Peso relativo de pâncreas e moela de frangas de postura leve alimentadas com diferentes fontes e níveis de fibra dietética

Publicado: 22/07/2020
Autor/s. : Lucas Oliveira Brasileiro ¹, Tassia Bevilaqua 2, Ana Flávia Royer ³, Rosana Bicas 4, Jose Henrique Stringhini 5 1 Zootecnista, Graduando, Faculdade de Ciências Agrárias/UFGD. 2 Médica Veterinária, Mestranda, Faculdade de Ciências Agrárias/ UFGD 3 Zootecnista, Doutoranda, Escola de Veterinária e Zootecnia/UFG 4Engenheira Agronôma, Mestranda, Faculdade de Ciências Agrárias/ UFGD 5 Eng. Agronômo, Prof. Dr., Escola de Veterinária e Zootecnia/UFG, Bol

RESUMO: Objetivou-se avaliar o desenvolvimento da moela e pâncreas de poedeiras comerciais leves alimentadas com níveis crescentes fibra bruta e bagaço de cana e farelo de trigo em diferentes fases de criação. O experimento foi conduzido UFGD, utilizando-se 420 pintainhas da linhagem Bovans White com um dia de idade, distribuídas emDIC, com arranjo fatorial 3 x 2 + 1, sendo três níveis de fibra bruta (2,5%; 3,0% e 3,5%), duas fontes de fibra (bagaço de cana e farelo de trigo) e um tratamento testemunha (milho e soja), totalizando sete tratamentos, com seis repetições de onze aves cada. Ao final de cada fase de criação foi abatida uma ave por repetição com o peso médio do tratamento e retirado pâncreas e moela para pesagem e obtenção peso relativo. Os resultados obtidos foram submetidos à ANOVA e comparação de médias pelo Teste de Scott-Knott ao nível de 5% de probabilidade. Não houve diferença entre as fontes de fibra para o peso de pâncreas e moela em todas as fases de cria (P>0,05). Obteve-se maior peso de moela para as aves alimentadas com 3,0% de farelo de trigo e menor com 3,5 % de bagaço de cana com 14 semanas. Ao nível 2,5 % observou-se maior peso de moela com o consumo de bagaço de cana e ao nível de 3,0% obteve-se com o farelo de trigo. Não foi percebido efeito da solubilidade da fibra sobre o peso do pâncreas no presente trabalho, obtendo-se diferença apenas entre os níveis de fibra bruta na 4° e 24° semana, com maior peso obtido para os níveis de 2,5 % para os dois períodos e 3,0% com 24 semanas. O uso de fibra dietética independente da solubilidade pode alterar o desenvolvimento da moela.

PALAVRAS-CHAVES: Bagaçode cana, farelo de trigo, moela, pâncreas.

ABSTRACT:The objective of this study was to evaluate gizzard and pancreas development of light commercial laying hens fed increasing levels of sugar cane crude fiber and bagasse and wheat bran at different stages of rearing. The experiment was conducted at UFGD. We used 420 1-d old Bovans White chicks, distributed in a CRD, with a 3 x 2+1factorial arrangement, three levels of crude fiber (2.5%; 3.0% and 3.5%), two sources of fiber (bagasse and wheat bran), and a control treatment (corn and soybeans), totaling seven treatments, with six replications of eleven birds each. At the end of each rearing phase, one bird per repetition with the average weight of the treatment was slaugthered, and pancreas and gizzard were removed for weighing and obtaining of relative weight. The results were submitted to ANOVA and comparison of averages by Scott-Knott test at 5%. There was no difference between the sources of fiber for pancreatic and gizzard weight in all rearing phases (P>0.05). Higher weight of gizzard was obtained for birds fed with wheat bran 3.0% and lower weight for birds fed with 3.5% of bagasse at 14 weeks. At the level 2.5% gizzard weight was higher with bagasse intake and at the level 3.0% it was obtained with wheat bran intake. No fiber solubility effect on the weight of the pancreas was verified in the present study, obtaining difference only among crude fiber levels in the fourth and 24th weeks, with greater weight for the level 2.5% levels for both periods and for 3.0% at 24 weeks. The use of dietary fiber regardless of the solubility may alter the development of the gizzard

KEYWORDS:Bagasse, gizzard, pancreas, wheat bran.

