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Como a coccidiose afeta a avicultura e quais estratégias podem mitigar seu impacto?

Publicado: 1 de março de 2025
Por: Angel Gonzalez - Veterinary, Export Manager, Sales Department

Introdução

A coccidiose é uma das doenças parasitárias mais devastadoras para a indústria avícola, causando perdas anuais que ultrapassam 15 bilhões de dólares em todo o mundo (Sharma & Kim, 2024). Causada por diferentes espécies de protozoários do gênero Eimeria, afeta o trato digestivo das aves, reduzindo a eficiência alimentar, o ganho de peso e a produção de ovos no caso das galinhas poedeiras (Badri et al., 2024). Apesar dos avanços em biossegurança e nutrição, continua sendo um desafio persistente, especialmente em sistemas de produção no solo e em gaiolas (Muthamilselvan et al., 2016).

1. Prevalência e fatores de risco

Uma metanálise recente estimou uma prevalência global de infecção por Eimeria em frangos de corte de 44,3%, sendo E. tenella a espécie mais comum (Badri et al., 2024). A incidência é maior em regiões de clima quente e úmido, favorecida por más práticas de manejo, alta densidade populacional e condições higiênicas inadequadas. Em galinhas poedeiras, a coccidiose afeta a absorção de nutrientes, piorando os índices de conversão alimentar e reduzindo a produção de ovos (Sharma & Kim, 2024).

2. Alternativas nutricionais para o controle da coccidiose

2.1. Minerais e antioxidantes

A inclusão de oligoelementos na dieta, como selênio e ácidos graxos poli-insaturados, ajuda a mitigar o estresse oxidativo induzido por Eimeria, pois esses compostos fortalecem os sistemas de defesa do organismo. O selênio é um cofator de enzimas ligadas ao metabolismo antioxidante, especialmente da glutationa peroxidase, que reduz os danos celulares causados pelos radicais livres gerados durante a infecção. A glutationa peroxidase (GPx) protege as células do estresse oxidativo ao converter o peróxido de hidrogênio e os peróxidos lipídicos em água e álcoois, utilizando a glutationa (um tripéptido composto por glutamato, cisteína e glicina) como agente redutor.
Por outro lado, os ácidos graxos poli-insaturados possuem propriedades anti-inflamatórias e melhoram a integridade da mucosa intestinal, reduzindo a proliferação de Eimeria e melhorando a absorção de nutrientes (Sharma & Kim, 2024). Em galinhas poedeiras, foi demonstrado que a suplementação com ácidos graxos ômega-3 melhora a resposta imunológica e reduz a gravidade da infecção (Muthamilselvan et al., 2016).

2.2. Fitobióticos e extratos naturais

Diversos estudos demonstraram o potencial dos fitobióticos como alternativas aos fármacos convencionais para o controle da coccidiose. Um estudo sobre extratos vegetais contendo polialcoóis como carvacrol, timol e eugenol evidenciou melhorias na integridade intestinal e na eficiência alimentar dos frangos (Muthamilselvan et al., 2016). Esses compostos têm a capacidade de interferir no ciclo biológico da Eimeria e, ao mesmo tempo, modular a resposta imune do hospedeiro.
A inclusão de fitobióticos na dieta tem se mostrado uma estratégia eficaz para mitigar o impacto da Eimeria na produção avícola. Um estudo recente (Felici et al., 2023) avaliou os efeitos desses compostos na sobrevivência de Eimeria tenella e concluiu que houve uma redução de até 55% na invasão de esporozoítos em células epiteliais intestinais. Além disso, o carvacrol e o timol demonstraram significativa capacidade de alterar a membrana celular dos parasitas e reduzir sua viabilidade nas primeiras horas pós-infecção, dificultando seu desenvolvimento. Esses compostos possuem propriedades anti-inflamatórias que ajudam a manter a integridade da mucosa intestinal e a reduzir a proliferação do parasita.
Por outro lado, o eugenol demonstrou capacidade de modular a resposta imune, reduzindo os danos inflamatórios causados pela infecção (Sharma & Kim, 2024). Observou-se que esses polialcoóis também diminuem a expressão de interleucinas pró-inflamatórias, como IL-8 e IL-6, o que contribui para reduzir a inflamação intestinal e melhorar a saúde geral das aves (Felici et al., 2023).

3. Uso da Inteligência Artificial (IA) no diagnóstico e controle da coccidiose

A Inteligência Artificial está emergindo como uma ferramenta promissora na monitoração e no controle da coccidiose aviária. Certos algoritmos de aprendizado de máquina podem analisar padrões de consumo alimentar, localização das aves, excreções e outras anomalias presentes nas granjas associadas a uma infecção por Eimeria, permitindo a detecção precoce da doença (Sharma & Kim, 2024). Além disso, a IA pode ser usada para analisar imagens post-mortem e histológicas, auxiliando no diagnóstico veterinário.
Sensores IoT (Internet of Things – Internet das Coisas) combinados com IA permitem o monitoramento contínuo dos fatores ambientais e de saúde, otimizando as estratégias de prevenção. À medida que essas tecnologias continuam evoluindo, a integração de modelos preditivos na produção avícola pode revolucionar a gestão sanitária. Será que a IA, assim como as estratégias nutricionais, será uma peça-chave para erradicar a coccidiose no futuro?
*Certas informações associadas aos produtos, à sua composição e às suas alegações podem ser diferentes consoante a região geográfica e podem não ser aplicáveis em todos os países. A Liptosa reserva-se o direito de as adaptar às exigências e à legislação de cada caso.
As informações e recomendações técnicas aqui fornecidas baseiam-se nos conhecimentos e na experiência actuais da Liptosa.
A Liptosa reserva-se o direito de atualizar as informações e argumentos contidos nesta plataforma, bem como de efetuar quaisquer alterações a estas informações ou recomendações em qualquer momento, sem aviso prévio ou posterior.
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