de gestação, repetição de cio, fetal mumificações ou natimortos, nascimento de leitões fracos, baixo número de leitões, descarga vulvar e morte embrionária. Atualmente existem 23 sorogrupos de Leptospira interrogans com aproximadamente 200 sorovares diferentes, neste trabalho usaram-se culturas vivas de 16 sorogrupos de Leptospira spp em amostras de 297 animais da região Noroeste do Paraná submetidas a prova de soroaglutina microscópica com o objetivo de identificar os sorovares predominantes na região. Obteve-se 19,865% de amostras soropositivas para um ou mais sorovares com titulações de 1:100, 1:200 e 1:400, na qual tiveram maior prevalência para o sorovar hardjo com 57,627%, seguido pelos sorovares pyrogenes 30,508%, hardjo C.T.G. 13,559%, icterohaemorrhagiae 5,084%, djasiman 1,694% e copenhageni 1,694%, concluindo que o sorovar Hardjo como o mais prevalente na região noroeste do Paraná.

Palavras -chave: Leptospitose. Paraná. Suínos

Introdução

A leptospirose é uma doença zoonótica causada por bactéria da família Leptospiraceae, gênero Leptospira (RENDE, 2007) de ampla distribuição geográfica, geralmente de caráter ocupacional, representando risco para a saúde pública, principalmente de médicos veterinários, magarefes, e funcionários de granjas suínas que estão sujeitos ao contato direto com o agente (DELBEM, 2004).

Existem atualmente identificados 23 sorogrupos de Leptospira interrogans, com aproximadamente 200 sorovares infectando várias espécies animais e os homens. Estudos recentes classificam geneticamente as leptospiras patogênicas, dividindo a espécie L. interrogans em 7 espécies: L. borgpetersenii, L. inadai, L. interrogans, L. kirschneri, L. alstonii, L. santarosai e L. weilli (SOBESTIANSKY, 1997).

Nos suínos, a leptospirose caracteriza-se pela ocorrência de abortamento no terço final de gestação, repetição de cio, mumificação fetal, natimortalidade, nascimento de leitões fracos, baixo número de leitões, descarga vulvar e morte embrionária (DELBEM, 2004).

A fonte de infecção é, geralmente, o animal infectado que contamina a água por meio da urina, fetos abortados ou descargas uterinas, nas quais a infecção pode ocorrer por via oral, venérea, por intermédio da pele lesada, por via conjuntiva ou por meio das mucosas. As leptospiras alcançam o fígado por meio dos vasos linfáticos, em que se multiplicam durante aproximadamente, cindo dias, seguindo-se leptospiremia (estado febril).

A partir de 10 dias após a infecção, inicia-se a produção de anticorpos, e as leptospiras são eliminadas dos tecidos por fagocitose, com exceção dos rins, em que elas se multiplicam e sobrevivem nos túbulos renais, fora do alcance dos fagócitos (SOBESTIANSKY, 1997).

Os suínos são considerados reservatórios de leptospiras e se infectam pró contato com o material contaminado, principalmente, de roedores e animais silvestres que atuam como portadores de leptospiras. Nesses animais, elas se localizam na luz dos túbulos renais e podem ser excretadas vivas na urina, por várias semanas ou meses, sendo os ratos a principal fonte de infecção na suinocultura atualmente (SOBESTIANSKY, 1997).

A leptospirose possui duas formas, aguda e crônica, em que que os principais sintomas na fase aguda que podem não ser percebidos nas granjas são prostração, anorexia e elevação da temperatura corporal. A fase crônica pode ser identificada por abortos ou partos com natimortos e leitões fracos, que morrem poucas horas após o nascimento (SOBESTIANSKY, 1997).

No Brasil, os exames de soroaglutinação microscópica aplicados ao diagnóstico da leptospirose têm registrado a predominância dos sorovares, todavia, os resultados dependem da técnica empregada, coleção de antígenos utilizada, do ponto de corte da reação de antígenos utilizada, do ponto de corte da reação e também de variáveis relacionadas à localização das propriedades, período do ano em que as colheitas foram efetuadas e da movimentação dos animais (FAVERO, 2002).

