EFICIÊNCIA DE UTILIZAÇÃO DO NITROGÊNIO POR SUÍNOS DOS 30 AOS 145 kg: ESTUDO META-ANALÍTICO.

Publicado: 30/03/2016
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Sumário

Foi realizado um estudo meta-analítico com o objetivo de estudar as diferenças na eficiência de utilização do nitrogênio para ganho de peso e deposição de proteína de suínos em crescimento e terminação de desempenhos regular e superior. Foram compilados 22 artigos que avaliaram ao todo 1.341 suínos em crescimento (30 aos 65 kg) e terminação (70 aos 145 kg). Os suínos foram agrupados de acordo com a eficiência alimentar calculada em desempenho regular (0,42, 0,30) e desempenho superior (0,45 e 0,39) nas fases de crescimento e terminação, respectivamente. Os suínos de desempenho superior foram mais eficientes na utilização do nitrogênio para ganho de peso e deposição de proteína em ambas as fases. Portanto, necessitam de menor ingestão de nitrogênio (g/dia) para cada quilograma de ganho de peso e cada grama de deposição de proteína. Estas diferenças de eficiência podem ser exploradas na formulação com redução do nível de proteína bruta, utilização do conceito de proteína ideal e adequado fornecimento de energia nas dietas.

 

Palavras-chave: excreção de nitrogênio; meta-análise; proteína ideal.

 

Introdução

Na suinocultura, as fases de crescimento e terminação representam 70% do rebanho, logo qualquer ajuste na alimentação pode trazer grande impacto econômico (HAUSCHILD, 2010). Atualmente tem se buscado trabalhar dentro do conceito de “nutrição de precisão” visando redução dos custos e excreção de elementos poluidores, manutenção ou melhoria das respostas zootécnicas e a qualidade do produto final. Para elaborar dietas e planos alimentares eficientes e ajustados à realidade biológica do animal é indispensável uma boa análise da composição nutricional dos ingredientes e também observar as características genéticas dos suínos.

 

As fontes proteicas utilizadas atualmente representam os componentes mais caros das rações para suínos; portanto, devem-se formular dietas para a máxima eficiência de utilização pelos animais, minimizando a excreção de nitrogênio (FERREIRA et al., 2005). Para tal, é importante reconhecer que mesmo nas linhagens atuais de suínos, selecionadas para alto potencial de deposição de carne magra, são encontradas diferenças fenotípicas, observadas através das respostas de desempenho. Rostagno et al. (2011) em suas tabelas, além de considerar a genética dos suínos, subagrupam os animais em desempenho regular, médio e superior baseado nas diferenças de desempenho observadas em um mesmo grupo genético. Isto porque, as diferenças na eficiência alimentar, na taxa de deposição de proteína corporal e no ganho de peso diário resultam em diferenças nas exigências nutricionais dos suínos. Sendo assim, este trabalho objetiva estudar, através da meta-análise, as diferenças na eficiencia de utilização do nitrogênio para ganho de peso e deposição de proteína de suínos em crescimento e terminação (30 aos 145 kg) de desempenhos regular e superior, observados no período de 2002 a 2012.

 

Materiais e Métodos

Os dados foram obtidos por meio da meta-análise e seguiu as proposições descritas na literatura (LOVATTO et al., 2007). Foram incluídos na base 22 artigos publicados em revistas nacionais e internacionais entre os anos de 2002 e 2012. Os trabalhos foram realizados no Brasil utilizando apenas suínos machos castrados de alto potencial para deposição de carne magra nas fases de crescimento e terminação. A fase de crescimento envolveu a análise de 662 suínos com pesos entre 30 e 65 kg avaliados em nove artigos, e a fase de terminação envolveu 679 suínos com pesos entre 70 e 145 kg avaliados em 13 artigos. Foram compiladas informações relativas à identificação do artigo, a composição nutricional das dietas e ao desempenho dos animais.

 

O agrupamento dos animais em desempenho regular e superior se deu em função da eficiencia alimentar calculada. Para a fase de crescimento as eficiências foram 0,42 e 0,45 e para a fase de terminação foram 0,30 e 0,39 para os desempenhos regular e superior, respectivamente. A eficiencia de utilização do nitrogênio para ganho de peso foi calculada pela relação de gramas de nitrogênio ingerida para cada quilograma de ganho de peso obtido e a eficiência de utilização do nitrogênio para deposição de proteína foi calculada pela relação de gramas de nitrogênio ingerida para cada grama de proteína depositada na carcaça. Após tabulados, os dados passaram por análise gráfica e de variância covariância para obtenção das equações de regressão. Todas as análises foram realizadas com o programa estatístico Minitab 15 (2007).