INTRODUÇÃO: Independentemente da diluição nutricional provocada pela fibra nas dietas, a inclusão de níveis moderados de fibra na ração de aves melhora, alteram o desenvolvimento e provocamaumento de peso dos órgãos digestóriose da secreção de HCL, da produção de ácidos biliares e enzimas pancreáticas, melhoram a digestibilidade de nutrientes e o desempenho animal (Amerah, Ravindran & Lentle, 2009; Gonzáles et al., 2010). Baseado nessa premissaobjetivou-se com este experimento avaliar o desenvolvimento da moela e pâncreas de frangas leves de postura alimentadas com rações formuladas com a inclusão de níveis crescentes de bagaço de cana e farelo de trigo na dieta em diferentes fases de criação.

MATERIAL E MÉTODOS: O projeto foi aprovado pelo CEUA-PRPI-UFG sob protocolo 079/14 e conduzido no galpão experimental da Universidade Federal da Grande Dourados - UFGD, utilizando-se 420 pintainhas da linhagem Bovans White com um dia de idade, distribuídas em delineamento inteiramente casualizado, com arranjo fatorial 3 x 2 + 1, sendo três níveis de fibra bruta (2,5%; 3,0% e 3,5%), duas fontes de fibra (bagaço de cana e farelo de trigo) e um tratamento testemunha (milho e soja), totalizando sete tratamentos, com seis repetições de onze aves cada.Ao final de cada fase de criação foi selecionada uma ave por repetição com o peso médio do tratamento, que foram pesadas e abatidas para retirada do pâncreas e moela. A moela foi esvaziada e pesada, assim como o pâncreas em balança de precisão a 0,01 g, para obtenção do peso relativo em relação à porcentagem do peso corporal (Belloni et al., 2012). Os resultados obtidos foram submetidos à ANOVA e comparação de médias pelo Teste de Scott-Knott ao nível de 5% de probabilidade.

RESULTADOS E DISCUSSÃO:Verificou-se interação somente para o peso da moela com 14 semanas de idade das aves, que apresentou maior peso de moela para as aves alimentadas com 3,0% de farelo de trigo e menor com 3,5 % de bagaço de cana. Com 2,5 % FB observou-se maior peso de moela das aves que consumiram ração com bagaço de cana, diferente do ocorrido com dietas contendo 3,0% FB em que o maior peso de moela foi apresentado com o farelo de trigo na dieta e para 3,5% FB não houve diferença entre os co-produtos utilizados. No trabalho apresentado por Braz et al. (2011) evidenciou-se maior peso de moela quando foi utilizado 14% de FDN na dieta, contudo no presente estudo o menor nível de inclusão de fibra solúvel na dieta (2,5%) mostrou menores pesos de moela. Foi percebido maior peso de moela com a utilização de 3,0% de fibra bruta com 4, 6, 14 semanas de idade (Tabela 1). Segundo Gonzáles-Alvarado et al. (2007), a influência da alimentação nas característicasda moela está associada à estimulação mecânica desteórgão, que depende do nível, do tipo de ingrediente, dotamanho e das características das partículas da ração.Assim, quanto mais estimulada for a atividade mecânica,maior será a moela.Hetland et al. (2005) definiram as fibras como partículas que, em geral, tem difícil digestão, e consequentemente, tendem a se acumular na moela, estimulando o desenvolvimento do órgão e sua função, especialmente quando utilizadas fibras insolúveis. Contudo, quando a moela apresenta-se desenvolvida, melhora a motilidade do trato gastrointestinal, favorece o refluxo gastroduodenal e estimula a secreção de enzimas pancreáticas, podendo alterar o tamanho e peso desse órgão (Svihus et al., 2004). No entanto, não foi percebido efeito da solubilidade da fibra no peso do pâncreas neste trabalho, obtendo-se diferença apenas entre os níveis de fibra bruta na 4° e24° semana, com maior peso obtido para os níveis de 2,5 % para os dois períodos e menor peso com 3,5% com 24 semanas (Tabela 3).

 

Tabela 1.Peso relativo de órgãos digestivos de poedeiras comerciais leves alimentadas diferentes níveis de fibra bruta na dieta com inclusão de bagaço de cana e farelo de trigo na fase de cria e recria.

