Ninhos automáticos produção ovos

Ninhos Automáticos: Tecnologia e qualidade na produção de ovos férteis

Publicado: 17/10/2012
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A indústria avícola brasileira, em função da continua agregação de novas tecnologias, apresenta destacados índices de produtividade, sendo que seus indicadores de produção são iguais ou frequentemente melhores aos encontrados em qualquer outro país do mundo (SALLE & SILVA, 2000). Contudo, com a globalização dos mercados, a rentabilidade (margem de lucro) tem diminuído ao longo do tempo, o que tem levado o setor a buscar a maximização da eficiência no processo produtivo. Para tanto, a incorporação constante de novas tecnologias em todas as áreas, tem se tornado fundamental para a sobrevivência da atividade (TINÔCO, 2004).

No Brasil, a coleta dos ovos na maioria das granjas de matrizes de corte é feita em ninhos manuais, principalmente em razão do elevado custo dos ninhos mecânicos disponíveis no mercado e de sua menor aceitação pelas aves, elevando o número de ovos postos na cama (APPLEBY, 1984). No entanto, os ninhos manuais requerem mais mão-de-obra para seu manuseio que os ninhos mecânicos. A coleta mecânica dos ovos reduz em aproximadamente 60 a 70% o tempo de coleta em relação ao ninho manual, permitindo que o funcionário dedique mais tempo ao manejo com as aves (WILSON, 1996).

Assim, os desafios enfrentados pela indústria avícola em relação à mão de obra para execução dos trabalhos nas granjas levam avicultores e empresas a buscar constantemente equipamentos que facilitem os trabalhos através de tecnologia e automação. Ao analisar o sistema de produção de ovos para reprodução, percebe-se que há pouca oferta de mão de obra devido à grande demanda ocasionada pelas operações de coleta e manejo dos ovos. O mercado aquecido e a “plena oferta de emprego” fazem com que a mão de obra migre para outros setores da economia na busca de melhores salários e tarefas menos exaustivas. Nesse sentido, Pilotto (2009) relata que a disponibilidade de mão de obra qualificada para trabalhar nas granjas de matrizes de corte vem diminuindo, não só devido às dificuldades impostas pela atividade que requer dedicação em tempo integral, inclusive aos sábados, domingos e feriados, mas também devido ao crescente êxodo rural, o que obriga os produtores, em muitos casos, a trazerem funcionários da cidade, pois as granjas, por questões de biosseguridade, geralmente encontram-se situadas distantes dos centros urbanos.

Os ninhos de coleta manual apresentam como vantagens a boa aceitação pelas aves e o preço acessível ao produtor, entretanto requerem para seu manuseio elevada mão de obra qualificada. Outro aspecto a considerar é que os materiais para confecção dos ninhos manuais estão mais escassos, tornando os custos cada vez mais elevados. Também, nos últimos anos, algumas linhagens estão aumentando a rejeição aos ninhos manuais em função de sua altura. A seleção genética para maior deposição de musculatura na região do peito dificulta as galinhas subirem nos poleiros que dão acesso aos ninhos, principalmente no final do período de produção, onde estão mais pesadas e com menos penas no corpo. Assim, com o intuito de diminuir a postura de ovos de cama, a altura dos ninhos vem sendo reduzida, dificultando cada vez mais a coleta dos ovos (PILOTTO, 2009).

Duncan & Kite (1989) verificaram que as galinhas preferem fazer a postura em ninhos com fundo côncavo em comparação a ninhos com fundo plano. Na natureza, as aves fazem o ninho côncavo para que os ovos fiquem agrupados, facilitando o aquecimento durante o choco e evitando que rolem para fora do ninho (CARANZA, 2000), uma preferência também das matrizes criadas em galpões (KITE et al., 1980). Contrariamente, nos ninhos mecânicos utilizam-se forração com materiais como tapetes de plástico, que fazem os ovos rolarem para fora do ninho.

Com o objetivo de atrair as galinhas ao ninho, práticas de manejos são realizadas no período inicial de postura, como a colocação de maravalha sobre a forração do ninho mecânico (PITT, 1983). Segundo Wilson (1996), esse manejo inicial é de extrema importância, visto que a maioria das galinhas define o local de postura nas primeiras cinco semanas de produção, porém Brake (1985) não observou diferença na postura de ovos de cama quando disponibilizados para as aves ninhos mecânicos revestidos com tapete ou com maravalha. O mesmo autor testando a utilização de tapetes de plástico com cerdas longas na forração dos ninhos observou menor contaminação dos ovos em relação ao uso de maravalha. Os fabricantes de ninhos automáticos, atualmente, desaconselham o emprego dessa prática por considerarem que é desnecessária e pela maior contaminação dos ovos pela acumulação de sujeira sobre os tapetes dos ninhos.

