Limpeza desinfecção avicultura

Limpeza e desinfecção na avicultura

Publicado: 02/07/2008
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Microorganismos patogênicos podem ser introduzidos em uma granja avícola ou incubatório de várias formas. Por isto, os protocolos de limpeza e desinfecção são componentes essenciais de qualquer programa de biosseguridade, buscando conter ou eliminar a disseminação de doenças. Os protocolos de limpeza e desinfecção, quando corretamente adotados, podem ser um meio econômico de reduzir os microorganismos patogênicos e são parte integral de programas de bioseguridade. Geralmente, é mais fácil e mais barato prevenir uma doença do que ter que lidar com um surto. Portanto, o desenvolvimento e aplicação de um protocolo de limpeza e desinfecção para o controle e a prevenção de doenças infecciosas se tornaram essencial para a avicultura moderna, tanto na granja, quanto no incubatório. Os protocolos de limpeza e desinfecção dependem da necessidade da granja (frangos de corte, matrizes, localização, desafios, etc.) ou do incubatório. Não há um desinfetante único adequado para todas as situações e todos os desafios. A desinfecção sem um protocolo anterior de limpeza não é economicamente eficaz. Os protocolos de limpeza e desinfecção usados diariamente são diferentes dos necessários para controlar um surto de doença infecciosa.

Entretanto, ambos têm componentes em comum: a limpeza e a lavagem completa antes da aplicação de qualquer desinfetante são essenciais. Os objetivos desta revisão são:

1. Definir os termos comumente usados em referência ao processo de limpeza e desinfecção.

2. Dar uma visão geral dos fatores que devem ser considerados ao desenvolver um protocolo efetivo de limpeza e desinfecção, incluindo biofilmes.

3. Fornecer uma visão geral dos produtos químicos usados para a desinfecção, suas vantagens, limitações, alegações de rótulo e manipulação.

4. Descrever as etapas fundamentais de um protocolo efetivo de limpeza e desinfecção, especialmente contra vírus.

5. Discutir a questão da resistência e a necessidade de rotação de produtos.

Depois do desenvolvimento de um protocolo de limpeza e desinfecção é importante o treinamento dos funcionários quanto aos procedimentos adequados a serem usados e às questões de segurança envolvidas, assim como as etapas colocadas em locais bem visíveis em toda a instalação para servir de lembrete das técnicas adequadas de desinfecção.


Definição de desinfetantes


Agentes desinfetantes são substâncias usadas para controlar, prevenir ou destruir microorganismos prejudiciais (como bactérias e fungos) e inativar vírus em objetos inanimados e superfícies. O organismo-teste oficial deve ser eliminado em 10 minutos sob as condições definidas pelo teste adequado da AOAC. Os desinfetantes podem ser agentes físicos, como raios-X ou luz ultravioleta, mas geralmente são agentes químicos. O termo desinfetante é mais usado para designar substâncias químicas que matam as formas em crescimento, mas não necessariamente as formas resistentes, como esporos, de bactérias e fungos. Há cinco elementos que estes fatores ou substâncias devem atender para que sejam considerados desinfetantes:

- remover infecção;

- matar e, não apenas inibir, microorganismos em estado vegetativo;

- não, necessariamente, matar esporos;

- geralmente, é uma substância química, mas pode ser um agente físico;

- são usados apenas em objetos inanimados.

O processo de desinfecção não equivale à esterilização ou à limpeza.


Desinfecção comparada à esterilização e à sanitização

É importante diferenciar estes termos. Esterilização é o ato ou processo, químico ou físico, que destrói ou elimina todas as formas de vida, especialmente microorganismos até que não possam ser detectados em meios de cultura padrão, nos quais foi verificado que antes proliferavam. Esta é uma situação que não encontramos em granjas e incubatórios e não faz parte do objetivo de nenhum protocolo realista para este tipo de instalação.

A sanitização é o processo através do qual os contaminantes bacterianos são reduzidos a um nível seguro de acordo com padrões de saúde pública. É comumente usado com substâncias que são aplicadas sobre objetos inanimados em restaurantes, banheiros, plantas de processamento de alimentos e cozinhas. Os sanitizantes devem matar 99,99% dos organismos-teste em 30 segundos sob as condições definidas no teste apropriado da AOAC.

A diferença entre desinfecção e sanitização foi à base do método do teste de diluição de 10 minutos, para avaliar desinfetantes hospitalares e o método de redução da contagem em 30 segundos, para os agentes sanitizantes usados nos setores relacionados à saúde pública. O primeiro é um teste tudo ou nada (100% de eliminação), enquanto que o segundo busca uma eliminação de 99,99%.

Isto é importante quando se considera o nível de contaminação necessário, que depende da dose infectante do agente. Para alguns microorganismos, uma quantidade ínfima de virions ou UFC (unidade formadora de colônia) que pode causar doença, enquanto que para outros, é suficiente diminuir o seu número para um nível seguro, que deve ser abaixo do limiar de infecção subclínica (Figura 1).



O processo de limpeza

É importante compreender o significado de limpeza e como isto afeta nossos protocolos de higiene.

Um ponto importante a ser lembrado é que os desinfetantes e sanitizantes não funcionam se a superfície a ser desinfetada não for limpa antes da sua aplicação. É quase impossível desinfetar uma superfície suja. Em outras palavras, a limpeza e a desinfecção são procedimentos totalmente separados. A instalação deve ser limpa e posteriormente, pode ser desinfetada ou sanitizada.

Limpar as instalações se refere à remoção física da matéria orgânica, expondo assim os patógenos ao poder de eliminação do desinfetante. Matéria orgânica, como solo, resíduos vegetais (como palha ou feno), leite, sangue, pus e esterco inativam alguns desinfetantes ou protegem os microorganismos dos ingredientes ativos dos mesmos. Desinfetantes à base de cloro são especialmente problemáticos neste aspecto. O ingrediente ativo da água sanitária (cloro) é inativado relativamente rapidamente por resíduos orgânicos, como esterco, em concentrações usadas para desinfetar superfícies limpas. Por isto é tão importante remover os resíduos orgânicos antes da desinfecção.

O procedimento de limpeza pode envolver duas etapas: limpeza seca seguida de limpeza úmida. O processo de limpeza seca remove o material orgânico antes da limpeza úmida. Com a limpeza seca, sujeira, resíduos, manchas e matéria orgânica que podem neutralizar o desinfetante, devem ser retiradas. Cama de aviário, ração, fezes, penas, ovos quebrados e qualquer outro material devem ser varridos e retirados do interior do galpão ou do incubatório. Se necessário, o piso deve ser raspado à mão para retirar torrões de cama, de ração ou outros resíduos. Os equipamentos removíveis devem ser levados para fora para permitir a limpeza completa e a posterior desinfecção.

A limpeza úmida envolve o uso de água e sabão ou detergente. Os detergentes são agentes de limpeza que servem para dispersar e remover a matéria orgânica das superfícies. Os detergentes molham estes materiais, reduzindo a tensão superficial, aumentando assim a capacidade da água penetrar. Também, têm ação emulsificante, dissolvendo e saponificando gorduras, evitando que estas se acumulem sobre as superfícies. Não se recomenda lavar usando apenas água. Infelizmente, esta prática é observada em diversas operações e pode dar uma falsa sensação de segurança.

