Salmonella em Integradoras

Controle de Salmonella em Integradoras

Publicado o: 21/11/2011
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Introdução:

Segundo o Codex Alimentarius, a presença de qualquer sorovar de Salmonella em alimentos é motivo para classificá-lo como impróprio para o consumo, o que tem levado a indústria de produtos de origem animal a implantar estratégias de controle a fim de garantir a segurança dos alimentos.
Embora a salmonelose não cause grandes prejuízos às criações animais seu controle é de interesse à saúde pública, por ocasionar epidemias.
Recentemente foi aprovada na União Européia uma legislação que visa controlar o agente na cadeia avícola a fim de se garantir negatividade para Salmonella em todos os produtos derivados da produção, a partir de dezembro de 2011.
No entanto, controlar o agente em granjas e frigoríficos de aves e suínos é um dos principais desafios de produtores e veterinários. Barber et al (2002) demonstraram que a Salmonella está amplamente difundida nos sistemas de produção, mostrando a importância da adoção de sistemas de controle de qualidade durante a produção animal, como programa de Biosseguridade e HACCP.

Fábrica de ração foi responsável pelo recall de meio bilhão de ovos nos EUA

Autoridades dos Estados Unidos da América desconfiam que a fonte de infecção para Salmonella que desencadeou um recolhimento de mieo bilhão de ovos e mais de 1.300 surtos de doenças em humanos em setembro de 2010 foi a fábrica de ração da empresa em questão. Os fiscais reportaram que a unidade não se encontrava regularizada com as exigências do Ministério da Agricultura e apresentava condições precárias de higiene, manejo de dejetos, pragas e baixas condições de segurança de trabalho.
Segundo a World Poulty (setembro, 2010) pesquisas demonstram que a empresa de ovos já era positiva para Salmonella em amostras retiradas de suas instalações desde 2008, inclusive pelo serovar que provocou o recall e, em pelo menos uma amostra, foi isolado S. enteritidis.
Fato semelhante ocorreu na suinoculura americana.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade do Estado de Ohio sugere que uma fábrica de rações comerciais pode ter sido a responsável pela contaminação por Salmonella em unidades de criação de suínos.Os pesquisadores testaram amostras de alimentos coletados das baias das unidades de criação e observaram que do total de 36 amostras, 8 apresentavam o agente. Ao realizar o isolamento bacteriano em amostras de ração e fezes, identificaram 5 genótipos diferentes nas rações, dos quais 4 foram isolados em amostras de fezes, sugerindo a dieta como fonte de contaminação aos animais. Outra particularidade que corrobora com a suspeita, observada na pesquisa, foi que as bactérias isoladas tanto da ração quanto das fezes apresentavam o mesmo padrão de resistência a antimicrobianos.

NÃO BAIXE A GUARDA E PROMOVA RASTREABILIDADE EFICIENTE, são as recomendações de especialistas ao redor do mundo.
Segundo Klaus Torborg (Lohman Animal Helath, UK) o recall citado acima deve servir de aviso aos produtores para não reduzirem suas medidas preventivas contra Salmonella, salientando a eficiência da Grã-bretanha no controle do agente.
Por sua vez, José Roberto Bottura, presidente executivo do Instituto de Ovos Brasileiro, o fato poderia ter sido evitado com a implantação de um sistema de rastreabilidade eficaz, permitindo a identificação correta da unidade produtora de ovos fonte da contaminação. O especialista afirmou também que os produtores brasileiros são mais atentos de forma geral, ao processo de rastreabilidade, sugerindo que seria mais difícil tal fato ocorrer em nosso país.
A preocupação em controlar o agente na cadeia produtiva de produtos de origem animal é de ordem oficial, tanto que a legislação brasileira avalia análises de produtos destinados a alimentação animal e humana, considerando o mesmo negativo para o agente quando este for ausente em 25 gramas do produto analisado (MS, 1987).

Peletização e Boas Práticas ajudam a controlar o problema!

Para se entender os fatores de risco à contaminação e desenvolvimento da Salmonella é importante conhecer a ecologia do agente.
Os parâmetros que afetam a multiplicação bacteriana, com seus respectivos parâmetros, estão demonstrados na tabela 2.

