IMPACTO DA INDUÇÃO DE HIPERPROLACTINEMIA ASSOCIADO COM O FORNECIMENTO DE DHA E ANTIOXIDANTES DURANTE A GESTAÇÃO E LACTAÇÃO SOBRE O DESEMPENHO DE FÊMEAS SUÍNAS HIPERPROLÍFICAS

Publicado: 09/01/2017
Autor/s. :
Sumário

O presente estudo teve por objetivo avaliar o impacto da indução da hiperprolactinemia associado com o fornecimento de DHA (Algas ômega-3) e/ou um blend de antioxidantes do terço final da gestação até a segunda semana de lactação sobre o desempenho de fêmeas suínas hiperprolíficas e de suas leitegadas. Um total de 80 matrizes multíparas distribuídas em 4 grupos de 20 fêmeas cada foram utilizadas. As fêmeas foram distribuídas em um DIC entre os 4 tratamentos de acordo com o peso corporal, espessura de toucinho e ordem de parto aos 100 d de gestação. Os tratamentos foram constituídos da seguinte forma: T1- controle com placebo; T2- 200 mg d-1 de Fator ILAC; T3- 200 mg d-1 Fator ILAC + DHA; e T4- 200 mg d-1 Fator ILAC + DHA + blend de antioxidantes. Todos os tratamentos foram fornecidos via suplementação “on top” aos animais dos 100 d de gestação até os 14 d de lactação. Os tratamentos não influenciaram (P>0,10) a perda de peso das porcas (7,6% em média). O tamanho da leitegada ao nascimento e ao parto também não foi influenciado (P>0,10) pelos tratamentos (13,16 e 12,03 em média; respectivamente para nascidos vivos e desmamados). Foi observada tendência (P=0,07) para efeito dos tratamentos sobre o peso médio ao nascimento do leitão (1,28 vs. 1,20 vs. 1,17 vs. 1,13 g, respectivamente para T4, T3, T1 e T2), entretanto não influenciaram (P>0,10) o peso ao desmame do leitão. O ganho de peso das leitegadas também não foi influenciado (P>0,10) pelos tratamentos (2,16 kg d-1 em média). Entretanto, o peso total da leitegada ao desmame foi influenciado pelos tratamentos (76,9 vs. 73,35 vs. 70,2 vs. 66,21 kg, respectivamente para T2, T4, T3 e T1; P<0,05). A indução de hiperprolactinemia em fêmeas suínas no ultimo terço de gestação e inicio da lactação associado com a suplementação de DHA, vitaminas e minerais antioxidantes tenderam a melhorar o peso ao nascimento dos leitões e aumentou a produção de leite durante a lactação melhorando o crescimento e desempenho diário dos leitões e da leitegada.

 

Palavras-chave: Hiperprolactinemia, porcas, glândula mamaria, produção de leite.

 

Introdução

Embora os avanços genéticos tornaram as fêmeas mais prolíficas, as mesmas são mais exigentes nutricionalmente e menos resistentes aos desafios nutricionais. Leitegadas numerosas tendem a atingir somente uma fração do seu real potencial de crescimento durante a fase de amamentação, uma vez que a capacidade de produção de leite da fêmea por teto reduz proporcionalmente ao aumento do número de leitões amamentando (Kim e Wu, 2008). Desta forma a capacidade de produção de leite das matrizes pode limitar a taxa de crescimento dos leitões, o que reflete a extensão do crescimento epitelial e diferenciação nas glândulas mamárias durante a gestação. O crescimento e a diferenciação do epitélio mamário podem ser induzidos pela prolactina (Farmer e Petitclerc, 2003). Fêmeas suínas prolíficas podem estar sob estresse oxidativo sistêmico, o que poderá não só impactar sobre a fertilidade e bem estar das fêmeas como também sobre a progênie. Zhao (2011) avaliando o status de estresse oxidativo em fêmeas suínas multíparas durante diferentes estágios da gestação e lactação, observaram um elevado dano oxidativo do DNA durante o terço final da gestação, estendendo-se até o intervalo desmame-estro. Desta forma, estimular uma maior hiperplasia e hipertrofia das células epiteliais mamárias durante o período de desenvolvimento e crescimento das mesmas no terço final da gestação associado a maior capacidade antioxidante poderia impactar positivamente aumentando a capacidade de produção de leite da fêmea durante a lactação. O presente estudo teve por objetivo avaliar o impacto da indução da hiperprolactinemia associado com o fornecimento de DHA (Algas ômega-3) e/ou um blend de antioxidantes do terço final da gestação até a segunda semana de lactação sobre o desempenho de fêmeas suínas hiperprolíficas e de suas leitegadas.

