Influências das relações entre o ganho médio diário de peso, a idade e o peso no primeiro acasalamento no desempenho reprodutivo de novilhas de corte acasaladas aos 14 e 24 meses

Publicado: 15/10/2012
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Sumário

RESUMO

O trabalho teve por objetivo avaliar a influência das relações entre o ganho médio diário de peso, a idade e o peso na resposta reprodutiva de novilhas de corte acasaladas aos 14-15 meses ou 26-27 meses de idade. Foram coletados, durante os anos de 2001, 2002, 2003 e 2004, dados de 311 novilhas de corte, com bases raciais britânica e suas cruzas, acasaladas aos 14-15 meses de idade (Sistema Um Ano-S1A) ou 26-27 (Sistema Dois Anos-S2A). Do total, 179 animais compuseram o grupo S1A e 132 o grupo S2A. Os parâmetros analisados para os diferentes grupos foram: peso no início do acasalamento (PIA), ganho médio diário de peso do nascimento ao acasalamento (GMDNA), do nascimento ao desmame (GMD-ND) e do desmame ao acasalamento (GMD-DA), e taxa de prenhez (TP). A análise estatística foi feita pelo Modelo Linear Generalizado (GLM) a partir do software SPSS, sendo a taxa de prenhez testada pelo quiquadrado e o peso no início do acasalamento e os ganhos médios diários de peso pelo teste t de Student. O GMD-NA foi de 0,662 Kg/dia para o grupo S1A e 0,384 kg/dia para o grupo S2A, com diferença significativa (p<0,01). O GMD-ND foi de 0,809 Kg/dia para o grupo S1A e 0,750 kg/dia para o grupo S2A, apresentando diferença significativa (p<0,01) O GMD-DA foi de 0,569 kg/dia para o S1A e 0,235/dia kg para o S2A, também com significância (p<0,01). O PIA foi de 305,9 kg/dia para o grupo S1A e 330,0 kg/dia para o grupo S2A, também com diferença (p<0,01). A taxa de prenhez (TP) foi de 87,7% para o grupo de novilhas do S1A e 94,7% para o grupo S2A, apresentando diferença significativa (p=0,036). Com esses resultados, pode-se concluir que ambos os sistemas (S1A e S2A) apresentaram desempenho reprodutivo satisfatório, superior a 80% de taxa de prenhez no primeiro acasalamento. Porém, novilhas acasaladas aos dois anos de idade foram mais pesadas no início da estação de acasalamento e apresentaram maiores taxas de prenhez, em comparação com a novilhas acasaladas com um ano de idade.

Palavras-Chave: Novilhas de corte, peso vivo, puberdade.

INTRODUÇÃO

A redução da idade para o primeiro serviço das novilhas e as elevadas taxas de prenhez são fatores preponderantes para a manutenção da viabilidade econômica da pecuária de corte (Azambuja, 2003).

No Rio Grande do Sul, as novilhas são acasaladas, na maioria das vezes, com idade média superior a 36 meses (Lobato, 1985). A principal conseqüência deste acasalamento traduz-se por aumento de categorias improdutivas e redução da eficiência reprodutiva e produtiva (Vilares, 1984). A baixa eficiência reprodutiva é reflexo, inicialmente, do baixo peso com que as novilhas chegam ao primeiro acasalamento e da idade avançada com que têm o primeiro parto (Gottschall & Lobato, 1996), reduzindo a produção e limitando a exploração racional de bovinos de corte (Radostits et al., 1994). Segundo Lobato (1985), para reverter esta baixa eficiência reprodutiva é necessário, principalmente, reduzir a idade para o primeiro acasalamento, permitindo a redução de categorias improdutivas no rebanho, o que resulta em maior número de bezerros e quilos de bezerros desmamados por vaca mantida na propriedade (Jaume et al., 2000), além de aumentar o desfrute e a receita (Potter, 1997; Teixeira, 1997). Quando se reduz a idade para o acasalamento, os custos aumentam, há maior incidência de partos distócicos e as novilhas tendem a desmamar menor número de bezerros e com menor peso (Azambuja, 2003).