Os sabões e, especialmente, os detergentes usados em granjas são bons agentes de limpeza e aumentam a eficácia do processo de limpeza, deixando as superfícies prontas para o aproveitamento completo do desinfetante que será aplicado em seguida. Os detergentes usados em granjas penetram e degradam materiais difíceis e são levemente germicidas, mas não são adequados como desinfetantes ou como sanitizantes. O detergente usado deve ser compatível com o desinfetante que será usado no processo. Isto é essencial e deve ser considerado ao selecionar os produtos a serem usados no programa.

Os detergentes são classificados em três categorias: catiônicos, aniônicos e não-iônicos. Os detergentes catiônicos são soluções com carga positiva e, exceto pelos compostos de amônia quaternária, raramente são usados como agentes de limpeza. Os detergentes aniônicos ou sabões são sais alcalinos de ácidos graxos com carga negativa. Não são ideais para a limpeza porque podem formar excesso de espuma, criando um resíduo que pode permitir o acúmulo de terra e microorganismos. Os detergentes não-iônicos (sem carga) são excelentes emulsificantes, têm boa penetração e dispersão, são eficazes para diminuir a tensão superficial e produzem menos espuma. Estes produtos geralmente não formam complexos com íons metálicos, como os encontrados em água dura. A maioria dos detergentes comerciais usados em granjas é uma combinação de detergentes aniônicos e não-iônicos.

O processo de limpeza úmida envolve quatro etapas básicas: empapar, lavar, enxaguar e secar. Na limpeza úmida, deve ser dado tempo para empapar as superfícies de forma a soltar os resíduos, para que possam ser facilmente removidos com escova ou jato. Os lavadores de alta pressão são muito úteis para limpar superfícies porosas (como as usualmente encontradas em galpões avícolas) durante a limpeza úmida. A água quente ajuda a acelerar o processo e a remover materiais gordurosos. A água quente, também, é muito eficaz para matar bactérias, especialmente quando é usado um detergente adequado desenvolvido para granjas. O uso de água quente não é obrigatório e pode não ser prático na maioria das granjas, onde geralmente não está disponível. No entanto, em incubatórios, é mais provável que esteja disponível e, portanto, pode ser aplicada. Todo o jato de água deve ter pressão de 200psi (libras por polegada quadrada) para ter boa penetração. Todavia, esta pressão pode provocar furos em materiais envelhecidos ou que tenham uma camada superficial fina. Deve-se tomar cuidado para que o jato não atinja motores elétricos. Pode ser usada fita isolante para cobrir as aberturas da carcaça do motor. Deve ser usada uma aplicação sistemática do jato de água, como começar pelo teto, passando pelas paredes e finalmente o piso. Um enxágüe completo com água limpa remove o detergente e qualquer resíduo orgânico que tenha permanecido e que possa interferir com a eficácia do desinfetante a ser usado. O enxágüe também diminui a possibilidade de prejudicar os animais por absorção acidental de qualquer detergente ou sabão residual.

A etapa final da limpeza é secar rápida e completamente as áreas molhadas. Se a instalação não for seca adequadamente, o excesso de umidade causa multiplicação de bactérias para níveis ainda maiores que antes da limpeza. Portanto, a limpeza inadequada pode ser mais prejudicial do que benéfica. Assim que a instalação estiver adequadamente limpa, pode ser iniciado o procedimento de desinfecção.

A rotação de detergentes, usando produtos alcalinos ou ácidos, é recomendada para remover material acumulado e facilitar a remoção de depósitos minerais e biofilmes das superfícies. Também é importante fazer a rotação do pH dos detergentes, porque alguns tipos de sujeira, como gorduras, óleos e proteínas, necessitam de detergente alcalino para sua remoção, enquanto que depósitos minerais, incrustações e limo são removidos mais facilmente usando um detergente ácido.

Desenvolver um protocolo adequado de limpeza é uma coisa séria. Para isso as empresa, geralmente, solicitam uma auditoria com especialistas em biosseguridade e discutem quais são as necessidades e metas para implementar o melhor programa. Os protocolos de limpeza e desinfecção devem ser personalizados de acordo com cada situação que, na maioria dos casos, é diferente da dos seus vizinhos.


O processo de desinfecção

Como mencionado acima, os desinfetantes são agentes químicos que eliminam patógenos por contato. Toda a matéria orgânica e a sujeira devem ser removidas para garantir que a substância química entre em contato completo com os patógenos. Os desinfetantes químicos podem ter diversos efeitos contra microorganismos. Portanto, é importante ter conhecimentos básicos sobre os diferentes agentes químicos para fazer a escolha certa. Os desinfetantes e sanitizantes geralmente reagem com proteínas, especificamente com enzimas essenciais dos microorganismos. As ações incluem oxidação, hidrólise, desnaturação ou substituição. Quando implica em matar os microorganismos, usa-se o sufixo – cida (como biocida, bactericida, viricida, esporicida), enquanto que o sufixo – stático (como bacteriostático, virostático, esporostático) indica que o crescimento do microorganismo é apenas inibido ou evitado. Isto está relacionado com o conceito CIM (concentração inibitória mínima). CIM ou MIC é o nível necessário para inibir o crescimento, enquanto que concentração biocida é aquela que mata os microorganismos.

A principal meta do protocolo de limpeza e desinfecção é retirar a fonte de contaminação e doença pela minimização da oportunidade de multiplicação dos patógenos (Figura 2).



Lembre-se que os sanitizantes não destroem ou eliminam todas as bactérias ou microorganismos, mas reduzem a contaminação bacteriana, em superfícies inanimadas, a níveis considerados seguros do ponto de vista da saúde pública. Isto é importante para garantir que você atinja as metas do seu programa de higiene.

Há alguns princípios básicos a serem considerados para a desinfecção. Um ponto importante é lembrar que a água dura pode neutralizar a atividade de alguns desinfetantes. Além disso, algumas soluções desinfetantes permanecem ativas apenas por alguns dias depois da preparação ou mistura. Utilizar soluções de desinfetantes preparadas há alguns dias ou visivelmente contaminadas com matéria orgânica, como fezes, significa usar um produto que não é mais eficaz (como exemplo, pode-se citar os pedilúvios com desenho errado e manutenção deficiente ou mesmo sem manutenção).

Ainda pior, pode gerar uma falsa sensação de segurança quanto ao processo de desinfecção.

Concentração e tempos de contato suficientes podem superar alguns destes problemas com certas classes de desinfetantes, mas geralmente, aumentar a concentração ou tempo de contato torna o uso do produto pouco prático, caro, cáustico ou perigoso para os usuários e animais. Os desinfetantes também variam consideravelmente em sua atividade contra diversas bactérias, fungos, vírus e protozoários que causam preocupação na avicultura.

Depois de desenvolvido e implementado o plano de desinfecção, todos os funcionários, inclusive os técnicos que visitam periodicamente a propriedade, devem ser informados quanto à implementação correta do protocolo de desinfecção, enfatizando a importância da limpeza completa, do uso do banho ao entrar e ao sair, do uso de roupas limpas, de pedilúvios e de lavar as mãos freqüentemente com sabão antibacteriano ou álcool-gel. Explicar as metas e os métodos com clareza, colocando cartazes para lembrar os funcionários dos protocolos. A utilização de cartazes, de acordo com as diretrizes HACCP e BPM, indicando os pontos de controle é muito útil para lembrar os funcionários de o que precisa ser feito, como e porquê de cada ponto crítico ou de controle para minimizar a contaminação.