 

Material e Métodos

Este estudo foi conduzido nas instalações de uma granja comercial de 400 fêmeas, no período entre Dezembro de 2014 a Março de 2015. Um total de 80 matrizes multíparas de linhagem comercial hiperprolifica distribuídas em 4 grupos de 20 fêmeas cada foram utilizadas. As fêmeas foram distribuídas em um DIC entre os 4 tratamentos de acordo com o peso corporal, espessura de toucinho e ordem de parto aos 100 d de gestação. Os tratamentos foram constituídos da seguinte forma: T1- controle com placebo; T2- 200 mg d-1 de Fator ILAC; T3- 200 mg d-1 Fator ILAC + DHA; e T4- 200 mg d-1 Fator ILAC + DHA + blend de antioxidantes. Todos os tratamentos foram fornecidos via suplementação “on top” aos animais dos 100 d de gestação até os 14 d de lactação. O blend de antioxidantes foi composto por vitaminas C, D e E; e pelos microminerais Zn e Cr. As condições ambientais no interior dos galpões foram monitoradas diariamente por meio de um datalogger. As porcas foram pesadas e espessura de toucinho mensurada aos 100 d de gestação, 24 h após o parto e ao desmame para determinação da variação do peso corporal. As leitegadas foram pesadas no máximo até 24 horas após o parto e ao desmame. O conteúdo de proteína, gordura e energia corporal ao parto e ao desmame foram calculados segundo equações de Dourmad et al. (1997). A média da produção de leite diária foi estimada com base na taxa de crescimento e tamanho da leitegada durante a lactação, usando-se equações de Noblet e Etienne (1989). Os procedimentos estatísticos foram realizados usando o modelo linear generalizado (GLM) do programa estatístico SAS (versão 9.2). Os dados foram submetidos aos testes de normalidade, considerando no modelo estatístico os efeitos da ordem de parto (OP), grupo (G) e tratamentos (TGL).

 

Resultados e Discussão

Os tratamentos não influenciaram (P>0,10) a perda de peso das porcas (7,6% em média). O tamanho da leitegada ao nascimento e ao parto também não foi influenciado (P>0,10) pelos tratamentos (13,16 e 12,03 em média; respectivamente para nascidos vivos e desmamados). Foi observada tendência (P=0,07) para efeito dos tratamentos sobre o peso médio ao nascimento do leitão (1,28 vs. 1,20 vs. 1,17 vs. 1,13 g, respectivamente para T4, T3, T1 e T2), entretanto não influenciaram (P>0,10) o peso ao desmame do leitão. De acordo com Zhao (2011), a elevação do status oxidativo poderá induzir maiores danos oxidativos que podem interferir no desenvolvimento fetal e no crescimento da glândula mamária. O ganho de peso das leitegadas também não foi influenciado (P>0,10) pelos tratamentos (2,16 kg em média). Já o peso total da leitegada ao desmame foi influenciado pelos tratamentos (76,9 vs. 73,35 vs. 70,2 vs. 66,21 kg, respectivamente para T2, T4, T3 e T1; P<0,05). Diversos estudos têm demonstrado que a suplementação com DHA nos alimentos de porcas gestantes e lactantes aumenta a concentração de ω3 nos fetos, no colostro, no leite e nos leitões lactantes, favorecendo melhorias no peso ao nascimento dos leitões, da viabilidade dos leitões e aumento de peso na primeira semana de vida e depois do desmame.

