EFEITO DO PLASMA SANGUÍNEO NA DIETA DE LEITÕES DESMAMADOS AOS 21 DIAS DE IDADE E DESAFIADOS ORALMENTE POR Escherichia Coli (K88) SOB A EXCREÇÃO DE Escherichia coli NAS FEZES E HISTOMORFOMETRIA INTESTINAL

Publicado: 30/06/2016
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Sumário

Objetivando-se avaliar o nível de inclusão do plasma sanguíneo na dieta de leitões desmamados aos 21 dias de idade e desafiados oralmente por Escherichia coli K88 sob a excreção de Escherichia coli nas fezes e histomorfometria intestinal, foram utilizados 64 leitões com peso médio inicial de 5,85 kg ± 0,01 DP em delineamento inteiramente casualizado com quatro tratamentos, quatro repetições e quatro animais por unidade experimental, sendo dois machos e duas fêmeas. Os animais foram inoculados oralmente com Escherichia coli K88 (perfil K88+, F18+, LT+, STb+ e STa+ (VTe negativa)) nos dias zero (D0), dois (D2) e quatro (D4), em cada um dos dias foi administrado três ml/ animal do inoculo que possuía a concentração de 1 X 1010 unidades formadoras de colônia - UFC/ml. As dietas experimentais consistiam da inclusão de plasma sanguíneo em pó nos níveis de 0,0, 3,0, 6,0 e 9,0% do desmame aos 35 dias de idade e 0,0, 1,5, 3,0 e 4,5% de plasma dos 35 aos 49 dias de idade constituindo planos nutricionais. A análise de excreção de Escherichia coli nas fezes foi realizada pela contagem de unidades formadoras de colônia por grama de fezes no sétimo dia pós desmama, e a analise de histomorfometria intestinal aos 49 dias de idade no final do período experimental. A probabilidade considerada para evidenciar diferença estatística entre as variáveis estudadas foi de 95% (p>0,05) por teste de regressão polinomial simples e teste de médias através do pacote computacional SAS. A contagem de UFC de E. coli/g de fezes apresentou redução de forma linear com o aumento da inclusão de plasma sanguíneo em pó na dieta. Não houve diferença entre os tratamentos para a altura de vilosidade, profundidade de cripta e relação entre a altura de vilosidade e profundidade de cripta. O plasma sanguíneo em pó mostrou-se efetivo sob a redução na excreção de E. coli nas fezes no período de creche.

 

Palavras-chave: plasma sanguíneo; nutrição; Escherichia coli.

 

Introdução

Tem-se constatado que as diarreias em leitões ocorrem com maior intensidade na primeira semana pós desmame e estão associadas com a proliferação de E. coli Enterotoxigênica (ETEC) e com toxinas produzidas por estas bactérias (Van Dijk et al., 2002). A Escherichia coli pode se aderir e lesionar a mucosa intestinal, dificultando desta forma a absorção de uma grande quantidade de moléculas como o resultado de uma função de barreira intestinal comprometida (Nyachoti et al., 2012). O plasma sanguíneo em pó conservava as propriedades antigênicas, consequentemente podendo atuar em nível de lúmen intestinal prevenindo adesão de Escherichia coli ao enterócito (Owusu-Asiedu et al. 2002). Este efeito protetor contra a adesão de E. coli proporcionado pelo plasma sanguíneo em pó previne a colonização à parede intestinal (Torrallardona et al. 2010). Desta forma o plasma apresenta potencial mecanismo de aumentar a performance e reduzir a severidade de desafíos entéricos quando administrados a dieta (Borg et al. 2002). Objetivou-se com esse trabalho avaliar diferentes sequências e planos nutricionais com base na inclusão de plasma sanguíneo nas dietas de leitões desmamados aos 21 dias de idade e desafiados por E. coli K88 sobre o parâmetro de excreção de Escherichia coli nas fezes e histomorfometria intestinal.

 

Material e Métodos

O experimento foi conduzido na Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais, campus de Belo Horizonte, no Departamento de Cirurgia e Clínica Veterinária. Os animais foram alojados em instalações experimentais munidas de baias de ferro com dimensões de 1,40 x 1,40 x 1 m, equipadas com cocho do tipo semi-automático e bebedouro do tipo chupeta. Foram utilizados 64 leitões de linhagem comercial desmamados aos 21 dias de idade e com peso médio inicial de 5,85 ± 0,01 kg. No período do desmame aos 35 dias de idade os tratamentos foram definidos conforme a inclusão de plasma sanguíneo em pó na dieta, totalizando 4 tratamentos, com as inclusões de 0,0, 3,0, 6,0 e 9,0% de plasma sanguíneo em pó. Dos 35 aos 49 dias de idade as inclusões de plasma sanguíneo nas dietas foram reduzidas pela metade, passando a ter as inclusões de 0,0, 1,5, 3,0 e 4,5% de plasma sanguíneo em pó na dieta constituindo-se por diferentes planos nutricionais. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado com 4 tratamentos, 4 repetições e 4 animais por unidade experimental, sendo dois machos e duas fêmeas. Os animais receberam água e ração á vontade durante todo período experimental. Os animais foram inoculados oralmente com Escherichia coli K88 (perfil K88+, F18+, LT+, STb+ e STa+ (VTe negativa)) nos dias zero (D0), dois (D2) e 4 (D4), em cada um dos dias foram administrados três ml/ animal do inoculo que possuía a concentração de 1 X 1010 UFC/ml. Para a contagem de Escherichia coli nas fezes foi utilizado o método de análise Miles-Mirsa descrito por Quenn et al.(1994) no sétimo dia de alojamento, 28 dias de idade e 72 horas após a ultima inoculação ter sido realizada. As coletas de fezes foram feitas por estimulação retal para a defecação em dois animais por unidade experimental, sendo um macho e uma fêmea. Aos 49 dias de idade, 32 animais, sendo dois por unidade experimental (um macho e uma fêmea), foram abatidos para a análise de altura de vilosidade e profundidade de cripta do jejuno. Para as análises estatísticas utilizou-se o pacote computacional SAS.

