Prevalência de lesões de casco em porcas da região Sul e Sudeste do Brasil

Publicado: 06/12/2013
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INTRODUÇÃO

As porcas criadas em sistemas confinados são muito susceptíveis às lesões nos cascos, sendo que em torno de 60 a 99% destas matrizes apresentam algum tipo de lesão [2,5]. Entre os fatores de risco para o surgimento desta lesões, destacam-se a baixa qualidade do piso, espaçamento e qualidade inadequada dos pisos ripados, deficiência mineral e vitamínica, além da seleção genética de animais de alta produção e rápido crescimento [1,2]. As lesões de casco, além de permitirem o ingresso de infecções que podem vir a tornar-se sistêmicas [6], estão relacionadas com claudicação [8] que, por sua vez, tem origem na dor gerada por estas afecções, gerando também preocupações quanto ao bem-estar. A claudicação das porcas também está relacionada com o descarte precoce dos animais em função de significativa perda de produtividade [2], seja por redução no consumo de alimento, seja pela interação negativa dos mediadores inflamatórios na cascata hormonal [8]. Tendo em vista que são escassos os dados sobre lesões podais na suinocultura brasileira, o presente estudo teve como objetivo avaliar a prevalência das lesões de casco em porcas criadas intensivamente em granjas da região Sul e Sudeste do Brasil.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

Foram avaliados os cascos dos membros posteriores de 1.766 porcas, de 26 granjas, de cinco estados brasileiros (MG, PR, RS, SC e SP), de planteis que somam 41.829 porcas e leitoas das principais linhas genéticas presentes na suinocultura brasileira, no período de junho/2012 a julho/2013. Os animais foram avaliados nas gaiolas de maternidade, em decúbito lateral, escolhidos aleatoriamente e considerando 10% das fêmeas em reprodução, até um total de 100 porcas por granja. As lesões foram classificadas conforme tipo de lesão (Crescimento e Erosão da Almofada Plantar [AP], Rachadura Almofada Plantar-Sola [RAPS], Lesão de Linha Branca [LB], Rachadura Horizontal da Parede do casco [RHP], Rachadura Vertical da Parede do casco [RVP], Crescimento das Unhas [UN] e Crescimento ou Ausência das Unhas Acessórias [UA]) e grau de severidade (0 - normal; 1 - leve; 2 - moderada; 3 - grave) [4].

 

Figura 1 Crescimento da Unha (UN); Escore 1

 

RESULTADOS
Ao menos uma lesão de casco foi observada em 99% (1.749) das porcas. A prevalência das lesões quanto à severidade está detalhada na Tabela 1. A prevalência total das lesões foi, em ordem decrescente: AP - 92%, UN - 77%, UA - 67%, RHP - 54%, LB - 50%, RAPS - 38% e RVP - 35% . Considerando a prevalência das lesões de acordo com a severidade, destacam-se UN-1 (71%) - Figura 1, AP-2 (44%) - Figura 2 e RHP-1 (37%) - Figura 3.

 

Tabela 1 – Prevalência das lesões quanto à severidade

 

DISCUSSÃO E CONCLUSÃO

Os dados deste estudo ratificam estudos internacionais, que demonstram que mais de 80% das porcas apresentavam ao menos um tipo de lesão [2,5]. Isso evidencia a importância do tema na suinocultura brasileira, seja pelo impacto na longevidade dos animais ou no desempenho produtivo. Considerando que as lesões de severidade moderada e severa, por afetarem o córium e o tecido subcutâneo, interferem negativamente na longevidade do plantel, merecem atenção o Crescimento e Erosão da Almofada Plantar (58%), Crescimento ou Ausência das Unhas Acessórias (33%), Lesão de Linha Branca (32%) e Rachadura Almofada Plantar-Sola (17%). Desta forma, é necessário que sejam adotadas medidas que minimizem a ocorrência das lesões de casco, que incluem ações relacionadas com manejo, qualidade das instalações, genética e nutrição. Considerando este último aspecto, os nutrientes que interferem na saúde do casco incluem ácidos graxos, cistina e metionina, cálcio, cobre, cromo, manganês, selênio e zinco, além das vitaminas A, D, E e biotina [7]. Estudos recentes tem demonstrado que a suplementação de zinco, manganês e cobre, nas formas de complexo metal-aminoácido reduzem a incidência das lesões de casco [3], além de melhorarem o desempenho das porcas [9,10]. Esforços para diminuir as lesões de casco serão revertidos em maior longevidade das porcas, melhor desempenho produtivo e, consequentemente, melhor desempenho financeiro da produção.

 

Figura 2 Crescimento e Erosão da Almofada Plantar (AP); Escore 2

 

Figura 3 Rachadura Horizontal de Parede (RHP); Escore 1

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. ALBERTON, G.C., DONIN, D.G. Foco clínico diferenciado sobre os animais de reprodução relacionados com perdas reprodutivas. In: Anais do 7. Simpósio Internacional de Produção Suína (Foz do Iguaçu, PR), 2013.

2. ANIL, S.S. et al. Factors associated with claw lesions in gestating sows. J. Swine Health Prod. 15, 78–83, 2007.

3. ANIL, S.S. Nutritional Intervention to Minimize Claw Lesions and to Improve Performance and Longevity in Breeding Female Pigs. Dissertation, Minnesota, USA, 2011.

4. DEEN, J. et al. FeetFirst from Zinpro: Lesion Scoring Guide. Zinpro Corporation, Eden Prairie, MN, USA, 2009.

5. GJEIN, H.; LARSSEN, R.B. Housing of pregnant sows in loose and confined systems - a field study. 2. Claw lesions: morphology, prevalence, location and relation to age. Acta Vet. Scand. 36, 433–442, 1995.

6. PENNY, R.H.C. et al. Foot-rot in pigs: observations on the clinical disease. Vet. Rec. 77, 1101–1106, 1965.

7. VAN RIET, M.M.J., et al. Impact of nutrition on lameness and claw health in sows. Livestock Science, 2013 - http://dx.doi.org/10.1016/j.livsci.2013.06.005.

8. WILSON, M.E. et al. Lameness hurts sows reproduction. In: Proceedings of Allen D. Leman Swine Conference (Minneapolis, MN, USA), p.123-125, 2009.

9. WILSON, M.E. et al. Effect of partial replacement of Trace Metal Amino Acid Complexes during gestation and lactation on sow performance over three parities. In: Proceedings of ASAS Midwest Section (Des Moines, USA), 2013.

10. WILSON, M.E. et al. Effect of supplementing Zn, Mn and Cu Metal Amino Acid Complexes for two reproductive cycles on performance of sows. In: Proceedings of ASAS Midwest Section (Des Moines, USA), 2013.

Esse artigo técnico foi originalmente apresentado no Abraves 2013.

 
Autor/s.
Possui graduação em Medicina Veterinária (1990)e mestrado em Ciências Veterinárias (1996) pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e doutorado em Medicina Veterinária pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP, 2000). Ingressou como Professor na UFPR em 1993, onde atualmente ocupa o cargo de Professor Associado II, atuando no ensino da Graduação e Pós-graduação no Campus Palotina. Na área de pesquisa atua com sanidade suína.
 
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