Para reduzir a idade para o primeiro acasalamento, é necessário conhecer as variáveis que interferem no aparecimento da puberdade de novilhas, pois puberdade precoce está relacionada à concepção precoce (Patterson et al., 1992). Segundo Rocha & Lobato (2002) para atingir a puberdade e conceber precocemente, as bezerras devem apresentar crescimento elevado e constante. Short & Bellows (1971) relatam que alta taxa de ganho de peso, obtida por meio de altos níveis de alimentação, propicia maior precocidade sexual e pesos na puberdade. Rocha & Lobato (2002) também observaram que as bezerras com maior peso na desmama, maior ganho de peso e condição corporal até o final da temporada de serviço (14-15 meses) foram as novilhas que conceberam. Alguns autores relacionam a importância de um peso mínimo crítico no início do acasalamento. Sawyer et al. (1991) relatam que é necessário as novilhas obterem cerca de 65% do peso de vacas adultas por ocasião do primeiro acasalamento, independente de idade. Segundo Rovira (1996), com um ganho médio diário, de 0,600kg do nascimento ao acasalamento é possível atingir índices satisfatórios de prenhez para novilhas hereford acasaladas aos 14-15 meses de idade. Na maioria das explorações no Brasil, a taxa de ganho de peso encontrase abaixo da desejada, principalmente após o desmame, que coincide justamente com o período de inverno ou estação da seca. Por isso, é importante que se saliente também a importância do peso no desmame e, conseqüentemente, do ganho médio diário de peso do desmame até o acasalamento. Para cada quilograma de aumento no peso no desmame, ocorre uma redução de 0,004 kg no ganho diário de peso necessário para alcançar o peso mínimo aos 14 meses (Azambuja, 2003).

Peso muito baixo no desmame pode comprometer o acasalamento de novilhas aos 14 meses, pois o ganho de peso no período do desmame até o acasalamento terá que ser muito alto. Assim, a equação do peso no desmame, da idade para o acasalamento e do peso necessário no início do acasalamento irá determinar a taxa de ganho de peso do desmame ao acasalamento (Barcellos et al., 2003a). Ganho de peso abaixo do ideal resulta em atraso na idade da primeira fecundação; já situações contrárias, ou seja, planos nutricionais adequados resultam em taxa de crescimento exagerada, elevação do custo com alimentação e, além disso, as novilhas podem apresentar desempenho reprodutivo inferior e baixa produção de leite (Gottschall, 2002). Uma vez estabelecido o ganho de peso para alcançar o objetivo proposto, que é a redução da idade para o primeiro acasalamento, manejos alimentares poderão ser empregados no sistema de produção, associando aspectos biológicos e econômicos (Barcellos et al., 2003b).

O objetivo deste presente trabalho foi avaliar a influência das relações entre o ganho médio diário de peso, a idade e o peso na resposta reprodutiva de novilhas de corte acasaladas aos 14-15 meses ou 26-27 meses de idade.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho foi realizado a partir de informações obtidas em uma propriedade particular situada no município de Cristal no Estado do Rio Grande do Sul. Foram analisados dados de 311 novilhas de corte mestiças, oriundas de cruzamento entre raças britânicas (Angus e Devon) e zebuínas acasaladas aos 14/15 meses de idade (Sistema Um Ano-S1A) e 26/27 meses de idade (Sistema Dois Anos-S2A), entre 19 de novembro de 2003 e 20 de janeiro de 2004. Do total, 179 animais compuseram o grupo S1A e 132 animais o grupo S2A.

Os animais de ambos os grupos foram submetidos ao manejo nutricional com o objetivo de atingir cerca de 300 kg até a estação de acasalamento. O grupo de animais do S1A, nascidos na primavera de 2002, teve alimentação baseada em campo nativo, suplementação à base de concentrado e pastagem cultivada de azevém durante o inverno, enquanto o grupo de animais do S2A, nascidos na primavera de 2001, teve alimentação baseada em campo nativo e suplementação à base de concentrado durante o primeiro inverno, permanecendo sobre o campo nativo sem suplementação alimentar durante o segundo inverno.

A temporada de acasalamento teve duração de sessenta e dois dias, iniciando-se no dia 19 de novembro de 2003 e terminando em 20 de janeiro de 2004. Os animais de ambos os grupos foram submetidos à inseminação artificial, em um protocolo que envolvia a identificação de estro e a inseminação após 12 horas, durante sete dias. No 7o dia, todos os animais não inseminados foram submetidos a uma aplicação de prostaglandina F2alfa e inseminados por mais 5 dias, com acompanhamento de cio. Após 12 dias, os animais inseminados foram submetidos ao repasse com touros na proporção de 1:30 vacas. Os touros utilizados apresentavam entre 3 e 4 anos de idade e foram previamente submetidos ao exame andrológico.

Os animais foram pesados por ocasião do desmame e a cada 30 – 60 dias, em média, até a estação de acasalamento. O diagnóstico de prenhez, através de palpação retal, foi realizado em março de 2004, sessenta dias após o término do acasalamento. As variáveis analisadas foram: peso no início do acasalamento (PIA), ganho médio diário de peso do nascimento ao acasalamento (GMD-NA), ganho médio diário de peso do nascimento ao desmame (GMD-ND), ganho médio diário de peso do desmame ao acasalamento (GMD-DA) e taxa de prenhez (TP).