A imunização e controle da leptospirose suína devem ser fundamentadas na imunização de suscetíveis feita com o sorovares de leptospiras presentes na região. A diminuição da quantidade de leptospiras lançadas no ambiente é conseguida por meio da eliminação dos fatores que ampliam a sobrevivência do agente no ambiente e a eliminação dos reservatórios, principalmente roedores, e também pelo tratamento massal com antibiótico para eliminação dos portadores renais (FAVERO, 2002).

O presente trabalho teve como objetivo a identificação dos sorovares predominante na região noroeste do Paraná, para que, possa ser feito trabalho de tratamento para o correto sorovar obtendo assim a diminuição da doença e região.

 

Material e Métodos

Foram colhidas amostras de frigorífico do noroeste do Paraná, que abate animais de toda a região. Obteve-se amostras de 297 animais oriundas de cinco lotes distintos de criações semi-intensiva, intensiva, ciclo completo ou não, com ou sem histórico de problemas reprodutivos, vacinadas ou não conta leptospirose, na tentativa de determinar uma possível forma de infecção e disseminação de Leptospira spp. nos rebanhos positivos.

Uma alíquota de sangue de cada animal foi coletada da veia cava cranial no momento sangria. Estas amostras foram transportadas até o Laboratório de Medicina Veterinária Preventiva da UNIPAR e foram feitas as separações do soro e armazenados a -20ºC, até o momento de serem feitas a realização da soroaglutinação microscópica (SAM).

 

Soroaglutinação microscópica

Nas soroaglutinações microscópica foram utilizadas culturas vivas de 16 sorovares de Leptospira spp (bratislava; castellonis; canicola; djasiman; gryppotifosa; copenhageni; icterohaemorrhagiae; pomona; pyrogenes; hardjo; hardjo miniswajizak; hardjo C.T.G.; hardjo bovis; wolffi; tarassovi) para determinação dos animais reagentes, sendo elas determinadas e desenvolvidas no Laboratório de Zoonoses – Departamento de Higiene Alimentar e Saúde Publica – UNESP – Botucatu, segundo Shimabukuro el al. (2003).

Tabela 1: Número e frequência de suínos reagentes a Soroaglutinação Microscópica (SAM), para diferentes sorovares de Leptospira spp, em diferentes titulações.

O teste de soroaglutinação microscópica é o mais utilizado para diagnóstico de leptospirose. A interpretação dos resultados muitas vezes é complicada pelo elevado número de reações cruzadas (OLIVEIRA, 2007).

Dados semelhantes obtidos neste trabalho foram descritos por Favero et al. (2002) ao testar suínos de vários estados brasileiros, obtendo um soroprevalência de 14,9%. Entretanto, o sorovar mais prevalente no estado do Paraná foi Icterohaemorrhagiae, contrastando com o sorovar Hardjo mais prevalente neste trabalho (FAVERO, 2002).

Uma prevalência muito superior 40% e 55,5% foi descrita por Lobo et al. (2004) em suínos provenientes da região de Santa Cruz do Sul, RS, nos anos de 2002 e 2003 respectivamente, destacando que em 2002 houve maior prevalência do sorovar Icterohaemorrhagiae, Hardjo e Autralis, e no ano de 2003 Pyrogenes, seguido de Autralis e Bratislava (LOBO, 2004).

Oliveira et al. (2007) examinaram 1633 amostras de soros suínos no estado do Rio Grande do Sul, e obtiveram 995 (60,93%) de amostras reagentes ao teste de aglutinação microscópica. Destes tiram mais predominância para o sorovar Bratislava com 655 amostras, e também encontrados os sorovares Icterohaemorrhagiae (214 amostras), Hardjo (143 amostras), Pyrogenes (7 amostras), entre outras.

Delbem et al. (2004) examinando amostras de 298 matrizes oriundas de 22 granjas de ciclo completo, com e sem histórico de problemas reprodutivos, vacinado ou não contra leptospirose, da região norte do estado do Paraná, sendo detectado uma soropositividade de 44,3% para leptospirose. Neste estudo o sorovar predominante foi Icterohaemorrhagiae. Todas as granjas apresentaram suínos soropositivos iguais a 100. Este título foi semelhante ao encontrado no presente trabalho, em que 49 das 65 reações positivas também apresentaram título para 100.

