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FIBRAS MUSCULARES DE SUÍNOS ORIUNDOS DE MATRIZES SUPLEMENTADAS COM ARGININA NA GESTAÇÃO.

Publicado: 15/03/2016
Autor/s. : LEONARDO S. FONSECA1*, ELOIZA LANFERDINI1, JORGE Y. P. PALENCIA1, CESAR A. P. GARBOSSA1, MÁRVIO L. T. ABREU1. 1 Departamento de Zootecnia – DZO/UFLA - Lavras/MG -
Sumário

Objetivou-se com o presente trabalho avaliar as fibras musculares de leitões, ao abate provenientes de matrizes suínas que receberam suplementação da ração gestação com L-arginina. Foram utilizados 24 suínos ao abate (6 machos e 6 fêmeas por tratamento) selecionados pelo peso médio. Amostras do músculo Longissimus dorsi foram coletadas, passaram por tratamento para criopreservação e realizou-se cortes para obtenção de lâminas para as análises morfológicas de número de fibras e diâmetro, utilizando a técnica de coloração em Hematoxilina e Eosina. Foram avaliadas as variáveis histológicas de: número de fibras musculares por campo 20x, densidade de fibras musculares em 15.000 μm2, área de fibras musculares expressa em μm2 e diâmetro de fibras musculares em μm, estes dados foram padronizados para a unidade milímetro, e realizado o cálculo do número de fibras totais no músculo Longissimus dorsi. A suplementação com L-arginina na ração gestação de matrizes suínas não influenciou (P>0,05) a área, diâmetro e número de fibras musculares da progênie ao  abate.Entretanto, o sexo do animal influenciou (P<0,05) o diâmetro das fibras musculares. A suplementação da ração gestação de matrizes suínas com L-arginina não influencia a área, diâmetro e número de fibras no músculo Longissimus dorsi de sua progênie ao abate.

 

Palavras-chave: aminoácidos industriais; miogênese; nutrição.

 
Introdução
As matrizes suínas atuais são hiperprolíficas e mais exigentes nutricionalmente, isso influencia o desempenho reprodutivo e produtivo. A competição entre o alto número de fetos pelos nutrientes provenientes do fluxo sanguíneo pode levar ao fenômeno crescimento intrauterino retardado (CIUR), que causa baixo peso ao nascimento, menor sobrevivência neonatal, maior susceptibilidade a doenças, reduzida taxa de crescimento pós-natal e pior qualidade da carcaça dos animais ao abate (WU et al., 2006). Um feto com CIUR poderá ter uma inadequada formação das fibras musculares, sendo que a miogênese nos suínos acontece em duas fases, dos 35 a 55 dias de gestação são formadas as fibras primárias e dos 55 a 90 dias de gestação as fibras secundárias (LEFAUCHEUR, 2001). As fibras musculares primárias são influenciadas diretamente pela genética do animal, entretanto, as fibras musculares secundárias são determinadas por eventos pré-natais, relacionados, principalmente, a fatores nutricionais e limitação do espaço uterino da fêmea durante o desenvolvimento fetal. A massa muscular produzida por um animal e a velocidade de crescimento dependem do número de fibras musculares (hiperplasia) que compõe um músculo e do diâmetro de cada fibra (hipertrofia), assim um número de fibras reduzido torna estes leitões menos capazes de apresentar uma recuperação em termos de desempenho e ganho de peso no período pós-nascimento (REHFELDT & KUHN, 2006). A arginina é um substrato comum para a síntese de óxido nítrico e poliaminas, os quais afetam o crescimento e a angiogênese, como consequência, aumenta o fluxo sanguíneo disponível para os fetos, influenciando diretamente o seu crescimento e desenvolvimento. Devido a estes fatores, a suplementação de arginina na ração gestação de matrizes suínas pode estar relacionada com o desempenho posterior da leitegada. Portanto, o objetivo com o presente trabalho foi avaliar as fibras musculares de suínos na fase de abate, provenientes de matrizes suínas que receberam suplementação da ração gestação com L-arginina.
 
Material e Métodos
Foram utilizados 24 suínos oriundos de matrizes suínas de linhagens hiperprolíficas de 2ª a 6ª ordem de parição, alimentadas com ração gestação com ou sem suplementação de 1,0% L-arginina dos 30 aos 60 dias de gestação e dos 80 dias de gestação ao parto. Os animais (6 machos e 6 fêmeas por tratamento) foram selecionados pelo peso médio ao abate. Amostras do músculo Longissimus dorsi da meia-carcaça esquerda foram coletadas, passaram por tratamento com crioprotetor (talco neutro e isopentano) e assim realizada a criopreservação das amostras em nitrogênio líquido a -196°C, com posterior armazenamento em freezer a -80°C até a criotomia. Os cortes do músculo Longissimus dorsi foram de 12 μm de espessura em criostato a - 20°C, dispostos em lâminas. Foram feitas duas lâminas por amostra e cada lâmina possuía dois cortes de sessões diferentes do músculo. Para as análises morfológicas de número de fibras e diâmetro, foi utilizada a técnica de coloração em Hematoxilina e Eosina. Os cortes nas laminas foram fixados com Formol por 5 minutos, lavados em água destilada por 5 minutos. Em seguida, procedeu a imersão em Hematoxilina por 3 minutos e lavagem em água corrente por 2 minutos; após isto, as lâminas foram imersas em Eosina por 10 segundos e lavadas em água corrente por 5 minutos. A desidratação foi feita na seguinte ordem: Álcool Etílico 70% por 1 minuto; Álcool Etílico 80% por 1 minuto; Álcool Etílico 95% por 1 minuto; Álcool Etílico 100% (1) por 1 minuto; Álcool Etílico 100% (2) por 1 minuto; Álcool Etílico 100% (3) por 1 minuto; Xilol P.A. (C8H10) (1) por 1 minuto; Xilol P.A. (C8H10) (2) por 1 minuto; Xilol P.A. (C8H10) de montagem. Após estes procedimentos, as amostras foram montadas com substância selante e lamínula. Analisou-se em microscópio de luz comum, objetiva 20x, acoplado a uma câmera para captura de imagens. Foram obtidas três imagens por amostra e analisadas no programa Image J® para a quantificação das fibras musculares. Foram avaliadas as seguintes variáveis histológicas: número de fibras musculares por campo 20x, densidade de fibras musculares em 15.000 μm2, área de fibras musculares expressa em μm2 e diâmetro de fibras musculares μm, após obtenção dos dados, estes foram padronizados para a unidade milímetro, e realizado o cálculo do número de fibras totais no músculo Longissimus dorsi. Para as análises estatísticas das características avaliadas utilizou-se o pacote computacional SAS.
 
