DESEMPENHO DE SUÍNOS MACHOS CASTRADOS ALIMENTADOS COM CANA-DE-AÇÚCAR NA FASE DE TERMINAÇÃO TARDIA

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Sumário

O experimento foi conduzido com o objetivo de avaliar os efeitos da utilização da cana-deaçúcar em substituição parcial do milho da ração sobre o desempenho de suínos machos castrados na fase de terminação tardia. Foram utilizados 36 suínos machos castrados, híbridos comerciais (AGPIC 337 x CAMBOROUGH 23), com peso inicial médio de 103,86 kg. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados, sendo utilizados três blocos conforme o peso inicial dos animais, com três tratamentos, seis repetições e dois animais por unidade experimental (baia). Os tratamentos foram compostos por três rações, sendo: Tratamento 1 - ração controle (basal); Tratamento 2 - ração basal, com substituição de 30 % do milho pela cana-de-açúcar e Tratamento 3 - ração basal, com substituição de 30 % do milho pela cana-de-açúcar e com os nutrientes corrigidos, exceto a energia. Os suínos que consumiram as rações com cana-de-açúcar em substituição parcial ao milho consumiram mais ração e apresentaram pior conversão alimentar, quando comparados aos animais que receberam a ração controle. Porém, não houve diferença quanto ao ganho de peso observado. De acordo com os resultados obtidos, não se recomenda a inclusão de cana-de-açúcar na ração de suínos em terminação tardia, pois os animais apresentaram pior conversão alimentar e maior consumo de ração.

 

Palavras-chave: alimentação, alimento alternativo, cevado, engorda.

 

Introdução

A suinocultura brasileira ocupa lugar de destaque no cenário mundial da carne suína, principalmente em função dos problemas sanitários ocorridos nos últimos anos nos principais países produtores e exportadores de suínos. No Brasil, a cadeia produtiva da carne suína tem experimentado uma sólida expansão devido ao aumento da renda interna, do crescimento demográfico e das exportações. Contudo, a pressão dos custos de produção é constante e desafiadora. A busca por alimentos alternativos, sobretudo para as fases de crescimento e terminação, que não afetem os índices zootécnicos e a custos exequíveis para a atividade deve ser uma preocupação diária (NERY et al., 2010). Nas condições brasileiras, a fração energética das rações para animais não ruminantes tem como base o milho grão e a demanda nacional por esse insumo para a alimentação animal tem sido  superior à produção verificada nos últimos anos, fazendo com que a inclusão de outros ingredientes alternativos seja uma prática rotineira por parte de alguns suinocultores. A cana-de-açúcar tem elevado potencial para utilização como fonte energética na nutrição animal, visto que possui elevada produção de matéria seca por unidade de área, é uma cultura de fácil implantação e manejo, tem ciclo perene, tem boa palatabilidade e custo de produção relativamente baixo, quando comparado a outras culturas forrageiras. Assim, objetivou-se com este trabalho avaliar o efeito da utilização da cana-de-açúcar integral em substituição parcial ao milho da ração sobre o desempenho de suínos em fase de terminação tardia.

 

Material e Métodos

O experimento foi conduzido na granja suinícola do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Norte de Minas Gerais/IFNMG Campus Salinas, em galpão do tipo aberto, com baias convencionais de alvenaria, dimensões de 2,5 x 5,5 m cada, paredes de 1,0 m de altura, comedouro de alvenaria com divisórias de vergalhão, piso com inclinação de 3 %, bebedouros do tipo chupeta (em número de dois por baia), localizados na porção final da baia. O galpão possuía um corredor central e tinha uma largura total de 15 m; o pé-direito do galpão era de 4,5 m, com cobertura de telha de barro branco e drenagem em duas águas. Foram utilizados 36 suínos machos castrados, híbridos comerciais (AGPIC 337 x CAMBOROUGH 23), com peso inicial médio de 103,86 ? 6,47 kg. Os animais foram blocados por peso e distribuídos em 18 baias, das quais seis faziam parte do Bloco 1 (contendo os 12 animais mais pesados), seis pertenciam ao Bloco 2 (contendo os 12 animais de peso intermediário) e as outras seis compreendiam o Bloco 3 (contendo os 12 animais mais leves). As rações experimentais foram preparadas na fábrica de rações do IFNMG/Campus Salinas. Os tratamentos foram compostos por três rações, formuladas para atender às exigências nutricionais mínimas conforme recomendações de Rostagno et al. (2005). A ração-controle (T1) foi formulada à base de milho e farelo de soja e suplementada com minerais, vitaminas e aminoácidos. As outras rações correspondentes aos demais tratamentos experimentais (T2 e T3) caracterizavam-se pela inclusão de cana-de-açúcar na ração, em substituição parcial ao milho, sendo: T1 – ração-controle (basal); T2 – ração-controle, com substituição de 30 % do milho pela cana-de-açúcar; T3 – raçãocontrole, com substituição de 30 % do milho pela cana-de-açúcar e com os nutrientes corrigidos, exceto a energia. O arraçoamento foi feito à vontade durante todo o período, sendo as rações fornecidas diariamente às 8:00 e às 16:00 horas. Todos os dias, antes do 1º trato, as sobras eran retiradas e pesadas para cálculo do consumo de ração de cada baia; posteriormente, o fornecimento era calculado projetando-se uma sobra de 20 % para cada baia nas 24 horas seguintes. As variáveis de desempenho analisadas foram ganho de peso diário (GPD), consumo de ração diário (CRD) e conversão alimentar (CA). O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados, sendo utilizados três blocos conforme o peso inicial dos animais, com três tratamentos e seis repetições, sendo cada baia uma unidade experimental constituída por dois animais. Os resultados foram submetidos à análise de variância, utilizando-se o programa computacional SISVAR (Sistemas para análise de variância para dados balanceados), segundo Ferreira (2000). Os tratamentos foram comparados pelo Teste Scott-Knott a 5% de probabilidade.

