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EFEITO DO GnRH EM MOMENTOS DIFERENTES DA INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL EM TEMPO FIXO COM SÊMEN CONVENCIONAL OU SEXADO EM NOVILHAS LEITEIRAS.

Publicado: 28/08/2012
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Introdução

A reprodução eficiente é uma peça fundamental da produção lucrativa de leite. A sustentabilidade das granjas leiteiras a longo prazo depende, em grande parte, da programação as parições e do beneficio representado pelas conseqüências fisiológicas que se seguem. Tendo em vista de que quanto maior for a exigência de produção, maior será a exigência nutricional, a qual nem sempre é atendida, ocasionando baixas na eficiência reprodutiva.

A sincronização de estros é uma biotécnica reprodutiva que tem por objetivo manipular o ciclo estral, controlando a dinâmica folicular. Para a obtenção de sucesso em um programa indução artificial ao estro, é necessário que todas as fêmeas estejam próximas do ciclo estral, ocorra um rápido declínio nos níveis de progesterona sangüíneos e sincronia no crescimento e ovulação de um folículo viável (Mapletof et al., 2002).

O interesse por sêmen sexado é grande em todo mundo. Existem muitas oportunidades e desafios associados ao uso desse tipo de sêmen. Antes de descrever os resultados de pesquisas e oportunidades para sua utilização, é importante entender como os espermatozóides são separados e os desafios associados ao processo (Dalton, 2010).

Segundo Schenk e Seidel (1999) e Jonhson e Welch (1999) quanto maior a precisão da sexagem, menor o número de espermatozóides sexados por unidade de tempo. Para chegar a 90% de pureza para um determinado sexo, as taxas de separação mais comuns para sêmen bovino estão entre 3000 e 8000 células por segundo (Jonhson e Welch, 1999; Seidel e Garner, 2002; Garner e Seidel, 2008; Sharpe e Evans, 2009). Consequentemente, o processo é considerado bastante lento, já que leva aproximadamente 1 a 2 horas para sexar o número de espermatozóides contidos em uma dose de IA (20 a 25 milhões de espermatozóides, ou seja, 20-25 x 106 espermatozóides).

A combinação de GnRH e PGF2α para inseminação artificial em tempo fixo tem sido usada com bons resultados tanto em vacas de leite com em vacas de corte (Rathbone, 2001). O presente estudo objetiva avaliar o intervalo de 0 ou 12 horas entre a aplicação de GnRH e a inseminação artificial, bem como a utilização de sêmen convencional ou sexado em novilhas leiteiras da raça holandesa em sistema de produção intensivo a pasto.

 

Metodologia

Foram utilizados 14 animais da raça holandesa com peso médio de 400±20 kg, com idade média de 14±1meses em condição corporal 4,0±0,5, recebendo dieta balanceada conforme recomendação do NRC (2001), a base de consórcio de aveia e azevém com mineralização e água ad libitum. Os animais foram distribuídos em dois grupos de protocolos (n=7), aleatoriamente ao acaso, e esses dois grupos foram novamente divididos em dois para a utilização de sêmen, ou seja, em sete animais utilizou-se sêmen sexado e nos outros sete utilizou-se sêmen convencional, totalizando quatro grupos para trabalho. Os protocolos implantados foram os seguintes: P1: Dia 0: Benzoato de estradiol + Implante de P4, dia 6: Prostaglandina F2α, dia 8: Retirada da implante de P4, dia 9: GnRH, dia 10: IATF. E no P2: Dia 0: Benzoato de estradiol + Implante de P4, dia 6: prostaglandina F2α, dia 8: retirada do implante de P4, dia 10: IATF + GnRH.

Todo manejo com o sêmen foi mantido constante nos dois grupos, bem como o inseminador. O diagnóstico de prenhez foi realizado por palpação retal aos 60 dias após inseminação artificial. Parâmetros qualitativos, quantitativos do sêmen e fatores ambientais foram mantidos constantes nos dois tratamentos ao longo de todo o experimento. Para análise estatística da taxa de concepção foi utilizado o programa BioStatic 4.0 pelo teste qui-quadrado independência a 5%.

 

Resultados e Discussões

A utilização de sêmen sexado apresentou resultados interessantes quando comparado ao convencional, bem como o momento da aplicação do hormônio indutor da ovulação apresentou variação percentual sugestiva à utilização 12 horas antes da IA como pode ser observado na tabela 1.

Tabela 1 – Taxa de prenhez de novilhas submetidas a IATF com sêmen convencional ou sexado com horário diferente na indução da ovulação com GnRH.