Tabela 2: Parâmetros que afetam a multiplicação bacteriana


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FONTE: MICROORGANISMOS PATOGÊNICOS EM ALIMENTOS - APPCC/ CNI/ UNISUL1999

Considerando-se que a temperatura ideal para a multiplicação da Salmonella é de 37oC e que não resistem a temperatura de pasteurização, as condições ambientais de armazenamento e os procedimentos do processamento da dieta são importante no ciclo do agente.
O controle da temperatura de armazenamento dos insumos é essencial, pois quanto maior a temperatura, maior a umidade relativa do grão, que aumenta a atividade metabólica do mesmo, liberando mais água, calor e acelerando o processo de deterioração, favorecendo a multiplicação microbiana.
Ainda como condições ambientais para previnir a contaminação para Salmonella cabe salientar a importância de se realizar limpeza e desinfecção periódica dos silos e da linha de produção.
Em relação aos tipos de processamento que a dieta pode sofrer durante sua fabricação, apenas os que envolvem tratamento térmico e/ou químico irão auxiliar no controle de Salmonella na cadeia de produção de produtos de origem animal
Além dos benefícios em relação a melhoria de disponibilidade de nutrientes, a peletização promove redução significativa na contaminação microbiana (Ross, 2000). Voeten e Van de Leest (1989) sugerem que para reduzir a contaminação das rações de frangos, a temperatura de peletização deve ser de 80 a 82oC.
No entanto é importante manter as boas condições de funcionamento e higiene do equipamento, pois a literatura indica que a Salmonella é distruída quando a temperatura interna do alimento atingir 74oC (Ilona, s.a.)
Como tratamento químico, o formaldeído tem sido utilizado há muitos anos, por apresentar baixo custo e ação bacteriana satisfatória. Porém o produto é irritante, causando transtornos em seu manuseio e limitando sua inclusão ao máximo de 660 ppm.
Atualmente estão disponíveis no mercado produtos a base de ácidos orgânicos, sais de ácidos orgânicos e blends de ácidos para serem utilizados como tratamento químico para ácidos para serem utilizados como tratamento químico para Salmonella nas dietas, no entanto é importante o conhecimento adequado do produto para se garantir a utilização segura.

MEDIDAS DE CONTROLE MULTIDISCIPLINAR

Como se sabe, a principal forma de infecção é a oral, assim são necessárias medidas para se evitar o contato das aves com o agente, assim vários sãos os veículos carreadores de Salmonella aos animais (figura 01).

Figura 01 : Principais veículos carreadores de Salmonella aos animais

Segundo Hayes (1993), citados por Fortuna e Franco (2005), as principais medidas de prevenção referem-se à:

- retirada do agente das granjas de reprodutoras;
- melhorar as condições higiênicas dos matadouros e das granjas;
- evitar os riscos de contaminação cruzada;
- controlar as condições higiênico-sanitárias das matérias-primas e do processo de fabricação da dieta;
- controlar roedores, pássaros e insetos nas fábricas e unidades produtoras de animais.

Dessa forma, fica clara a necessidade de agir de forma multidisciplinar buscando evitar a multiplicação do agente em diferentes elos da cadeia produtiva, com diferentes ferramentas, como a adoção de medidas de biosseguridade, boas práticas de produção e controle de pontos críticos na produção animal.

Soluções Selko para controle de Salmonella

A Selko, líder de mercado em soluções ácidas tem em seu portifólio produtos específicos para controle de Salmonella com ação no ambiente (Fysal), na matéria-prima (Fysal Feed), na água de bebida (Selko Aqua Control e Selko pH) e no animal (Fysal Fit 4 e Selko pH), auxiliando assim o controle do agente em todos os setores da cadeia produtiva de carne e ovos.
Os produtos Selko são blends de ácidos orgânicos tamponados por hidróxido de amônia que os tornam mais seguros para manipulação e menos corrosivos à estrutura dos equipamentos, enquanto que as vantagens de Fysal referem-se ao seu efeito microbiano prolongado, além de não conter substâncias críticas como o formaldeído. A figura 2 mostra resultados da ação de Fysal, comparativamente com outros ácidos orgânicos para controle de Salmonella em dietas para frango.

 

Figura 2: Efeito de Fysal na descontaminação de Salmonela em dietas de matrizes de frango

Fysal Feed, por sua vez, apresenta uma inovação em sua fórmula, que permite que ele atue de forma eficaz em matérias-primas com alto teor de gordura. Ele contém um composto com ação detergente, que permite sua penetração nas camadas de gordura que muitas vezes protege a Salmonella da ação dos demais agentes bactericidas disponíveis no mercado, conforme ilustrado na figura 3.