A análise estatística foi feita pelo Modelo Linear Generalizado (GLM) a partir do software SPSS, sendo a taxa de prenhez testada pelo quiquadrado. O peso no início do acasalamento e os ganhos médios diários de peso foram testados pelo teste t de Student.

 

RESULTADOS

A Tabela 1 apresenta os resultados no peso ao início do acasalamento (PIA), ganho médio diário de peso do nascimento ao desmame (GMD-ND), do nascimento ao acasalamento (GMD-NA) e do desmame ao acasalamento (GMD-DA) e taxa de prenhez (TP) de novilhas acasalas com 14-15 meses ou 26-27 meses.

O peso no início do acasalamento (PIA) foi superior para o grupo S2A em relação ao grupo S1A, sendo a diferença de 24,1 kg altamente significativa (p<0,01). No entanto, embora os animais acasalados aos 26-27 meses de idade tenham apresentado maior peso no acasalamento, a taxa de de ganho peso diária foi inferior à do grupo de animais acasalados aos 14-15 meses de idade. Os maiores GMD-ND, GMD-NA e GMD-DA obtidos a favor das fêmeas S1A, ao longo do experimento, foi 0,059 kg/dia, 0,278 kg/dia e 0,334 kg/dia, respectivamente (p<0,01).

Tabela 1. Peso ao início do acasalamento (PIA), ganho médio diário de peso do nascimento ao desmame (GMD-ND), do nascimento ao acasalamento (GMD-NA) e do desmame ao acasalamento (GMD-DA), e taxa de prenhez (TP) de novilhas acasaladas com 14-15 meses ou 26-27 meses

Com relação ao desempenho reprodutivo, a superioridade de 7% na TP para o grupo S2A resultou em diferença estatística significativa (p<0,05).

As Tabelas 2 e 3 mostram os indicadores de desempenho de novilhas prenhes e vazias, acasaladas com diferentes idades (S1A e S2A), em relação ao do peso (PIA), da idade no início do acasalamento (IIA), do ganho médio diário de peso do nascimento ao acasalamento (GMD-NA), do nascimento ao desmame (GMD-ND) e do desmame ao acasalamento (GMD-DA).

No S1A (Tabela 2), o PIA, a IIA, o GMD-NA, para as prenhes e vazias, foram de 306,8 Kg e 299,7 kg; 417,9 e 414,2 dias e 0,663 e 0,652 kg/dia, respectivamente (p>0,05). No S2A (Tabela 3), o PIA, a IIA e o GMD-NA, para as prenhes e vazias, foram de 330,1 kg e 327,4 kg; 782,0 e 777,4 dias e 0,384 e 0,383 kg/dia, respectivamente (p>0,05). Nenhuma das variáveis PIA, IIA e GMDs apresentou diferença estatística significativa entre novilhas prenhes e vazias (p>0,05), tanto no S1A como no S2A.

Tabela 2. Indicadores de desempenho de novilhas prenhes e vazias acasaladas aos 14-15 meses em relação aos do peso (PIA), da idade para o início do acasalamento (IIA), do ganho médio diário de peso no nascimento ao acasalamento (GMD-NA), do nascimento ao desmame (GMD-ND) e do desmame ao acasalamento (GMD-DA).

Tabela 3. Indicadores médios de desempenho de novilhas prenhes e vazias acasaladas aos 26-27 meses, em relação aos do peso (PIA), da idade para o início do acasalamento (IIA),do ganho médio diário de peso do nascimento ao acasalamento (GMD-NA), do nascimento ao desmame (GMD-ND) e do desmame ao acasalamento (GMD-DA).

 

DISCUSSÃO

Na propriedade em questão, o peso médio das vacas adultas prontas para o abate é de 470 kg. Os valores encontrados confirmam as informações de Sawyer et al. (1991), que relatam a necessidade das novilhas atingirem cerca de 65% do peso de vacas adultas gordas para serem obtidos bons índices reprodutivos. Considerando este percentual, as novilhas deste experimento deveriam pesar, em média, 305,5 kg para apresentar taxas de prenhez satisfatórias. Este peso mínimo crítico atingido contribuiu para o desempenho reprodutivo satisfatório representado por uma TP de 87,7% e 94,7%, respectivamente para os grupos S1A e S2A. De forma similar às afirmações de Sawyer et al. (1991), Kasari & Gleason (1996) recomendam que as novilhas alcancem 60% do seu peso corporal adulto em cerca de 60 dias antes do início da estação de monta, considerando que a fertilidade das novilhas aumenta depois do 3º e 4º cios. Rovira (1996) afirma que novilhas de raças britânicas e suas cruzas acasaladas ao 14 –15 meses de idade devem atingir pesos no início do acasalamento entre 280-300 kg, para que sejam obtidos altos índices de concepção durante a estação de acasalamento. Esta afirmativa vai ao encontro dos resultados obtidos neste trabalho, resultando em altos índices de prenhez (87,7%).