Shimabukuro et al. (2003) analisaram 131 amostras de soro pela prova de SAM e tiveram 48 (36,64%) amostras reagentes, para um ou mais sorovar de Leptospira spp., sendo que dos 25 sorovares de Leptospira spp. testados, ocorreram reações sorológicas apenas para nove.

Aguiar et al. (2006) detectaram reações para 29 (32,9%) animais dos 88 animais pesquisados, e obtiveram maior prevalência para o sorovar Castellonis com 17,3% (5 animais) e menores prevalências os sorovares Hardjo, Icterohaemorrhagiae e Tarassovi com 3,4% (1 animal cada). Apesar de o sorovar Hardjo apresentar menos prevalência neste trabalho deve-se destacar que apresentou o maior título (800), quando comparado com as outras reações positivas. Entretanto, este mesmo sorovar no presente trabalho apresentou títulos de 100, 200 e 400 em 26, 5 e 3 reações positivas respectivamente.

Este trabalho demonstrou que há uma grande variação do sorovares na dependência da região, do tipo de criação e fatores de risco relacionados à transmissão, condições sanitárias dos rebanhos suínos. Sendo assim, novos trabalhos devem ser realizados na tentativa de caracterizar cada um destes aspectos.

 

Conclusão

Conclui-se que o sorovar Hardjo foi o mais prevalente na região noroeste do Paraná, seguido do Pyrogenes em amostras de sangue de animais abatidos na região.

 

Referências

AGUIAR, D. M. et al. Anticorpos contra agentes bacterianos e virais em suínos de agricultura família do município de Monte Negro, RO. Arq. Inst. Biol. São Paulo, v. 73, n. 4, p. 415-420, out./dez. 2006.

DELBEM, A. C. B. et al. Fatores de risco associados à soropositividade para leptospirose em matrizes suínas. Ciência Rural, Santa Maria, v. 34, p. 847-852, maio/jun. 2004.

FAVERO, A. C. M. et al. Sorovares de leptospiras predominantes em exames sorológicos de bubalinos, ovinos, caprinos, eqüinos, suínos e cães de diversos estados brasileiros. Ciência Rural, Santa Maria, v. 32, n. 4, p. 613- 619, 2002.

LOBO, E. A. et al. Estudo comparativo do padrão sorológico de animais domésticos potencialmente transmissores de leptospirose no município se Santa Cruz do Sul, RS, Brasil, entre os anos 2002 e 2003. Caderno de Pesquisa Sér. Bio. Santa Cruz do Sul, v. 16, n. 2, p. 45-64, jul./dez. 2004.

OLIVEIRA, S. J.; PIRES-NETO, J. A. S. Suinocultura Industrial, n. 3, p.18-25, 2007.

RENDE, J. C. et al. Infecção experimental em suínos jovens com Leptospira interrogans sorovar wolffi: determinação de parâmetros bioquímicos. Ciência Rural, Santa Maria, v. 37, n. 2, p. 458-463, mar./abr. 2007.

SHIMABUKURO, F. H. et al. Pesquisa de suínos portadores renais de leptospiras pelo isolamento microbiano e reação em cadeia pela polimerase em amostras de rins de animais sorologicamente positivos e negativos para leptospirose. Brazilian Journ al of Veterinary Research and Animal Science, v. 40, p. 243-253, 2003.

SOBESTIANSK, B. et al. Clinica e patologia suína. Goiânia: J Sobestiansky, 1997. 451 p.

 
Autor/s.
Graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Estadual de Londrina (1979), Licenciatura em Ciencias Biologicas (1996), especialização em Metodologia do Ensino (1997), mestrado em Ciência Animal pela Universidade Estadual de Londrina (1997), e doutorado em Zootecnia pela Universidade Estadual de Maringá (2005). Especialização em Produção de Suínos pela UFLA (2008). Atualmente é professor titular da Universidade Paranaense. Cursos de Mestrado em Ciência Animal, Medicina Veterinária, Coordenador do curso de Pós-Graduação (latu sensu) em Vigilância Sanitária e Epedemiologia em Saúde.
 
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