 

Figura 3: Modo de ação de Fysal Feed (Fonte: Selko BV, 2010)

As figuras 4 e 5 demonstram os resultados de Fysal Feed, comparativamente com o formaldeído na redução de Salmonella em rações contaminadas e a perda de ambos produtos por evaporação, respectivamente.

 

Figura 4 - Fysal Feed x forlmadeído - desinfecção de dietas

Figura 5 - Fysal Feed x forlmadeído - perda por evaporação

 

Selko Aqua Control é um produto específico para controlar o pH da água de bebida a fim de mantê-lo em uma faixa de pH seguro para o animal e que garanta a inibição do crescimento de microorganismos indesejáveis na água de bebida (gráfico 01)
Por sua vez, Selko pH representa uma forma de acidificação da água de bebida mais completa, por atuar de 3 formas que se complementam. A primeira é através da acidificação da água de bebida, trazendo os mesmos benefícios que Selko Aqua Control. As outras duas formas de ação ocorrem por sua composição, que por ser mais concentrado em ácidos orgânicos de cadeia curta que Selko Aqua Control o produto atua melhorando a digestibilidade da dieta, principalmente em animais jovens por reduzir o pH de estômago e atua sobre microorganismos patogônicos no intestino delgado, por conter sais de amônia (figuras 06 e 07).
Gráfico 01: Segurança de aplicação de produtos para água Selko

 

Figuras 6 e 7: Modo de ação de Selko pH

A tabela 01 e a figura 8 demonstram resultados de Selko pH no controle de microorganismos indesejáveis na água de bebida.

Tabela 01: Efeito de Selko pH e outros acidificantes sobre o crescimento de E. coli na água de bebida

Figura 08: Efeito de Selko pH sobre o crescimento de enterobactérias e leveduras, na água de bebida

Fysal Fit 4, por sua vez, é a inovação da Selko que reúne diferentes estratégias de controle de Salmonella em um mesmo produto para ser utilizado nas dietas dos animais.
Fysal Fit 4 auxilia no controle do agente na ração do animal, pela ação dos ácidos orgânicos, previne a aderência das bactérias nos enterócitos, pois as manobioses mimetizam os receptores entéricos para as fímbrias tipo 1, que são os antígenos de superfície da Salmonella, controla a multiplicação das mesmas no intestino, pela ação do MCFA e dos SCFA e previne a invasão sistêmica pelo agente, pela ação do butirato revestido.
O gráfico 02 demonstra os resultados de um desafio experimental, em que foram inoculadas Salmonella enteritidis em frangos de corte no dias 7 e 8 de vida dos animais e então coletadas amostras de ceco para contagem da bactéria nos dias 22, 31 e 42 após a inoculação.


Gráfico 02: Resultados de Fysal Fit 4 na contaminação de Salmonella no ceco - Fonte: Selko BV (2010)

Efeito do Fysal Fit-4 na redução de Salmonella no ceco

 

Programa de Controle de Salmonella - Selko do Brasil

Compreendendo a importância do controle da Salmonella sp nos diferentes elos da cadeia produtiva e sabendo-se que a principal via de contaminação dos animais por esse agente é a oral, a Trouw Nutrition do Brasil desenvolveu o Programa Selko de Controle de Pontos Críticos para Salmonella para integradoras.
Esse programa segue as diretrizes do sistema de qualidade APPCC - Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle juntamente com as normas de Biosseguridade.
As diretrizes de um programa de Bisseguridade visam evitar que agentes perigosos, capazes de transmitir doenças e/ou contaminações aos animais adentrem a produção, criando uma série de barreiras físicas e burocráticas a fim de se garantir a qualidade da produção e rastrear possíveis desvios.
Por sua vez, o APPCC orienta como investigar os perigos (biológicos, químicos e físicos) que podem ocorrer nas unidades produtoras e visa controlá-los nos pontos críticos do sistema produtivo, através de monitoramento.
Dessa forma, as integrações devem apresentar um sistema de produção, higiene e desinfecção muito bem definido, visando a não contaminação cruzada entre animais e resíduos de animais.