 

Resultados e Discussão

Aos 28 dias de idade houve redução na quantidade de unidades formadoras de colônia (UFC) de Escherichia coli/ grama de fezes de forma linear em função do aumento dos níveis de plasma sanguíneo na dieta (tabela 1). Não foi realizada a análise estatística da contagem de UFC/grama de fezes aos 21 dias, no momento do alojamento, pois esta resposta foi caracterizada como variável em que não pôde ser controlada a nível experimental, já que o critério para a distribuição dos animais no momento do alojamento foi relativo ao peso dos animais.

 

Tabela 1 - Contagem em unidades formadoras de colônia por grama de fezes (UFC/g) de Escherichia coli no alojamento (C21D) e aos 28 dias de idade (C28D).

Efeito Linear (p < 0,004): y = -427375x + 4E+06

 

Os resultados de altura de vilosidade (AV), profundidade de cripta (PC) e relação altura de vilosidade/ profundidade de cripta (AV/PC) do jejuno aos 49 dias de idade estão demonstradas na tabela 2. Nenhuma destas variáveis foram influenciados por nenhum dos planos nutricionais estudados.

 

Tabela 2 - Altura de vilosidade (AV), profundidade de cripta (PC) e relação altura de vilosidade/ profundidade de cripta (AV/PC) do jejuno aos 49 dias de idade.

Médias seguidas de letras distintas na linha diferem entre si pelo teste SNK (p≤0,05).

 

Conclusões

O plasma sanguíneo em pó reduziu de forma linear a contagem de Escherichia coli nas fezes conforme o aumento da inclusão do mesmo aos 28 dias de idade. Os planos nutricionais com base na inclusão de plasma sanguíneo em pó não apresentou efeito sob a altura de vilosidade, profundidade de cripta e relação altura de vilosidade sob profundidade de cripta aos 49 dias de idade.

 

Referências Bibliográficas

1. BORG, B. S.; CAMPBELL, J. M.; POLO, J.; RUSSELL, L. E.; RODRIGUEZ, C.; RÓDENAS, J., 2002. Evaluation of the chemical and biological characteristics of spray-dried plasma protein collected from various locations around the world. American Association of Swine Veterinarians, 97 – 100.

2. NYACHOTI, C. M.; KIARIE, E.; BHANDARI, S. K.; ZHANG AND, G.; KRAUSE, D. O., 2012. Weaned pig responses to Escherichia coli K88 oral challenge when receiving a lysozyme supplement. Journal of Animal Science, (90): 252 – 260.

3. OWUSU-ASIEDU, A.; BAIDOO, S. K.; NYACHOTI, C. M.; MARQUARDT, R. R., 2002. Response of early-weaned pigs to spray-dried porcine or animal plasma-based diets supplemented with egg-yolk antibodies against enterotoxigenic Escherichia coli. Journal of Animal Science, (80): 2895 – 2903.

4. QUENN, P. J.; CARTER, M. E.; MARKEY, B.; CARTER, G. R., 1995. Clinical Veterinary Microbiology. Tottenhan: Copyright, 648P.

5. TORRALLARDONA, D., 2010. Spray dried animal plasma as an alternative to antibiotics in weanling pigs - a review. Asian-Australian. Journal of Animal Science, (23): 131 – 148.

6. VAN DIJK, A. J.; ENTHOVEN, P. M. M.; VAN DEN HOVEN, S. G. C.; VAN LAARHOVEN, M. M. M. H.; NIEWOLD, T. A.; NABUURS, M. J. A.; BEYNEN, A. C., 2002. The effect of dietary spray-dried porcine plasma on clinical response in weaned piglets challenged with a pathogenic Escherichia coli. Veterinary Microbiology, (84): 207 -218.

 

***O TRABALHO FOI ORIGINALMENTE APRESENTADO DURANTE O XVII CONGRESSO ABRAVES 2015- SUINOCULTURA EM TRANSFORMAÇÂO, ENTRE OS DIAS 20 e 23 DE OUTUBRO, EM CAMPINAS, SP.

 
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