Para que o processo de desinfecção seja econômico, é importante lembrar o seguinte:

• Limpeza - os desinfetantes raramente funcionam (há variações, dependendo da substância química) se houver muita matéria orgânica presente. Desinfecção não é sinônimo de limpeza e por isso é extremamente importante limpar primeiro desinfetar depois. Desinfetantes à base de iodo e de cloro são muito sensíveis à sujeira orgânica (Pryor & Brown, 1975). Jono et al. (1986) investigaram o efeito da albumina sérica bovina (ASB) sobre a atividade bactericida de compostos de amônia quaternária (CAQ) e demonstraram que a 2% de ASB, até 80% da dose de CAQ ligava-se à ASB. Na presença de soro humano ou de extrato de levedura, era necessário de 10 a 100 vezes mais CAQ para atingir um nível específico de desinfecção.

• Concentração - para obter uma desinfecção eficiente, é necessário utilizar uma concentração que seja suficientemente alta. Isto é um dos pontos mais importante a ter me mente. Produtos que comprovam sua eficácia biocida em condições laboratoriais (geralmente usando concentrações baixas, como 1:1000 – 1:2000) simplesmente não funcionam bem quando aplicado em condições de campo, onde os desafios (pressão de doença, dureza da água, matéria orgânica, alterações de pH, temperatura, etc.) são muito piores. A concentração e o tempo para fazer efeitos estão ligados, o mesmo produto usado em concentrações mais baixas precisa de mais tempo para ser eficaz e realizar seu objetivo. Isto é especialmente importante em pedilúvios, rodolúvios e arco de desinfecção, cujo tempo de contato com a superfície a ser tratada é mínimo.

• Tempo - os desinfetantes não agem instantaneamente. E necessário certo tempo para que funcionem. Antes de afetar o microorganismo, o desinfetante precisa penetrar a parede celular e isto leva tempo. Como mencionado acima, o tempo também está ligado à concentração.

• Temperatura - a dependência que a atividade antimicrobiana de um agente químico tem da temperatura é uma soma complexa do efeito da mudança da temperatura sobre a taxa de crescimento, a taxa de morte por calor e a taxa de desinfecção química e, portanto, difícil de analisar. A velocidade dos processos ligados à desinfecção aumenta com a temperatura. Geralmente, a velocidade dobra com um aumento da temperatura de 5 para 15ºC. produtos diferentes são mais ou menos afetados pelas mudanças da temperatura (produtos à base de aldeídos, por exemplo, são muito afetados e alguns produtos funcionam melhor que outros em condições frias). Isto é especialmente importante nos meses de inverno cuja temperatura média é de menos 20ºC.

• pH - a maioria dos desinfetantes depende do pH adequado para ser o mais eficiente possível ou mesmo funcionarem. Acidez ou alcalinidade extrema pode limitar o crescimento de microorganismos, sendo pH de 4,5 a 9,0 o intervalo de limitação de muitos deles. A atividade dos agentes antimicrobianos que ocorrem contra diferentes espécies, dentro de um intervalo de pH compatível com crescimento microbiano, pode ser influenciada por pequenas alterações do pH do meio. A eficácia do glutaraldeído depende do pH e funciona melhor em pH acima de 7,0. Por outro lado, os CAQ são mais eficazes em pH entre 9,0 e 10,0. O pH pode afetar a atividade dos compostos fenólicos, hipoclorito e iodo.

• Dureza da Água -
em geral, parece que a interferência é resultado de diversos fatores inter-relacionados de forma complexa. Acredita-se que dureza causada por certos íons, como cálcio, magnésio e bicarbonato, seja mais importante que a dureza total. A eficácia de compostos de amônio quaternários mais antigos é particularmente afetada pela dureza da água. A água dura reduz a eficácia de desinfetantes e este efeito está incluído nos testes oficiais da AOAC para detergentes e santizantes e, também, nos testes de eficácia de desinfetantes da União Européia (Davis, 1990; Holah, 1995). Os desinfetantes contêm agentes quelantes, como EDTA para ajudar a ligar estes íons.

• Umidade - a umidade relativa pode influenciar a atividade de alguns desinfetantes. Por exemplo, a fumigação com formaldeído demanda uma umidade do ar maior que 70% para ser eficaz.


Desinfecção e controle de vírus

Os vírus certamente são o maior desafio da avicultura e por isso é importante mencionar alguns pontos quanto à sua transmissão e seu controle. A única forma de evitar a infecção viral é evitar a exposição. A suscetibilidade dos vírus aos desinfetantes depende do tipo de vírus. Vírus lipofílicos (com envelope), como orto e paramixovírus, demonstram maior sensibilidade aos biocidas comuns, enquanto que os hidrofílicos (sem envelope) mostram maior resistência, especialmente os vírus menores, como parvovírus, retrovírus e reovírus. Exemplos de sensibilidade moderada são os poxivírus e os adenovírus. Se um desinfetante passar num teste reconhecido, como o teste viricida EPA, contra os vírus menos sensíveis (mais difíceis de serem inativados), não há dúvida que é, de fato, um desinfetante de amplo espectro.

Ainda assim, pode ser difícil predizer a atividade de uma fórmula (em comparação a um ativo puro), porque diferentes proporções de excipientes, sequestrantes, solventes e detergentes produzem um efeito inespecífico e sinérgico. É por isso que as fórmulas modernas, com ação comprovada, devem ser usadas, em vez de simples substâncias químicas, contendo apenas um ativo e água.

Os vírus são inativados através da ruptura da sua estrutura de superfície. A atividade antibacteriana, por outro lado, freqüentemente, está associada a eventos intracelulares. A ruptura das superfícies dos vírus perturba a configuração básica de “chave-fechadura” dos sítios de adesão no vírion e receptor na superfície da célula hospedeira. Quando associado a desinfetantes, o termo inativação viral significa que as partículas virais não são mais capazes de aderir e ser absorvidas pela célula hospedeira. Entretanto, enquanto o ácido nucléico do vírion permanecer intacto e, se extraordinariamente o ácido nucléico nu entrar na célula, a replicação é teoricamente possível. Esta possibilidade foi demonstrada com o RNA de um poliovírus extraído com fenol (Bitton, 1980). Existem, no mercado,os desinfetantes que destroem os ácidos nucléicos e estes produtos devem ser escolhidos, quando disponíveis.

As boas práticas de manejo são fundamentais para o controle de infecções e doenças virais. Os fatores de estresse têm papel importante na predisposição dos animais a infecções e disseminação de doenças. Há três vias de transmissão de doenças infecciosas, inclusive vírus: horizontal, vertical e em zigue-zague. Os desinfetantes estão envolvidos com esta última. Esta via comum de transmissão pode ser animada (animal para inseto para animal) ou inanimada (animal para fômite para animal). Esta pode ser prevenida com o uso de desinfetantes. Os vírus são particularmente perigosos, porque são altamente infecciosos por via respiratória e porque são especialmente resistentes a terapias com medicamentos (Block, 1991).


