Circovirose Suina Leitões

Síndrome da circovirose suína em leitões recém-nascidos

Publicado: 18/03/2009
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INTRODUÇÃO

O Circovirus Suíno Tipo 2 (PCV-2) é o agente causal da Síndrome Multissistêmica do Defi nhamento do Suíno (SMDS), a qual está caracterizada clinicamente por refugagem, palidez e/ou icterícia e sinais respiratórios e digestivos (1, 13). Além disto, o PCV-2 também tem sido relacionado com outras enfermidades, como a síndrome da dermatite e nefropatia suína, doença do complexo respiratório suíno, falhas reprodutivas com presença de natimortos, mumifi cação fetal e abortos (7, 9, 11, 12), além de enterite granulomatosa, epidermite exsudativa, linfadenite necrotizante e tremor congênito (2, 4, 6, 14). Na necropsia, as principais alterações encontram-se nos linfonodos, que estão aumentados de tamanho e nos pulmões, que apresentam-se não colabados.
Na microscopia, observa-se infi ltrado infl amatório de células histiocíticas de intensidade variável nos órgãos linfóides, pulmão, rim e fígado. Células multinucleadas e inclusões basofílicas intracitoplasmáticas
podem estar presentes, e quando encontradas são patognomônicas da doença (13,14). O objetivo deste trabalho foi diagnosticar a infecção por PCV-2 em leitões recém-nascidos oriundos de uma granja com histórico de SMDS.

MATERIAL E MÉTODOS

Leitões recém-nascidos com histórico de refugagem e aumento na mortalidade, provenientes de uma granja de ciclo completo com 580 matrizes, situada no estado do Rio Grande do Sul, foram submetidos ao diagnóstico laboratorial para circovirose suína. Além de apresentar histórico da SMDS na creche e na recria, os suínos desta granja também eram positivos para Actinobacillus
pleuropneumoniae, Haemophilus parasuis, Streptococcus suis, Pasteurella multocida tipo A e Mycoplasma hyopneumoniae. Dois leitões (A e B), de dois dias de idade, provenientes desta granja, foram necropsiados e amostras de coração, fígado, baço, rim, estômago e intestino foram coletadas para análises histopatológicas (coloração de hematoxilina e eosina – HE) (8) e virológicas (reação da polimerase em cadeia interna - “nested-PCR” para detecção de DNA de PCV-2) (3).
Após análise histopatológica, as amostras foram avaliadas por uma técnica de imunoistoquímica – IHQ (5), utilizando o Vectastain ABC KitÒ (Vector) e anticorpo policlonal anti PCV-2.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No exame macroscópico não foram observadas alterações patológicas signifi cativas. Ao avaliar as amostras dos diversos órgãos pela histopatologia, o leitão A apresentou atrofi a dos folículos
linfóides com presença de células gigantes no baço e degeneração gordurosa acentuada difusa no fígado. Já o leitão B apresentou depleção dos folículos linfóides com infi ltrado de macrófagos e
células gigantes no baço. Estas lesões são semelhantes àquelas encontradas na SMDS em leitões após o desmame. Em leitões natimortos pela infecção por PCV-2 têm sido observadas lesões de miocardite (10), o que não foi verifi cado neste estudo. Entretanto, o tropismo do PCV-2 pelo coração é gradualmente reduzido após o nascimento (10), o que justifi ca a predileção do PCV-2 em infectar células em elevado estágio de replicação, ou seja, aquelas na fase “S” do ciclo celular. O
DNA de PCV-2 foi detectado no “pool” de órgãos dos dois leitões através da técnica de “nested-PCR”, que amplifi cou um produto de 225 pares de base. Na IHQ, somente o leitão B foi positivo, detectando-se uma reação positiva fraca no fígado, em alguns hepatócitos. De acordo com West
et al. (15), quantidades variáveis do antígeno, detectadas por IHQ, também foram verifi cadas no fígado, pulmão e rim de vários fetos. Outros autores (11), também detectaram o antígeno por PCR e IHQ no linfonodo, baço, timo, pulmão, tonsila e fígado de natimortos e leitões recém-nascidos.

CONCLUSÃO

A Síndrome Circovirose Suína foi diagnosticada em leitões recém-nascidos de dois dias de idade, oriundos de uma granja com histórico de SMDS. Este é o primeiro relato documentado da doença em leitões recém-nascidos no Brasil.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1- ALLAN, G.M. e ELLIS, J.A. Porcine circoviruses: a review. Journal of Veterinary Diagnostic Investigation. v.12, n.1, p.3-14, 2000.

