Produzir leite não é tarefa fácil, a começar pela alimentação da vaca

Publicado: 07/09/2010
Autor/s. : Prof. Dr. Paulo R. F. Mühlbach (Engenheiro Agrônomo, Consultoria em Produção Leiteira).

Apesar de nunca  ter sido um produtor de leite sinto-me à vontade para tocar neste assunto, já que a Ciência da Produção Leiteira me ocupa desde os tempos de acadêmico de Agronomia, há mais de quarenta anos. Naquela época uma vaca de 30 litros era algo excepcional e não se dispunha de tabelas precisas de alimentação e ...

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Maíra Vasconcelos Maíra Vasconcelos
Jornalista
7 de Setembro de 2010
Olá, Comunidade Engormix.

Esse espaço está aberto para que o usuário possa enviar suas dúvidas e aportar novas informações sobre o assunto discutido no artigo acima.

Esperamos seu comentário.

Obrigada.
Responder
7 de Setembro de 2010

Porque sempre se faz o cálculo de consumo como matéria seca e não com o pasto?
Para quem está na prática seria muito mais fácil o cálculo ser com base no consumo de pasto pelas vacas.
Muito bonito isso de ser pela matéria seca, mas na prática é muito dificil nós produtores não temos como calcular isso.
Parece que os grandes doutores da alimentação não sabem que o campo é muito diferente de uma sala com ar condicionado.

Responder
7 de Setembro de 2010
Em resposta ao produtor Scarpellini, devo dizer que a pergunta até procede. Entretanto, não há como balancear uma dieta de vaca leiteira usando-se as quantidades expressas na matéria fresca dos alimentos, já que o próprio pasto, a silagem, fenos, alimentos concentrados, etc. variam muito no teor de água. Portanto, para que a estimativa do consumo de alimento e o cálculo da dieta sejam corretos, é necessário expressá-los em matéria seca (MS). Por exemplo, o consumo de 50 kg um pasto verde colhido antes do florescimento (15[percent] de MS) é equivalente a 7,5 kg de MS, enquanto que 50 kg deste mesmo pasto, quando no florescimento, com um teor de 25[percent] de MS, se equivale a uma quantidade de MS de 12,5 kg, ou seja, o consumo do mesmo pasto, colhido em épocas diferentes, resulta numa diferença considerável de 5 kg. Agora imagine o produtor Scarpellini considerar uma dieta de uma mistura de pasto verde (15[percent] de MS), feno (85[percent] de MS), silagem de milho (33[percent] de MS) e ração comercial (90[percent] de MS). Como se vê, a questão não é mesmo fácil, aliás, de acordo com o título do próprio artigo, e, para isso, existem os técnicos para assessorar os produtores de leite. Por exemplo, um engenheiro-agrônomo, ou um médico veterinário, zootecnista, ou mesmo um bom técnico agrícola, não havendo necessidade de consultar especificamente um doutor especializado, daqueles que só conhecem ambiente com ar condicionado.
Responder
Eder Ghedini Eder Ghedini
Médico Veterinário
8 de Setembro de 2010
Olá, diante deste belo e bem conduzido texto, podemos observar que diante da expansão genética, nossos animais estão cada vez mais subnutridos, de que forma? Como citastes a respeito do próprio esforço físico imposto ao animal na hora do pastoreio, percebe-se que, diante da fisiologia animal não caberá de certa forma a interferência humana, ou seja, poderemos ter sim o melhor manejo em questão que é o nutricional, mas emperraremos na questão da fisologia animal, e somente retroscedendo na questão genética é que poderemos ajustar este mecanismo! Por outro lado, urge sim a prestação de serviços na forma de consultoria e caberá ao produtor tecnificar-se a ponto de minimizar as perdas oriundas do manejo nutricional, haja visto que, este por sua vez é um dos principais gargalos, inviabilizando a atividade se não for conduzido de forma profissional. Penso eu que com o passar do anos e a consequente seletividade de produtores, ocasionará benefícios neste setor, pois a propriedade será viável para aqueles que definitivamente tecnificarem sua(s) atividade(s). Forte abraço!
Responder
22 de Setembro de 2010