 

 

4 semanas

6 semanas

14 semanas

Tratamentos

Moela

Pâncreas

Moela

Pâncreas

Moela

Pâncreas

Níveis de Fibra2

2.5% FB

3.15b

0.58a

2.96b

2.80a

2.33b

0.18a

3.0% FB

3.60a

0.44b

3.32a

2.93a

2.60a

0.23a

3.5% FB

3.36b

0.44b

2.84b

2.95a

2.14b

0.19a

Teste F

0.58ns

0.59ns

0.03ns

1.64ns

11.20**

0.51ns

P

0.4481

0.4438

0.843

0.2084

0.0001

0.6005

Fonte de Fibra Bruta2

BC

3.41a

0.46a

3.06a

2.81a

2.37a

0.20a

FT

3.33a

0.51a

3.03a

2.98a

2.35a

0.20a

Teste F

6.47**

2.84ns

3.68*

1.64ns

0.06 ns

1.64ns

P

0.0041

0.0715

0.0354

0.05546

0.8041

0.2084

 

NS não significativo; FB: fibra bruta; BC: bagaço de cana; FT: farelo de trigo. Médias seguidas por letras distintas, minúsculas na coluna e maiúsculas na linha, diferem pelo teste de Scott-Knott com 5% de probabilidade.

 

 

Tabela 2. Interação fontes e níveis de fibra para peso relativo de moela e pâncreas de poedeiras comerciais leves com 24 semanas de idade alimentadas diferentes níveis de fibra bruta na dieta com inclusão de bagaço de cana e farelo de trigo

 

 

Interação

Moela

Pâncreas

FT

BC

FT

BC

2.5% FB

2.10bB

2.56aA

0.19

0.19

3.0% FB

2.77aA

2.44aB

0.25

0.22

3.5% FB

2.23bA

2.05bA

0.19

0.21

Teste F

9.20**

0.72ns

P

0.0019

0.00001

 

 

 

 Tabela 3.Peso relativo de órgãos digestivos de poedeiras comerciais leves alimentadas diferentes níveis de fibra bruta na dieta com inclusão de bagaço de cana e farelo de trigo na fase de postura.

 

 

 

18 semanas

24 semanas

Tratamentos

Moela

Pâncreas

Moela

Pâncreas

Níveis de Fibra2

2.5% FB

18.01a

0.32a

1.85a

0.23a

3.0% FB

19.42a

0.20a

1.99a

0.23a

3.5% FB

17.24a

0.18a

1.75a

0.19b

Teste F

1.62ns

1.1207ns

2.6676 ns

4.4068*

P

0.211

0.3375

0.0835

0.0196

Fonte de Fibra Bruta2

Bc

19.01a

0.19a

1.85110a

0.23a

Ft

17.44a

0.29a

1.85190a

0.21a

Teste F

2.48ns

1.26ns

0.000078ns

2.22ns

P

0.1235

0.2679

0.9928

0.1447

 

NS não significativo; FB: fibra bruta; BC: bagaço de cana; FT: farelo de trigo. Médias seguidas por letras distintas, minúsculas na coluna e maiúsculas na linha, diferem pelo teste de Scott-Knott com 5% de probabilidade.

 

 

CONCLUSÕES:O uso de fibra dietética independente da solubilidade pode alterar o desenvolvimento da moela.

AGRADECIMENTOS: A FAPEG, Mercoaves Com. de Aves LTDA, Nutrial Alimentos, Tectron e Universidade Federal da Grande Dourados.

 

Apresentado no

 

XV Seminário Técnico Científico de Aves e Suínos – AveSui 2016

 

03 a 05 de maio de 2016 - CentroSul / Florianópolis - SC, Brasil

 

Referências bibliográficas

 
Autor/s.
Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Univ. Federal do Paraná (UFPR, 1985), mestrado em Zootecnia pela Univ. Federal de Viçosa (UFV, 1989) e doutorado em Zootecnia, área de concentração em Produção Animal pela Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Univ. Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP, 1998). É Professor Associado II da Univ. Federal de Goiás (UFG). Tem experiência na área de Zootecnia, principalmente em produção e nutrição de monogástricos, com ênfase em aves e suínos. É editor científico da revista Ciência Animal Brasileira desde 1999.
 
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