EFICÁCIA DO USO DE UM COMPLEXO ENZIMÁTICO EM RAÇÕES DE LEITÕES DE CRECHE.

Publicado: 16/05/2016
Autor/s. : CAIO A. SILVA1*, DANIELLE B. SILVA1, CLEANDRO P. DIAS1, JUAN IGNÁCIO FERNANDES2, TERESA HECHAVARRIA2 1Centro de Ciências Agrárias – DZO/UEL – Londrina/PR– 2Andrès Pintaluba, S.A. - España43206 Reus, Tarragona
Sumário

O objetivo deste trabalho foi avaliar o uso de um complexo enzimático (CE) dietético (Amylofeed®) sobre o desempenho de leitões em fase de creche. Foram utilizados 60 animais (DanBred x PIC), 30 machos castrados e 30 fêmeas desmamados com 21 dias de idade e 6,900 kg ± 1,286 kg de peso vivo durante 42 dias (21 a 63 dias de idade). Os leitões foram submetidos a dois tratamentos: T1- controle (Dietas isentas do CE), e T2 – Teste (Dietas com a inclusão do CE); correspondendo à suplementação com 500 mg CE/kg, fornecendo no mínimo 138 ß-glucanase, 200 xilanase e 1550 α-amilase U/kg de ração. O delineamento foi em blocos ao acaso (baseado no peso inicial dos animais), com dois tratamentos e 10 repetições por tratamento, com três animais do mesmo sexo compondo a unidade experimental, representada pela baia. Os resultados revelaram que durante o período total de avaliação, os leitões do tratamento T2 apresentaram melhor (P<0,05) conversão alimentar (1,49 vs 1,69), não sendo verificadas diferenças para os demais parâmetros. Os resultados deste estudo apontam que a adição do CE em dietas a base de milho e farelo de soja melhora o desempenho zootécnico de leitões em fase de creche.

 

Palavras-chave: amilase; conversão alimentar; glucanase; xilanase.

 

Introdução

Ainda que comumente as primeiras rações para leitões na fase de creche sejam complexas e apresentem produtos de alta digestibilidade, há uma grande participação de ingredientes de origem vegetal, predominantemente milho e farelo de soja, que contêm componentes como os polissacarídeos não-amiláceos (PNAs) e oligossacarídeos, que interferem na digestão e absorção dos nutrientes dietéticos e da energia (DIERICK; DECUYPERE, 1994). Os valores de PNAs no milho são da ordem de 9,7 e 10,3%, sendo representados principalmente arabinoxilanos e celulose (DIERICK; DECUYPERE, 1994; BACHKNUDSEN, 1997; PARTRIDGE, 2001). Já no farelo de soja, os carboidratos participam em torno de 40%, sendo metade não-estrutural, incluindo açúcares de baixo peso molecular, oligossacarídeos (5 a 7%) e pequenas quantidades de amido. O restante é composto de polissacarídeos estruturais. (DIERICK; DECUYPERE, 1994; KARR-LILIENTHAL et al., 2005). Neste cenário, em que o estresse multifatorial inerente do pós-desmame é inevitável, com consequência negativas no consumo e no desempenho do leitão (SCANDOLERA et al., 2005), o uso de estratégias que proporcionem uma melhor e rápida adaptação a esta fase crítica é de extrema importância. Neste sentido, além de adequado manejo alimentar e sanitário, a suplementação de dietas com complexos enzimático, preservados resultados contraditórios decorrentes do nível de inclusão das enzimas, do perfil destas enzimas e do substrato disponível par sua ação, podem favorecer esta retomada através de uma melhor eficiência na utilização dos alimentos (TEIXEIRA et al., 2005; KERR;SHURSON, 2013).Com este trabalho objetivou-se avaliar o uso de um complexo enzimático (CE) (Amylofeed®) em rações de leitões em fase de creche à base de milho e farelo de soja sobre o desempenho zootécnico.

 

Material e Métodos

Foram utilizados 60 leitões híbridos (DanBred x PIC), 30 machos castrados e 30 fêmeas, com idade inicial de 21 dias e 6,900 kg ± 1,286 kg de peso vivo. Os leitões foram distribuídos em 20 baias com três leitões do memso sexo por baia. O delineamento experimental foi em blocos casualizados, definidos de acordo com o peso inicial dos animais, com dois tratamentos e 10 repetições por tratamento. Os animais receberam água e ração à vontade durante todo experimento,divididas em quatro fases (Pré-inicial I, II e Inicial I, II), totalizando 42 dias de avaliação.

 

Tabela 1- Composição das rações e valores energéticos e nutricionais calculados.

1Vitamina premix adicionado sob a dose de 2.5 kg/ton (0.25%) contendo os seguintes nutrientes ´por kg de ração: min. 1,250 UI de vitamina A (E-672); min. 375 UI de vitamina D3 (E-671); min. 3.75 UI de vitamina E (alfa-tocoferol); min. 0.338 mg de vitamina B1; 1 mg de vitamina B2; min. 0.5 mg de vitamina B6; min. 5 mcg de vitamina B12; min. 0.375 mg de vitamina K3; min. 2.325 mg de ácido pantotênico; min. 0.007 g de niacina; min. 0.15 mg de ácido folico; min. 0.02 mg de biotina. 2Mineral premix is adicionado sob a dose de 1.5 kg/Tm (0.15%) and contendo os seguintes nutrientes ´por kg de ração: min. 0.015 g de Zn; min. 0.002 g deCu; min. 0.015 g de Fe; min. 0.006 g de Mn; min. 0.225 mg de I; min. 0.15 mg de Co.