A colocação de ninhos mecânicos nas granjas requer um elevado investimento inicial quando comparado com os ninhos manuais, entretanto esse maior investimento é rapidamente reembolsado pelo avicultor, em função, principalmente da redução de mão de obra. Outra vantagem do ninho mecânico é que ele permite fazer mais coletas de ovos por dia, melhorando a qualidade microbiológica dos ovos e reduzindo o número de ovos trincados (WORLEY & WILSON, 2000).

Existem aproximadamente 15% de ninhos automáticos operando atualmente entre granjas de avós e matrizes de frango de corte, havendo ainda um amplo mercado a ser explorado, principalmente nas regiões Sul e Sudeste. Na região Centro-Oeste boa parte das instalações já contempla essa tecnologia, já que são estruturas mais recentes.

 

NINHOS AUTOMÁTICOS - OBJETIVOS

Para a ave:

  •  Prover um ambiente favorável à postura, transmitindo segurança e conforto, de modo que a ave prefira o interior do ninho à cama.

Para os ovos:

  • Impedir que as aves tenham contato com os ovos após a postura;
  • Menor permanência dos ovos no local de postura, conduzindo-os até a mesa de coleta sem piorar ou causar qualquer dano;
  • Tornar a produção mais eficiente com maior número de ovos férteis produzidos por ave.

 

NINHOS AUTOMÁTICOS - VANTAGENS

  • Otimização da mão de obra, redução média de 30 a 40%;
  • Agilidade no trabalho;
  • Melhor qualidade dos ovos e mais higiene nos galpões;
  • Redução do custo com maravalha e produtos de desinfecção na ordem de 50%;
  • Redução dos custos envolvidos com a mão de obra (encargos, uniformes, alimentação, entre outros);
  • Reduzem o tempo de contado entre as aves e ovos, gerando menor índice de microtrincas e contaminação;
  •  Facilita a utilização das bandejas de incubação na granja, reduzindo a mão de obra de embandejar e classificar ovos no incubatório;
  •  Tem potencial de melhorar em até 1,5% o aproveitamento de ovos;
  •  Redução de até 1% de ovos trincados;
  •  Redução de problemas ergonômicos dos operadores, principalmente casos de lombalgia;
  •  Maior satisfação dos operadores ao realizar a tarefa de coleta de ovos.

 

 

NINHOS AUTOMÁTICOS - DESVANTAGENS

  • Alto custo inicial;
  • Calor no interior dos ninhos coletivos: risco de mortalidade;
  • Propensão à postura na cama;
  • Necessidade de uso de larvicida na ração para controle da proliferação de moscas sob os slats.

 

RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS

  • A luminosidade dentro do galpão deve ser entre 80 a 100 lux;
  • Evitar pontos escuros no interior do galpão;
  • Evitar luminosidade direta no interior do ninho;
  • A cama não deve ter uma altura superior a 2 cm no alojamento, pois em demasia estimula as aves a porem os ovos no chão; depois do começo da postura, durante 4 semanas aumentar a cada semana 02 cm até atingir um máximo de 10 cm;
  • A área de slats deve possibilitar a instalação dos bebedouros sobre os mesmos;
  • A instalação dos bebedouros deve ser realizada sobre a área de slats para atrair as aves para os ninhos;
  • As primeiras 4 a 5 semanas após a transferência para a produção são cruciais para a adaptação das aves ao ninho automático (condicionamento);
  • Logo após a transferência caminhar regularmente pelo aviário direcionando as galinhas para o ninho sem assustá-las, mesmo antes de “pingar” o primeiro ovo;
  • No início da produção priorizar a coleta de ovos de cama;
  • Até 5% de produção deixar os ovos nos ninhos para funcionar como ovo indez (ovo que se deixa ficar no ninho para atrair as galinhas); há ninhos automáticos com duas regulagens de inclinação e uma permite a permanência do ovo por mais tempo sobre o tapete;
  • Evitar anomalias no manejo de arraçoamento: rações mal distribuídas, atrasos no giro, vazamentos, entre outras;
  • Atenção ao clima da região, em locais muito quentes a boa climatização do aviário é fundamental;
  • Cada região apresenta uma realidade que deve ser estudada durante a elaboração do projeto;
  • Tanto faz o tipo de bebedouro a ser utilizado, mas deve-se prezar pela qualidade desses;
  • Respeitar a recomendação de aves/boca/módulo;
  • Para slats acima de 1,30m de largura é recomendada a colocação de uma linha de comedouro sobre os mesmos;
  • O comedouro deve ser suspenso sobre os slats para facilitar o acesso das aves aos ninhos;
  • Comprimento máximo recomendado para o aviário para instalação de ninhos automáticos é de 150-160m;
  • 70% do resultado depende de mão de obra capacitada;
  • Os resultados obtidos com ninhos automáticos são extremamente dependentes de manejo e detalhes da instalação.