Desinfecção e controle de coccídios

Usar um desinfetante de amplo espectro pode ajudar a controlar a coccidiose em locais onde os coccídios permanecem apesar dos métodos comuns de prevenção. Praticamente todos os frangos de corte são desafiados por estes parasitas durante a sua curta vida. Em geral, a doença é controlada com o uso de um coccidiostático na ração, embora saiba-se que a inclusão de um medicamento tenha efeitos deletérios sobre o crescimento e a produção devido ao efeito depressor de crescimento dos coccidiostáticos.

Em alguns casos, o desafio é grande o suficiente para superar a proteção do coccidiostático e causar coccidiose clínica e graves efeitos sobre o desempenho.

Poucos desinfetantes têm ação comprovada contra oocistos de coccídeos, que podem ser mortos por gases tóxicos, como amônia e brometo de metila. Há um produto que libera gás de amônia de baixo peso molecular com eficácia comprovada, mas este produto que não é capaz de eliminar totalmente o desafio de oocistos. A literatura relata ação parcial de alguns compostos fenólicos contra oocistos, mas os dados científicos são inconsistentes e raros. As boas práticas de manejo, especialmente de manejo da cama, são essenciais para o controle da doença.


Rótulos de desinfetantes e alegações dos rótulos


Os rótulos dos produtos contêm informações importantes sobre o uso adequados e os perigos de uma substância química. Muitas vezes estas informações são ignoradas, mas nos Estados Unidos e, em outras partes do mundo, é ilegal usar um produto de forma diferente da indicada em seu rótulo. Portanto, deve-se dar muita atenção ao uso adequado de um produto em relação à sua aplicação, eficácia e riscos. Estas informações apoiarão as decisões e esforços para o controle de infecções. Os desinfetantes podem ter diferentes indicações de uso, como agente de limpeza, desodorizante, sanitizante, desinfetante, fungicida, viricida ou para uso hospitalar, institucional ou industrial.


Outras informações importantes sobre o rótulo do produto que precisam ser consideradas são:

- Eficácia do produto sob determinadas condições. Nos EUA, o teste do produto para a EPA requer testes sob condições de água com até 400ppm de dureza (CaCo3) na presença de contaminação de 5% de soro para similar a eficácia dos produtos em condições de campo. Se o produto for testado em outras condições, estas devem ser listadas no rótulo.

- Ingredientes ativos. Os ingredientes ativos do produto são listados em percentagens e são as substâncias químicas responsáveis pelo controle dos microorganismos.

- Ingredientes inertes. Os ingredientes inertes geralmente estão agrupados e incluem ingredientes como detergentes, surfactantes, EDTA, citrato de sódio, isopropanol, corantes, perfumes e água. Os ingredientes inertes têm um papel importante na eficácia geral de um produto, tornando-o mais eficaz que um produto similar que contém apenas um ingrediente ativo e água.

- A declaração de precaução descreve os potenciais riscos do produto (para pessoas e animais) e ações para diminuir estes riscos (como, usar luvas ou óculos de proteção). São usadas palavras indicativas do grau de risco. Os descritores usados são cuidados, aviso importante, perigo e perigo-veneno, sendo que cuidado é utilizado para o de menor risco e perigo-veneno, para o de maior risco.

- A seção de primeiros socorros lista a ações a serem tomadas no caso de ingestão, inalação ou contato acidentais com o produto. Podem estar incluídas notas com informações médicas específicas.

- Declarações adicionais de precaução contidas no rótulo incluem informações adicionais de segurança e precaução, como perigos ambientais, físicos e químicos (como corrosão e incêndio) e informações de armazenamento e descarte.

- A seção instruções de uso indica o que o produto controla, assim como onde, como e quando usá-lo. Alguns produtos têm múltiplos usos (limpeza versus desinfecção), requerem diluições ou tempo de contato diferentes para estas ações específicas (sufixo cida versus sufixo stático) e também o melhor método de aplicação (spray direto ou passar na superfície).


Considerações e avaliação de um plano de ação de limpeza e desinfecção


Antes de selecionar os agentes de limpeza e desinfetantes a serem usados em um protocolo de higiene, diversos fatores devem ser levados em conta. Alguns desinfetantes são eficazes para protocolos de desinfecção de rotina na granja e no incubatório, mas são necessários outros para situações de surto (controle de emergência de doenças). Em um protocolo eficaz de desinfecção, deve ser considerado o microorganismo a ser atingidas, as características de um desinfetante específico e questões ambientais. Além disso, a saúde e a segurança dos funcionários e dos animais sempre é uma consideração especial.

Em granjas e incubatórios, recomenda-se usar um detergente específico para granjas, especialmente desenvolvido para funcionar nestas condições e remover os desafios de sujeira normalmente encontrados em instalações que alojam animais. O detergente selecionado deve ser compatível com o desinfetante que será aplicado depois.

A seleção do equipamento de aplicação é um fator-chave para obter o máximo dos produtos selecionados. As aplicações com espuma requerem uma máquina de fazer espuma. Este tipo de aplicação, mais usado em incubatórios e abatedouros, permite mais tempo de contato com superfícies e sujeira e ajudam a visualizar as áreas tratadas. Em galpões avícolas, o equipamento ideal para aplicação de detergentes é o jato de água de alta pressão.


A seguir algumas dicas para uso de alta pressão:

• Adaptar a mangueira de água no equipamento. Verificar os níveis de combustível e óleo (se o motor for à gasolina). Ligar a máquina.

• Lavar o galpão e os equipamentos com água misturada com detergente. Usar pressão baixa para que a água e o detergente não espirrem.

• Lavar a uma distância de 65 a 100 cm da superfície que está sendo lavada. Começando do ponto mais baixo das máquinas para o mais alto. Evitando que a água escorra.

• Aplicar detergente suficiente para dissolver a sujeira da superfície que você está lavando.

• Espere 5-10 minutos para que o detergente comece a dissolver os resíduos.

• Utilizar alta pressão para começar a retirar a sujeira da superfície.

• Enxágüe – usar água limpa em abundância para retirar a sujeira. Começando no ponto mais alto. Isto evita que a sujeira escorra sobre as áreas já limpas e enxaguadas. Os melhores resultados são obtidos com o ângulo de spray mais aberto (25 ou 40 graus).

• Deixar que as superfícies secassem antes de aplicar o desinfetante.

Há várias formas de aplicar desinfetantes. As superfícies de objetos e paredes de um prédio podem ser tratadas com uma solução de desinfetante com pano, pincel ou spray. Os ovos podem ser desinfetados por imersão, fumigação ou spray. Bandejas e caixas podem ser desinfetadas com equipamentos automáticos. Os desinfetantes podem ser aplicados em spray com o mesmo lavador de alta pressão (previamente enxaguado) usando baixa pressão. O essencial é molhar todas as superfícies adequadamente. Para aplicações aéreas, podem-se usar atomizadores elétricos ou nebulizadores térmicos. Estes aplicam o desinfetante em gotículas que permanecem flutuando no ar por períodos mais longos e são capazes de cobrir grandes áreas de forma mais rápida e econômica que os sprays manuais. Finalmente, em galpões avícolas, o sistema de nebulizadores também pode ser usado para este propósito.

Recomenda-se usar bicos de plástico ou de aço inoxidável para evitar a corrosão causada por alguns produtos.

Através de limpeza e da desinfecção, o uso de macacões limpos e pedilúvios é essencial para evitar a disseminação de vírus por fômites. Estes aspectos do manejo devem ser realizados sempre, e especialmente durante surtos de doença.