Dr. Paulo.
Obrigado pelo esclarecimento e o ar condicionado é por conta da AFA-69.
Como sempre ótimo o teu artigo e esclarecedor em todos os sentidos.
Por ele se ve atua predileção pelo confinamento com a qual concordo uma vez que a vaca esta alí para produzir leite e não gastar energia com caminhadas, etc.
Um abraço

Responder
25 de Setembro de 2010

Primeiro, peço desculpas pelo básico de meu Português.

Como o doutor diz nas linhas anteriores, a produção de leite não é uma tarefa fácil, a atividade tem muitas variáveis que afetam o bom comportamento da vaca para uma ótima produção, variáveis como a alimentação da vaca que permite ou não uma boa nutrição e portanto a produção de leite de acordo com seu estado fisiológico, como a genética, número de parto, período de lactação, etc. Porém os cálculos para a alimentação da vaca tem que ser exatos para evitar doenças metabólicas como a cetosis, a hipomagnesemia, hipocalcemia, e que o alimento oferecido enche os requerimentos nutricionais. É importante que o produtor esteja assessorado por um profissional no sector pecuário, quem tem que fazer os cálculos de quantidade de matéria seca seja em forragem verde, silagem, heno, etc, que vai ser consumido pelo animal num dia.

Responder
Andre Oliveira Andre Oliveira
Licenciatura em Engª Zootecnica
24 de Novembro de 2010

Sr.Scarpellini

Faça suas contas em MF com máquina de calcular, com lápis e papel, de qualquer outro jeito.

Seu técnico que faz assessoria faz as contas em MS com computador ou de qualquer outro jeito.

No final de contas quem tem a ultima palavra é a vaca e para isso é preciso olhar para ela como diz e muito bem, ir a campo.

Seu problema e de muitos outros produtores é que esperam do técnico que veja em 1 hora de visita aquilo que vocês deveriam ver em uma semana e não vêm ou não reportam porque estão muito mais preocupados com outros aspectos da pecuária que não lhes trazem benefício algum.
Um exemplo disso é os cios que não são detectados e que trazem pejuízos a todas as explorações sendo a 1ª causa de refugo em todo o mundo nas vacas e leite.

No fim de contas de quem são as vacas?

Ao seu dispôr.

Responder
6 de Dezembro de 2010
Realmente Produzir leite não é tarefa fácil, a começar pela alimentação da vaca não importa a raça, como criar, se confinado ou extensivo, se com o melhor balanceamento da alimentação, ou o melhor manejo e principalmente a sanidade do animal, com a tecnologia para produção em massa ou na produçâo familiar. O importante na produção, é que o bem estar animal seja sempre o foco, não ao stress, a queima de etapas, mas sim o burilamento do trato animal. O animal bem tratado bem manejado, com suas crias bem adptadas, o vazio bem planejado, sua dieta bem elaborada com consciência e profissionalismo, água de boa qualidade, medicação, higiene, instalações, instrumentos e equipamentos utilizados de qualidade, no trenamento profissional, tendo como meta o aprimoramneto e conhecimento das etapas do fluxo de produção da tarefa de entender o que é produzir o leite. A concientização e o entendimento para com a mão de obra, que o animal tem que ser tratado com profissionalismo e procedimentos racionais, sem agressôes e crueldades, fará com que o animal produza sem stress e automaticamente todas as técnicas aplicadas terão efeito positivo com , no seu investimento , que terá sempre retorno no financeiro, na beleza do seu plantel e com o profissionais satisfeitos, competentes e seguro de ter um rebanho leiteiro controlado, saudável e com crias forte.
Responder
16 de Fevereiro de 2012

Este artigo se preocupa com o produtividade da vaca leiteira, mas que tal um artigo sobre valor nutricional do leite? Vaca que produz mais de 25 litros de leite por dia provavelmente não come só pasto. Vaca que come grãos, que imagino eu, é a composição basica das rações, vão oferecer um nivel alto de omega 6 para omega 3, por que grãos como milho, soja, são ricos em omega 6. Excesso de omega 6 em relação a omega 3 na alimentação humana está associado a várias doenças inflamatorias é cancer.