Resultados e Discussão
A suplementação com L-arginina na ração gestação de matrizes suínas não influenciou (P>0,05) a área, diâmetro e número de fibras musculares da progênie ao abate (Tabela 1). Entretanto, o sexo do animal influenciou (P<0,05) o diâmetro das fibras musculares, sendo que a média dos machos foi 3,05% superior em comparação as fêmeas (179,74 mm x 174,41 mm respectivamente). A qualidade da carne é influenciada pela ocorrência de cada tipo de fibra (primárias e secundárias), sendo determinantes no metabolismo pós-morte de transformação de músculo em carne. A tendência para uma pior qualidade da carne pode estar associada com a acelerada hipertrofia das fibras musculares devido ao reduzido número de fibras, principalmente quando os leitões possuem baixo peso ao nascimento (REHFELDT et al., 2008). Animais de menor peso exibem diferenças no número e tamanho das fibras musculares quando comparados com animais de maior peso, podendo causar variações na qualidade da carne. A suplementação de L-arginina durante a gestação tem demostrado aumentar o peso ao nascimento (KIM & WU, 2009). Sendo assim, a arginina pode influenciar positivamente a formação de células musculares, podendo ter implicações importantes para o crescimento pós-natal muscular, composição da carcaça e a qualidade da carne (BÉRARD & BEE, 2010). Entretanto, o presente trabalho não demonstrou efeitos nas fibras musculares de suínos oriundos de matrizes suínas suplementadas com arginina durante a gestação, isso indica que mais estudos devem ser realizados para compreender essa relação. O ganho de peso dos suínos pode ser influenciado pelo sexo (ADAMS, 2005), o que pode explicar a diferença observada entre machos e fêmeas, pois os hormônios sexuais alteram a taxa de crescimento dos animais.
 
Tabela 1 – Área, diâmetro e número total das fibras musculares do músculo Longissimus dorsi de suínos em terminação provenientes de matrizes suplementadas ou não com L-arginina durante a gestação
FIBRAS MUSCULARES DE SUÍNOS ORIUNDOS DE MATRIZES SUPLEMENTADAS COM ARGININA NA GESTAÇÃO. - Image 1
Trat=tratamento; Trat*Sexo=interação tratamento e sexo.
 
Conclusão
A suplementação da ração gestação de matrizes suínas com L-arginina não influencia a área, diâmetro e número de fibras no músculo Longissimus dorsi de sua progênie ao abate.
 
Agradecimentos
À Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de Minas Gerais (FAPEMIG) e à Ajinomoto.
 
Referências Bibliográficas
1. ADAMS, T. E.; 2005. Using gonadotropin-releasing hormone (GnRH) and GnRH analogs to modulate testis function and enhance the productivity of domestic animals. Animal Reproduction Science, 88(5): p127-139.
2. BÉRARD, J. & BEE, G.; 2010. Effects of dietary L-arginine supplementation to gilts during early gestation on foetal survival, growth and myofiber formation. Animal, 4:10, p1680–1687.
3. KIM, S. W.; WU, G.; 2009. Regulatory role for amino acids in mammary gland growth and milk synthesis. Amino Acids, 37(1): p89-95.
4. LEFAUCHEUR, L.; 2001. Myofiber typing and pig meat production. Slovenian Veterinary Research, (38):5-8.
5. REHFELDT C. & KUHN G.; 2006. Consequences of birth weight for postnatal growth performance and carcass quality in pigs as related to myogenesis. Journal of Animal Science. 84(Suppl):113–123.
6. REHFELDT, C., TUCHSCHERER, A., HARTUNG, M., & KUHN, G.; 2008. A second look at the influence of birth weight on carcass and meat quality in pigs. Meat Science, (78):170-175.
7. WU, G.; BAZER, F.W.; WALLACE, J.M.; et al.; 2006. Intrauterine growth retardation: implications for the animal sciences. Journal Animal Science, (84):2316-2337.
***O TRABALHO FOI ORIGINALMENTE APRESENTADO DURANTE O XVII CONGRESSO ABRAVES 2015- SUINOCULTURA EM TRANSFORMAÇÂO, ENTRE OS DIAS 20 e 23 DE OUTUBRO, EM CAMPINAS, SP.
 
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