A boa higiene depende de seis etapas diferentes:

1. Retirada de equipamentos portáteis.

2. Limpeza com detergentes específicos para uso em granjas.

3. Desinfecção final e nebulização.

4. Secagem antes da entrada do novo lote.

5. Monitoramento regular (auditorias).

6. Lidar com outras ameaças invasivas (roedores e insetos) através de um programa de manejo integrado de pragas.


Avaliação do protocolo de limpeza e desinfecção

A primeira etapa de um protocolo eficaz de desinfecção envolve uma avaliação completa do problema através de uma auditoria de biosseguridade da granja ou incubatório. Isto inclui identificar e avaliar o agente infeccioso suspeito, seu meio de transmissão, áreas potencialmente afetadas e a seleção do desinfetante químico correto. Como os animais doentes têm contato com uma ampla gama de elementos (como galpões, equipamentos, comedouros, bebedouros, pessoas), todos os elementos do ambientes devem ser considerados e avaliados em termos de contaminação. Embora a inspeção visual da limpeza seja importante, devem ser coletadas amostras bacteriológicas para determinar a eficácia do protocolo de limpeza e desinfecção.

Falhas no programa de desinfecção podem estar relacionadas à seleção de um desinfetante ineficaz, uso descuidado de um desinfetante eficaz ou fatores ambientais, como temperatura, umidade relativa e pH. O momento da coleta de amostras é importante. O melhor momento de coletar amostras é dois a três dias depois da desinfecção. Caso isto não seja possível, amostras as superfícies pelo menos 30 minutos depois da desinfecção. As amostras para análises microbiológicas não devem ser coletadas de uma superfície úmida (o desinfetante ainda pode estar agindo e os seus resíduos podem inibir o crescimento de microorganismos nos meios de cultura).

Portanto, deve-se deixar que área amostrada seque antes de coletar amostras.

Amostras de superfícies pequenas e lisas podem ser coletadas esfregando um meio umedecido e com capacidade de absorção (suabe estéril) sobre superfícies nãoporosas.

Para áreas maiores, podem ser usadas tiras de gaze estéril. Além disso, todas as etapas do plano de ação de limpeza e desinfecção (avaliação, limpeza, lavagem e sanitização, desinfecção) devem ser avaliadas em relação aos problemas encontrados e à utilidade ou eficácia das técnicas de limpeza e desinfecção. Auditorias periódicas da granja conduzidas por especialistas em biosseguridade são muito úteis para detectar e corrigir estes problemas.


O fator biofilme

Os biofilmes são comunidades de microorganismos (principalmente bactérias) que estão dentro de uma matriz de polissacarídeos (EPS) produzidos pelas bactérias e que aderem a uma superfície viva ou a uma superfície inerte. Na natureza, os biofilmes são uma forma de crescimento protegido que permite que as bactérias sobrevivam em ambientes hostis. As estruturas que formam estas micro-colônias contêm canais, através dos quais os nutrientes circulam e, em diferentes zonas do biofilme, as bactérias expressam genes diferentes, como se fossem parte de uma estrutura organizada.

A idéia geral é que as bactérias individuais são expostas a agentes encontrados no ambiente (incluindo, por exemplo, a possibilidade de se tornarem alvo de um desinfetante), enquanto que, dentro do biofilme, estas células são protegidas (Costerton, 1999).

A formação de biofilme consiste da adesão inicial, formação de micro-colônia e produção de EPS, seguida de maturação (Davey & O’Toole, 2000). A transição bacteriana de estado planctônico para séssil é desencadeada por sinais ambientais.

Geralmente, os ecossistemas naturais têm poucos nutrientes e a formação de biofilme é uma adaptação importante para a sobrevivência nestas condições (Mittelman, 1998).

Estudos de espécies bacterianas em sistemas naturais mostraram que a agregação pode envolver o recrutamento de células planctônicas do meio circundante como resultado de comunicação célula-a-célula (quorum sensing) (McLean et al., 1997; Pesci et al., 1999).

Os biofilmes podem se formar em áreas úmidas mesmo com nutrientes mínimos, mas a presença de nutrientes e umidade estimula o crescimento. Se for permitido que se formem biofilmes, a limpeza da superfície se torna mais difícil por casa da presença do EPS de adesão.

Um detergente específico para granjas não apenas solta o depósito gorduroso da matéria fecal em torrões, permitindo a remoção de bactérias para que o desinfetante possa atuar, como também danifica o biofilme que permanece. Um detergente facilita a ação dos desinfetantes. Foram realizados diversos experimentos por cientistas que determinaram que fosse necessário um bom tempo de contato para que o detergente comece a remover o biofilme. Também concluíram que a aplicação de um desinfetante é essencial para inativar os microorganismos que permanecem na superfície depois da limpeza (Dunsmore et al., 1981).

Agentes oxidantes, como ácido peracético, peróxido de hidrogênio e compostos peroxigênicos, constituem a melhor opção de desinfetantes para lidar com biofilmes.

Os biofilmes fornecem um nicho ideal para a troca de DNA extra-cromossômico (plasmídeos). Como os plasmídeos podem codificar para resistência a diversos agentes antimicrobianos, o biofilme também fornece um mecanismo para a seleção e a disseminação bacteriana a agentes antimicrobianos.

Em geral, os produtos desinfetantes e sanitizantes precisam ser mais concentrados para ter esta atividade biocida na presença de biofilmes. Isto deve ser levado em conta na elaboração de protocolos de desinfecção.


Considerações econômicas

As considerações econômicas são importantes (mas não as mais importantes) ao escolher um desinfetante. Os fatores mais importantes a considerar são:

• eficácia comprovada contra organismos de difícil eliminação

• segurança para o operador, animais e equipamentos e impacto ambiental.

• o custo deve vir depois que todos estes requisitos foram satisfeitos. Os desinfetantes variam em custo, tempo de contato e diluição e, portanto, o custo deve ser sempre calculador em termos de litro de uso ou diluição e não pelo custo do concentrado. É extremamente importante que o fator de diluição considerado seja comprovadamente eficaz em condições de campo e não apenas a concentração que passou por condições ideais de laboratório.

Os protocolos de desinfecção são meios econômicos de reduzir os organismos patogênicos. Por exemplo, um produto que custa R$10,00 por litro de concentrado custará R$0,40 por litro diluído (4cc de concentrado por litro de água). Considerando que um litro de desinfetante obre aproximadamente três a quatro metros quadrados, o custo de desinfetar 1000m2 seria de R$10,00. É importante saber que os microorganismos têm diferentes suscetibilidades a desinfetantes (Figura 3). É provável que um desinfetante não seja o mesmo para galpões, equipamentos, incubatórios, veículos, sistema de água, etc. É essencial levar em conta as características do desinfetante para selecionar o produto mais útil, eficaz e econômico para cada situação.



Consideraçõe de segurrança

A mayoría dos desinfectantes causa irritação nos olhos, pele ou trato respiratorio e, por tanto, a seguranca de todos os funcionários deve ser levada em conta. É esencial realizar treinamento dos procedimentos carretos de armazanamento, mistura e aplicação. Equipamento de proteção individual (EPI), como luvas, máscaras e óculos de proteção, devem ser usados durante a mistura e aplicação de desinfetantes. Todos os desinfetantes químicos possuem uma folha de dados de segurançã do material (FDSM) listando a estabilidade, os riscos e a proteção individual necesaria, assim como informações de primeiros socorros. Estas informações devem estar sempre disponiveis aos funcionários.