 

Resultados e Discussão

As dietas de crescimento apresentam diferenças no nível de proteína bruta entre os genótipos superior (16,19% PB) e regular (13,27% PB) e também na relação de gramas de PB por Mcal de EM ingerida (49,99±8,51; 41,43±5,95, respectivamente). Os animais do grupo de desempenho superior (dS) foram mais eficientes na utilização do nitrogênio para ganho de peso e deposição de proteína em relação aos animais com desempenho regular (dR) (Figura 1). As equações que descrevem a eficiência de utilização do nitrogênio para ganho de peso e deposição de proteína são: Ganho de peso - dS=27,26+0,1164 ConsPB, g/d-0,000071 ConsPB², g/d (R²=0,41) e dR=45,35- 0,03075 ConsPB, g/d+0,000205 ConsPB², g/d (R²=0,76) e; Deposição de proteína - dS=0,2193+0,000823 ConsPB, g/d; (R²=0,60); dR=0,1761+0,000995 ConsPB, g/d (R²=0,52).

 

Figura 1 - Eficiência de utilização do nitrogênio da dieta para ganho de peso e deposição de proteína para a fase de crescimento (30 aos 65 kg).

 

As dietas de terminação também apresentam diferenças no nível de proteína bruta entre os genótipos superior (15,42% PB) e regular (13,89% PB), e na relação de gramas de PB por Mcal de EM ingerida (47,89±4,61; 43,17±4,57, respectivamente). Os animais do grupo de desempenho superior também foram mais eficientes na utilização do nitrogênio para ganho de peso e deposição de proteína em relação aos animais do grupo de desempenho regular (Figura 2). As equações que descrevem a eficiência de utilização do nitrogênio para ganho de peso e deposição de proteína são: Ganho de peso - dS= 81,59-0,02331 ConsPB, g/d (R²=0,06) e dR= 22,69+0,1079 ConsPB, g/d (R²=0,67) e; Deposição de proteína - dS= -0,845+0,006725 ConsPB, g/d-0,000007 ConsPB², g/d (R²=0,08) e dR= 0,2746+0,003294 ConsPB, g/d-0,000002 ConsPB², g/d (R²=0,58).

 

Figura 2 - Eficiência de utilização do nitrogênio da dieta para ganho de peso e deposição de proteína para a fase de terminação (70 aos 115 kg).

 

Os animais agrupados como desempenho superior foram mais eficientes em utilizar o nitrogênio da dieta para o ganho de peso e deposição de proteína em ambas as fases. Portanto, necessitam de menor ingestão de nitrogênio (g/dia) para cada quilograma de ganho de peso e cada grama de deposição de proteína. O nitrogênio é representado na formulação nutricional pela PB, logo animais mais eficientes necessitam de menor inclusão de PB nas suas dietas para obterem os mesmos resultados, desde que haja a correta relação e nível de suplementação dos aminoácidos essenciais e que a energia não seja um fator limitante. A PB é considerada o nutriente mais oneroso de uma formulação, além disso, dietas com excesso de PB e/ou com desbalanço de aminoácidos levam a maior excreção de nitrogênio nos dejetos. O Nitrogênio, juntamente com o Fósforo são os principais nutrientes com potencial poluidor na produção de suínos (LOVATTO et al., 2005) e medidas mitigadoras de sua excreção vem sendo amplamente estudadas.

 

Conclusões

As diferenças na eficiência de utilização de nitrogênio para ganho de peso e deposição de proteína entre suínos em crescimento e terminação com diferentes desempenhos podem ser exploradas na formulação nutricional. O uso do conceito de proteína ideal com ajuste dos aminoácidos essenciais e fornecimento adequado de energia permite melhor explorar o potencial de crescimento dos suínos com diferentes desempenhos.

 

Referências Bibliográficas

1. HAUSCHILD, L. Modelagem individual e em tempo real das exigências nutricionais de suínos em crescimento. 2010. Tese. Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, Brasil.

2. LOVATTO, P. A.; HAUSCHILD, L.; HAUPTLI, L.; et al. 2005. Modelagem da Ingestão, Retenção e Excreção de Nitrogênio e Fósforo pela Suinocultura Brasileira. Revista Brasileira de Zootecnia, (34): 2348-2354.

3. LOVATTO, P.A.; LEHNEN, C. R.; ANDRETTA, I.; et al. 2007. Meta-análise em pesquisas científicas - enfoque em metodologias. Revista Brasileira de Zootecnia, (36): 285-294.

4. MINITAB. 2007. User?s guide meet minitab 15. Stat College. ROSTAGNO, H. S.; ALBINO, L. F. T.; DONZELE, J. L.; et al. 2011. Tabelas brasileiras para aves e suínos: composição de alimentos e exigências nutricionais. 3. ed. – Viçosa: UFV, 2011, 252p.

5. FERREIRA, R.A.; OLIVEIRA, R.F.M.; DONZELE, J.L.; et al., 2005. redução do nível de proteína bruta e suplementação de aminoácidos em rações para suínos machos castrados mantidos em ambiente termoneutro dos 30 aos 60 kg. Revista Brasileira de Zootecnia, (34): 548-556.

 

***O TRABALHO FOI ORIGINALMENTE APRESENTADO DURANTE O XVII CONGRESSO ABRAVES 2015- SUINOCULTURA EM TRANSFORMAÇÂO, ENTRE OS DIAS 20 e 23 DE OUTUBRO, EM CAMPINAS, SP.

 
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