Ao analisarmos o resultado da taxa de prenhez obtida nas novilhas submetidas a IATF utilizando sêmen convencional ou sexado, os resultados concordam com Bodmer, et al. (2005), onde se obteve uma maior taxa de prenhez nas novilhas inseminadas com sêmen sexado. Porém, discorda com o clássico trabalho de Seibel, et al. (2002), o qual apresenta uma significativa diferença na prenhez de novilhas inseminadas com sêmen sexado congelado. Para Peters et al., 1999 uma inseminação programada para 12 a 24 horas após o GnRH deve resultar em uma alta probabilidade de concepção bem sucedida.

Segundo Bodmer et al. (2005) o sêmen convencional, usado na mesma concentração que o sêmen sexado, também apresenta melhores taxas de prenhez em novilhas, diferença de 26%. Para Seidel (2003) a menor eficiência do sêmen é causada por lesões no espermatozóide adquiridas no processo de sexagem.

Quando comparamos o efeito da administração do hormônio liberador de gonadotrofinas 12 horas antes da IATF ou no momento da mesma, verificamos uma significativa diferença entre os grupos, resultados estes que concordam com Wiltbank et al. (2005), porém estudos como o de Geary et al. (2001) indicam que não se observa diferença significativa no intervalo entre 0 e 24 horas ao GnRH e a IA, baseando-se principalmente nas bases fisiológicas do co-synch.

 

Conclusão

Nas condições avaliadas, concluímos que o uso de sêmen sexado apresenta uma superior concepção em relação ao sêmen convencional, bem como a administração de GnRH é recomendada 12 horas antes do momento da IA. A repetição do trabalho com maior número de animais é importante para apurarmos e significarmos estatisticamente os resultados.

 

Referências

BODMER, M., Janett, F., Hassig, M., Daas, N.D., Reichert, P., Thun, R., 2005. Fertility in heifers and cows after low dose insemination with sex-sorted and non-sorted sperm under field conditions. Theriogenology. 64 : 1647-1655.

DALTON, J. C., 2010. Oportunidades e desafios do sêmen sexado. In: Anais XIV Curso Novos Enfoques na Produção e Reprodução de Bovinos. Uberlândia, Minas Gerais, Brasil. p. 373-392.

GARNER, D.L. 1984. An overview of separation of X and Y spermatozoa. In Tubman, L. M., Z. Brink, T. K. Suh, and G. E. Seidel, Jr. 2004. Characteristics of calves produced with sperm sexed by flow cytometry/cell sorting. J. Anim. Sci. 82: 1029-1036.

GEARY, T. W., Whittier, J. C., Hallford, D. M., and M. D. MacNeil . 2001. Calf removal improves conception rates to the Ovsynch and CO-Synch protocols. J. Anim. Sci. 79:1-4.

JOHNSON, L. A. and G. R. Welch. 1999. Sex preselection: high-speed flow cytometric sorting of X and Y sperm for maximum efficiency. Theriogenology. 52: 1134-323.

MAPLETOFT, R. J., et al. Estrogen esters to synchronize follicular wave emergence and ovulation in CIDR-treated cattle. Proceedings of the Annual Convention of the American Embryo Transfer Association. p. 27-38. 2002.

PETERSAR., Ward SJ., Warren MJ., Gordon PJ.., Mann GE, Webb R. Ovarian and hormonal responses of cows to treatment with an analogue of gonadotrophin releasing hormone and prostaglandin F2α. Vet Rec. 1999; 27: 343-346.

RATHBONE, M. J. et al. Recent advances in bovine reproductive endocrinology and physiology and their impact on drug delivery system design for the control of the estrus cycle in cattle. Advance Drug Delivery Reviews. V. 50, p. 277-320. 2001.

SCHENK, J. L., and G. E. Seidel, Jr. 1999. Imminent commercialization of sexed bovine sperm. In: Proc. XVI Range Beef Cow Symposium. p. 89-96.

SHARPE, J. C., and K. M. Evans. 2009. Advances in flow cytometry for sperm sexing. Theriogenology. 7: 14-10.

SEIBEL, G. E., Jr., and J. L. Schenk. 2002. Field trials with sexed, frozen bovine semen. In: Proc. 19th Tech. Conf. Al and Reprod. Nat'l Assoc. Anim. Breeders, Columbia, MO. p. 64-69.

SEIDEL, G. E., Jr. 2003. Economics of selecting for sex: The most important genetic trait. Theriogenology. 59: 585-598.

WILTBANK, M. C., and Haughian, J. M. GnRH: Bases fisiológicas para entender sua utilização em protocolos de sincronização. In: Anais X Curso Novos Enfoques na Produção e Reprodução de Bovinos. Uberlândia, Minas Gerais, Brasil, p. 121-131. 2005.

 
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