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XXII Congresso Latino-Americano de Avicultura 2011

Jejum Pós-eclosão Bronquite Infecciosa Galinhas

Efeito do jejum pós-eclosão sobre os níveis de decaimento dos anticorpos maternos contra o vírus da bronquite infecciosa das galinhas

Publicado: 20/10/2011
Autor/s. : Miguel Frederico Fernandez Alarcon 1*, FA Souza1, KAA Torres1,LP Espinha1, CS Fernandes2, HJ Montassier2, M Macari1, RL Furlan1 - Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias de Jaboticaba, SP, Brasil, 1Departamento de Fisiologia e Morfologia Animal; 2Departamento de Microbiologia Agropecuária.
Sumário

O presente trabalho foi desenvolvido em matrizes de frangos de corte com o objetivo de avaliar o efeito do jejum hídrico-alimentar pós-eclosão (0, 12, 24, 48 ou 72 h) sobre o perfil de decaimento dos anticorpos maternos contra o vírus da bronquite infecciosa das galinhas (VBIG) nos compartimentos: local (secreção lacrimal) e sistêmico (soro). Utilizou-se 360 pintos (matrizes) que eclodiram em um intervalo pré-estabelecido de 8 h. As aves foram alojadas em uma câmara climática e distribuídas em DIC com cinco tratamentos (0, 12, 24, 48, ou 72 horas de jejum), com 4 repetições de 18 aves cada. Após o término do período de jejum empregado em cada tratamento, as aves foram alimentadas ad libitum. Aos 3, 5, 7, 14 e 21 dias, foram obtidas amostras de soro e de secreção lacrimal para a mensuração de anticorpos do isotipo IgG contra o VBIG, através do método Sandwich-ELISA-Concanavalina A. Períodos de jejum hídrico-alimentares pós-eclosão de até 72 h não prejudicaram o decaimento dos anticorpos maternos contra o VBIG no soro e na secreção lacrimal, sugerindo que a absorção das IgGs maternas do saco vitelínico não é influenciada pelo jejum pós-eclosão.
Palavras Chave: Bronquite infecciosa das galinhas, Imunidade materna, Jejum pós-eclosão, Matrizes de corte.

Introdução

A bronquite infecciosa das galinhas (BIG), causada por um coronavírus aviário, o vírus da bronquite infecciosa das galinhas (VBIG), é uma doença altamente infecciosa que tem causado grandes perdas econômicas à atividade avícola, inclusive no Brasil. A proteção de pintainhos recém eclodidos contra este agente depende da imunidade inata e dos anticorpos maternos adquiridos passivamente através do saco vitelínico (Tizard, 2009). Foi demonstrado que os anticorpos maternos do isotipo IgG, transferidos de avós vacinadas contra BIG à sua progênie, são capazes de conferir proteção aos pintainhos contra o desafio com o VBIG, por até 4 semanas (Darbyshire & Peters, 1985), sendo que as imunoglobulinas (Igs) maternas depositadas no saco vitelínico podem ser transferidas para os pintainhos de duas formas. Primeiramente, no terço final da incubação, através da passagem direta da gema para a circulação sanguínea do embrião (Kramer & Cho, 1970; Kowalczyk et al., 1985). Além disso, as Igs podem ser adquiridas pelo pintainho pela absorção intestinal nas primeiras horas de vida pós-eclosão (Rose & Orlans, 1981; Loeken & Roth, 1983; Kaspers et al.,1996). Contudo, o jejum prolongado pode interferir negativamente sobre a absorção das Igs, pois para atender suas necessidades fisiológicas, aves mantidas em jejum prolongado, podem recorrer à metabolização das Igs do saco vitelínico para a obtenção de energia (Dibner et al., 1998). Desta forma, este trabalho foi desenvolvido com o objetivo de avaliar o efeito de diferentes períodos de jejum hídrico-alimentar pós-eclosão (0, 12, 24, 48 ou 72 h) sobre o perfil de decaimento dos anticorpos maternos contra o VBIG, nos compartimentos local (secreção lacrimal) e sistêmico (soro).

Materiais & métodos

As aves utilizadas neste estudo originaram-se de um lote comercial de avós da linhagem Cobb 500 Slow® com 37 semanas de vida. O lote em questão foi submetido a um amplo programa vacinal, destacando-se para a presente pesquisa, a imunização contra a BIG. As avós foram vacinadas com vacina viva atenuada que continha a cepa ma5 do VBIG, nos dias 1, 21, 42, 70 de vida, sendo que a primeira dose foi administrada por instilação ocular e as demais via spray. Além disso, com 20 semanas de vida, as aves foram vacinadas pela via intramuscular, com vacina inativada que continha as cepas ma5 e a variante ma 274. Finalmente, a partir da 23ª semana de vida, as aves foram vacinadas contra a BIG semanalmente, através da água de bebida, com a mesma vacina atenuada utilizada previamente. Os ovos originados deste lote de avós foram incubados de acordo com os procedimentos de rotina do incubatório da empresa comercial. Ao final do processo de incubação, 360 matrizes que eclodiram em um intervalo máximo de 8 h, foram utilizadas para o experimento. As aves foram alojadas em uma câmara climática e distribuídas em DIC (delineamento inteiramente casualizado) com cinco tratamentos (0, 12, 24, 48, ou 72 horas de jejum), com 4 repetições de 18 aves cada. Ao término do período de jejum empregado em cada tratamento, as aves foram alimentadas ad libitum com ração à base de milho e farelo de soja, atendendo as exigências nutricionais do NRC (1994). Aos 3, 5, 7, 14 e 21 dias foram obtidas amostras de soro e de secreção lacrimal de uma ave por unidade experimental para a mensuração de anticorpos do isotipo IgG contra o VBIG, através do método Sandwich-ELISA-Concanavalina A (Bronzoni et al., 2005).O título de anticorpos do isotipo IgG foi expresso pelo valor da relação amostra teste:amostra de referência positiva (A/P) (Bronzoni et al., 2005). Os dados foram submetidos à análise de variância através do procedimento GLM do programa SAS® (2002) e em caso de diferença significativa (P<0,05), as médias foram comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Resultados & discussão