 

MANUTENÇÃO

 

  • Motores queimados, devido a oscilações violentas na tensão de alimentação por motivo de descargas atmosféricas, falta de fase e quebra de rolamento;
  • Esteira rasgada, normalmente devido a ninhos desalinhados;
  • Tapetes com cerdas gastas no centro após alguns anos de uso. Certos modelos são mais resistentes;
  • Os ninhos automáticos exigem baixa manutenção, mas essa aumenta a partir dos 10 anos de uso.

 

LUBRIFICAÇÃO

  • Os ninhos automáticos modernos não necessitam de lubrificação, pois os rolamentos internos e externos são blindados.

 

PEÇAS DE REPOSIÇÃO

  • Adquirir kit de peças de reposição. Os fabricantes fornecem uma lista de peças a serem mantidas na granja para os problemas mais frequentes.

 

DADOS FINANCEIROS

  • Custo de implantação de ninhos automáticos variando de R$ 15,00 a 19,00/fêmea alojada, de acordo com o modelo de ninho adotado;
  •  Payback entre 4,5 a 5 anos.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ocorre atualmente uma inversão das prioridades tecnológicas pela escassez de mão de obra, o que tem acelerado o processo de implantação dos ninhos automáticos nas propriedades pelos avicultores e empresas. Os novos projetos de instalação de granjas de produção de ovos férteis já preconizam a instalação dessa tecnologia.

O ninho automático quando comparado ao ninho manual oferece uma série de vantagens importantes ao processo de produção de ovos férteis. A principal é a redução da necessidade de mão de obra devido ao menor tempo gasto na realização das coletas e a consequente diminuição de todos os custos envolvidos com pessoas. Além disso, há uma substancial melhora na qualidade microbiológica e no aproveitamento dos ovos pelo menor tempo de exposição dos ovos no ninho, reduzindo a incidência de ovos sujos, trincados e quebrados. Também ocorre redução do impacto ambiental, ligada à diminuição do consumo de maravalha e desinfetantes.

É importante salientar que bons resultados zootécnicos entre eles a baixa incidência de postura de ovos na cama estão extremamente relacionados e dependentes ao manejo empregado e a detalhes da instalação dos ninhos automáticos nos galpões de produção.

No mercado brasileiro há vários fornecedores de credibilidade, sendo necessária uma avaliação criteriosa dos modelos de ninhos disponíveis que mais se adaptam às necessidades da criação, levando sempre em consideração as características regionais. Em regiões de clima mais quente poderão ser necessários investimentos em climatização para que não haja prejuízos ao projeto.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

APPLEBY, M. C. Factors affecting floor laying by domestic hens: a review. World’s Poultry Science Journal, v.40, p.241-249, 1984.

BRAKE, J. Comparison of two nesting materials for broiler breeders. Poultry Science, v.64, p. 2263-2266, 1985.

CARANZA, J. Introducción a la ciencia del comportamiento. Madrid: Universidad de Extremadura, 2000. 590p.

DUNCAN, I. J. H.; KITE, V. G. Nest site selection and nest-building behaviour in domestic fowl. Animal Behaviour, v.37, p.215-231, 1989.

KITE, V. G. et al. Nesting behaviour of hens in relation to the problem of floor eggs. Reviews in Rural Science, v.3, p.93, 1980.

PILOTTO, F. Desenvolvimento de ninhos mecânicos e avaliação de seus efeitos na coleta e incubação de ovos de matrizes de frango de corte. 2009, 133f. Tese (Doutorado em Zootecnia). Faculdade de Agronomia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2009.

PITT, M. The production of non-cage eggs in seven North European Countries. World’s Poultry Science Journal, v.40, p.241-249, 1983.

SALLE, C. T. P.; SILVA, A. B. Prevenção de doenças, manejo profilático, monitorização. In: BERCHIERI JUNIOR, A.; MACARI, M. Doenças das aves. Campinas – SP, 1 ed., v.01, p.03-12, 2000.

TINOCO, L. F. F. A granja de frangos de corte. In: MENDES, A. A.; NÃÃS, E. A.; MACARI, M. Produção de frangos de corte. Campinas: FACTA, 2004. cap. 4, p.55-84.

WILSON, J. Mechanical egg collection in broiler breeder houses. Poultry-Misset International, v.12, p.41-45, 1996.

WORLEY, J. W.; WILSON, J. L. Influence of stray voltage on breeder hens: a field study.In: ANNUAL INTERNATIONAL MEETING; CONGRESS ANIMAL WELFARE, Milwaukee, 2000. Proceedings .... Milwaukee, 2000. P.180.

 
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