Controle de Pontos Críticos

Para identificação dos pontos que configuram risco de contaminação ao sistema deve-se proceder um check-list de inspeção abrangendo todos os itens da produção, iniciando-se pela seleção de fornecedores de animais e insumos até a saída dos lotes, transporte e espera no frigorífico.
Pesquisas têm demonstrado que o pintinho pode se infectar pelo agente ainda na forma de embrião, no oviduto da matriz. Portanto devemos atentar para a escolha de um fornecedor de pintos de um dia idôneo, evitar a mistura de animais de diferentes procedências e, em casos em que a granja fornecedora de animais para o alojamento seja própria, agir preventivamente na matriz.
O alojamento dos animais deve ser feito o mais rápido possível e o ambiente deve estar pronto para recebê-lo, a fim de se evitar estresse e queda de desempenho na fase inicial do lote. Para isso, as instalações e equipamentos devem estar previamente limpos e secos antes do recebimento do lote. Para garantir a inocuidade das instalações e equipamentos deve-se adotar o sistema de alojamento "todos dentro - todos fora" e medidas de limpeza e desinfecção adequados, bem como respeitar o período de vazio sanitário (Figuras 09 a 11).

Figuras 09 a 11 : Desinfecção de aviários e equipamentos com Fysal Liquido e Fysal Pó.
Durante muitos anos, a maravalha foi o substrato de eleição, porém seu custo tem sido muito alto, forçando os produtores a buscar outros substratos mais baratos para substituí-la.
Nesse contexto, padronizou-se que um material poderia ser utilizado como cama desde que atendesse os requisitos abaixo:

- tivesse partículas de tamanho médio,
- capacidade de absorver umidade sem emplastrar,
- liberar facilmente a umidade absorvida para o ar,
- ter baixa condutividade térmica,
- ter boa capacidade de amortecimento, mesmo em alta densidade
- ter baixo custo e ser disponível na região em que será utilizado.

Por receber todas as excreções dos animais, a cama exerce função importante na epidemiologia das doenças. Dessa forma, são necessários cuidados especiais com esse material, principalmente em sua higienização entre a saída de um lote e alojamento de novos animais.
O manejo ideal refere-se à utilização de cama nova a cada troca de lote, no entanto, visando a redução de custos e redução da formação de dejetos, recomenda-se a reutilização da cama ao máximo possível. Para isso, deve-se atentar a fatores que influenciam sua vida útil como umidade, densidade, estação do ano, ventilação/ aeração das instalações, tipo de dieta, bebedouros e microbiologia da cama.
Ivo et al (1966) observaram que a população de coliformes cresce rapidamente a partir do 17 dia após o alojamento, atingindo o pico entre o 24° e o 40° dia. Os autores observaram correlação entre a presença de S. enteritidis e as variáveis físicas da cama.
Além da cama, o tipo de piso também influencia a carga microbiana do lote. Sabe-se que o lote abatido é um importante reservatório para patógenos em aviários.
O controle microbiano da cama é de extrema importância, pois a carga microbiológica desse material exerce relação direta com a saúde intestinal dos animais alojados sobre ela.
Dentre os métodos de controle disponível se encontram o biológico e o químico, que por sua vez se divide em desinfetante, alcalinizante e acidificante.
Entendendo-se as vantagens de cada método e as desvantagens dos produtos utilizados normalmente, a Trouw Nutrition do Brasil recomenda como controle microbiológico da cama a utilização da fermentação e uso de Fysal, além do controle da umidade do substrato antes do alojamento do novo lote, segundo a figura 12.

Figura 12: Recomendação de manejo e tratamento da cama de aviário

As rações devem ser produzidas sob normas de Boas Práticas de Fabricação deve-se adotar medidas de controle dos pontos críticos.
Para identificação dos pontos que configuram risco de contaminação ao processo de fabricação das dietas deve-se proceder um check-list de inspeção abrangendo todos os setores da fábrica, iniciando-se pela seleção de fornecedores até a expedição de produtos acabados.

Normalmente os insumos agrícolas são comercializados como comodities, no entanto não se deve buscar fornecedores visando apenas o menor preço, mas também por aqueles que tenham um sistema de qualidade implantado, focando o controle microbiológico das matérias-primas.

Os silos de armazenamento das matérias-primas também merecem atenção na inspeção pois a temperatura e umidade relativa do ar determinam a velocidade de multiplicação microbiana (Silva, 1999), além de conferir fonte de contaminação para mistura de lotes ou resíduos de lotes contaminados.
Em relação a linha de produção deve-se dar atenção especial a equipamentos que acumulam resíduos de batidas anteriores, como misturador e peletizadora e realizar uma desinfeção total da linha periodicamente.

As figuras de 5 a 8 mostram condições precárias de higiene de equipamentos da linha de produção de uma fábrica de ração.

