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Resultados de uma pesquisa sobre o valor nutricional dos farelos de soja, canola e de cereais para a nutrição animal

Publicado: 29/11/2013
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A Adisseo realizou uma pesquisa sobre o valor nutricional dos farelos de soja e de canola, de trigo e milho em rações para monogástricos. Seus resultados apontam grandes variações no valor em nutrientes dependendo do ano da colheita, do cultivo, da origem geográfica e das condições de processamento. A pesquisa incluiu análises de valores de aminoácidos digestíveis e energia metabolizável aparente (EMA) utilizando equações preditivas do NIRS da Adisseo que foram calculadas tendo como referência testes de digestibilidade in vivo.

Durante um período de seis semanas no final de 2012, a Adisseo realizou uma vasta pesquisa sobre o teor nutricional dos farelos de soja e canola. Observou-se grande heterogeneidade, com coeficientes de variação entre 3% e 8% para os principais componentes: proteína bruta, lisina total e digestível, fósforo total e fítico e EMA. As maiores variações foram observadas na EMA dos farelos de soja e nos teores de aminoácidos digestíveis dos farelos de canola (Tabela 1).

Tabela 1 - Variações nos valores de nutrientes de farelos de oleaginosas*

Mín < Média < Máx

Farelos de soja

(n=170)

Farelos de canola

(n=118)

Componentes químicos
Proteína bruta (%) 44 < 48 < 51 31 < 35 < 39
Lisina total (%) 2.54 < 2.83 < 3.01 1.53 < 1.81 < 2.03
Fósforo total (%) 0.48 < 0.64 < 0.73 0.97 < 1.03 < 1.11
Fósforo fítico (%) 0.31 < 0.42 < 0.51 0.77 < 0.85 < 0.93
Fósforo não-fítico (%) 0.14 < 0.22 < 0.30 0.08 < 0.18 < 0.23
Nutrientes    
Digestibilidade de lisina (%) 85 < 88 < 91 72 < 75 < 80
Lisina digestível (%) 2.24 < 2.49 < 2.66 1.10 < 1.36 < 1.59
Energia metabolizável (kcal/kg) 2055 < 2363 < 2517 n.d.

* Todas as análises realizadas com NIRS

Importante influência do país de origem

Em 170 amostras de farelo de soja coletadas durante um período de seis semanas em treze países da Europa e das Américas, o teor de proteína bruta variou de 44% a 51%, e a lisina total, de 2,54% a 3,01%. A razão lisina / proteína bruta variou conforme o país de origem. Efeito botânico ou cultural? É difícil explicar a questão sem uma pesquisa adicional, mas as observações são claras: para teores similares de proteína, as amostras provenientes da Argentina tinham níveis mais altos de lisina do que as que vieram do Brasil e dos EUA. É interessante constatar que a digestibilidade da lisina foi mais alta nas amostras dos EUA, como relatado por Mateos et al. (2010). Por conseguinte, as amostras de farelo de soja da Argentina apresentaram o mais alto teor de lisina digestível, seguidas pelas dos EUA, do Brasil e, por fim, com o teor mais baixo, as amostras provenientes da Índia. (Figura 1)

Figura 1 – Os teores de lisina digestível das amostras de farelo de soja dependem da proteína bruta e do país de origem


Você está seguro do valor nutricional do seu farelo de soja?

Observaram-se grandes variações no teor nutricional, mesmo para produtos bem caracterizados. O "Farelo de soja 48 ProFat" em tese contém 48% de proteína bruta + gordura, com teores comparáveis de aminoácidos digestíveis e energia. De fato, o estudo da Adisseo mostrou que o teor de proteína bruta variou em 1 a 2 pontos porcentuais e o teor de aminoácidos digestíveis, em 4 a 5%. A EMA apresentou as maiores variações, na faixa de 80 e 120 kcal/kg.

O teor de óleo não foi a principal causa da variação da EMA. A fibra bruta explica uma parte desta. Vejamos por que. Para fabricar o farelo de soja 48 ProFat, os trituradores podem decidir descascar os grãos antes de extrair o óleo. Depois então tornam a acrescentar as cascas até a quantidade percebida como necessária para criar o teor de proteína + gordura de 48%. Quanto mais alto o teor inicial de proteína do grão, mais elevada a quantidade de cascas a acrescentar, e mais alto também o teor de fibra bruta. Chegamos a um paradoxo no qual os melhores grãos podem gerar farelos com mais baixo interesse nutricional.

O valor energético guardou certa correlação com o teor de fibra, mas a regressão linear da fibra para o teor de energia não tem precisão suficiente para ser usada na formulação: com 5% de teor de fibra bruta, um farelo de soja pode conter 2.300 ou 2.450 kcal EMA / Kg (Figura 2). Esta diferença de 150 Kcal, constatada pelo PNE, Serviço NIRS da Adisseo, corresponderia à diferença no preço de oportunidade do farelo de soja de 45 €/T.

Na prática, excluir os altos teores de fibra bruta para monogástricos deveria ser o primeiro reflexo. Contudo, privilegiar as matérias-primas com os níveis mais baixos de fibra não garante alto valor nutricional.

Aurélie Preynat, Gerente de Pesquisa sobre Enzimas da Adisseo e autora de diversos informes sobre a eficácia do complexo enzimático Rovabio no farelo de soja, explica: "De fato, as fibras não atuam só como diluidoras de nutrientes. Seus componentes complexos, tais como mananas, pectinas, xilanos e celulose, também reduzem especificamente a digestibilidade de energia e aminoácidos. Nosso serviço NIRS é uma ferramenta eficiente para monitorar de forma rápida e eficiente os nutrientes realmente disponíveis para as aves."

