DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DOS CASOS DE H1N1 NO ESTADO DE SÃO PAULO ASSOCIADA À PRODUÇÃO DE SUÍNO EM 2009

Publicado: 10/10/2016
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Sumário

A influenza suína (H1N1) ou Gripe Suína é uma doença respiratória aguda altamente contagiosa, com morbidade alta e mortalidade baixa. Os suínos são importantes hospedeiros do virus Influenza H1N1 (swine-like Influenza A) e susceptíveis às infecções por vírus influenza de origen aviária e humana. Estes animais possuem importante papel na transmissão viral entre espécies e na epidemiologia da influenza humana, pois pode abrigar um vírus que sofre recombinação genética e por consequência mutação que pode ficar ou não mais virulento. O estudo foi feito mostrando o número de casos de influenza H1N1 em humanos por meio da distribuição espacial para demonstrar os locais onde houve mais casos. Os dados referentes ao ano de 2009, do Estado de São Paulo, foram retirados do DATASUS, com objetivo de analisar e identificar as áreas de risco, e comparar com os dados de produção de cabeças de suínos no Estado de São Paulo. Além disso, foi feita outra comparação com o Estado de Santa Catarina, onde a produção de suínos é quatro vezes maior. Por fim, os dados demonstraram que apesar do suíno ser um multiplicador do vírus influenza e ser considerado um reservatório, a aglomeração populacional pode ter uma maior influência na transmissão da doença entre os humanos.

 

Palavras-chaves: suínos, vírus influenza, zoonose.

 

Introdução

A influenza ou gripe é uma doença viral zoonótica que representa uma ameaça à economia e à saúde dos humanos e animais (BROWN, 2000). São vírus pertencentes à familia Orthomyxoviridae que contém cinco gêneros: influenza vírus A, B e C, Togotovírus e Isavírus. Destes, apenas os vírus influenza A são zoonóticos e possui duas proteínas de superfície: a hemaglutinina (HA) ou a neuroaminidase (NA), que são os maiores alvos da resposta imune do hospedeiro (FLORES, 2007). Por ser um vírus RNA, tem predisposição às mutações denominadas ?antigenic drift?, que são mudanças menores na HA ou NA e ?antigenic shift? mudanças maiores (VINCENT et al., 2009). Os suínos são suscetíveis e permitem a replicação dos vírus influenza de origem humana e aviária, sendo importantes hospedeiros do vírus Influenza H1N1 (swine-like Influenza A) (SALOMON; WEBSTER, 2009). Os vírus são geralmente espécie-específicos, porém há a possibilidade de transmissão entre espécies (WEBSTER et al., 1992). Embora considerada endémica nos suínos e humanos, as epidemias de Influenza aparecem quando atingem uma população imunologicamente indefesa ou quando há uma confluência de vários fatores, como problemas sanitários nas criações, frio, infecções bacterianas secundárias ou infecções virais (BROWN, 2000).

 

Após a emergência do vírus H1N1, a pesquisa, o diagnóstico e o controle da influenza tornaram-se essenciais para a saúde dos rebanhos suínos no Brasil. Desta maneira, o objetivo deste trabalho foi analisar a distribuição espacial dos casos de gripe suína no estado de São Paulo e Santa Catarina em 2009 associados aos cuidados que devem ser tomados com a saúde dos trabalhadores que estão ligados com a produção suinícola e a importância da biosseguridade nestes locais.

 

Material e Métodos

Os dados de 2009, do Estado de São Paulo, foram retirados do DATASUS e tabulados no programa Excel 2007. Logo após analisados, e identificadas as possíveis áreas de risco utilizando o software MapInfo Professional 7.0, e comparados com os dados de produção de cabeças de suínos nos estados de São Paulo e Santa Catarina, segundo dados IBGE no ano de 2009.

