DESEMPENHO DE SUÍNOS MACHOS CASTRADOS DE POTENCIAL GENÉTICO EM TERMINAÇÃO TRATADOS COM RACTOPAMINA.

Publicado: 12/05/2016
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Sumário

O objetivo deste estudo foi avaliar o desempenho de suínos machos superiores, castrados suplementados com 0 ou 10ppm de ractopamina durantes 23 dias pré-abate. O experimento foi conduzido no Centro Experimental de Suínos (CES) do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras, em Lavras. Foram selecionados 72 suínos machos castrados com maior peso de um lote de 224 animais, assim considerados como animais com potencial genético superior. O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados, sendo o peso inicial utilizado como fator bloco. O experimento foi composto por dois tratamentos (RAC – Com adição de 10ppm de ractopamina; Controle – Sem adição de ractopamina) com doze repetições. A dieta foi formulada a base de farelo de milho e soja e os animais foram alimentados ad libitum até o final do período experimental (23 dias). Não foram observados efeitos significativos entre os tratamentos para as variáveis de GPMD e peso final. Para a variável de CRMD foi verificado efeito significativo dos tratamentos, sendo que os animais recebendo rações suplementadas com 10 ppm ractopamina apresentaram redução no consumo de 7,55% quando comparado ao grupo controle, consequentemente foi verificado melhora significativa para a conversão alimentar de 8,16% quando comparados os animais recebendo rações suplementadas com ractopamina com animais do grupo controle A adição de 10 ppm de ractopamina na ração de suínos machos castrados, com desempenho superior à média do lote é vantajoso pois diminui o consumo de ração diário e melhora conversão alimentar desses animais.

 

Palavras-chave: Aditivo; agonista β-adrenérgico; conversão alimentar.


Introdução

A utilização de aditivos na alimentação animal atualmente é uma realidade, tem como objetivo alcançar melhor desempenho dos animais, bem como um produto de melhor qualidade a ser fornecido ao consumidor. Na suinocultura moderna a ractopamina (RAC) é um dos aditivos mais amplamente utilizados. A RAC é um composto sintético que apresenta estruturas e propiedades químicas e farmacológicas similares as catecolaminas naturais (PEREIRA et al., 2008; SOUZA et al., 2011; ANDRETTA et al., 2012). Os suínos respondem muito bem ao uso desse aditivo repartidor de energia e isso se deve, provavelmente, à quantidade de receptores β-adrenergicos nos seus tecidos adiposo e muscular, bem como a afinidade destes pelo aditivo. A utilização da RAC na fase final de terminação dos suínos pode ocasionar uma queda no consumo de ração associada à melhora no ganho de peso, consequentemente, proporciona melhor desempenho, principalmente referente a conversão alimentar (BRIDI et al., 2008; KIEFER E SANCHES, 2009; MARINHO et al., 2007; ROSSI et al., 2010; SCHINCKEL et al., 2003). A melhoria na conversão alimentar é o resultado do aumento da deposição de tecido magro, pois a síntese de uma determinada quantidade de músculo requer menos   0energia do que a síntese da mesma quantidade de gordura (MOSER et al., 1986). Assim a RAC Tem por finalidade melhorar o desempenho e também melhorar as carcaças em suínos na fase de terminação. O objetivo deste estudo foi avaliar o desempenho de suínos machos superiores, castrados suplementados com 0 ou 10ppm de ractopamina durantes 23 dias pré-abate.

 

Material e Métodos

O experimento foi conduzido no Centro Experimental de Suínos (CES) do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras, em Lavras (MG), no período de 29 de dezembro de 2014 a 20 de janeiro de 2015. Foram selecionados aos 117 dias de idade 72 suínos machos castrados com maior peso de um lote de 224 animais, assim, considerados como animais com potencial genético superior. O peso inicial médio foi de 77,58 ± 8,62kg. Os animais foram alojados em 24 baias (3 animais por baia) com bebedouros tipo chupeta e comedouros semiautomáticos. O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados, sendo o peso inicial utilizado como fator bloco. O experimento foi composto por dois tratamentos (RAC – Com adição de 10ppm de ractopamina; Controle – Sem adição de ractopamina) com doze repetições. A dieta foi formulada para atender as recomendações de Rostagno et al. (2011) a base de farelo de milho e soja e os animais foram alimentados ad libitum até o final do período experimental (23 dias). A pesagem dos animais foi realizada ao início e aos 23 dias de experimento, o fornecimento e a sobra de ração foram mensuradas diariamente, possibilitando calcular o ganho de peso diário, consumo de ração diária e a conversão alimentar dos animais. Os dados foram avaliados quanto a normalidade através do teste de Shapiro Wilk, os que não apresentaram distribuição normal, foram transformados pelo PROC RANK do SAS. Posteriormente foi realizada a análise de variância através do PROC MIXED do SAS com nível de significância a 5%.