 


"A designação comercial '48 ProFat' não é suficiente para obter nutrição precisa e otimizar a produção de ração. A caracterização e seleção mais eficiente de ingredientes, com base em seu valor nutricional, pode levar à economia de até 10 €/t de ração", calcula Elisabeth Bourgueil, Gerente Técnica da Adisseo França, Ibéria e Itália.


Figura 2 - O teor de Energia Metabolizável Aparente do farelo de soja 48 ProFat é altamente variável

A qualidade do farelo de canola é afetada pelo processo do moagem

A qualidade do farelo de canola também depende do país de produção e das unidades esmagadoras.

Neste estudo de 2012, os farelos de canola produzidos na Alemanha apresentaram razão fósforo não-fítico / fítico mais alta do que os produzidos na França, o que sugere valores mais altos de fósforo disponível. Também os teores médios, digestíveis, de lisina foram mais altos.

No entanto as diferenças dentro de cada país foram tão altas quanto as que encontramos entre países. A amostragem repetida de seis fábricas francesas de farelo de canola no transcurso de um mês mostrou, por exemplo, que a digestibilidade da lisina varia entre 72% e 80% e é muito especifica de cada unidade (Figura 3).

Esta análise mostra o efeito importante dos fornecedores, especialmente sobre os teores de aminoácido digestível. O método que recorre às regressões para predizer o teor de aminoácido digestível com base no teor de proteína bruta não consegue dar conta destas diferenças. Portanto, introduzir calibragens NIRS para aminoácidos digestíveis nos planos de controle de qualidade no recebimento de matéria prima constitui um passo à frente na otimização de compras de ingredientes e uso adequado nas formulações de ração.

Figura 3 - A digestibilidade do farelo de canola é bastante afetada pelo processo de fabricação

Diferentes símbolos representam farelos de canola de diferentes unidades esmagadoras (29 amostras de seis unidades esmagadoras).

 

“O teor de lisina digestível é um marcador essencial da qualidade dos farelos de canola. Dispomos de achados similares para os DDGS, que são subprodutos da produção de etanol, e esta observação pode ser aplicada a um leque maior de ingredientes processados", diz Cécile GADY, Gerente de NIRS e Ingredientes da Adisseo.



400 equações para proporcionar valores mais precisos

Este estudo de grande escala ilustra que as análises clássicas de laboratório e o conhecimento da origem da matéria prima são os primeiros passos nas caracterizações de ingredientes, mas que não são suficientes para obter uma boa previsão dos teores nutricionais. O PNE - “Precise Nutrition Evaluation” - serviço NIRS da Adisseo, oferece a possibilidade de ir um passo além com a mensuração dos valores reais de aminoácido digestível e EMA. A Adisseo trabalha há quinze anos com as correlações entre os espectros NIRS dos ingredientes e os dados in vivo, obtidos em ensaios de digestibilidade in vivo realizados em seu centro de pesquisa CERN na França. E o resultado? 400 equações que fornecem os valores mais precisos de aminoácidos totais e digestíveis, EMA, fósforo total e fítico e a possibilidade de estimar, como procedimento de rotina, os nutrientes mais onerosos das dietas dos monogástricos (Figura 4).

Figura 4. Análises NIRS para medir com precisão o valor dos nutrientes

As análises NIRS são úteis para assegurar-se de que as dietas estão fornecendo os nutrientes esperados ao custo mais baixo. Conhecer as próprias matérias primas deveria ser uma preocupação compartilhada por todas as funções das empresas que produzem alimentos para animais: gerente de qualidade, nutricionista e comprador. É importante, especialmente quando o preço dos ingredientes está em alta, ter a certeza de que se está comprando o ingrediente certo para o objetivo certo e pelo preço certo.

"No passado, a justificativa para prever o conteúdo de aminoácidos digestíveis com base no teor de proteína bruta seria a inexistência de uma técnica capaz de ser mais eficiente e barata. Hoje, o serviço NIRS da Adisseo é uma realidade que possibilita o conhecimento dos perfis de aminoácidos totais e digestíveis, em larga escala, com precisão, agilidade e baixo custo. Entre 2007 e 2012 o serviço NIRS da Adisseo analisou na América Latina mais de 580.000 amostras via NIRS, determinando o valor e o coeficiente de variação dos componentes das principais matérias primas da nutrição animal. Isto representa uma verdadeira mudança de paradigma, resultando em um novo modelo a ser seguido.", diz Washington Neves, Coordenador do CEAN – Centro de Apoio Nutricional da Adisseo para a América do Sul.

 

Os nutricionistas também contam com o Precise Nutrition Evaluation para avaliarem

o trigo e o milho.

Em 2009 e 2010, a Adisseo também efetuou uma grande pesquisa com 300 amostras

de trigo e milho, de diferentes origens, coletadas em 19 países. O objetivo foi medir o

perfil nutricional dos cereais conforme a colheita e o país. Todas as amostras foram

analisadas em seu teor de nutrientes, concentrações de aminoácidos digestíveis e

EMA usando NIRS.

As concentrações de lisina digestível em trigo variaram de 0,23 a 0,32 g/100g,

com efeito significativo da origem geográfica sobre a EMA, sendo que os países do

Oriente apresentaram os teores mais baixos (de 2.786 a 2.860 Kcal/kg), ao passo que

as concentrações mais altas foram encontradas nos países do Norte da Europa (2.880

a 2.923Kcal/kg).

Os teores de aminoácidos e EMA do milho mostraram um nível similar de

variabilidade, com significativo efeito de país. O leque da EMA cobriu de 3.367

Kcal/ kg nos ingredientes vindos da Romênia e da Espanha a 3.441 Kcal/kg nos

da Alemanha e Argentina. Esta observação pode ser devida à interação de muitos

fatores, inclusive as condições em que os grãos são cultivados e secos.

 
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