Principias grupos de desinfetantes químicos


Os desinfetantes são classificados por sua estrutura química e cada classe tem características, riscos, toxicidade e eficácia únicas. Como mencionado acima, condições ambientais, como presença de matéria orgânica, pH e dureza da água podem influenciar a ação de um desinfetante. Portanto, antes de usar qualquer desinfetante químico, deve-se ler e seguir as instruções do rótulo.


As principais classes de desinfetantes e suas características são:

• ÁLCALIS E ÁCIDOS - as propriedades desinfetantes de ácidos e álcalis minerais fortes são proporcionais à extensão de sua dissociação na solução. Alguns hidróxidos são mais eficazes do que os valores preditos. Em geral, os ácidos são melhores desinfetantes que os álcalis. O mecanismo de ação é atribuído ao aumento de espécies de H+ e OH- nas soluções, interferindo com certas funções microbianas. Todavia, o efeito total não depende apenas do pH. Os ácidos orgânicos fracos são mais potentes que os inorgânicos, apesar das baixas taxas de dissociação em solução. Sua ação é atribuída à ruptura das estruturas secundária e terciária das enzimas e proteínas estruturais. Exemplos deste grupo são o ácido acético, o ácido cítrico e o hidróxido de sódio (soda cáustica). O carbonato de sódio (cal) tem sido usado em solução a quente para desinfetar galpões avícolas. É mais eficaz como agente de limpeza do que como desinfetante, uma vez que não é eficiente contra algumas bactérias e contra a maioria dos vírus. Geralmente se recomenda uma solução a 4%. No entanto, tem baixa atividade na presença de matéria orgânica e pode ser desativado por água dura. O uso de formulações modernas de desinfetantes é uma opção mais segura, inteligente e barata.

• ÁLCOOIS - são agentes antimicrobianos de amplo espectro que danificam os microorganismos por desnaturação de proteínas, causando dano à membrana celular e lise celular. Os álcoois são usados para a desinfecção de superfícies, como anti-séptico tópico e loções sanitizantes para as mãos. Os álcoois são considerados de ação rápida e são capazes de matar a maioria das bactérias em cinco minutos de exposição, mas têm atividade viricida limitada e são ineficazes contra esporos. O etanol é considerado viricida, já o isopropanol não age contra vírus não-envelopados. Uma consideração importante em relação aos álcoois é a concentração usada, sendo 70 a 90% a ideal. Não são desinfetantes adequados para operações avícolas e seu uso é mais comum em hospitais e clínicas veterinárias como desinfetantes tópicos.

• ALDEÍDOS
- os aldeídos têm amplo espectro germicida. Os glutaraldeídos são bactericidas, viricidas, fungicidas e, em altas concentrações (2%) e longo tempo de contato, esporicidas. Têm atividade residual moderada e são eficazes na presença de matéria orgânica. Os produtos à base de glutaraldeído devem ser usados a um mínimo de 1000ppm de ingrediente ativo em superfícies limpas. Se as superfícies não estiverem limpas, são necessárias concentrações mais altas do ativo. O glutaraldeído é mais ativo em pH alcalino que ácido. Quanto mais o pH externo passar de ácido a alcalino, mais sítios reativos se formarão na superfície da célula, levando a um efeito bactericida mais rápido. Por outro lado, a estabilidade do glutaraldeído é maior em pH mais baixo. Vários desinfetantes à base de glutaraldeído são formulados com compostos de amônia quaternária para melhorar sua capacidade detergente. O mecanismo de ação do glutaraldeído envolve uma forte associação com as camadas externas das células bacterianas, especificamente as aminas não-protonadas da superfície celular, que possivelmente são os sítios reativos. Os formaldeídos, incluindo o formol, são desinfetantes muito potentes, mas podem ser muito tóxicos para humanos e animais. O formol é uma solução aquosa contendo 34 a 38% de CH2O com metanol para retardar a polimerização. O formaldeído é bactericida, esporicida e viricida, mas funciona mais devagar que o glutaraldeído. É difícil determinar com precisão o mecanismo responsável pela inativação microbiana induzida pelo formaldeído. As suas propriedades interativas e de formação de ligações cruzadas certamente têm um papel importante nesta atividade. Os produtos de formaldeído devem ser usados apenas como último recurso e sob a supervisão treinada em um local bem ventilado.

Seno que, para se um desinfetante realmente eficaz, a concentração certa, que é entre 3 e 5% deve ser usada e não 1% ou menos, como se observa às vezes a campo. O paraformaldeído é um polímero sólido de formaldeído. O paraformaldeído gera gás de formaldeído quando é despolimerizado por aquecimento a 232 a 246°C.

O material despolimerizado reage com a umidade do ar para formar gás de formaldeído. Este processo é usado para a descontaminação de capelas de segurança biológica de fluxo laminar grandes, quando o trabalho de manutenção ou a troca de filtros demanda acesso à parte vedada da capela. O uso de equipamentos de proteção individual adequados é essencial para a manipulação de formol e produtos afins.

• FENÓIS - fenólicos são derivados do fenol (ácido carbólico). Estes biocidas atuam através de dano na membrana. Os fenóis são ativos contra bactérias (especialmente Gram +) e vírus envelopados. Dependendo da formulação (nem todos os produtos são iguais), alguns fenóis podem não ser eficazes contra vírus não-envelopados e esporos. A substituição do halogênio intensifica a potência biocida dos derivados dos fenóis. A introdução de grupos aromáticos no núcleo dos fenóis halogenados aumenta a sua potencia bactericida. Os desinfetantes fenólicos (especialmente os fenóis naturais) funcionam melhor que outros desinfetantes sob desafio de matéria orgânica e, portanto, são mais úteis em pedilúvios, rodolúvios, cama, pisos de terra batida e outras áreas cuja matéria orgânica não pode ser completamente removida ou cuja limpeza é deficiente. Têm boa atividade residual.

Sabe-se há muito que, embora sejam freqüentemente designados como “venenos protoplasmáticos gerais”, os fenóis atuam sobre a membrana, o que contribui para sua atividade geral (Denyer, 1995). Os fenóis possuem propriedades antifúngicas e antivirais. Sua ação antifúngica envolve dano à membrana plasmática, resultando em vazamentos do conteúdo intracelular (Russell, 1996). Os fenóis podem ser derivados do alcatrão (ácidos de alcatrão de alto ponto de ebulição) ou formulações sintéticas e geralmente tem aparência leitosa ao serem adicionados à água e um odor forte, típico de fenol ou pinho. Os desinfetantes fenólicos geralmente são seguros para humanos, mas a exposição prolongada da pele pode causar irritação.

Concentrações acima de 2% são muito tóxicas para todos os animais, especialmente gatos.

