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Avaliação do uso de probiótico (Ecobiol®) em dietas com ou sem antibióticos promotores de crescimento (AGP) sobre a performance de leitões desmamados

Publicado: 20/12/2019
Autor/s. :

Conclusões

  • Avaliação do uso de probiótico (Ecobiol®) em dietas com ou sem antibióticos promotores de crescimento (AGP) sobre a performance de leitões desmamados
  • A substituição de AGP pelo Ecobiol® em todas as fases da creche foi viável, do qual manteve os suínos com bom desempenho.
  • Os resultados indicaram que o uso de AGP em leitões reduziu o consumo de ração, provavelmente como conseqüência do impacto negativo na palatabilidade da ração.
  • O desempenho geral e as características das fezes indicam que o uso de Ecobiol® durante todas as fases produziu resultados positivos de desempenho, e permitiu uma flora intestinal mais saudável pela redução de Escherichia coli.

Introdução

As mudanças sociais, ambientais e nutricionais relacionadas ao desmame são fatores que causam grande estresse e podem levar à manifestação de fatores que podem reduzir ou paralisar as taxas de crescimento durante o período pós-desmame, principalmente devido à diarreia (McCracken et al., 1995). Tudo isso, pode ocasionar uma redução na secreção de enzimas o que afeta a capacidade digestiva e absortiva dos nutrientes no intestino delgado, além de causar importantes mudanças em sua morfologia (Araújo et al., 2010). O alimento mal digerido pode ser usado como substrato para o crescimento de microrganismos, causando diarreia pós-desmame (Thompson, 2006). Devido a isso, os antibióticos têm sido amplamente utilizados na suinocultura como promotores de crescimento, a fim de minimizar a incidência de diarreia após o desmame (Sobestiansky et al., 1999). Considerando-se a severa restrição ou proibição total do uso de antibióticos e o uso limitado de óxido de zinco como promotores de crescimento na produção de suínos, diferentes tipos de probióticos têm sido sugeridos como uma alternativa para apoiar o crescimento e desempenho dos animais.

Os probióticos são considerados uma alternativa para reduzir a infecção por patógenos e melhorar a saúde animal, especialmente na época do desmame (Gusils et al., 2002). No entanto, ainda há uma necessidade de esclarecer a eficácia dos probióticos em suínos e os mecanismos subjacentes. Ao avaliar a eficácia dos probióticos, deve-se considerar a linhagem específica de microrganismos que está sendo usada e o estágio de produção dos animais que estão sendo tratados. É mais provável que o uso de probióticos resulte em ganhos econômicos mensuráveis em animais vivendo em condições abaixo do ideal, e não naqueles criados nas melhores condições ambientais e de bem-estar.

O estabelecimento de uma população de bactérias benéficas no nascimento pode levar a animais mais saudáveis, também, pode ser suficiente fornecer uma microbiota de suporte e proteção durante a creche, pois é um momento de grande crise com instabilidade e perda de certas populações bacterianas (Kenny et al., 2011). Nesse sentido, o uso de probióticos poderia melhorar a saúde e a eficiência
intestinal, permitindo que os leitões se beneficiassem durante o período de amamentação, melhorando a vitalidade, as taxas de sobrevivência e o desempenho. O presente estudo teve como objetivo avaliar o impacto da suplementação de probiótico (Ecobiol®) em dietas com ou sem promotores de crescimento de antibióticos (AGP) em dietas pós-desmame sobre o desempenho produtivo e a saúde intestinal dos leitões.

Materiais e Métodos
O estudo foi realizado na granja experimental de produção de suínos da Universidade Federal de Minas Gerais em Montes Claros, Minas Gerais. Foram utilizados 84 leitões (42 machos castrados e 42
fêmeas), divididos em delineamento experimental de blocos casualizados em arranjo fatorial 2 x 2 (+/- AGP (Tiamulina 80% 150 ppm) e / ou +/- Ecobiol® (1 kg por tonelada) com quatro tratamentos e sete repetições por tratamento com três suínos cada, utilizando o peso corporal inicial como principal co-variável. Os tratamentos experimentais foram os seguintes:

  • T1: Controle (-AGP) (-Ecobiol®)
  • T2: Controle (+AGP) (-Ecobiol®)
  • T3: Controle (-AGP) (+Ecobiol®)
  • T4: Controle (+AGP) (+Ecobiol®)

O programa nutricional foi dividido em 4 fases (Fase 1: 28 a 35 dias; Fase 2: 36 a 43 dias; Fase 3: 44 a 57 dias; e Fase 4: 58 a 68 dias). As dietas foram isoenergéticas, isoproteicas, isoaminoacídicas e formuladas para atender às exigências desta categoria de animais, segundo Rostagno et al. (2017), conforme a Tabela 1.

Os leitões foram alojados em grupos de três animais em baias com acesso a ração e água ad libitum. Todas as manhãs foram recolhidas e pesadas as sobras de alimentos na bandeja e no piso, e os cochos foram alimentados com ração nova uma vez por dia, entre as 06:30 e 07:30. O consumo de ração foi determinado como a diferença entre o fornecimento de ração e as sobras. Todos os dias, uma amostra de ração foi coletada para a análise do teor de matéria seca, e amostras sucessivas foram reunidas e armazenadas a 4 ° C para análises posteriores.

