SISTEMA DE NUTRIÇÃO DE PRECISÃO REDUZ O CONSUMO DE LISINA DE SUÍNOS EM CRESCIMENTO E TERMINAÇÃO.

Publicado: 20/04/2016
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Sumário

O sistema de alimentação tradicional por fases fornece um único nível de lisina para população durante um longo período, ignorando que esta exigência varia entre indivíduos e ao longo do tempo. Objetivou-se através deste estudo comparar dois sistemas de alimentação para suínos em crescimento e terminação: o sistema individual e diário (MIP) e o sistema convencional de 3 fases (3F). Para tanto, foram utilizados 60 suínos machos castrados com peso vivo inicial de 38,98 kg (±5,18), alojados coletivamente. Estes foram distribuídos em um delineamento completamente ao acaso composto por dois tratamentos: MIP ou 3F. A dieta foi provida e mensurada diariamente por um sistema de alimentação automático, o AIPF (Automatic and Intelligent Precision Feeder). Como resultados, o consumo médio diário de ração e ganho médio diário de peso foram semelhantes (P>0,05) entre os tratamentos. Os animais do tratamento MIP apresentaram maior (P<0,05) eficiencia alimentar (5,76%), e menor (P<0,05) consumo diário de lisina (19,57%) em relação aos animais do tratamento 3P. Estes resultados demonstram que o sistema de alimentação MIP pode diminuir os custos de produção. Dessa forma, o MIP permite que suínos em crescimento e terminação tenham o mesmo desempenho que os suínos no 3F, porém consumindo em torno de 19% menos lisina e com uma melhor eficiência alimentar.

 

Palavras-chave: desempenho; nitrogênio; lisina.

 

Introdução

O sistema de alimentação tradicional de suínos geralmente utiliza três fases alimentares ao longo do crescimento do animal. No entanto, existe uma variabilidade individual na exigência de lisina dentre os animais (Bertolo et al., 2005) e ignorada no sistema de alimentação tradicional. Outro aspecto é que existe uma inter-relação entre os animais com fatores externos como o ambiente de criação, densidade de alojamento, temperatura e fatores de dominância populacional, que interferem sobre o desempenho dos animais (Wellock et al., 2003). No sistema de três fases normalmente é utilizada um valor de exigência empírica algumas vezes estimada com base em uma população diferente da atual. Nesse sistema parte da população pode ser super ou sub-alimentanda, penalizando o desempenho de parte da população. Desta forma, foi proposto um sistema de alimentação individual e com ajuste diário que atende a exigência de cada animal da população em tempo real mantendo o desempenho dos animais e diminuição no consumo diário de lisina (Pomar et al., 2011; Andretta et al., 2014). Dessa forma, objetivou-se com este estudo comparar o sistema de três fases (3F) e o individual e diário (MIP) para suínos em crescimento e terminação em condições de clima tropical.

 

Materiais e Métodos

Foram utilizados 60 suínos machos castrados de alto potencial genético (Agroceres Pic) foram alojados coletivamente no Laboratório de Estudos em Suinocultura em Jaboticabal (FCAV/UNESP). Os animais foram distribuídos em um delineamento inteiramente casualizado, sendo o peso vivo médio inicial de 38,98 kg (±5,18). As dietas experimentais foram formuladas utilizando milho e farelo de soja e suplementadas com aminoácidos sintéticos. Os ingredientes foram analisados através de HPLC para determinação dos aminoácidos. As dietas foram isoenergéticas (2.500 kcal de EL), porém, diferentes na concentração de lisina íleal digestível verdadeira (SID lisina). Foram formuladas duas dietas experimentais, uma dieta concentrada A (SID lisina de 1,20%) e a segunda com baixa concentração de nutrientes chamada de dieta B (SID lisina 0,40%). Estas dietas foram formuladas tendo por base a exigência nutricional de uma população de animais semelhante a população experimental, as relações entre aminoácidos seguiram o que é preconizado na literatura (NRC, 2012). Para alimentação dos animais foi utilizado um comedouro automático, o AIPF (Automatic and Intelligent Precision Feeder) que identifica e provê a dieta individualmente aos animais através do reconhecimento do brinco eletrônico de cada indivíduo. Foram utilizados dois tratamentos, um sistema de alimentação de três fases (3F) dividido da seguinte forma; fase um (0 aos 28 dias; SID lisina 1,09%), fase dois (29 aos 56 dias; SID lisina 0,80%) e fase três (57 aos 77 dias; SID lisina 0,70%) as exigências para população foram baseado no indivíduo 80 centil (Hauschild et al., 2010). No tratamento MIP foi realizado ajuste diário e individual da exigência de SID lisina para cada indivíduo assumindo que 7% da composição corporal é lisina (Mahan e Shields, 1998) e que a eficiência na utilização de lisina para deposição é de 72% (Möhn et al., 2000) a mantença foi estimada conforme o preconizado por Fuller (1994). Semanalmente foi realizada pesagem dos animais e diariamente o consumo de ração (CDR) foi obtido pelo AIPF. O consumo diário de lisina (g/dia) foi estimado multiplicando o consumo de ração (CDR) pela concentração de lisina na dieta. Os dados de desempenho e consumo de lisina foram analisados através do software SAS versão 9.3, através do procedimento MIXED, considerando-se como significativo (P<0,05) e tendência de significativo (P<0,10).