Para o gado de corte ou vaca leiteira produzir carne e leite de qualidade com niveis de omega 6 para omega 3 de 1:1, os animais devem consumir somente pasto (grama, capim, de preferencia os de folhas escuras).

Responder
17 de Outubro de 2012
Estou realizando estudos iniciais para investir na atividade leiteira e os parâmetros encontrados são verdadeiramente tristes, principalmente para produção inferior a 1000 litros dia, a conta não fecha, pois dentro do período de 12 meses, incluindo todas as situações de investimentos e custos mantenedouros, clima, solo, mão de obra e encargos, o resultado é ruim, devido ao baixo preço do litro de leite ao produtor, no período de grande produção ( época das chuvas ), e insuficiente no período de secas (região nordeste Brasil), quaisquer rendas agregadas da propriedade, que não seja o leite, é apenas para confirmar que a atividade leiteira não é viável. Sou contador, e sonho um dia poder usufruir da natureza e ter uma qualidade de vida melhor, fora do escritório, mas com estas dificuldades a dor de cabeça parece ser maior. Estou aprendendo ainda, se alguém poder me alegrar com algo novo na atividade leiteira, agradeço.
Responder
29 de Outubro de 2012

Parece que produzir leite é a coisa mais fácil desse mundo, mas não é bem assim não, antes da vaca começar a produzir leite ela tem que parir e antes disso ela tem que ter um bom manejo para que não venha a ter consequências depois e manejo envolve tantas coisas.

Responder
Evanil Lopes Rossiter Evanil Lopes Rossiter
Médico Veterinário
24 de Novembro de 2012

Sou Buiatra desde 1985, quando fiz especialização em gado leiteiro lá no CANGUIRÍ/UFPR.
Atuei por total de 25 anos em Minas Gerais, em pleno polo leiteiro "POMPÉU/MG".
Atualmente estou em Montanha, vejo topografia, reserva de boa água (leite puro é 89% água) e solos exemplares. Estou precisando implantar genética leiteira, transformando este município além de capital da amizade, ser conhecido também como  "Capital do leite bovino e bubalino".
Parabéns ao senhor Paulo Mühlback, por sua visão e conhecimento, compartilhando do texto, produção depende basicamente de manejo específico de cada área, não adianta termos: alimentação, genética, instalações, mão de obra e etc, sem manjeo adequado.
AGRADECIDO, SAUDAÇÕES BUDISTAS E ESTEJAM COM DEUS!

Responder
Andre Oliveira Andre Oliveira
Licenciatura em Engª Zootecnica
23 de Novembro de 2012

Para quem se quer aventurar na produção leiteira:

Aqui vão alguns números baseados no regime de estabulação todo o ano.
No caso de regime de pastoreiro o semi pastoreio o custo dos factores de produção baixam para 60 ou 50 % do valor da receita bruta de leite.

Receita = 2 x Capital Circulante (Animais em produção)
Atribuir valor aos animais Ex: 50.000 EU (50 x 1.000 EU)
Prevêr receita 100.000 EU - 70% factores de produção = 30.000 EU
30.000 EU / 12 meses = 2500 EU por mês

Estes são os valores Macro económicos realistas para uma taxa de reposição anual de 20%.
Qualquer aumento na taxa de refugo implica perda de rentabilidade futura na exploração.
Qualquer baixa na taxa de refugo implica fiar dependente do valor futuro das novilhas para reposição.

Para médias de produção abaixo de 25 Litros a receita cai em média 25%.

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