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Tratamento químico rações frangos

Efeito do tratamento químico de rações de frangos de corte sobre a eficácia de fitases in vivo de 0 a 20 dias de idade.

Publicado: 17 de fevereiro de 2012
Fonte : GILSON A. GOMES; TIAGO T. DOS SANTOS; GUILHERME WADT; FLAVIO A. LONGO; BÁRBARA V. DE FREITAS; LUCIO F. ARAÚJO
Sumário

O tratamento químico de rações com produtos a base de formaldeído e ácidos orgânicos é uma prática comum em busca da redução da contaminação microbiológica. Em função dos componentes presentes nos produtos químicos existentes no mercado, poderia se esperar algum efeito sobre a digestibilidade de nutrientes da ração, assim como a proteína, e com isso redução da atividade de enzimas como, por exemplo, a fitase. O objetivo do presente trabalho foi avaliar o efeito da adição de produto anti-salmonella líquido (a base de formaldeído) em rações, sobre a eficiência in vivo de distintas fitases disponíveis no mercado. 630 pintos de corte foram divididos em um esquema fatorial 7x2 composto por uma ração Controle Positivo, Ração Controle Negativo (CN) e adição de 5 distintas fitases sobre CN com ou sem adição de uma superdosagem do anti-salmonella. Uma ave por repetição foi sacrificada e a tíbia esquerda foi coletada para determinação da concentração de cinza óssea. Aves alimentadas com CN tiveram redução de desempenho que foi parcialmente recuperado pela adição das enzimas, independente da origem. A atividade de fitases in vivo não foi afetada pela adição do produto anti-salmonella.

Palavras-Chave: Fitase, Formaldeído, Frango de corte.

Introdução:
Diferentes métodos podem ser utilizados como agentes sanitizantes para redução de carga bacteriana e fúngica na produção de ração, entre eles a adição de produtos a base de formalina (Khan et al., 2006), o qual corresponde a uma solução aquosa de 37% de formaldeído. Por sua característica volátil, a liberação de formaldeído na ração inicia-se a partir de sua aplicação (Khan et al., 2006), gerando um efeito sanitizante, mas também podendo interferir com outros componentes da dieta como proteínas e minerais, além de não estar ainda claro se a adição desse tipo de tratamento químico afeta ou não a atividade enzimática de fitases adicionadas à ração. O objetivo do presente trabalho foi o de avaliar se uma superdosagem de produto anti-salmonella a base de formaldeído e ácido propiônico pode afetar a eficiência in vivo de distintas fitases disponíveis no mercado.
Material e Métodos:
Um total de 630 pintos machos Cobb 500 foram alojados e submetidos a 14 dietas, em esquema fatorial 7x2, com 5 repetições de 9 aves cada. As dietas foram formuladas segundo Rostagno et al. (2005), exceto para os níveis de cálcio e fósforo. O arraçoamento consistiu em uma dieta inicial (0-20 dias) sendo formulada baseada nos seguintes tratamentos: T1 - Controle Positivo (CP - Ca 0,90% e P disp. 0,45%); T2 - Controle Negativo (CN com redução nos níveis de Ca - 0,75% - e P Disp - 0,22%); T3 a T7 - Ração semelhante ao CN, mas com adição de enzimas fitase bacteriana  melhorada (BM), bacteriana sem proteção (BS), fúngica sem proteção (FS), fúngica protegida (FP) e bacteriana protegida (BP) respectivamente. Os Tratamentos 8 a 14 consistiram nos mesmos tratamentos de 1 a 7 porém com adição de 3kg por tonelada de ração (dobro da dose recomendada) de um produto anti-salmonella líquido (Salmex®). O consumo de ração foi medido semanalmente e aos 20 dias as aves foram pesadas para determinação do peso vivo e conversão alimentar, uma ave por repetição foi sacrificada e a tíbia esquerda coletada para determinação de cinza óssea. A adição das distintas enzimas fitase seguiu as recomendações determinadas pelos fabricantes.
Resultados e Discussão:
A redução no nível de Cálcio e Fósforo da ração ocasionou uma queda de desempenho dos animais, representada pela redução do consumo de ração, peso vivo e percentual de cinzas ósseas, além de piora da conversão alimentar. A adição de enzimas sobre o controle negativo proporcionou melhora nos índices de peso vivo, consumo de ração (FS), conversão alimentar (BM) e teor de cinzas ósseas (FP). A adição de produto anti-salmonella não afetou o peso vivo, consumo de ração e percentual de cinzas ósseas, porém foi observado um prejuízo na conversão alimentar, o que pode estar relacionado a uma redução de solubilidade protéica (Park, 1999; Bravo, 2002), principalmente considerando que foi aplicado uma dose duas vezes superior em relação ao recomendado, demonstrando a importância do controle de dosagem desse tipo de produto em rações. Não houve interação entre enzimas utilizadas e adição de anti-salmonella. A tendência numérica de interação para consumo de ração (P=0,108) e percentual de cinzas ósseas (P=0,079) não apresentaram relação com um dos tratamentos especificamente (dados não apresentados).
Efeito do tratamento químico de rações de frangos de corte sobre a eficácia de fitases in vivo de 0 a 20 dias de idade. - Image 1
Conclusões:
A atividade de enzimas fitase in vivo não é afetada pela adição de produtos antisalmonella a base de formaldeído.
Agradecimentos:
Ao Prof. Dr. José Fernando Machado Menten, e a ESALQ/USP, pelo auxílio na confecção e aplicação do anti-salmonella às dietas experimentais. 
Referências Bibliográficas:
- Bravo, D. et al., Effects of fungal phytase addition, formaldehyde treatment and dietary concentrate content on ruminal phosphorus availability. Animal Feed Science and Technology 99: 73-95, 2002; 
- Khan, A., et al., Effects of formalin feeding or administering into the crops of White Leghorn Cockerels on haematological and biochemical parameters. Poultry Science 85: 1513-1519, 2006; 
- Park, Y et al. Formaldehyde treatment suppresses ruminal degradation of phytate in soyabean meal and rapeseed meal British Journal of Nutrition 81, 467-471, 1999;
 - Rostagno, H.S. Tabelas brasileiras para aves e suínos: composição de alimentos e exigências nutricionais. Viçosa, MG: Editora UFV, 2005. 141p. 
Autores:
Gilson Alexandre Gomes
AB Vista
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