Azambuja (2003), trabalhando com novilhas acasaladas aos 14 meses, obteve 35,4% e 66,7% de prenhez com pesos médios, no início do acasalamento, de 233,4 e 252,0 kg, respectivamente. Gottschall et al. (2003), com novilhas pesando, em média, 300,6 kg, obtiveram 79,8% de prenhez. Pereira Neto & Lobato (1998), trabalhando com novilhas acasaladas aos 24 meses de idade, com um PIA e uma TP de 329,9 kg e 87,1%, respectivamente, resultados estes similares aos deste trabalho. Beretta & Lobato (1996), trabalhando com novilhas de corte acasaladas aos 26-27 meses, obtiveram um PIA e TP de 351,7 kg e 100%, respectivamente. Como se pode notar, os resultados obtidos, quando contrastados com dados da literatura, mostram associação entre peso e prenhez, ou seja, maiores pesos no início do acasalamento resultam em aumento da resposta reprodutiva.

A superioridade de 24,1 kg no PIA do S2A, em comparação com o S1A, resultou em diferença significativa na taxa de prenhez, respectivamente 87,7% e 94,7% para S1A e S2A (p=0,036). Wiltbank et al. (1966) afirmam que novilhas acasaladas com 14/15 meses devem ter maior peso no início da estação de acasalamento em comparação com novilhas acasaladas aos 26/27 meses, com mesmo padrão genético, para alcançarem índices de prenhez similares, fator este relacionado à maturidade fisiológica do trato reprodutivo de novilhas acasaladas no S2A. Esses resultados reforçam a idéia de que não é somente o peso que irá interferir na TP, sendo a idade outro fator muito importante. Novilhas acasaladas aos 14 meses exigem mais energia para seu desenvolvimento, em detrimento das funções reprodutivas (Short et al., 1990).

O GMD-ND foi de 0,809 kg e 0,750 kg para S1A e S2A, respectivamente, apresentando diferença significativa (p<0,01). Essas diferenças podem ser explicadas pela seleção de animais, pois, no universo de novilhas da propriedade, as mais pesadas no desmame (acima de 160 kg de peso) foram preparadas para o acasalamento com 14-15 meses de idade, enquanto as mais leves com 26-27 meses. O GMD-DA foi de 0,569 Kg para o S1A e 0,235 kg para o S2A (p<0,01). Valores inferiores aos deste trabalho foram reportados por Rocha (1997): novilhas acasaladas com 14 meses tiveram um GMD-DA de 0,500kg, atingindo um peso médio de 251,59kg no início da estação de acasalamento, obtendo uma TP de 63,31%. Freitas et al. (2003), trabalhando com novilhas acasaladas aos 14 meses, obtiveram um GMDDA de 0,697 kg, superior ao deste trabalho; devido ao baixo peso no desmame, o PIA foi inferior a 260 kg e a TP resultou em 48,7%, inferior ao relatado neste trabalho. Esses dados permitem concluir que, conforme o peso no desmame, o S1A pode ficar prejudicado. Barcellos et al. (2003b) sugere um ganho médio diário de peso do desmame ao acasalamento de novilhas acasaladas aos 14 meses, de 0,550 kg, sendo essas bezerras desmamadas com 180 kg e com um peso adulto em torno dos 480 kg. Já para novilhas acasaladas aos 24 meses, este autor recomenda um ganho de 0,220 Kg, considerando um peso de 170 kg no desmame. Conforme Deutscher (1985), uma bezerra desmamada, com 160 kg aos 180 dias, necessita ganhar 120 kg em 170 dias, ou seja, um GMD-DA de 0,705 kg, caso queira atingir 280 kg aos 350 dias de idade.

