ESPERMIOGRAMA DE AMOSTRAS DE SÊMEN CONGELADO UTILIZADO NA BACIA LEITEIRA DE CRUZ ALTA - RS

Publicado: 17/10/2012
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Sumário

Palavras-chave: Sêmen. Qualidade. Cruz Alta-RS.

Introdução

A presente pesquisa teve como objetivo geral realizar um levantamento da qualidade do sêmen utilizado na inseminação artificial em propriedades leiteiras da região de Cruz Alta – RS/Brasil, e detectar causas de infertilidade no rebanho inerentes ao macho. Para tal foram avaliadas amostras de sêmen quanto à motilidade e vigor, concentração espermática, morfologia dos espermatozóides e TTR.

Com esse propósito a pesquisa teve como justificativa verificar se a qualidade e quantidade seminal afeta o índice de fertilidade na reprodução de um rebanho leiteiro e interferindo diretamente na produção de leite. Quanto maior o índice de retorno ao cio das vacas maior será o intervalo entre partos e conseqüentemente menor será a produção de terneiras e leite. A taxa de não retorno ao cio é uma medida indireta de fertilidade, definida especificamente por Rycroft em 1992 "como a porcentagem de vacas que não são novamente cobertas em um período de tempo específico após a inseminação, geralmente de 60 a 90 dias".

As causas que podem afetar a fertilidade e viabilidade dos espermatozóides, são variadas começando pelo manejo inadequado do botijão de sêmen, erros no processamento de congelação, touros cujo sêmen não congelam bem e até descongelação mal executada. Há trabalhos mostrando que pode haver lesão aos espermatozóides (avaliada através da motilidade espermática) já a temperaturas tão baixas quanto -790C (Etgen et al., 1957; Bean et al., 1963; DeJarnette, 1999). Mais ainda, essa lesão não pode ser revertida pelo retorno do sêmen ao nitrogênio líquido (Berndtson et al., 1976; Saacke et al., 1978). A inseminação artificial em tempo inadequado e também fertilidade variável entre touros doadores de sêmen, podem afetar as taxas de prenhês. Sullivan e Elliot (1968) relataram que o número mínimo de espermatozóides móveis necessários para a fertilidade máxima variava entre os touros, enquanto den Daas et al. (1998) relataram que os touros diferiam em sua taxa máxima de não retorno ao cio, e também na taxa na qual menos aproximavam deste máximo quando o número de espermatozóides por dose era aumentado.

Avaliação da qualidade do sêmen utilizado na propriedade é o ponto de partida para o diagnóstico das causas de retorno ao estro das vacas leiteiras. Como temática de pesquisa, através deste projeto utilizou-se a avaliação laboratorial da fertilidade do sêmen e com isto concluir-se sobre a viabilidade do seu uso na inseminação artificial.

 

Material e Métodos

Foram avaliados 13 (treze) amostras de sêmen congelado de diferentes touros de raças leiteiras (holandesa e jersey). Os testes de avaliação de qualidade compreenderam os de motilidade, vigor, concentração, morfologia e teste de termo-resistência rápida (TTR); segundo a metodologia descrita por Fonseca et al. (1992). Para o teste de motilidade e vigor, as amostras foram descongelados em banho-maria com temperatura controlada de 37°C por trinta segundos e colocados sobre lâmina pré-aquecida também a 37°C. Imediatamente foram avaliados em microscópio óptico com 200x aumento. Para exame de concentração foi usada contagem através da utilização da câmara de Neubauer e analisados em 200x aumento. Já para o TTR, as amostras foram descongeladas e submetidas ao teste de termo-resistência rápido (46°/30 minutos). Para o teste de morfologia foram contados 100 células espermáticas utilizando microscópio de contraste de fase e classificando-os em normais, com defeitos maiores ou menores.

 

Resultados e Discussão

A qualidade final do sêmen usado a campo é influenciada por vários fatores, entre os quais podemos destacar os relacionados ao manejo do botijão, métodos de descongelação e das características do material coletado e congelado pelas centrais de sêmen. Com relação à qualidade do sêmen, Pace et al. (1981) relataram que a fertilidade aumenta com aumento no número de espermatozóides estruturalmente intactos e móveis.

Os resultados obtidos na avaliação estão na Tabela1 a seguir:

Tabela 1 – Espermiograma de amostras de sêmen congelado utilizado na bacia leiteira de Cruz Alta – RS

A motilidade espermática é definida como o percentual de movimento retilíneo e progressivo e não deve ser inferior a 30% no exame direto, e de termo-resistência o mínimo de 15% (FONSECA et al, 1992). Porém, no exame direto, um touro (7,69%) foi reprovado no teste, apresentando 20% de motilidade, sendo que no teste de termo-resistência foram reprovados sete touros (53,84%).