 

Resultados e Discussão

Os resultados de ganho de peso, consumo de ração e conversão alimentar encontram-se na Tabela 1. Não houve influência (P>0,05) da inclusão de cana-de-açúcar na ração sobre o GPD. Resultados semelhantes foram obtidos por Ferreira et al. (2005) ao trabalharem com inclusão de cana-de-açúcar para suínos em crescimento e terminação. Entretanto, Saraiva et al. (2006), ao trabalharem com o fornecimento de cana-de-açúcar triturada à ração de machos castrados em terminação, observaram maior GPD quando a cana-de-açúcar foi adicionada em 30% substituindo o milho da ração. O fornecimento de rações com cana-de-açúcar influenciou (P<0,01) o CRD, o qual foi menor nos animais que receberam a ração controle, quando comparados aos que receberam as rações com cana-de-açúcar.

 

Tabela 1. Ganho de peso diário (GPD), consumo de ração diário (CRD) e conversão alimentar (CA) de suínos em terminação tardia alimentados com rações com cana-de-açúcar em substituição ao milho.

Médias seguidas pela mesma letra nas linhas não diferem estatisticamente entre si pelo teste Scott-Knott (P>0,05).
T1 - ração basal; T2 - ração basal, com substituição de 30 % do milho pela cana-de-açúcar; T3 - ração basal, com substituição de 30 % do milho pela cana-de-açúcar e com os nutrientes corrigidos, exceto a energia. CV: Coeficiente de variação.

 

Esses resultados estão de acordo com Saraiva et al. (2006), que ao avaliarem o fornecimento de cana-de-açúcar triturada à ração de machos castrados em terminação, verificaram aumento no CRD quando os animais foram alimentados com cana-de-açúcar. Todavia, resultados diferentes foram obtidos por Ferreira et al. (2005), num experimento em que as rações para suínos em crescimento e terminação contendo cana-de-açúcar não influenciaram o consumo de ração. O maior CRD dos animais que receberam as rações com cana-de-açúcar quando comparados aos que receberam a ração controle pode ser atribuído à regulação do consumo pelo nível de energia da ração (CUNNINGHAM, 2004). O fornecimento de rações com cana-de-açúcar influenciou (P<0,05) a CA dos animais, pois os animais que receberam ração controle apresentaram melhor CA em relação aos demais tratamentos com cana-de-açúcar. Isso pode ser explicado pelo CRD constatado, visto que este índice influí diretamente na determinação da CA. Estes resultados diferem dos encontrados por Saraiva et al. (2006), os quais relataram que a CA não foi influenciada por rações contendo cana-de-açúcar na alimentação de cevados dos 60 aos 100 kg de peso vivo.

 

Conclusões

De acordo com os resultados obtidos, não se recomenda a substituição de 30 % do milho pela cana-de-açúcar na ração de suínos em terminação tardia, pois os animais apresentaram pior conversão alimentar e maior consumo de ração, quando comparados aos que receberam as rações com milho e soja.

 

Referências Bibliográficas

1. CUNNINGHAM, J. G. Tratado de fisiologia veterinária. 3 ed. Guanabara Koogan: Rio de Janeiro, 2004. 590 p.

2. FERREIRA, D. F. SISVAR - Sistemas para análise de variância para dados balanceados. Lavras: UFLA, 2000. Software.

3. FERREIRA, R. A. et al. Desempenho de suínos alimentados com rações contendo cana-de-açúcar integral picada nas fases de crescimento e terminação. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 42, 2005, Goiânia, GO. Anais... Goiânia, GO, 2005. 5 p

4. NERY, V. L. H.; SOARES, R. da T. R. N.; CHIQUIERI, J. Desempenho e características de carcaça de suínos em terminação alimentados com rações contendo subprodutos de arroz. Zootecnia Tropical, Maracay, v. 28, n. 1, p. 43-49, 2010.

5. ROSTAGNO, H. S. et al. Tabelas brasileiras para aves e suínos: composição de alimentos e exigências nutricionais. ROSTAGNO, H.S. (Ed.). 2 ed. Viçosa: UFV, Departamento de Zootecnia, 2005. 186 p.

6. SARAIVA, E. P. et al. Utilização de cana-de-açúcar em dietas de suínos dos 60 aos 100 kg. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 43, 2006, João Pessoa, PB. Anais... João Pessoa, PB, 2006. 4 p.


***O TRABALHO FOI ORIGINALMENTE APRESENTADO DURANTE O XVII CONGRESSO ABRAVES 2015- SUINOCULTURA EM TRANSFORMAÇÂO, ENTRE OS DIAS 20 e 23 DE OUTUBRO, EM CAMPINAS, SP.

 
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