Períodos de até 72 horas de jejum pós-eclosão não prejudicaram o decaimento dos anticorpos maternos anti-VBIG nos compartimentos local e sistêmico de matrizes de corte, exceção feita a uma alteração pontual observada aos 3 dias, no soro das aves mantidas em jejum (Gráficos 1 e 2). Quando, o título de anticorpos no soro destas aves, medido pela relação A/P, superou o título das aves alimentadas ao alojamento (Gráfico 1). Tais resultados indicam que o jejum pós-eclosão não interfere no montante de IgG transferido da matriz para sua progênie, o que sugere que a degradação das IgGs do saco vitelínico para utilização como fonte nutritiva, independe do período de jejum enfrentado pelas aves. De fato, estima-se que o montante total de IgG no pintainho recém eclodido situa-se entre 2 e 3 mg, enquanto na gema existem cerca de 100 a 400 mg deste isotipo de Ig (Kowalczyk et al., 1985). Segundo Carlander (2002) estes dados indicam que a maior parte das IgGs são utilizadas como fonte nutritiva durante o desenvolvimento do embrião.

Além disso, o aumento no título de anticorpos das aves mantidas em jejum por 72 horas, provavelmente foi indireto, atribuído a uma provável redução no volume plasmático em decorrência da privação crônica de água. Outras alterações observadas no hemograma e na avaliação bioquímica das proteínas plasmáticas (dados não mostrados) apontam para a ocorrência de hemoconcentração nestas aves.

Gráfico 1. Cinética de decaimento dos anticorpos maternos IgG anti-VBIG no soro de matrizes de corte não vacinadas submetidas a diferentes períodos de jejum pós-eclosão

a,b Letras diferentes, dentro de cada idade, revelam diferença estatística pelo Teste de Tukey (5%).

Gráfico 2. Cinética de decaimento dos anticorpos maternos IgG anti-VBIG, na secreção lacrimal de matrizes não vacinadas submetidas a diferentes períodos de jejum pós-eclosão

Conclusões

A absorção das IgGs maternas do saco vitelínico não é influenciada pelo jejum pós-eclosão.

Bibliografia

Bronzoni RVM, Montassier FMS, Pereira GT, Gama NMSQ, Sakai V, Montassier HJ. 2005. Detection of Infectius Bronchitis Virus and Specific Anti-Viral Antibodies using a concanavalin A-Sandwich-ELISA. Viral Immunol. 18:569-578.

Carlander D. 2002. Avian IgY Antibody In vitro and in vivo. Dissertation for the Degree of Doctor of Philosophy (Faculty of Medicine) in Clinical Chemistry presented at Uppsala University, Sweden.

Darbyshire JH & Peters RW. 1985. Humoral antibody response and assessment of protection following primary vaccination of chicks with maternally derived antibody against avian infectious bronchitis virus. Res. Vet. Sci. 34:14-21.

Dibner JJ, Knight CD, Kitchell ML, Atwell CA, Downs AC, Ivey FJ. 1998. Early feeding and development of the immune system in neonatal poultry. J. Appl. Poult. Res. 7:425-436.

Kaspers B, Bond l, Gobel, TWF. 1996. Transfer of IgA from albumen into the yolk sac during embryonic development in the chicken. Zentralbl. Veterinarmed A 43:225-231.

Kowalczyk JD, Halpern J, Roth TF. 1985. Quantification of maternal - fetal IgG transport in the chicken. Immunol. 54:755-762.

Kramer TT & Cho HC. 1970. Transfer of imunoglobulins and antibodies in the hens egg. Immunol. 19:157-167.

Loeken MR & Roth TF. 1983. Analysis of maternal IgG subpopulations which are transported into the chicken oocyte. Immunol. 49:21-28.

National Research Council. 1994. Nutrient requirement of poultry. 9.ed. Washington: University press.

Rose ME & Orlans E. 1981. Immunoglobulins in the egg, embryo and young chick. Dev. Comp. Immunol. 5:15-20.

SAS Institute. 2002. SAS® user´s guide: statistics. Cary: SAS Institute INC. Cary.

Tizard IR. 2009. Veterinary immunology. Philadelphia: Saunders.

 

 

 
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