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Insetos ameaçam a segurança das matérias-primas na nutrição animal

Publicado: 16 de julho de 2026
Fonte : Robisson Tiago - Coordenador de mercado de conservantes e pet da Safeeds
Safeeds alerta que o controle de fungos, umidade e insetos armazenadores é uma das estratégias mais importantes para reduzir o risco de enterobactérias e preservar a qualidade das matérias-primas durante o armazenamento e a exportação.
Muito além das perdas de peso e qualidade dos grãos, os insetos presentes em matérias-primas armazenadas representam um importante desafio para a biosseguridade da cadeia de produção animal. Besouros, carunchos e outros insetos típicos de silos e armazéns podem atuar como carreadores mecânicos de microrganismos, favorecendo a disseminação de enterobactérias, incluindo a?Salmonella, além de acelerar a deterioração dos ingredientes quando encontram ambientes com excesso de umidade e crescimento de fungos. Estudos da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e pesquisas internacionais demonstram que condições inadequadas de armazenamento favorecem simultaneamente a proliferação de fungos e de insetos, criando um ciclo que compromete a segurança microbiológica das matérias-primas.? 
Segundo Robisson Thiago, coordenador de Mercado de Conservantes e Pet da Safeeds, muitas empresas ainda concentram seus esforços apenas no controle microbiológico, mas deixam de considerar um elo igualmente importante dessa cadeia. 
"Quando falamos em biosseguridade das matérias-primas, normalmente pensamos em fungos e bactérias. Mas existe um vetor silencioso que merece muita atenção: os insetos armazenadores. Besouros, carunchos e outras pragas encontram nas matérias-primas um ambiente ideal quando existe excesso de umidade e desenvolvimento de fungos. Ao controlar esses fatores, reduzimos também as condições para que esses insetos completem seu ciclo de vida." 
Robson explica que a presença de fungos não representa apenas perdas nutricionais ou risco de micotoxinas. Ela cria um ambiente extremamente favorável para a multiplicação de diversas espécies de insetos que se alimentam do material deteriorado. 
"Quando conseguimos controlar a umidade e impedir o crescimento dos fungos, automaticamente reduzimos a oferta de alimento para esses insetos. Com menos alimento disponível, ocorre uma diminuição da oviposição, da população de besouros e carunchos e, consequentemente, reduzimos um importante mecanismo de transporte de enterobactérias dentro da cadeia produtiva." 
Pesquisas mostram que diversos insetos associados ao armazenamento de grãos e ingredientes podem transportar microrganismos em seu corpo e no trato digestivo, funcionando como vetores mecânicos de bactérias como Salmonella. Em ambientes de produção animal, essa relação já foi demonstrada em diferentes estudos envolvendo besouros presentes em instalações avícolas e em unidades de armazenamento. 
Para o especialista, essa visão integrada da conservação de matérias-primas é essencial para elevar os padrões de biosseguridade. 
"O objetivo não é apenas conservar o ingrediente. É criar um ambiente onde fungos, insetos e enterobactérias encontrem cada vez menos condições para se desenvolver. Esse manejo preventivo reduz riscos ao longo de toda a cadeia de produção." 
Outro benefício importante está relacionado à vida útil dos ingredientes. 
"Quando preservamos a qualidade microbiológica da matéria-prima, conseguimos manter suas características por muito mais tempo durante o armazenamento. Isso oferece maior segurança para quem trabalha com estoques prolongados e reduz perdas econômicas provocadas pela deterioração dos ingredientes." 
Essa estratégia ganha ainda mais relevância nas operações destinadas ao mercado internacional. Ingredientes destinados à exportação frequentemente permanecem armazenados por semanas ou até meses antes de chegarem ao destino final, enfrentando longos períodos de transporte marítimo e variações ambientais. 
"Hoje observamos clientes exportando matérias-primas por períodos de 60, 90 e até 120 dias com muito mais tranquilidade, justamente porque adotam programas preventivos de conservação. Isso significa maior confiança de que o produto chegará ao destino preservando sua qualidade física, microbiológica e sanitária." 
Segundo Robson, investir em programas preventivos de conservação representa uma mudança de paradigma para a indústria de nutrição animal. 
"A biosseguridade começa muito antes da granja. Ela começa na qualidade da matéria-prima, nas condições de armazenamento e no controle dos fatores que favorecem fungos, insetos e microrganismos. Quanto mais eficiente for essa prevenção, maior será a segurança de toda a cadeia produtiva." 
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Robisson Tiago
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