 

Tabela 1 – Impacto da indução de hiperprolactinemia associado com o fornecimento de DHA e antioxidantes sobre o desempenho de fêmeas suínas e suas leitegadas1

1 T1- controle placebo; T2- 200 mg d-1 de Fator ILAC; T3- 200 mg d-1 Fator ILAC + DHA; e T4- 200 mg d-1 Fator ILAC +
DHA + blend de antioxidantes. 2 RSD= desvio padrão do residual.3 Obtido a partir da análise de variância (GLM incluindo os efeitos do tratamento (TL), ordem de parto (OP) e grupo (G)); onde: *P<0,05; †P<0,10.

 

A média de produção diária de leite tendeu a ser 12% mais alta (P=0,07) nos grupos T2 e T4 em comparação com o grupo T1 e T3 (10,28 e 10,22 kg d-1 vs. 9,26 e 9,08 kg d-1, respectivamente). A indução de hiperprolactinemia em fêmeas suínas no ultimo terço de gestação e durante a lactação resultou em aumento na produção de leite e melhorou o crescimento e desempenho diário dos leitões e da leitegada.

 

Conclusões

A indução de hiperprolactinemia em fêmeas suínas no ultimo terço de gestação e inicio da lactação associado com a suplementação de DHA, vitaminas e minerais antioxidantes tenderam a melhorar o peso ao nascimento dos leitões e aumentou a produção de leite durante a lactação melhorando o desempenho dos leitões e da leitegada.

 

Referências Bibliográficas

1. DOURMAD, J. Y., M. ETIENNE, J. NOBLET, and D. CAUSEUR. 1997. Prediction de la de la composition chimique des truies reproductrices a partir du poids vif et de l?epaisseur de lard dorsal. Journeé de la Recherche Porcine France 29:255–262.

2. FARMER, C., and D. PETITCLERC. 2003. Specific window of prolactin inhibition in late gestation decreases mammary parenchymal tissue development in gilts. Journal of Animal Science. 81:1823– 1829.

3. KIM, S. W., and G. WU. 2008. Regulatory role for amino acids in mammary gland growth and milk synthesis. Amino Acids doi:10.1007/s00726-008-0151-5.

4. NOBLET, J., and ETIENNE, M. 1989. Estimation of sow milk nutrient output. Journal of Animal Science. 67, 3352–3359.

5. ZHAO Y. 2011. Oxidative Stress Status and Reproductive Performance of Sows. Dissertation submitted to the Graduate Faculty of North Carolina State University. Raleigh, North Carolina, USA. 01-183.

 

***O TRABALHO FOI ORIGINALMENTE APRESENTADO DURANTE O XVII CONGRESSO ABRAVES 2015- SUINOCULTURA EM TRANSFORMAÇÂO, ENTRE OS DIAS 20 e 23 DE OUTUBRO, EM CAMPINAS, SP.

 
Autor/s.
Mestre em bioclimatologia animal pela Universidade Federal de Viçosa -UFV-, doutor em bioclimatologia e nutrição de suínos pela UFV e pelo Institut National de la Recherche Agronomique -INRA- (França) e pós-doutorado em Nutrição de suínos pela UFV. Foi pesquisador em nutrição de suínos da TOPIGS Research Center IPG (Holanda) e gerente de nutrição de suínos da TOPIGS Internacional. Atualmente é professor e pesquisador em nutrição e produção de suínos e bioclimatologia animal pela Universidade Federal de Minas Gerais -UFMG-.
 
remove_red_eye 173 forum 0 bar_chart Estatísticas share print
Compartilhar :
close
Ver todos os comentários
 
   | 
Copyright © 1999-2020 Engormix - All Rights Reserved