Interferência do grupo genético e do mês de nascimento do bezerro no desempenho reprodutivo de vacas nelore.

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Sumário

RESUMO

O presente trabalho foi realizado na Fazenda Santa Branca, localizada na Rodovia Dourados/Itaum, km 33, e teve como objetivo avaliar a interferência da raça, do sexo e do mês de parição do bezerro no desempenho reprodutivo de vacas Nelore. Para este estudo foram utilizados os dados de prenhê z de 743 vacas da raça Nelore referentes ao ano de 2006. Para a analise estatística dos dados foi realizada uma analise descritiva, pelo teste Qui -quadrado onde foi determinado se as porcentagens de prenhez com relação à raça, o mês de parição, sexo e o grupo genético do bezerro foram significativas ou não. Também foi realizada uma analise estatística através do coeficiente de correlação de Spearman, onde foram atribuídos valores de 1 e 2 para vacas prenhas e falhadas, respectivamente. A correlação entre o sexo e o grupo genético do bezerro não foram significativas, já com relação ao mês de parição, se representou altamente significativa. A raça do bezerro não apresenta influência no desempenho reprodutivo de vacas Nelore e o grupo genético do bezerro também não apresenta influência, o mês de parição apresenta influência na taxa de prenhez das vacas, quanto mais tarde o mês de parição menor a taxa de prenhez, observa -se as taxas de prenhez encontradas, significativas pelo teste Qui-quadrado, sendo de 87,7%, 89,69%, 82,0%, 62,1% e 51,4% para os meses de agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro respectivamente

Palavras-chave: taxa de prenhez, Nelore e cruzamento.

1 INTRODUÇÃO

Na última década, o cruzamento industrial de bovinos tornou-se uma importante ferramenta estratégica para implementar a produção de carne nos diferentes sistemas produtivos no Brasil. Isto, em parte, ocorreu em função, principalmente, do aumento da prática da inseminação artificial, e conseqüentemente, pela possibilidade e acessibilidade a sêmen de touros de uma ampla variedade de raças (Manella, 2004).

Dados de Grecellé et al (2006), afirmam que o mês de parição do bezerro influência a taxa de prenhez, ele relata que vacas que pariram mais cedo no ano tiveram longo período de recuperação do parto até o início da estação de monta. Teixeira et al. (2000), citado por Grecellé et al (2006), puderam observar que os maiores índices de repetição de cria (80%) são encontrados nas vacas que pariram mais cedo dentro do ano.

Rovira (1974) descreve em seu livro que vacas que amamentam diretamente seus bezerros demoram mais dias para terminar a involuç ão uterina que aquelas que são ordenhadas duas vezes ao dia. O mesmo autor também relata que a lactação interfere no processo produtivo, impedindo que muitas vacas entrem em cio.

Ribeiro et al. (1991) relata que o sexo do bezerro não tem influê ncia sobre a produção de leite, sendo que a produção para vacas amamentando machos ou fêmeas, é praticamente igual, mesmo resultado encontrado por Espasandin et al. (2000), que também afirmam que o sexo do bezerro não tem influê ncia sobre o numero e a duração de mamadas, nem sobre a produção de leite.

Neidhardt et al. (1978) citado por Ribeiro (1991) relatam que bezerros que procuram mamar mais frequentemente, estimulam uma maior produção de leite de suas mães, fato que foi observado entre bezerros cruzados.

O objetivo deste trabalho foi avaliar a interferência da raça e do mês de parição do bezerro no desempenho reprodutivo de vacas Nelores.

 

2 MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho foi realizado na Fazenda Santa Branca, propriedade do Senhor Ary Rigo, localizada na Rodovia Dourados/Itaum, km 33.

Para este estudo foram utilizados os dados de prenhez de 743 vacas da raça Nelore referentes ao ano de 2006. Essas vacas foram submetidas a uma estação de monta de 135 dias, de 1° de Novembro a 15 de Março. Todas as vacas foram inseminadas artificialmente durante 45 dias, e logo após a inseminação foi realizado um repasse com touro Nelore. O diagnóstico de gestação foi realizado 60 dias após a retirada dos touros.

Foram coletadas a data de nascimento, a raça e o sexo de cada bezerro nascido, e também o resultado do diagnóstico de gestação de cada vaca.

Para a analise estatística dos dados foi realizada uma analise descritiva, pelo teste Qui-quadrado onde foi determinado se as porcentagens de prenhez com relação ao mês de parição, sexo e o grupo genético do bezerro foram significativas ou não.

Também foi realizada uma análise estatística através do coeficiente de correlação de Spearman, onde foram atribuídos valores de 1 e 2 para vacas prenhas e falhadas, respectivamente.

 

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na análise de correlação de Spearman que encontra-se na tabela 1, não se evidenciou relação entre a raça e o sexo do bezerro com o desempenho reprodutivo da vaca. Resultados que confirmam as conclusões de Espasandin et al (2000), de que o grupo genético e o sexo do bezerro não afetaram a produção de leite das vacas nem o comportamento de amamentação dos bezerros, fatores que podem influenciar na prenhez, devido ao maior requerimento de nutrientes para manutenção da produção de leite. Segundo Rovira (1974) durante os primeiros 3° a 4° meses de lactação as necessidades alimentares da vaca se elevam praticamente ao dobro.

O resultado encontrado discorda dos resultados de Ribeiro (1991) que observa em seu trabalho que vacas puras da raça Aberdeen Angus e Charolês quando amamentam bezerros cruzados aumentam em 20% a sua produção de leite em comparação às vacas que amamentam bezerros puros.