• COMPOSTOS PEROXIGÊNICOS - agentes oxidantes são compostos de amplo espectro, à base de peróxido, que funcionam desnaturando as proteínas e os lipídios dos microorganismos. Sua capacidade microcida varia, mas são considerados eficazes quando usados em superfícies rígidas e equipamentos. Na forma diluída, estes agentes são seguros, mas pode ser irritantes e danificar as roupas, quando concentrados. Alguns compostos peroxigênicos modernos têm atividade ampla, contra vírus, bactérias, fungos e esporos. Este tipo de produto incorpora um detergente na fórmula para ajudar a reduzir a tensão superficial, permitindo um maior contato com o microorganismo. Em geral, os compostos peroxigênicos não prejudicam o meio ambiente e não são mutagênicos. Peróxido de hidrogênio, ácido peracético e monopersulfato de potássio são as melhores opções disponíveis. Produtos à base de ácido peracético e monopersulfato de potássio são bastante usados na avicultura em todo o mundo. Têm amplo espectro de ação e não prejudicam o ambiente. A química oxidativa é atraente como base da desinfecção porque agem rápido, não apresentam evidências de resistência microbiana, têm amplo espectro de atividade, são eficazes na remoção de biofilmes e não prejudicam o ambiente.


• COMPOSTOS DE AMÔNIA QUATERNÁRIA (CAQ)
- os CAQ são produto de uma reação de substituição nucleofílica de alquil halidas por aminas terciárias. Embora o mecanismo de ação dos compostos de amônio quaternário ainda não tenha sido descrito em detalhes, há explicações para o mecanismo de ação de desinfetantes catiônicos em geral. Uma das principais considerações ao examinar o mecanismo de ação é a caracterização de compostos de amônia quaternária como surfactantes catiônicos. Esta classe de substâncias químicas reduz a tensão superficial nas interfaces e é atraída por superfícies com carga negativa, incluindo microorganismos. Os compostos de amônia quaternária desnaturam as proteínas das células de bactérias e fungos, afetam as reações metabólicas e permitem que substâncias vitais vazem para fora das células, causando sua morte. Em 1935, Dogmack elucidou a atividade antibacteriana dos sais de amônio quaternário de cadeia longa. Depois de várias gerações, foram desenvolvidos compostos de amônia quaternária de importância comercial. O valor dos ingredientes ativos pode aumentar através da formulação e de misturas sinérgicas.

A classificação das gerações de compostos de amônia quaternária pode causar confusão. As definições atuais das diferentes gerações de compostos de amônio quaternário são as seguintes (Block, S 1991) (Buck, K):

1) Primeira geração: cloretos de benzalcônio (exemplo: cloreto de benzalcônio). Estes têm a menor atividade biocida relativa e são geralmente usados como conservantes.

2) Segunda geração: cloretos de benzalcônio substituídos (exemplo: cloreto de alkil-dimetil-benzil amônio). A substituição do anel aromático de hidrogênio por cloro e grupos metila e etila resultaram nestes compostos de amônio quaternário de segunda geração, com alta atividade biocida.

3) Terceira geração: compostos de amônia quaternária duais (exemplo: contém uma mistura em partes iguais de cloreto de alquil-dimetil-benzil amônio + cloreto de alquil-dimetil-etilbenzil amônio). Estas misturas de dois compostos de amônio quaternário específicos resultaram em um produto duplo, que oferece maior atividade biocida, maior capacidade de detergente e maior segurança para o usuário (toxicidade relativamente baixa).

4) Quarta geração:
compostos de amônia quaternários duplos ou de cadeia dupla – di-alquil aminas (exemplo: cloreto de didecil-dimetil amônio e cloreto de dioctildimetil amônio). Os compostos de quarta geração têm maior poder germicida, formam menos esputam e têm maior tolerância para proteína e água dura.

5) Quinta geração:
as misturas de compostos de amônio quaternário de segunda geração (exemplo: cloreto de didecil-dimetil amônio + cloreto de alquil-dimetil-benzil amônio). Estes compostos têm excelente desempenho germicida, são ativos sob condições mais hostis e são mais seguros de usar.

Estas informações têm caráter geral. Nem sempre um desinfetante CAQ é melhor que um de quinta geração. Os componentes não-germicidas de um desinfetante (ingredientes inertes) também influenciam o seu desempenho geral. É por isso que, como mencionado anteriormente, os produtos formulados em geral são melhores opções que substâncias químicas simples. Ingredientes inertes, como EDTA, citrato de sódio, surfactantes, isopropanol, são essenciais para diminuí-la a sensibilidade dos CAQ à água dura e à matéria orgânica. Embora consideradas como padrão oficial, as definições das gerações de CAQ apresentadas acima podem ser diferentes. Independentes disso, os exemplos dados apresentam fornecem uma visão da evolução dos desinfetantes e santizantes à base de amônio quaternário. Os CAQ têm certo efeito residual, mantendo as superfícies bacteriostáticas por um breve tempo. São mais ativos em pH neutro a levemente alcalino, mas perdem atividade em pH menor que 3,5. Os CAQ são consideráveis estáveis no armazenamento, mas geralmente são facilmente inativados por matéria orgânica, detergentes, sabões e água dura (isto pode variar de acordo com a geração). Os CAQ são tóxicos para peixes e não devem ser descartados em fontes de água.

• CLORO E COMPOSTOS DE CLORO -
cloro disponível pode ser definido como uma medida da capacidade oxidante e é expresso em termos de quantidade equivalente do elemento cloro. A concentração de hipocloreto (ou qualquer desinfetante oxidante) pode ser expressa como cloro disponível determinante a quantidade eletroquímica equivalente de Cl2 no composto. Em água clorada, certa quantidade de cloro será consumida pelas impurezas da água e o cloro não consumido permanecerá como cloro residual disponível. A diferença entre o cloro aplicado e o cloro remanescente na água é chamada de demanda de cloro desta água. Na cloração, é adicionado cloro suficiente para atender a demanda inicial da água e é adicionado cloro extra para fornecer um resíduo de cloro livre disponível.

Isto é útil quando se prepara um protocolo de desinfecção de sistemas de água em granjas avícolas, quando se deseja cloração marginal.

O cloro em solução aquosa, mesmo em quantidades muita pequenas, tem ação bactericida rápida. O mecanismo de ação ainda não foi bem elucidado, apesar da grande quantidade de pesquisas. Quando o cloro é adicionado à água, forma ácida hipocloroso (HOCl). Andrewes at al (1904) foram os primeiros cientistas e sugerirem que o HOCl era responsável pela destruição de microorganismos. Nunca foi demonstrada a forma exata com que o ácido hipocloroso destrói os microorganismos, mas especula-se que o ácido hipocloroso ajuda a emergência do oxigênio, que por sua vez se combina com componentes do protoplasma, destruindo o microorganismo. Os pesquisadores supuseram isto por causa do baixo nível de cloro necessário para a ação bactericida – o cloro deve inibir algumas reações enzimáticas essenciais na célula. A inibição destas reações metabólicas citoplasmáticas é responsável pela destruição de células bacterianas e fúngicas. A dissociação do HOCl depende do pH e do equilíbrio entre o HOCl e o OLC-, embora o HOCl seja constantemente consumido através de sua ação biocida (Baker, 1959).

A eficácia desinfetante do cloro diminui com o aumento do pH e vice-versa. Isto está relacionado a alterações na concentração de HOCl não-dissociado. A concentração de HOCl está intimamente relacionada com a velocidade de eliminação. Foi demonstrado que os compostos clorados afetam o antígeno de superfície de vírus envelopados e o DNA, e provocam alterações estruturais em vírus nãoenvelopados.

Os desinfetantes à base de hipoclorito são corrosivos e afetados por matéria orgânica (consume o cloro disponível), temperatura e pH, mas não pela dureza da água.


