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EFICACIA DA ASSOCIAÇÃO ORAL DE TOLTRAZURILA E FERRO NA PREVENÇÃO DA COCCIDIOSE E ANEMIA EM LEITÕES

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Sumário

A eficácia da combinação oral da toltrazurila com ferro dextrano na manutenção do ganho de peso através da prevenção da coccidiose causada pelo Isosopora suis e da anemia ferropriva em leitões neonatos foi investigada em 3 granjas comerciais com histórico de coccidiose, sendo duas granjas no México e uma no Brasil. No segundo dia de vida os leitões foram pesados e randomizados por leitegada de acordo com o peso corporal e distribuídos no grupo tratado e no grupo controle. No terceiro dia de vida, cada leitão do grupo controle recebeu 1 mL do produto contendo 50 mg de toltrazurila por mL (Bayer S.A.) por via oral e 200 mg de ferro dextrano por leitão através de injeção intramuscular. Os leitões do grupo tratado receberam, por via oral, 1 mL do produto contendo a combinação de toltrazurila (50 mg/mL) e ferro dextrano (228 mg de ferro ativo/leitão). Todos os leitões tiveram acesso à suplementação alimentar. Completaram o estudo 6.493 leitões. Comparou-se o peso ao desmame (21 dias) entre os leitões dos dois grupos experimentais, sendo a média final encontrada de 5,85 Kg no grupo tratado (combinação oral) e 5,90 Kg no grupo controle (toltrazurila oral + ferro injetável). Não houve diferença estatística no peso dos leitões ao desmame. Os níveis de hemoglobina aos 21 dias de vida estavam acima dos níveis mínimos necessários para manutenção da saúde do animal. Este estudo de campo de larga escala demonstrou claramente a eficácia da combinação oral da toltrazurila e ferro na manutenção do ganho de peso ao desmame, quando comparada ao tratamento convencional. A combinação oral foi efetiva na prevenção da coccidiose e da anemia ferropriva, tornando-se assim uma alternativa eficaz no combate destes importantes desafíos da maternidade, com redução dos manejos estressantes em leitões neonatos.

 

Palavras-chave: Isospora suis; ferropriva; suínos; hemoglobina; diarreia.

 

Introdução

A coccidiose em leitões é causada pelo protozoário da espécie Isospora suis (Mundt, 2005), um dos parasitas mais prevalentes na produção intensiva de suínos, o qual pode causar perdas econômicas significativas devido à diarreia nos leitões jovens e consequente redução no ganho de peso e baixo desempenho (Stuart et al, 1982). O controle da coccidiose é realizado através da administração preventiva de toltrazurila entre o terceiro e quinto dia de vida, para evitar a multiplicação do protozoário nas microvilosidades do intestino delgado e consequentemente a necrose e atrofia destas estruturas (Mundt et al, 2007). Apesar de os leitões nascerem com uma pequena reserva de ferro (Venn et al, 1947) os requerimentos necessários para o seu rápido desenvolvimento esgotam suas reservas em torno de 10 dias de vida, uma vez que o suplemento de ferro oriundo do leite da porca é de apenas 1 mg por dia, sendo a necessidade de 7 mg por dia (McDonald et al, 1988). A falta de ferro irá resultar em anemia ferropriva, sendo a palidez o sinal mais evidente e pode ainda levar à queda no consumo e no ganho de peso. O valor de referência para hemoglobina em suínos adultos é de 9 – 13 g/dL e em leitões considera-se que níveis de hemoglobina abaixo de 8 g/dL indicam anemia, e o valor de 6 g/dL é considerado anemia severa (Kegley et al 2002). A prevenção tradicional da anemia é realizada através da suplementação com ferro pela administração injetável de ferro dextrano aos leitões nos primeiros dias de vida (Lipinski, 2010). Assim, o manejo tradicional para prevenção da anemia e coccidiose, envolve duas intervenções distintas, a administração oral de toltrazurila e a injeção intramuscular de ferro. É sabido que a injeção intramuscular pode estar associada com a transferência de agentes infecciosos, através de agulhas contaminadas, além de ser um procesorelativamente trabalhoso e causador de alto grau de estresse para o leitão. O objetivo do estudo foi trazer uma alternativa para o controle simultâneo e eficaz da coccidiose e da anemia ferropriva através de uma combinação oral de toltrazurila e ferro dextrano, o que irá tornar o manejo menos invasivo e reduzir o número de intervenções, favorecendo o bem-estar animal e a otimização da mão-de-obra nas granjas.

