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Contaminação micotoxicológica do milho na América Latina - Ano 2024

Publicado: 3 de abril de 2025
Por: Pegasus Science
O milho é um dos cereais mais cultivados no mundo e desempenha um papel crucial na indústria de nutrição animal devido ao seu alto valor nutricional. No entanto, este cereal está susceptível ao ataque de fungos produtores de micotoxinas, substâncias que podem estar presentes nas várias etapas de produção do milho, desde o cultivo até a fase final de processamento, sendo consumidas na dieta dos animais. Os efeitos tóxicos e imunossupressores causados pelas micotoxinas são amplamente conhecidos, e a contaminação dos grãos por essas substâncias pode ter sérios impactos na saúde e na produtividade dos animais, resultando em prejuízos econômicos. Dessa forma, o monitoramento micotoxicológico do milho é essencial para garantir uma tomada de decisão ágil e eficaz, o que se torna viável por meio do uso de ferramentas rápidas que fornecem resultados imediatos e precisos.
Neste contexto, a tecnologia de reflectância no infravermelho próximo (NIRS) tem sido amplamente utilizada na indústria de nutrição animal para auxiliar no gerenciamento do Risco Micotoxinas. Neste relatório, a Pegasus Science apresenta os principais resultados de contaminação micotoxicólogica no milho comercializado em países da América Latina, preditos através da tecnologia NIRS ao longo do ano de 2024. No Brasil, também foi realizado um estudo comparativo entre as cinco regiões do país: Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