 

Resultados e Discussão

No tratamento 3F, a inclusão da dieta A e B, respectivamente foram mantidas fixas durante cada fase, nas respectivas proporções: Fase um (78 e 22%); Fase dois (56 e 44%); e Fase três (37 e 63%). A temperatura e umidade do galpão experimental foram mensuradas diariamente, onde a média foi 27,12°C (±2,79) e 70,65 % (±14,48), respectivamente. Estes valores estão acima do recomendado para animais em crescimento e terminação, porém não influenciaram o CDR (P>0,05) que demostrou normalidade durante o experimento. As médias foram semelhantes (P>0,05) para o CDR o e GMP entre os tratamentos (Tabela 1).

 

Tabela 1 – Médias para as variáveis de desempenho de suínos em um sistema de alimentação convencional de 3 fases (3F) e individual e diário (MIP) durante as fases de crescimento e terminação.

1-Médias seguidas de letras diferentes em uma mesma coluna diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey (P<0,05).

 

Os animais do tratamento MIP apresentaram melhora (P<0,05) na eficiência alimentar (+5,76%) em relação aos animais do tratamento 3F. O tratamento MIP apresentou menor (P<0,05) ingestão média diária de lisina em relação ao tratamento 3F. De forma geral, foi possível verificar uma redução média de 19,57% na ingestão média diária de lisina durante as fases de crescimento e terminação no tratamento MIP. O menor consumo diário de lisina dos animais do tratamento MIP, com desempenho semelhante ao tratamento 3F, possivelmente foi causado pelo aumento na eficiência de utilização dos compostos nitrogenados. Em sistema de alimentação convencional a utilização do nitrogênio varia entre 15 e 33%, porém o sistema de alimentação individual e diário possibilita um aumento na utilização do nitrogênio de até 48% (Pomar e Pomar, 2012). A menor ingestão de lisina é devido ao ajuste realizado diariamente pela mistura das dietas A e B, conforme a resposta dos animais a ingestão de dieta. De forma geral, o sistema de alimentação com ajuste diário possibilita um desempenho semelhante ao sistema de fases, porém, com aumento da eficiência em utilização dos nutrientes. O consumo de lisina é menor indicando que o MIP pode diminuir o custo de produção dos suínos, conforme já demonstrado por Pomar et al. (2011).

 

Conclusão

O sistema de alimentação MIP mantém semelhante o desempenho, porém reduz o consumo diário de lisina (19,57%) e melhora a eficiência alimentar (5,76%).

 

Agradecimentos

Os autores agradecem (Projeto nº. 2012/03781-0) a Fundação de Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) por financiar este projeto e a bolsa de iniciação científica (Projeto nº. 2014/26639-0).

 

Referências Bibliográficas

1. ANDRETTA, I. et al. The impact of feeding growing–finishing pigs with daily tailored diets using precision feeding techniques on animal performance, nutrient utilization, and body and carcass composition. Journal of animal science, v. 92, n. 9, p. 3925-3936, 2014.

2. BERTOLO, R. et al. Estimate of the variability of the lysine requirement of growing pigs using the indicator amino acid oxidation technique. Journal of animal science, v. 83, n. 11, p. 2535-2542, 2005.

3. FULLER, M. F., Amino acid requirements for maintenance, body protein and accretion and reproduction in pigs. In: Amino Acids in Farm Animal Nutrition, J.P.F. D?Mello, ed., CAB International, Wallingford, Oxon, UK. Pages 155–184, 1994.

4. HAUSCHILD, L.; LOVATTO, P.; POMAR, C. Systematic comparison of the empirical and factorial methods used to estimate the nutrient requirements of growing pigs. Animal, v. 4, n. 05, p. 714-723, 2010.

5. MAHAN, D.; SHIELDS, R. Essential and nonessential amino acid composition of pigs from birth to 145 kilograms of body weight, and comparison to other studies. Journal of animal science, v. 76, n. 2, p. 513-521, 1998.

6. MÖHN, S. et al. Influence of dietary lysine and energy intakes on body protein deposition and lysine utilization in the growing pig. Journal of animal science, v. 78, n. 6, p. 1510-1519, 2000.

7. NRC. Nutrient requirements of swine. 11th ed. Natl. Acad. Press, Washington,DC. 2012 POMAR, C. et al. Precision feeding can significantly reduce feeding cost and nutrient excretion in growing animals. In: (Ed.). Modelling nutrient digestion and utilisation in farm animals, Springer, p.327-334, 2011.

8. POMAR, C.; POMAR, J. Sustainable Precision Livestock Farming: A Vision for the Future of the Canadian Swine Industry. Advances in Pork Production, v. 23, p. 207-213, 2012.

9. WELLOCK, I.; EMMANS, G.; KYRIAZAKIS, I. Predicting the consequences of social stressors on pig food intake and performance. Journal of Animal Science, v. 81, n.l 12, p. 2995-3007, 2003. 


***O TRABALHO FOI ORIGINALMENTE APRESENTADO DURANTE O XVII CONGRESSO ABRAVES 2015- SUINOCULTURA EM TRANSFORMAÇÂO, ENTRE OS DIAS 20 e 23 DE OUTUBRO, EM CAMPINAS, SP.

 
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