Figura 5 e 6 - misturador (Borosky, 2007 - arquivo pessoal)

Figura 7: Elevador (Borosky, 2007)

Figura 8: Resfriador (Borosky, 2007)

A higiene da peletizadora é de extrema importância para garantir a qualidade do pellet e também para se certificar que está atingindo a temperatura ideal para controle microbiano no interior do pellet. As figuras 9 e 10 mostram condições precárias de higienização de uma peletizadora.

Figuras 9 e 10: peletizadora (Borosky, 2007)

Cuidados semelhantes devem ser tomados nos equipamentos utilizados na linha após a peletização, no silo de expedição e nos caminhões de ração, pois podem provocar a recontaminação da dieta após a peletização, comprometendo todo trabalho prévio.
As figuras 11 e 12 mostram as condições precárias de higiene da parte interna de um caminhão de ração.

Figuras 11 e 12: Caminhão de ração (Borosky, 2008)

A manutenção e monitoramento da qualidade da água de bebida configuram outro ponto crítico importante.

Sabe-se que os organismos vivos são compostos em mais de 70% de água e, portanto devemos fornecer esse nutriente aos animais de forma a garantir adequada ingestão diária, portanto a água deve ser de boa qualidade físico-química e microbiológica.

As características que determinam a potabilidade da água referem-se à concentração de sólidos dissolvidos totais (SDT)/ dureza; pH e microbiologia.
Considerando-se esses fatores interligados, observamos que o nível de sais dissolvidos totais interfere o fator pH tornando a água básica, o que, em níveis elevados, pode causar restrição no consumo pelos animais.

O gráfico 03 demonstra a relação entre microorganismos e o pH do meio. Nota-se que o pH de eleição para crescimento de agentes patogênicos é básico, sendo que o pH ácido funciona como inibidor do crescimento desses microorganismos.


Gráfico 03: Relação entre crescimento de microorganismos e pH do meio

Ainda considerando o fator pH da água, estudos têm demonstrado que o cloro, utilizado amplamente como sanitizante da água, tem sua ação germicida comprometida em pH básico (tabela 02).

Tabela 02: eficiência da desinfecção por cloro em relação ao pH do meio

Fonte: Santos (2008)

Embora o pH normal da água seja em torno de 6,5 e 8,0, estudos têm demonstrado que faixas de pH próximo de 4,0 não comprometem o consumo pelo animal.
Além disso a manutenção do pH da água de bebida próximo a 4,0 auxilia no controle de microorganismos, principalmente bactérias e potencializa a ação do cloro como sanitizante. Portanto o monitoramento da qualidade da água de bebida pode ser realizado através da avaliação do pH da mesma (figuras 13 e 14).

Figuras 13 e 14: Monitoramento da qualidade da água de bebida de frangos de corte com auxílio de pHmetro.

O uso de acidificantes na água de bebida se tornou uma ferramenta valiosa na manutenção da qualidade da água, no entanto deve-se escolher o acidificante considerando-se a segurança de manuseio e capacidade de reduzir o pH da água.

O uso de blends compostos exclusivamente por ácidos orgânicos represetam atividade microbiológica nos principais microorganismos que se deseja controlar, são seguros para manuseio e não provocam queda de pH acentuada, mesmo em superdosagem, tornando o produto seguro também para o animal (gráfico 04)


Gráfico 04: Efeito de Selko pH e um acidificante a base de ácido orgânico sem proteção no pH de água de bebida.

Fonte: Selko BV

Por final, recomenda-se a utilização de agentes anti-salmonella com ação "in vivo", ou seja, no organismo animal e recomenda-se a realização de monitorias sanitárias estratégicas a fim de se avaliar a presença do agente nos animais. Para criações avícolas sugerem-se as monitorias conforme tabela 03, lembrando-se que a mesma pode ser adequada a realidade de cada unidade produtora.

Tabela 03: Monitoria sanitária para Salmonella em granjas de aves de corte.

Benefícios do Programa

Como se sabe, a Salmonella é um agente comum ao Trato Gastro-Intestinal dos animais e, embora não cause grandes prejuízos às criações animais, seu controle é de interesse à saúde pública, por estar relacionado a epidemias.

Entendendo-se que a principal via de infecção para os animais e ao homem é através da ingestão do agente, o controle microbiológico do agente nos diferentes elos da cadeia de produção de alimento de origem animal se torna imprescindível.

Para isso contamos com medidas de controle multidisciplinar, abrangendo desde a produção dos insumos utilizados como matéria-prima das dietas, até o abate dos animais, visando a produção de alimento de alto valor nutricional e de excelente status sanitário para o consumo humano.

 
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