 

Material e Métodos

Foram utilizados 6.493 letões recém-nascidos, de ambos os sexos, provenientes de 3 granjas comerciais com histórico de coccidiose, sendo 2 localizadas no México e uma no Brasil. O estudo foi conduzido entre setembro e dezembro de 2014. Em todas as granjas os leitões tiveram acesso à suplementação alimentar conforme o manejo padrão de cada uma destas. Todos os leitões dentro de cada leitegada foram pesados no segundo dia de vida e ao desmame (21 dias de vida). Os leitões foram randomizados de acordo com o peso corporal em dois grupos experimentais, denominados Tratado e Controle. Foram incluídos animais saudáveis, com peso acima de 900 gramas no segundo dia de vida. Foi um estudo controlado, randomizado, cego e monitorado por uma organização de pesquisa independente. Os tratamentos foram realizados no terceiro dia de vida, onde, cada leitão do grupo controle recebeu 1 mL do produto contendo 50 mg de toltrazurila por mL (Bayer S.A.) por via oral e 200 mg de ferro dextrano por leitão através de injeção intramuscular. Os leitões do grupo tratado receberam, por via oral, 1 mL do produto contendo a combinação de toltrazurila (50 mg/mL) e ferro dextrano (228 mg de ferro ativo/leitão). Foram coletadas amostras de fezes de 10% das leitegadas no 14° dia de vida, as quais foram submetidas à pesquisa de oocistos. Para a coleta de sangue foram selecionados 2 leitões de cada leitegada, os quais representavam o peso médio da leitegada no dia da inclusão, sendo um do grupo tratado e um do grupo controle. As coletas de sangue foram realizadas no 3° dia de vida (antes de tratamento) e no dia do desmame (dia 21) para avaliação de hemoglobina. A avaliação estatística dos resultados atendeu o critério de não inferioridade, onde o peso esperado ao desmame foi de 6,35 ± 1,29 Kg, com uma margem de não inferioridade pré-definida de 0,12 Kg.

 

Resultados e Discussão

Avaliou-se a média do peso ao desmame (21 dias) entre os leitões dos dois grupos experimentais, sendo a média final encontrada de 5,85 Kg no grupo tratado (combinação oral de toltrazurila + ferro dextrano) e 5,90 Kg no grupo controle (toltrazurila oral + ferro injetável). Não houve diferença estatística do peso dos leitões ao desmame. Comprovou-se a não inferioridade do produto oral combinado quando comparado ao tratamento convencional (Tabela 1 e Tabela 2).

 

Tabela 1 – Média do peso corporal dos leitões no segundo dia de vida (dia da inclusão), por grupo e por granja (Kg).

n: número; SD: desvio padrão

 

Tabela 2 – Média do peso corporal dos leitões ao desmame (21 dias), por grupo e por granja (Kg).

a: inclui apenas leitões com dados completos incluídos na análise; n: número; SD: desvio padrão

 

Avaliou-se a média dos níveis de hemoglobina ao desmame (21 dias) entre os leitões dos dois grupos experimentais, sendo a média final de 9,55 g/dL no grupo tratado (combinação oral de toltrazurila + ferro dextrano) e de 10,48 g/dL no grupo controle (toltrazurila oral + ferro injetável). Não houve diferença estatística no nível de hemoglobina sérica dos leitões ao desmame. Comprovou-se assim a eficácia desta formulação oral na prevenção da anemia ferropriva (Tabela 3).

 

Tabela 3 – Nível médio de hemoglobina ao desmame (21 dias), por grupo e por granja (g/dL).

a: inclui apenas leitões com dados completos incluídos na análise; n: número; SD: desvio padrão

 

Conclusões

Os resultados gerados com este estudo multicêntrico de larga escala demostraram claramente a eficácia e a confirmação de não inferioridade da combinação oral de toltrazurila + ferro na manutenção do ganho de peso dos leitões ao desmame, quando comparada ao tratamento convencional de toltrazurila oral e ferro injetável. A combinação oral foi eficaz na prevenção da coccidiose e da anemia ferropriva em leitões jovens. A formulação oral deste produto combinado se mostrou uma alternativa prática que favorece a redução da mão-de-obra e do manejo estressante dos leitões na primeira semana de vida, elevando o bem-estar animal, sendo capaz de combater efetivamente estes importantes desafios da maternidade suína: a coccidiose e a anemia por deficiencia de ferro.

 

Solicitação para envio das referências bibliográficas: eliana.dantas@bayer.com

 

***O TRABALHO FOI ORIGINALMENTE APRESENTADO DURANTE O XVII CONGRESSO ABRAVES 2015- SUINOCULTURA EM TRANSFORMAÇÂO, ENTRE OS DIAS 20 e 23 DE OUTUBRO, EM CAMPINAS, SP.

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