Metodologia

Ao longo do ano de 2024 foram preditos 19.503 espectros de milho enviados através da Plataforma Olimpo, um serviço web da Pegasus Science, conectado a diferentes equipamentos NIRS localizados em diversos laboratórios e indústrias da América Latina. Os espectros foram derivados de amostras de milho comercializado nos seguintes países: Argentina (n=628), Bolívia (n=27), Brasil (n=17.740), Colômbia (n=47), El Salvador (n=76), Equador (n=59), México (n=155) e Peru (n=325), totalizando 88.576 análises. Cada amostra foi previamente moída, homogeneizada e posteriormente lida no equipamento NIRS. Em seguida, foi realizado o upload do espectro na Plataforma Olimpo, onde as amostras foram preditas quanto à presença e concentração de fumonisinas B1 e B2 (FBs), aflatoxina B1 (AFB1), deoxinivalenol (DON) e zearalenona (ZEA). Os limites de quantificação (LOQ - em µg/kg ou ppb) para FB1, FB2, AFB1, DON e ZEA foram 200, 200, 5, 250 e 30, respectivamente.
Resultados
Fumonisinas
As FBs foram as micotoxinas mais prevalentes na América Latina, sendo detectadas em 82% das amostras. A concentração de FBs nas amostras variou de 0 até 18.694 ppb. Sua média geral no ano de 2024 foi de 2.087 ppb e a média das amostras positivas foi de 2.472 ppb. O Equador apresentou a menor média para FBs (841 ppb), enquanto a Colômbia apresentou a maior média (3.275 ppb). Em geral, uma alta frequência de contaminação de FBs em amostras de milho é esperada na América Latina, já que o clima nos países desta região favorece o crescimento de fungos do gênero Fusarium, que produzem essa micotoxina.
Zearalenona
A segunda toxina mais prevalente foi a ZEA, sendo observada em 46% das amostras preditas. A média geral e a média das amostras positivas foram de 31 e 70 ppb, respectivamente. A concentração de ZEA nas amostras variou de 0 até 835 ppb.Equador e Bolívia apresentaram as menores médias para ZEA (6 e 14 ppb, respectivamente). El Salvador e Peru obtiveram as maiores médias (44 e 48 ppb, respectivamente). Historicamente, a prevalência e média de contaminações por ZEA no milho eram baixas. Porém, nos últimos anos tem-se observado um aumento significativo nos níveis dessa micotoxina.
Deoxinivalenol
DON foi detectada em 40% das amostras, sendo a terceira micotoxina mais prevalente neste estudo. A variação de DON nas amostras foi de 0 até 5.770 ppb. Sua média geral foi de 172 ppb e a média das amostras positivas foi de 420 ppb. Argentina e El Salvador apresentaram as menores médias para DON (38 e 60 ppb, respectivamente), enquanto Equador e México obtiveram as maiores médias (259 e 398 ppb, respectivamente). Geralmente essa micotoxina é pouco prevalente no milho, porém, nos últimos anos tem-se observado um aumento na positividade e níveis de concentração.
Aflatoxina B1
Aflatoxina B1
A média geral de AFB1 e a média das amostras positivas foram de 1,9 e 10 ppb, respectivamente, sendo essa a micotoxina menos prevalente neste levantamento (21%). A concentração de AFB1 nas amostras variou de 0 até 151 ppb. Bolívia e Colômbia apresentaram as menores médias para AFB1 (0 ppb) enquanto o México obteve a maior média (7,3 ppb). Nos últimos anos essa micotoxina vem apresentando menores níveis de contaminação, não sendo observadas altas prevalências e concentrações devido a um melhor controle dos processos que podem ocasionar a presença dessa toxina, especialmente o armazenamento dos grãos.
Co-ocorrência das micotoxinas
Este estudo demonstrou uma maior frequência de interação entre toxinas produzidas por fungos do gênero Fusarium. Em 2024, a associação mais expressiva ocorreu entre FBs + ZEA, sendo detectada em 28% dos espectros analisados. A segunda e a terceira maior prevalência foram encontradas entre FBs + DON e FBs + DON + ZEA, perfazendo 23% e 14% das predições, respectivamente. Também pode haver associações de micotoxinas produzidas por diferentes gêneros de fungos, como por exemplo FBs + AFB1, que no ano de 2024 ocorreu em quase 10% das amostras preditas.
A contaminação dos grãos por diversas micotoxinas está relacionada ao fato de que um único gênero de fungo pode produzir diferentes tipos de micotoxinas, afetando o milho desde o campo até o armazenamento em silos ou armazéns. A co-ocorrência dessas micotoxinas em um mesmo produto pode gerar efeitos aditivos, sinérgicos ou antagônicos, dependendo das toxinas envolvidas e dos impactos em cada espécie animal. Portanto, esse fator deve ser cuidadosamente considerado na avaliação do risco associado às micotoxinas.
Atividade de água
Atividade de água
Ao longo do ano de 2024, a média de atividade de água (Aw) encontrada nos países da América Latina foi de 0,649, sendo que as médias variaram entre 0,612(Argentina) e 0,679(México). Além disso, 23% das amostras preditas estavam acima do limite considerado seguro (> 0,70). A Aw é uma informação importante quando se trata da estabilidade de qualquer alimento. Valores acima do limite de 0,70 já indicam que há condição para que os fungos possam se proliferar e produzir micotoxinas. Dessa forma, a Aw é um dos fatores críticos na conservação dos grãos, sendo importante o seu monitoramento, principalmente durante o armazenamento, para auxiliar no controle do crescimento fúngico e da produção de micotoxinas.
Resultados Brasil – Comparação entre as cinco regiões
Nos gráficos acima são apresentados os resultados de média e prevalência de micotoxinas nas cinco regiões do Brasil ao longo de 2024. As FBs foram as micotoxinas mais prevalentes no Brasil, sendo detectadas em 62% das amostras. A média geral do ano no país foi de 873 ppb, e a média das amostras positivas foi de 1.408 ppb. A região centro-oeste apresentou a menor média para FBs (282 ppb) enquanto a região norte apresentou a maior média (2.357 ppb). A ZEA foi a segunda micotoxina mais prevalente no Brasil, sendo observada em 44% das amostras. A média geral e a média das amostras positivas foram de 34 e 78 ppb, respectivamente. A região norte apresentou a menor média desta micotoxina (2 ppb) enquanto a região sul apresentou a maior média (38 ppb).
Com relação a DON, esta micotoxina ocorreu em 31% das amostras preditas no Brasil, com média geral de 138 ppb e média das amostras positivas de 444 ppb. As regiões que apresentaram as maiores médias de contaminação foram as regiões norte e sul, com médias de 154 e 155 ppb, respectivamente, enquanto a região nordeste apresentou a menor média de contaminação (54 ppb). As médias de AFB1 foram relativamente baixas, sendo está a micotoxina de menor ocorrência no país (13%) ao longo de 2024. Sua média geral foi de 1,3 ppb, enquanto a média das amostras positivas foi de 9,8 ppb. A região sul apresentou a maior média desta micotoxina (1,5 ppb), ao passo que a região centro-oeste apresentou a menor média (0,1 ppb).
Através deste estudo, foram observadas diferenças importantes na contaminação micotoxicológica entre as diferentes regiões brasileiras ao longo de 2024, com a região norte se destacando pela maior média de FBs e a região sul por apresentar médias mais elevadas de ZEA e DON.

Conclusão

As micotoxinas de maior relevância e prevalência no milho comercializado nos países da América Latina têm demonstrado variações notáveis ao longo dos últimos anos. Os achados mais significativos do levantamento realizado em 2024 revelaram uma elevada prevalência de FBs, um aumento da prevalência e da contaminação por ZEA e DON em comparação com os anos anteriores, além de uma prevalência de AFB1 considerada baixa/moderada.
A adoção de tecnologias de diagnóstico ágeis e de alta confiabilidade torna-se um fator crucial na tomada de decisão, permitindo uma gestão mais assertiva e economicamente eficiente para as empresas. A utilização do NIRS para a predição de micotoxinas propicia resultados céleres, viabilizando a execução de um número substancialmente maior de análises, o que, por sua vez, garante maior segurança e precisão na utilização dos ingredientes.
Além da concentração média e positividade de cada micotoxina, deve-se atentar a outros elementos essenciais para a avaliação do grau do risco de exposição, tais como a co-ocorrência de distintas micotoxinas, a sensibilidade específica de cada espécie animal em suas diferentes fases de desenvolvimento e sexo, bem como os fatores ambientais, sanitários, genéticos e nutricionais a que os animais estão expostos, os quais podem influenciar substancialmente a magnitude do risco.
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