Os compostos à base de cloro mais comuns são:


• Cloro líquido

• Hipocloretos – líquido e sólido. Comumente usados em granjas no processo de limpeza e na desinfecção do sistema de água.

• Dióxido de cloro – para a desinfecção da água, tratamento da água servida, controle de limo e como desinfetantes em abatedouros avícolas.

• Cloraminas orgânicas.

• COMPOSTOS DE IODO
- o iodo, principalmente me sua forma molecular, pode penetrar rapidamente a parede celular de microorganismos (Chang, 1971). A morte dos microorganismos pelo iodo pode ser causada por sua incapacidade em sintetizar proteínas devido à oxidação de um importante aminoácido, pelo aumento do número de molecular de aminoácidos, que leva à desnaturação do DNA, ou a adição de iodo a ácidos graxos insaturados pode levar a uma alteração na propriedade física dos lipídios. Observações em microscopia eletrônica sustentam a conclusão que o iodo, por interagir com as ligas duplas dos fosfolipídios, causa dano à parede celular, levando a uma perda de material intracelular. Halógenos, como o cloro e o iodo, reagem não só com microorganismos vivos, mas também como os microorganismos mortos e com proteínas dissolvidas.

Em contraste com o cloro, que produzem compostos oxidantes e bactericidas Ncloro, a eficácia do iodo é menor porque não são formados compostos N-iodo. Os iodóforos (como são comumente vendidos a maioria dos desinfetantes) são um complexo formado pelo elemento iodo com um veículo (polímeros neutros), que tem 3 funções principais: aumentar a solubilidade do iodo, fornecer um reservatório de liberação contínua do halógeno e reduzir o equilíbrio de iodo molecular livre. Embora a atividade germicida seja mantida, os iodóforos são menos ativos contras certos fungos e esporos do que as tinturas (Rutala, 1995).

Produtos à base de iodo podem ser usados como desinfetantes e anti-sépticos.

Têm um bom espectro de ação, mas os desinfetantes modernos disponíveis hoje são muito mais eficazes no controle dos desafios de doença enfrentados pela avicultura. Por exemplo, são necessárias 15ppm de iodo residual ativo (I2) para inativar vírus entéricos (99,99%) em 10 minutos (Chang, 1971).

• BIGUANIDAS – um ejemplo é clorexidina. As biguanidas são prejudiciais ppara os microorganismos por reagirem com os grupos de carga negativa na membrana celular, alterando a sua permeabilidade. As biguanidas tem amplo espectro antibacteriano, mas sua eficacia contra virus é limitada e não são esporicidas, micobactericidas ou fungicidas. As biguanidas funcionam apenas dentro um intervalo estreito de pH (5,0 a 7,0) e são fácilmente inativas por sabões e detergentes. Estes produtos são toxicos para peixes e não devem ser descartados no embiente. Aclorexidina é comumente usada com agente enti-séptico em sabões antibacterianos.

A Figura 4 mostra a acão biocida de diferentes desinfetantes quimicos.




Breves comentários sobre a resistência a desinfetantes e a rotação de desinfetantes


Este assunto é muito longo e complexo para ser discutido aqui e o propósito desta revisão não é fornecer muitos detalhes. No entanto, alguns comentaários devem ser feitos. Excesso de uso… esta palavra soa como um aviso. Uma quantidade excessiva de uma coisa boa pode ser uma coisa ruim. Há inúmeros relatos sobre a resistência microbiana a antibióticos e a biocidas. Já foram relatados cases de resistência cruzada entre estes grupos de substâncias. Sensibilidade e resistência são termos relativos. Diz-se que os microorganismos são resistentes quando não são mortos por uma concentração de uma droga quimioterápica normalmente usada in vivo (concentração no soro) ou por um desinfetante em uma concentração usada na prática, quando não são mortos pela concentração de uma droga que mata a maiorias das células em uma cultura ou quando uma cepa não é morta por um agente que mata cepas similares a uma concentração especificada. A resistência pode ser inata (característica de uma espécie ou cepa) ou adquirida (por mutação ou transferência de resistência). A transferência de resistência geralmente ocorre pelo cruzamento de bactérias Gram. negativas durante o processo de conjugação.


A resistência, que é um fenômeno geneticamente determinado, deve ser diferenciada de processos fenotípicos de adaptação, que não são hereditários. A adaptação pode ser evitada através de boas práticas de limpeza e desinfecção, usando os detergentes adequados na lavagem e evitando o uso de desinfetantes em diluições altas, abaixo de sua concentração biocida. Como mencionado anteriormente neste artigo, é extremamente importante usar desinfetantes na concentração certa para matar os microorganismos. Estas diluições devem ser comprovadamente eficazes em condições de campo e de desafio (e não em condições ideais de laboratório). Na maioria dos relatos, a resistência é definida como uma concentração inibitória mínima (CIM) elevada.

Ao avaliar o impacto dos fenômenos de resistência sobre os protocolos de limpeza e desinfecção, é importante diferenciar a resistência por concentração microbiocida da resistência por concentração inibitória mínima. Esta não tem necessariamente impacto sobre os protocolos de limpeza e desinfecção se os desinfetantes forem usados em condições adequadas e na diluição correta.

A rotação de diferentes tipos de desinfetantes para evitar o desenvolvimento de resistência tem sido motivo de controvérsia.

A rotação do uso de diferentes desinfetantes pode ser recomendada para evitar o desenvolvimento de resistência ou seleção de cepas resistentes em um ambiente freqüentemente desinfetado. Esta prática é bastante usada em granjas avícolas e incubatórios, mas não necessariamente de maneira correta. A rotação de desinfetantes só é útil se forem aplicados desinfetantes com ingredientes ativos diferentes. Além disso, segundo as definições de resistência descritas acima, foi demonstrada resistência cruzada entre diferentes ingredientes ativos (Langsrud et al., 2003). Se a rotação for usada para evitar problemas de resistência, devem ser escolhidos ingredientes ativos com mecanismos de ação completamente diferentes. Nesta revisão, foi mostrado que os diferentes grupos químicos atuam de formas diferentes para obter sua ação biocida. Por outro lado, esta rotação tem causado controvérsias (Meyer, 2000). Se os desinfetantes forem usados em concentrações microbiocidas e a resistência for definida como aumento da CIM, a resistência não significa que os micróbios vão sobreviver à desinfecção.

A comprovação científica de que o uso de rotação de desinfetantes evita problemas é escasso. No entanto, é interessante investigar a presença da microflora residual depois da desinfecção para detectar o desenvolvimento de uma flora resistente.

O desenvolvimento desta flora pode ser evitado aumentando a concentração do desinfetante ou usar desinfetantes com ingredientes ativos diferentes.

Em condições práticas, a maioria dos problemas de desinfecção está de fato relacionada com a pseudo-resistência (Heinzel, 1998). Deve-se escolher um desinfetante com um espectro adequado de eficácia para evitar problemas de resistência é o primeiro passo para desenvolver um bom protocolo de limpeza e desinfecção em operações avícolas. Adaptar freqüências, técnicas e procedimentos de limpeza e desinfecção para evitar ou minimizar a formação de biofilmes é outro ponto crucial. Um modo de aplicação que assegure o contanto intenso das superfícies a serem desinfetadas com o uso correto da concentração e evitar a diluição pelo produto residual ou água de enxágüe previne o desenvolvimento de adaptação fenotípica.


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