 

Os tratamentos correponderam à oferta de dietas à base de milho e farelo de soja isentas do CE (T1), e de dietas com a suplementação do CE (T2) (Tabela 1), que foi representada pelo uso de 500 mg de CE/kg, fornecendo no mínimo 138 ß-glucanase, 200 xilanase e 1550 α-amilase U/kg de ração (Amylofeed®). As rações não continham antibióticos ou qualquer promotor de crescimento. Foram avaliados a taxa de mortalidade, consumo diário de ração, ganho diário de peso e conversão alimentar em cada troca de ração e no período total do experimento. Os resultados de desempenho foram submetidos à análise de variância utilizando o programa estatístico SAS.

 

Resultados e Discussão

A taxa de mortalidade no experimento foi de 3%, sendo semelhantes entre os tratamentos (P>0,05). Para o desempenho (Tabela 2), considerando todo o período experimental (0- 42 dias), os leitões alimentados com a dieta T2 (CE) apresentaram melhor (P<0,05) conversão alimentar (-12%); 1,49 vs 1,69, respectivamente. Não foram observadas diferenças (P>0,05) para os demais parâmetros, no entanto, os leitões alimentados com rações contendo CE exibiram um maior peso no final (+ 4,6%) e também apresentaram maior ganho de peso médio diário (+ 5,7%). Os resultados obtidos estão de acordo com Teixeira et al. (2005), que observaram melhora no desempenho, excetuando a conversão alimentar, sendo os resultados proporcionais à inclusão da enzima nas rações; e com Jones et al. (2015), que encontraram efeitos do uso destas enzimas (enzimas de decomposição de PNA) sobre o desempenho de leitões em fase de creche, embora tenham observado efeitos positivos também sobre a conversão alimentar.

 

Tabela 2 - Desempenho zootécnico de leitões em fase de creche submetidos às dietas com e sem complexo enzimático (CE).

ab Letras distintas na mesma linha indicam diferença estatística (P<_0.05).

 

Conclusões

Os resultados permitem concluir que a adição do complexo enzimático (ß-glucanase, xilanase e amilase) em dietas à base de milho e farelo de soja melhora o desempenho de leitões em fase de creche, em especial a conversão alimentar.

 

Referências Bibliográficas

1. BACHKNUDSEN, K.E. Carbohydrate and lignin contents of plant materials used in animal feeding. Animal Feed Science and Technology, v.67, p.319 - 338, 1997.

2. DIERICK, N.A.; DECUYPERE, J.A. Enzymes and growth in pigs. In: Cole, D.J.A.; Wiseman, J.; Varley, M.A. (Eds).Principles of pig science. Nottingham: Nottingham University Press, 1994. p.169-195.

3. JONES, C. K.; FRANTZ, E. L.; BINGHAM, A. C.; BERGSTROM, J. R. De ROUCHEY, J. M.; PATIENCE, J. F. Effects of drought-affected corn and nonstarch polysaccharide enzyme inclusion on nursery pig growth performance. Journal of Animal. Science, 93, p. 1703–1709, 2015.

4. KARR-LILIENTHAL, L.K.; GRIESHOP, C.M.; SPEARS, J.K. et al. Amino acid, carbohydrate, and fat composition of soybean meals prepared at 55 commercial U.S. soybean processing plants. Journal of Agricultural and Food Chemistry, v.53, n.6, p.2146-2150, 2005b.

5. KERR, B. J.; SHURSON, G. C. Strategies to improve fiber utilization in swine. Journal of Animal Science and Biotechnology, p.4-11, 2013.

6. PARTRIDGE, G.G. Enzymes and biotechnology for the future. In: Varley, M.A.; Wiseman, J. (Eds.). The weaner pig: nutrition and management. Walingford: CABI Publishing, 2001b. p.124-151.

7. SCANDOLERA, A. J.; THOMAZ, M. C.; KRONKA, R. N. et al. Efeitos de fontes protéicas na dieta sobre a morfologia intestinal e o desenvolvimento pancreático de leitões recém desmamados. Revista Brasileira Zootecnia, v. 34, n. 6, p. 2355-2368, 2005.

8. TEIXEIRA, A. O.; LOPES, D.C.; FERREIRA, V.P.A. et al. Utilização de Enzimas Exógenas em Dietas com Diferentes Fontes e Níveis de Proteína para Leitões na Fase de Creche Revista Brasileira Zootecnia, v.34, n.3, p.900-906, 2005.

 

***O TRABALHO FOI ORIGINALMENTE APRESENTADO DURANTE O XVII CONGRESSO ABRAVES 2015- SUINOCULTURA EM TRANSFORMAÇÂO, ENTRE OS DIAS 20 e 23 DE OUTUBRO, EM CAMPINAS, SP.

 
Autor/s.
Possui graduação em Medicina Veterinária (1986) e mestrado em Ciências de Alimentos pela Universidade Estadual de Londrina (1993), doutorado em Zootecnia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2000) , Pós-doutorado pela Universidade Autônoma de Barcelona (2007) e Pós-doutorado pelo Institute National de la Recherche Agronomique - INRA, Toulouse, França (2011). Atualmente é professor Associdado da Universidade Estadual de Londrina. Tem experiência na área de Zootecnia, com ênfase na Nutrição e no Manejo de Suinos. É pesquisador em produtividade do CNPq desde 2009.
 
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