2- CHAE, C. A review of porcine circovirus 2-associated syndromes and diseases. The Veterinary Journal. v.169, n.3, p.326-336, 2005.

3- CIACCI-ZANELLA, J.R.; MORÉS, N.; SCHIOCHET, M.F.; TROMBETTA, C. Diagnóstico molecular e caracterização de circovirus suíno tipo 2 isolados no Brasil. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE VETERINÁRIOS ESPECIALISTAS EM SUÍNOS, 10, 2001, Porto Alegre. Anais... 2001, p.97-98.

4- ELLIS, J.; CLARK, E.; HAINES, D.; WEST, K.; KRAKOWKA, S.; KENNEDY, S.; ALLAN, G.M. Porcine circovirus-2 and concurrent infections in the field. Veterinary Microbiology. v.98, n.2, p.159-163, 2004.

5- GAVA, D.; MORES, N.; CIACCIZANELLA, J.R.; OLIVEIRA, S.R. Padronização de uma técnica de imunohistoquímica (IHQ) em cortes histológicos para detecção de Circovirus Suíno tipo 2 (PCV-2) utilizando anticorpo monoclonal. In: XII CONGRESSO BRASILEIRO DE VETERINÁRIOS ESPECIALISTAS EM SUÍNOS, 12, 2005, Fortaleza. Anais... 2005, p.113–114.

6- HARDING, J.C.S. The clinical expression and emergence of porcine circovirus 2. Veterinary Microbiology. v.98, n.2, p.131-135, 2004.

7- KIM, J.; JUNG, K. e CHAE, C. Prevalence of porcine circovirus type 2 in aborted fetuses and stillborn piglets. Veterinary Record. v.155, n.16, p.489-492, 2004. 8- LUNA, L.G. Manual of histologic staining methods of the
Armed Forces Institute of Pathology. 3.ed. McGraw Hill Book Company: New York, 1968, 260p.

9- MALDONADO, J.; SEGALÉS, J.; MARTINEZ-PUIG, D.; CALSAMIGLIA, M.; RIERA, P.; DOMINGO, M.; ARTIGAS, C. Identifi cation of viral pathogens in aborted fetuses and stillborn piglets from cases
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10- MIKAMI, O.; NAKAJIMA, H.; KAWASHIMA, K.; YOSHII, M.; NAKAJIMA, Y. Nonsuppurative myocarditis caused by porcine circovirus type 2 in a weak-born piglet. The Journal of Veterinary Medical Science.
v.67, n.7, p.735-738, 2005.

11- PARK, J.S.; KIM, J.; HA, Y.; JUNG, K.; CHOI, C.; LIM, J.K.; KIM, S.H.; CHAE, C. Birth abnormalities in pregnant sows infected intranasally with porcine circovirus 2. Journal of Comparative Pathology. v.132, n.2-3, p.139-144, 2005.

12- PENSAERT, M.B.; SANCHEZ, R.E.; LADEKJAER-MIKKELSEN, A.S.; ALLAN, G.M.; NAUWYNCK, H.J. Viremia and effect of fetal infection with porcine viruses with special reference to porcine circovirus type 2 infection. Veterinary Microbiology. v.98, n.2, p.175-183, 2004.

13- SEGALÉS, J. e DOMINGO, M. Postweaning multisystemic wasting syndrome (PMWS) in pigs. A review. Veterinary Quarterly. v.24, n.3, p.109- 124, 2002.

14- SEGALÉS, J.; ROSELL, C. e DOMINGO, M. Pathological fi ndings associated with naturally acquired porcine circovirus type 2 associated disease. Veterinary Microbiology. v.98, n.2,
p.137-149, 2004.

15- WEST, K.H.; BYSTROM, J.M.; WOJNAROWICZ, C.; SHANTZ, N.; JACOBSON, M.; ALLAN, G.; HAINES, D.M.; CLARK, E.G.; KRAKOWKA, S.; McNEILLY, F.; KONOBY, C.; MARTIN, K.;
ELLIS, J.A. Myocarditis and abortion associated with intrauterine infection of sows with porcine circovirus 2. Journal of Veterinary Diagnostic Investigation. v.11, n.6, p.530-532, 1999.

*O trabalho foi apresentado no Congresso PorkExpo, em 2006.

 
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