As amostras de rações foram analisadas quanto à presença de Ecobiol® e teor de matéria seca, energia, proteína bruta e aminoácidos pela Evonik. Os conteúdos de AA das rações foram analisados pela Evonik usando cromatografia de troca iônica, com exceção do triptofano, que foi analisado por HPLC e detecção fluorimétrica (Waters 600E, St. Quentin en Yvelines, França). As variações na temperatura ambiente, UR e foto período seguiram de perto as condições externas. A temperatura ambiente e a UR foram registradas continuamente (1 medição a cada 5 minutos) nas salas, utilizando um datalogger conectado a uma sonda (Didai Tecnologia Ltda. Campinas, Brasil) localizado a 1 m do piso.

Os leitões foram pesados individualmente no início e final de cada fase do experimento. Para cada estágio de crescimento, foi calculado o ganho de peso diário de cada leitão, o consumo médio diário de ração e a conversão alimentar. O escore fecal de cada leitão foi avaliado diariamente, segundo o método de Guedes et al. (2018; Figura 1). A incidência e a severidade de diarreia foram observadas por inspeção visual da consistência do material fecal em uma escala de 1 a 5: sendo que, 1 - sem diarreia, consistência dura e seca; 2- sem diarreia consistência mole e úmida considerada normal; 3 - sem diarreia, macia, consistência úmida e pastosa; 4 - diarreia pastosa; e 5 - diarreia líquida. Os escores fecais foram coletados de todas as repetições em cada grupo de tratamento, diariamente, no início da manhã (07h00m) e no período da tarde (16h00m).

Amostras de fezes frescas foram coletadas para análises imediatas de presença e concentração de Escherichia coli em laboratório. A amostragem de fezes seguiu um protocolo padrão; 3 períodos por fase de todos os leitões na baia foram amostrados e reunidos e uma quantidade de 40 g de fezes frescas, do qual foi usada para análises de Escherichia coli (Kornaki et al., 2001) e 100 g foram congelados por tratamento. Para a determinação de coliformes foi utilizada a técnica de tubos múltiplos, baseada no número mais provável (NMP / g).

Resultados

As temperaturas mínimas e máximas e umidade relativa medidas durante o período experimental foram de 30,7 e 24,4°C e 84 e 60%, respectivamente. Ao desmame, os leitões tinham em média 28 dias de idade. O peso dos leitões e das leitegadas no início não foram influenciados (P> 0.10) pelos tratamentos (7,87 kg em média; Tabela 2). Durante a fase 1, os tratamentos influenciaram o consumo diário de ração (CDR) (P <0.043) e o peso final (P <0.025), enquanto que os leitões alimentados com o AGP (T2 e T4) apresentaram menor consumo voluntário de ração. Isto pode ser devido ao impacto negativo dos antibióticos na palatabilidade dos alimentos. Embora não tenha havido diferença significativa, os leitões alimentados com dietas contendo Ecobiol® apresentaram maior CDR, GPD e peso final quando comparados aos demais tratamentos. A conversão alimentar não foi influenciada (P> 0.10) pelos tratamentos. No entanto, leitões alimentados com Ecobiol® apresentaram a menor CA quando comparados aos demais tratamentos (1,087 e 1,091 vs. 1,207 e 1,415; respectivamente para T3 e T4 e T1 e T2).

Durante a fase 2, os tratamentos não influenciaram nenhuma das características de desempenho (Tabela 3; P> 0.10), exceto para CDR, que novamente foi menor para os leitões alimentados com AGP (P <0.022). Embora não tenha havido diferença significativa, os leitões alimentados com dietas contendo Ecobiol® apresentaram maior CDR, GPD e peso final quando comparados aos demais tratamentos. A conversão alimentar não foi influenciada (P> 0.10) pelos tratamentos. Quanto à fase 3 (Tabela 4), o peso final foi menor (P = 0.042) para T2 quando comparado aos demais tratamentos.

Os tratamentos também influenciaram as características de desempenho durante a fase 4 (Tabela 5). GPD e CA foram impactados negativamente pelo uso de AGP (dietas T2 e T4). Os leitões de T3 apresentaram um melhor consumo de ração quando comparados aos animais dos outros tratamentos (1000 vs. 962 g / d em média). Devido ao maior consumo de ração e às taxas de crescimento, os suínos alimentados com T3 também apresentaram um peso final mais alto quando comparados aos demais suínos (29,73 contra 29,54 kg, em média). Analisando o desempenho geral (Tabela 6), a utilização de AGP impactou negativamente no consumo de ração. Ecobiol® mostrou melhores resultados em todas as fases durante todo o período. O escore fecal também foi influenciado (P <0.001) pelos tratamentos (Tabela 7). Leitões que foram alimentados com Ecobiol® sem AGP (T3) apresentaram menor presença de diarreia pastosa quando comparados a outros tratamentos. Na tabela 8 é apresentada a contagem de UFC / g de Escherichia coli.

A incidência e a severidade da diarreia foram observadas por uma inspeção visual da consistência do material fecal em uma escala de 1 a 5: enquanto, 1, sem diarreia, consistência dura e seca; 2, sem diarreia consistência mole e úmida considerada normal; 3, sem diarreia consistência mole, úmida e pastosa; 4, diarreia pastosa; e 5, diarreia líquida.

Conclusões

A substituição do AGP por Ecobiol® em todas as fases da creche pode ser realizada, dos quais os animais mantiveram o mesmo desempenho. Os resultados também indicaram que, ao usar AGP, reduziu o consumo de ração e consequentemente o desempenho, provavelmente como consequência do impacto negativo na palatabilidade da ração. Analisando as características gerais de desempenho e fezes, o uso de Ecobiol® durante todas as fases produziu resultados positivos no desempenho e permitiu uma flora intestinal mais saudável, reduzindo as concentrações de Escherichia coli.

Referências bibliográficas

 
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