Problemas de casco em porcas: estamos dando a devida atenção?

Publicado: 31/05/2013
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A suinocultura no Brasil vem dando menos importância do que o necessário aos problemas de casco nos suínos, a ponto de praticamente não haver pesquisas recentes sobre o assunto. Além disso, na prática, o efeito dos problemas no aparelho locomotor dos reprodutores suínos tem sido subestimado, resultando em grandes perdas econômicas.

As lesões de cascos em porcas são tidas como conseqüências da qualidade do piso, nutrição, hereditariedade e manejo. Estudos mostram que de 6 a 35% das porcas são descartadas em função de problemas relacionados a claudicação. Um estudo realizado no Southern Research da Universidade de Minnesota e no Centro Outreach, em Waseca, Minnesota, encontrou apenas 3,8% das 184 porcas estudadas sem nenhuma lesão nos cascos.

As lesões de casco provocam episódios dolorosos que normalmente resultam em perdas no desempenho reprodutivo, bem como levam ao descarte precoce dos animais e, assim, perdas na produção. O descarte precoce das matrizes implica na redução do tamanho das leitegadas, do número de leitegadas/porca/ano e do número de leitões desmamados/porca/ano, com consequente aumento do custo por leitão desmamado.

Uma avaliação realizada em aproximadamente 8.000 fêmeas, através dos dados do sistema PigChamp® revelou que problemas locomotores foram a causa direta de 13% dos descartes de porcas do plantel. Dessas remoções, 55% eram fêmeas de zero a dois partos.

Apesar da baixa disponibilidade de informações sobre o assunto, estudos mostram que um decréscimo no número de porcas descartadas por problemas locomotores pode resultar em efeitos positivos na produção, como um todo.

Animais com dor permanecem mais tempo deitados. Porcas com lesões de casco levantam menos para se alimentar e consumir água. Desta forma, estes animais estão mais propensos à perda de peso e problemas urinários, resultando em menor produção de leite e outros problemas reprodutivos.

 

IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA

A identificação e classificação das lesões de casco são importantes para o entendimento do problema. Embora não se disponha dos mesmos sistemas de avaliação específicos tão largamente usados no gado leiteiro, estabeleceu-­-se como padrão uma classificação que utiliza uma escala de quatro índices, atribuídos às porcas no momento da sua transferência para o setor de gestação. Esse sistema baseia-­-se no comportamento do animal, na sua postura em descanso e no comportamento ao caminhar. Os índices variam de zero (sensibilidade normal, mantém o equilíbrio, caminha normalmente) a 3 (insensível, não fica em pé, não se movimenta).

 

PREVENÇÃO E TRATAMENTO

Uma vez que a as lesões no aparelho locomotor forem reconhecidas como importantes causas de perdas econômicas na suinocultura, deve-­-se buscar soluções efetivas para evitar a ocorrência das mesmas. Para tanto, é fundamental a atenção em aspectos relacionados com nutrição, genética, instalações e manejo.

Considerando os aspectos nutricionais, é necessário um balanço apropriado de vitaminas e minerais para o desenvolvimento dos cascos. A queratinização da epiderme do casco é um processo fisiológico que depende da disponibilidade de muitos nutrientes, entre eles as vitaminas, os minerais e os microelementos. Isto sugere que o desenvolvimento normal das unhas e a formação adequada da queratina estejam ligados à disponibilidade desses nutrientes. Ca, Zn, Cu, Mn e vitaminas A, D e E, assim como a biotina, têm cada um a sua função na produção e manutenção de tecidos queratinizados saudáveis.

A prevenção e o manejo são estratégias essenciais para a redução de claudicação em porcas. A seleção das porcas também deve ser considerada, em função da identificação de marrãs bem estruturadas, com boa musculatura e bom desenvolvimento esquelético.

O uso de microminerais orgânicos, especialmente complexos Metal-­-Aminoácido (Zn-­-AA, Mn-­-AA e Cu-­- AA), a partir da saída de creche, tem mostrado uma melhora significativa na longevidade de fêmeas no plantel, em função da redução dos problemas relacionados ao aparelho locomotor. Da mesma forma, a suplementação de biotina em porcas tem sido apontada como um fator redutor das lesões de casco.

Condições adversas de instalação também provocam claudicações em porcas. Um piso de concreto abrasivo predispõe a porca a rachaduras e lesões nos cascos. Da mesma forma que a umidade constante no piso promove um ambiente favorável ao crescimento de bactérias, ela também mantém os cascos úmidos, amolecidos e doloridos.

O manejo freqüente de aparar os cascos (casqueamento) é também uma forma de prevenção e correção de lesões. Este tipo de intervenção é fundamental para evitar que os cascos cresçam demais e para manter a sua estrutura normal. Apesar desta prática não ser ainda comum no Brasil, vários países têm adotado a rotina do casqueamento, levando a uma maior longevidade das porcas na granja.

 

 

CONCLUSÃO

Os problemas de casco em suínos, especialmente nos reprodutores, devem ser encarados como um problema generalizado, que resulta conseqüências econômicas negativas, além de prejudicar o bem estar dos animais. A prevenção da claudicação em porcas deve ser feita considerando o desenvolvimento genético, além da nutrição, instalações e manejo.

É fundamental que suinocultores e técnicos deem mais atenção a este assunto, de tal forma a minimizar as perdas produtivas e reprodutivas e, assim, reduzir o impacto negativo deste tipo de problema no resultado financeiro da produção.

Esse artigo técnico foi originalmente publicado na NT A revista da produção animal.

 
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