A taxa de prenhez observada neste trabalho para vacas que amamentam bezerro nelore foi de 74,9%, vacas com bezerro meio sangue Aberdeen Angus/Brangus foi de 77,2% e vacas com bezerro meio sangue Simental foi de 79,7%, não diferindo entre si pelo teste do Qui -quadrado, sendo 76% a média geral de prenhez (Gráfico 1).

O mês de parição teve correlação de 0,30 (P<0,001) com a taxa de prenhez, (Tabela 1) onde se observa que vacas que parem mais tarde tem maior tendência a não conceberem no próximo ano, devido ao fato das mesmas terem um menor tempo de recuperação entre o parto e o té rmino da estação de monta. No gráfico 2 observa-se as taxas de prenhez encontradas, significativas pelo teste Qui-quadrado, sendo de 87,7%, 89,69%, 82,0%, 62,1% e 51,4% para os meses de agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro respectivamente, resultados que vão ao encontro dos dados de Grecellé et al. (2006) e Vieira et al. (2005), que afirmam que quanto maior a data de parto, ou seja, quanto mais tarde no ano, menores as chances de concepção dos animais no próximo ano.

Conforme observado por Grecellé, et al (2006) em seu trabalho, as vacas que pariram mais cedo dentro do ano tiveram longo período de recuperação do parto até o início do acasalamento. Teixeira et al. (2000), citado por Grecellé et al (2006), avaliaram mais de 48.000 parições, em Valparaíso – SP, e puderam observar que os maiores índices de repetição de cria (80%) são encontrados nas vacas que pariram mais cedo dentro do ano.

Segundo Burris & Priode (1958) citado por Rovira (1974), além da probabilidade de não conceberem no próximo ano, vacas com parto tardio dentro da estação de parição tendem a manter e agravar este comportamento com o passar dos anos. Esses fatores levam a probabilidade da vaca produzir menos bezerros durante sua vida útil, podendo ser descartadas do rebanho, por não repetirem cria anualmente.

A correlação entre o sexo do bezerro e o potencial reprodutivo da vaca apresentou resultados não significativos pelo teste do Qui-quadrado. As percentagens de prenhez podem ser observadas no gráfico 3 onde a taxa de prenhez para vacas amamentando bezerro macho foi de 75,5%, e as que amamentaram bezerras foi de 76,6%, com média de 76%.

Espasandin et al (2000) afirma em seu trabalho que o sexo do bezerro não tem influência sobre o número e a duração de mamadas, nem sobre a produção de leite. Fatores esses, que segundo Rovira (1974) e Oliveira et al (2006), têm influência considerável no aumento dos índices de manifestação de cio e de prenhez após o parto.

 

4 CONCLUSÕES

1. A raça do bezerro não apresenta influê ncia no desempenho reprodutivo de vacas Nelore .

2. O grupo genético do bezerro também não apresenta influência.

3. O mês de parição apresenta influência na taxa de prenhez das vacas, quanto mais tarde o mês de parição menor a taxa de prenhez.

 

5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ESPASANDIN, A. C.; PACKER, I. U.; ALENCAR, M. M. Comportamento de amamentação e produção de leite de vacas Nelore em diferentes sistemas de produção e cruzamentos. III Simpósio Nacional de Melhoramento Animal, 2000. Disponível em: http://www.sbmaonline.org.br/ anais/ iii/ trabalhos/ bovinocorte/ iiit20bc.pdf > Acesso em: 08 mai. 2008, 08:58:46

GRECELLÉ, R. A.; BARCELLOS, J. O. J.; BRACCINI NETO, J.; COSTA, E. C.; PRATES, E. R. Taxa de prenhez de vacas Nelore x Hereford em ambiente subtropical sob restrição alimentar. R. Bras. Zootec, v.35, n.4, p.1423-1430, 2006.

MANELLA, M. Q. As vantagens de cruzar. Revista Cultivar Bovinos, n. 4 , p. 8-11, fevereiro, 2004.

OLIVEIRA, R. L. ; BARBOSA, M. A. A. F. ; LADEIRA, M. M. ; SILVA, M. M. P. ; ZIVIANI, A. C.; BAGALDO, A. R. Nutrição e manejo de bovinos de corte na fase de cria. Rev. Bras. Saúde Prod. An., v.7, n.1, p. 57-86, 2006

RIBEIRO, E. L. A. de; RESTLE, J.; PIRES, C. C. Produção e composição do leite em vacas Charolês e Aberdeen Anagus amamantando terneiros puros e mestiços. Pesq. agropec. bras., Brasilia, 26(8):1267-1273, ago. 1991.

ROVIRA, J. Reproduccion y manejo de los rodeos de cria. Montevideo: Hemisfério Sur, 1974.

VIEIRA, A.; LOBATO, J. F. P.; TORRES JUNIOR. R. A. A.; Correa, E. S.; Cezar, I. M. Fatores determinantes do desempenho reprodutivo de vacas Nelore na região dos Cerrados do Brasil Central. R. Bras. Zootec, v.34, n.6, p.2408-2416, 2005 (supl.)

 

Tabela 1. Correlação de Spearman entre características analisadas.

 

Gráfico 1. Porcentagem de prenhez por grupo genético do bezerro.

 

Gráfico 2. Porcentagem de prenhez por mês de parição.

 

Gráfico 3. Porcentagem de prenhez pelo sexo do bezerro.

 

**O trabalho foi originalmente publicado pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo. 

 
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