Segundo FONSECA, et al. (1992) no sêmen descongelado a 37º C por 30 segundos o vigor mínimo aceitável é de 3, ou seja quando a maioria dos espermatozóides apresenta movimentos progressivos. Sendo que, o vigor, é classificado de 0 a 5 segundo a intensidade de movimentação retilínea dos espermatozóides. No estudo, dois touros (15.38%) apresentaram valores abaixo das referencias, ao exame direto. No entanto, na análise do (TTR) esse número subiu para oito touros representando (65,53%) das amostras.

A avaliação do sêmen através do exame morfológico dos espermatozóides é uma ferramenta importante que norteia a "condição fisiológica do sêmen". Ainda hoje, é utilizada como parâmetro a classificação de Blom (1972) em defeitos primários ou maiores e secundários ou menores. As primeiras se verificam durante o processo espermatogênico e as segundas afetam os espermatozóides, subseqüente a sua formação. Segundo Fonseca et al. (1992) o máximo de defeitos maiores e menores não podem ultrapassar o total de 20 % cada um. Admitindo-se um total geral máximo de 30% somados os defeitos menores e maiores. Portanto, nesta pesquisa (Tabela 1) todas as amostras passaram no teste.

Quanto à concentração de espermatozóides, o Colégio Brasileiro de Reprodução Animal (CBRA) estabelece um mínimo de 10 milhões de espermatozóides viáveis por dose de sêmen congelado para sêmen nacional e de 6 milhões para sêmen importado. Já o estudo realizado mostra uma dispersão entre os valores máximos e mínimos de espermatozóides encontrados por mm3 de sêmen, como mostra a Tabela1.

Estudos realizados indicam que para a avaliação da fertilidade do sêmen, não sejam usados os resultados das análises individualmente, e sim a associação entre os mesmos. Desta forma, o número de amostras que não alcançou a taxa mínima de avaliação foi de oito amostras, representando (61,53%) do total, sendo os resultados do TTR o mais significativo.

 

Conclusão

No presente trabalho abordou-se algumas causas relacionadas à qualidade do sêmen o qual revelou alguns resultados preocupantes, sugerindo novos trabalhos com número maior de amostras. O estudo revelou a possibilidade de que existam fatores inerentes ao sêmen como causa de baixa fertilidade nos rebanhos leiteiros.

 

Referências

BEAN, B.H., B.W. Pickett, and R.C. Martig. 1963. Influence of freezing methods, extenders and storage temperatures on motility and pH of frozen bovine semen. J. Dairy Sci. 46:145.

BERNDTSON, W.E., B.W. Pickett, and C. D. Rugg. 1976. Procedures for field handling of bovine semen in plastic straws. In: Proc. Nat'l. Assoc. Anim. Breeders 6th Tech. Conf. on Artif. Insem. and Reprod., Columbia, MO, p. 51.

BLOM, E. The ultrastructure of some characteristic sperm defects and a proposal for a new classification of the bull spermiogram. VII Simp. Int. di Zoot. Milão: 125-139 – 1972.

DEJARNETTE, J.M. 1999. Factors affecting the quality of frozen semen after thawing. In: Proc. Soc. for Therio. Ann. Conf., Nashville, TN, pp. 26 7-279.

DIAZ, J. D. S. . Inseminação artificial e congelação de sêmen em búfalos. In: Búfalos. (Org.). Búfalos. São Paulo: Associação Brasileira de Criadores de Búfalos, 1991, v. , p. 45-48.

FONSECA, V. O. et al. Procedimento para Exame Andrológico e avaliação de sêmen animal. Colégio Brasileiro de Reprodução Animal, Belo Horizonte 1992.

ETGEN, W.M., J.M. Ludwick, H.E. Rickard, E. A. Hess, and F. Ely. 1957. Use of mechanical refrigeration in preservation of bull semen. J. Dairy Sci. 40:774.

HAFEZ, E.S.E. Reprodução Animal. 6 ed, São Paulo: Manole, 1999.

MIES FILHO, A. Reprodução dos animais e inseminação artificial. 4 ed. Porto Alegre: Sulina, 1978.

MIES FILHO, A. Inseminação Artificial. 6 ed. Porto Alegre: Sulina, 1987. Rycroft, H. 1992. Factors influencing non-return data. In: Proc. Nat'l Assoc. Anim. Breeders 14th Tech. Conf. On Artif. Insem. and Reprod., Columbia, MO, pp.43-46.

SAACKE, R.G., J.A. Lineweaver, and E.P. Aalseth. 1978. Procedures for handling frozen semen. In: Proc. 12th Conf. on AI in Beef Cattle, pp. 46-61.

 
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