 

Resultados e Discussão

Os resultados de peso inicial consumo de ração diária (CRMD), ganho de peso médio diário (GPMD), conversão alimentar (CA), e peso final estão apresentados na tabela 1. Não foram observados efeitos significativos entre os tratamentos para as variáveis de GPMD e peso final. Para a variável de CRMD foi observado efeito significativo (P<0,05) dos tratamentos, sendo que os animais recebendo rações suplementadas com 10 ppm ractopamina apresentaram redução de 27,55% no consumo quando comparados aos animais do grupo controle. A ingestão alimentar pode ser influenciada pelo hormônio leptina, que é produzido proporcionalmente ao acúmulo de tecido adiposo (HAVEL, 2000). Como as ações catabólicas do tecido adiposo são reguladas pelo sistema nervoso simpático (PÉNICAUD et al., 2000), caso haja ativação dessas inervações pelos agonistas β- adrenérgicos, ocorre aumento da expressão gênica da leptina, assim, a redução do consumo dos animais neste estudo pdoe ter sido associado a este fato.

 

Foi verificado melhora significativa (P<0,05) para a conversão alimentar de 8,16% quando comparados os animais recebendo rações suplementadas com ractopamina com animais do grupo controle, essa melhoria na CA é explicada pelo fato dos animais recebendo rações com ractopamina apresentarem o mesmo ganho de peso dos animais do grupo controle e diminuição do CRMD.

 

Tabela 1. Desempenho de suínos machos castrados recebendo ou não Ractopamina (10ppm) dos 117 aos 139 dias de idade.

Médias seguidas por letras maiúsculas na linha diferem pelo teste de F com P<0,05.

 

Conclusão

A adição de 10 ppm de ractopamina na ração de suínos machos castrados, com desempenho superior à média do lote é vantajoso pois diminui o consumo de ração diário e melhora conversão alimentar desses animais.

 

Agradecimentos

FAPEMIG, CAPES, Ourofino Saúde Animal e NESUI.

 

Referências Bibliográficas

1. ALMEIDA, V. V. Respostas produtivas e expressão gênica induzidas por períodos de fornecimento de ractopamina para suínos em terminação. 2012, 78. Tese (Doutorado em Ciências) – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Piracicaba, 2012.

2. BARBOSA, C. E. T. et al. Ractopamine in diets for finisshing pigs of different sexual categories. Revista Brasileira de Zootecnia, Viçosa, MG, v. 41, n. 5, p. 1173-1179, 2012.

3. CANTARELLI, V. S. Ractopamina em rações para suínos em terminação com alimentação à vontade ou restrita. Lavras: UFLA, 2007. 108 p.

4. CARVALHO JUNIOR, F. M. Utilização intermitente de ractopamina para suínos em crescimento e terminação. 2014. 68 p. 2012. 116 p. Dissertação (Mestrado em Produção e Nutrição de Monogástricos) – Universidade Federal De Lavras, Lavras, 2014.

5. GIRÃO, L. V. C. et al. Desempenho de suínos pesados, machos castrados e fêmeas, durante o 14 e 28 dias de suplementação com ractopamina. In: FÓRUM INTERNACIONAL DE SUINOCULTURA, 4., 2008, Curitiba. Anais... Curitiba: Animalword, 2008. P. 139-141.

6. HAVEL, P. J. Role of adipose tissue in body-weight regulation: mechanisms regulationing leptina production and energy balance. Proceedings of the Nutrition Society, Cambridge, v.59, p.359-371, 2000.

7. PÉNICAUD, L.; COUSIN, B.; LELOUP, C.; LORSIGNOL, A.; CASTEILLA, L. The autonomic nervous system, adipose tissue plasticity and energy balance. Nutrition, London, v.16, n.10, p.903-908, 2000.

 

***O TRABALHO FOI ORIGINALMENTE APRESENTADO DURANTE O XVII CONGRESSO ABRAVES 2015- SUINOCULTURA EM TRANSFORMAÇÂO, ENTRE OS DIAS 20 e 23 DE OUTUBRO, EM CAMPINAS, SP.

 
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