O GMD-NA foi de 0,662 kg/dia e 0,384 kg/dia para o S1A e S2A, respectivamente (p<0,01). Embora o S1A tenha apresentado um maior GMD-NA, a TP foi inferior, devido à maior PIA e à maior idade das novilhas do S2A, como foi dito anteriormente. O menor PIA do S1A se explica pelo simples fato de que, quando se reduz a idade para o acasalamento, o tempo para que essas novilhas atinjam um PIA satisfatório é muito curto, necessitando maior GMD-NA. Na pecuária de corte intensivo, com acasalamento aos 14-15 meses de idade (S1A), os ganhos de peso nos 100 dias pós o desmame podem determinar o fracasso ou sucesso desse sistema (Potter et al., 1998). Barcellos (2001) mostra claramente o efeito do GMD-DA na idade da puberdade de novilhas com base racial britânica. Este autor, estimando um GMD-DA de 0,500 kg observou que a novilha atingiu a idade da puberdade em 433 dias; caso este GMD-DA aumente para 0,750, a puberdade é reduzida para 319 dias, isto é, quanto maior o ganho de peso, menor a idade na puberdade. Barcellos (2003) sugere um GMD-DA para novilhas desmamadas com 170 kg de 0,570 kg e 0,220 kg para S1A e S2A, respectivamente. Esses valores se encontram muito próximos dos obtidos neste trabalho. Segundo Deutscher (1985), para a obtenção de bons índices reprodutivos em novilhas acasaladas aos 14 meses, elas devem apresentar um GMD-DA em torno de 0,5 kg, levando-se em consideração pesos na desmama entre 200-225 kg.

A análise de parâmetros em novilhas que conceberam ou não é outra forma de avaliar esses indicadores (Tabela 2 e 3). Rocha & Lobato (2002), em trabalho com novilhas de diferentes grupos genéticos, acasaladas aos 14-15 meses, obtiveram taxa de prenhez média de 59,39 % com pesos médios estimados no início da estação de acasalamento de 248,36 kg e 227,24 kg para novilhas prenhes e vazias, respectivamente. Esses valores são bem inferiores aos encontrados neste trabalho, onde a taxa de prenhez foi de 87,70% e o PIA foi de 306,8 kg e 299,7 kg para as prenhes e vazias, respectivamente, no S1A. Silva (2003) também reporta valores inferiores: um PIA para novilhas do S2A de 313,8 kg e 288,4 kg para as prenhes e respectivamente, com um TP de 78%. Semmelmann (1998), trabalhando com novilhas Nelore, em Valparaíso, SP, com diferentes sistemas de suplementação, observou que o desempenho das novilhas que emprenharam aos 17-18 meses versus as que falharam foi de: 187 vs 177 kg de peso na desmama; 275 vs 259 kg de peso no início do acasalamento; 511 vs 497 dias de idade no início do acasalamento; e um ganho médio diário de peso do nascimento até o início do acasalamento de 0,483 vs 0,461 kg/dia, respectivamente (p<0,05). Esses resultados reforçam as afirmações de Rovira (1996), que observou uma relação linear entre peso e fertilidade de novilhas de corte vivas até os 300 kg; acima deste valor às taxas de prenhez são mais influenciadas por outros fatores além do peso. Nos trabalhos de Rocha (1997), Semmelmann (1998), Rocha & Lobato (2002) e Silva (2003), os pesos encontrados sempre foram abaixo do mínimo crítico recomendado por Sawyer et al. (1991), isto é, de 65% do peso da vaca adulta, explicando as diferenças significativas entre prenhes e vazias. Neste trabalho, os pesos foram superiores ao mínimo crítico, explicando a ausência de diferenças nos parâmetros entre prenhes e vazias.

 

CONCLUSÕES

Novilhas mestiças oriundas de cruzamento entre raças britânicas de corte e zebuínas acasaladas aos 14- 15 meses ou 26-27 meses podem apresentar desempenho reprodutivo satisfatório, quando atingem o peso mínimo crítico no início da estação de acasalamento.

Os parâmetros que envolvem idade, ganho médio diário de peso, peso no início do acasalamento estão relacionados ao desempenho reprodutivo de novilhas.

Novilhas acasaladas aos dois anos de idade foram mais pesadas no inicio da estação de acasalamento e apresentaram maiores taxas de prenhez em comparação a novilhas acasaladas com um ano de idade.

 

REFERÊNCIAS

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Autor/s.
Possui Graduação em Medicina Veterinária (1991) e Mestrado em Zootecnia (1994)pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS -. Doutor em Ciências Veterinárias pela UFRGS (2011). Atualmente é professor Adjunto da Universidade Luterana do Brasil - ULBRA -, desde 1994. Tem experiência na área de Zootecnia, com ênfase em Produção Animal, atuando principalmente nos seguintes temas: bovinos de corte, manejo, acasalamento aos 14-24 meses, produção animal, confinamento, suplementação e desempenho animal, programas de sincronização de estro e IATF.
 
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