 

Resultados e Discussão

O uso do geoprocessamento permitiu identificar a área, onde o maior número de pessoas foram infectadas com o vírus influenza A (H1N1) no Estado de São Paulo e Santa Catarina. Os resultados demonstraram que apesar do Estado de Santa Catarina produzir maior quantidade de suínos, animal susceptível, que permite a replicação do vírus, os casos de influenza em humanos foram menores que no Estado de São Paulo, totalizando 5.024 casos. O Estado de São Paulo teve 22.102 casos de influenza em humanos (Figura 1), e menor produção de cabeças de suínos. Na cidade de São Paulo e Campinas no estado de São Paulo, onde existe grande concentração populacional, houve maior número de casos de influenza. Estes dados foram relacionados com o total de cabeças de suínos que o estado de São Paulo produziu em 2009, que foi 1.639.292, segundo as Unidades de Federação (IBGE, 2009) classificado em oitavo lugar como estado produtor em 2009. Já o estado de Santa Catarina produziu um total de 7.988.663 cabeças de suínos classificado em primeiro lugar com a maior produção. Howden et al (2009) relataram que a infecção do rebanho suíno foi associada à recém contratação de um funcionário infectado com influenza, reconhecendo que os trabalhadores da suinocultura têm chances aumentadas no risco de contraírem o vírus Influenza e são fontes na transmissão do vírus para os suínos, mostrando que todo cuidado é necessário dentro do sistema de produção de suínos.

 

Conclusões 

As técnicas de geoprocessamento podem ser usadas para localizar geograficamente a presença da doença e com isso permitir uma vigilância epidemiológica na área da saúde pública para evitar os fatores de riscos como os locais onde estão os sistemas de produção de suínos, sendo importante para a adoção de medidas de prevenção e controle da doença. Mesmo o suíno sendo a espécie sujeita a rearranjos genéticos, houve mais casos de influenza nos locais onde existe uma aglomeração de humanos. A biosseguridade de alto padrão nas granjas e um cuidado com a saúde dos trabalhadores dos sistemas de produção de suínos devem ser tomadas para evitar a propagação do vírus entre populações humanas e animais.

 

Figura 1. Mapa do estado de São Paulo demonstrando os municípios onde houve mais casos de Influenza suína em 2009 associado ao tamanho da população de cada município.

 

Referências Bibliográficas

1. BROWN I.H. 2000. The epidemiology and evolution of influenza viruses in pigs. Vet. Microbiol. 74:29-46.

2. FLORES, E. F. 2007. In: _____. Virologia Veterinária. Santa Maria: UFMS, p. 565-591.

3. GARTEN, R.J.; DAVIS, C.T.; RUSSELL, C.A., et al. 2009. Antigenic and genetic characteristics of swine-origin 2009 A(H1N1) influenza viruses circulating in humans. Science. (325): 197-201.

4. HOWDEN, K. J. et al. 2009. An investigation into human pandemic influenza virus (H1N1) 2009 on an Alberta swine farm. Canadian Veterinary Journal, (50): 1153-1161.

5. SALOMON, R.; WEBSTER, R. G. 2009. The influenza virus enigma. Cell, v.136, (3): 402-410.

6. VINCENT A.L., LAGER K.M., HARLAND M., LORUSSO A., ZANELLA E., CIACCI-ZANELLA J.R., KEHRLI M.E.; KLIMOV A. 2009. Absence of 2009 pandemic H1N1 influenza A virus in fresh pork. PLoS One, 4, e8367.

7. WEBSTER, R.G.; BEAN, W.J.; GORMAN, O.T.; CHAMBERS, T.M.; KAWAOKA, Y. (1992). Evolution and ecology of infuenza A viruses. Microbiology Reviews. (56): 152-179.

 

***O TRABALHO FOI ORIGINALMENTE APRESENTADO DURANTE O XVII CONGRESSO ABRAVES 2015- SUINOCULTURA EM TRANSFORMAÇÂO, ENTRE OS DIAS 20 e 23 DE OUTUBRO, EM CAMPINAS, SP.

 
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